segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sistema de Cotas nas Universidades: A inclusão que exclui

“Uma criança afro-descendente observava o homem dos balões na quermesse.
Evidentemente, o homem era um bom vendedor, pois deixou um balão vermelho soltar-se e elevar-se nos ares, atraindo, desse modo, uma multidão de jovens compradores em perspectiva.
Então ele soltou um balão azul, depois um amarelo e, finalmente, um branco.
Todos foram subindo cada vez mais até desaparecerem.
A criança ficou bastante tempo olhando o balão preto, aí perguntou:
- Moço, se o senhor soltasse o balão preto, ele subiria tanto quanto os outros?
O vendedor de balões deu ao garotinho um sorriso compreensivo.
Partiu o cordão que prendia o balão preto e, enquanto ele se elevava nos ares, disse:
- Não é a cor, filho. É o que está dentro dele que o faz subir.”

O governo criou um sistema de cotas nas universidades públicas para beneficiar os alunos afro-descendentes e os que estudam em escolas públicas com a afirmação de que haverá uma diminuição das desigualdades entre cidadãos e grupos sociais, como se eles fossem menos competentes, capazes ou inteligentes em relação aos brancos e aos que estudam em escolas particulares para passar no vestibular.

Algumas décadas atrás estudei em escola pública e o nível de ensino era bom, mas com o passar dos anos piorou; vieram os filhos e optei em colocá-los para estudar na escola particular para terem uma melhor qualidade de ensino. O fato de ter estudado em escola particular não quer dizer que meu filho seja de família rica, porque na maioria das vezes, quem tem filhos estudando na escola particular está se sacrificando financeiramente para oferecer melhores condições de ensino a eles e aumentando as chances de aprovação no vestibular, mas com o sistema de cotas, estão perdendo 50% de chances de ingressarem nas universidades públicas.

O sistema de cotas já foi muito discutido no país, uns a favor e outros contra, mas agora que saíram os resultados dos vestibulares é que veremos na prática as suas deficiências. Milhares de alunos estão comemorando a aprovação no vestibular, mas também é verdade que outros milhares estão frustrados, decepcionados e revoltados, principalmente, os que estudaram em escola particular e não conseguiram a vaga por causa do sistema de cotas e viram alunos do grupo B e C (afro-descendentes e alunos das escolas públicas), com menos pontos ingressarem nos seus lugares. Por exemplo, no curso de medicina da UFS, apenas um aluno do grupo B e C ficaria classificado para o grupo A (escolas particulares) se não existissem as cotas, provavelmente dezenas de alunos do grupo A tiveram mais pontos que os alunos aprovados nos grupos B e C e ficaram de fora. Provavelmente, isto ocorreu em quase todos os cursos oferecidos pela UFS e em todas as universidades públicas brasileira.

Algumas perguntas precisam de reflexões e respostas: É justo que os alunos do grupo A que obtiveram mais pontos que os alunos do grupo B e C fiquem de fora da universidade por causa das cotas? O ensino nas universidades será nivelado pelos alunos aprovados no grupo A ou pelos alunos dos grupos B e C? É justo que depois de 12 anos de estudo, o aluno seja discriminado por ter estudado em escola particular e perca a chance de 50% em ingressar na universidade pública por causa de um sistema de cotas? Os afro-descendentes que são juízes, promotores, engenheiros, professores, médicos precisaram de cotas para ingressar nas universidades e serem bem sucedidos na vida ou foi por estudo, capacidade e competência? O sistema de cotas não está sendo uma discriminação racial e social para todos?

O governo também deveria criar um sistema de cotas para o ingresso de políticos no congresso nacional, nas assembléias legislativas e nas câmaras de vereadores determinando vagas obrigatórias aos índios, sem terra, trabalhadores assalariados, mulheres, afro-descendentes e cidadãos que estudaram em escolas públicas, porque a maioria dos políticos eleitos vêm da elite que domina o Brasil há centenas de anos como: fazendeiros, empresários, usineiros, banqueiros.

O que o governo precisa fazer é melhorar o ensino nas escolas públicas e aumentar o poder aquisitivo do cidadão para diminuir as desigualdades sociais e não criar sistemas de cotas, porque desta maneira o mérito acadêmico está ficando em segundo plano, em que alguns alunos bem pontuados perdem as vagas para outros menos pontuados. Seria o mesmo que você chegar em 3º lugar numa corrida e perder a medalha de bronze para o 4º colocado.

Para o cidadão ser alguém na sociedade, ele precisa ser capaz, competente, inteligente e não privilegiado por um sistema de cotas, por que é injusto incluir alguns, excluindo outros. O sistema de cotas precisa ser revisto para que a injustiça não prevaleça no mérito do conhecimento, por que alguém está sendo discriminado por ele; quem será?

Por Professor José Costa

5 comentários:

  1. Prof. concordo que o não deveria existir sistema de cotas, mas em primeiro lugar, o ensino público precisa ser revisto, principalmente em relação aos professores, que não trabalham e vivem dentro de sindicatos ou brigando por cargos em comissão dentro das secretariais de educação. Outro ponto é que quem se sacrifica pagando até mil reais em escolas particulares de ensino médio, pode pagar mensalidades de ensino superior, em que na maioria dos cursos não é nem de quinhentos reais. Não sejamos hipócritas, vamos cobrar do estado, melhores escolas publicas, não só estruturais, mais tambem a parte de recursos humanos, que pelo amor de deus, mereçe a atenção do ministério publico.

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  2. Caro Professor, gostaria de lhe propor um exercício de memória. Responda rápido:

    Quantos médicos negros o senhor conhece? Advogados, juízes, engenheiros, promotores?

    Sacou?

    Se é a situação é tão simplória quanto a sua metáfora do balão negro, por quê a realidade que eu vejo é outra? Se é o que está dentro que faz subir, por quê quase não existem negros nos postos mais altos da sociedade, nas profissões consideradas de elite?

    Ou, de acordo com a conclusão que podemos tirar dessa metáfora, o que os negros tem dentro não os ajuda a subir? É isso?

    Se for então, o senhor está reconhecendo que existem diferenças raciais que colocam uns em situação melhor do que outros. Isso não seria racismo?

    As coisas não são tão simples como parecem.
    As reflexões devem ser mais profundas dos problemas sociológicos.

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  3. É uma cachorrada o que a UFS faz em deixar o aluno afro-descendente concorrer a 99% das vagas junto aos alunos da rede pública, enquanto um pai ou uma mãe de família se sacrifica para dar uma melhor qualidade de ensino a seu filho que deveria ser oferecida pelo governo. Esses pais que dão a vida pelo estudo dos filhos, que so concorrem a 50% das vagas. Muita injustiça com o aluno da rede particular de ensino o sistema de cotas, ou melhor sistema de preconceito, contra alunos da rede privada de ensino, assim ninguém corrigi a defiência da rede pública não, pelo contrário aumenta, pois aluno da rede pública tem metade das vagas garantida para eles ai relaxam confiando nelas.
    SISTEMA DE PRECONCEITO. Abaixo ao Sistema de Cotas

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  4. Tecer comentários a respeito do sistema de cotas não é tão simples como a história dos balões. Reduzir um assunto tão complexo, que envolve uma série de questões sociais, culturais e políticas a uma simple metáfora é a pura demonstração do uso e abuso do senso comum.
    Há de se levar em consideração diversos fatores históricos que marcaram a trajetória dos diferentes grupos sociais no Brasil e só assim será possível emitir uma opinião sólida acerca de tão polêmico assunto.
    A história da carochinha é bonita mas não serve de parâmetro para analisar a questão das cotas nas universidades brasileiras.
    O que me parece, numa primeira visão é que as polêmicas em torno das cotas não é tanto por causa do ingresso de jovens na universidade e sim a possível ameaça que a formação de jovens oriundos de classes sociais historicamente exploradas pode representar num futuro não muito distante para a manutenção do sistema de dominação que até hoje impera em nosso país.

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  5. concordo com tudo que você escreveu,gostaria o que fazer?pois não mim cinfirmei ainda em vê meu filho como exedente tendo pontos para passar.

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