domingo, 15 de julho de 2012

Amigos sempre, política a parte!

Há a alguns dias encontrei um amigo que me perguntou em qual candidato votarei no dia 7 de outubro para prefeito de Itabaiana. Com a minha resposta ele me deu as costas e saiu irritado. Depois disto, quando o encontrei na rua, ele virou o rosto e até mudou de calçada para não falar comigo.

Em Itabaiana é assim, quando chega a campanha eleitoral amigos de infância e de trabalho, vizinhos e até familiares ficam sem se falar por votar em grupos políticos diferentes.

Mal começou a campanha eleitoral de 2012 e os ânimos já estão acirrados entre os eleitores dos dois grupos políticos de Itabaiana, seja pelas ruas da cidade ou nas redes sociais com insinuações, discussões e desavenças, principalmente dos mais apaixonados por política, que defendem seus candidatos mais por paixão do que pela razão. As discussões são por vários motivos: quem promete na campanha e depois não cumpre, quem é mais responsável com o dinheiro público, qual é o mais carismático, que grupo compra mais votos, quem é ficha suja, qual mente mais e assim vai...

Durante os meses de disputa eleitoral e a até a posse do eleito, a cidade vira um campo de batalha que, na maioria das vezes, não é no campo das ideias e sim da paixão pelo candidato. Muitos eleitores não estão preocupados com propostas ou plano de governo, mas em ouvir difamações, injúrias e mentiras sobre os adversários.

Durante a campanha eleitoral as amizades de infância são desfeitas pelas contradições do pensamento político; os vizinhos de longas datas ficam sem se falar por não concordar com os adesivos, bandeiras e propagandas expostas do candidato em suas residências; familiares que votam em candidatos opostos ficam sem se falar neste período; roupas de uma determinada cor ficam guardadas nas gavetas por ser predominante de uma coligação, algumas músicas são antipatizadas por serem jingles de campanha, comerciantes perdem clientes por expor sua preferência por um determinado candidato; as emissoras de rádio passam a ter somente ouvintes que tem vínculo a um determinado candidato, com isto divide-se a população em defensores e opositores de candidaturas.

E o pior, é que tem político colaborando e estimulando a inimizade entre as pessoas, através de xingamentos, calúnias e mentiras sobre os adversários, e por tabela, aos seus eleitores, nos comícios, programas de rádio e nas visitas às casas dos correligionários. Passa para a população a ideia de que quem não vota no seu agrupamento político é um adversário ou inimigo. O político deve passar para a sociedade, a imagem de civilidade e respeito mútuo e não de jogadas baixas, de intrigas, de mesquinhez e da mais deslavada hipocrisia, estimulando o afastamento e distanciamento entre os eleitores que não votam no mesmo candidato.

Atualmente quantos amigos estão sem se falar por conta de discussões em eleições passadas, por terem defendido e votado em candidatos que se diziam adversários e estavam em palanques diferentes e hoje, estes políticos estão aliados e criticando, xingando e debochando dos ex-aliados. Os amigos ficam inimigos e os políticos, aliados de seus adversários em eleições passadas. Como acreditar em discurso e atitude de político que quando lhe convém fica de um lado, quando não, muda para o adversário, esquecendo o chulé e a alergia do outro.

Candidato que cria e estimula inimizades entre itabaianenses com o intuito de ganhar eleição, não merece ser votado, pois somos todos irmãos, filhos da mesma terra, independentemente de qual grupo político pertença ou não. A disputa eleitoral deve seja realizada em clima de paz com propostas para o engrandecimento do município e não com desavenças ao adversário

Que cada eleitor escolha seu candidato, defenda seu ponto de vista, o acompanhe nas caminhadas e comícios, torça por ele, mas respeite e aceite a posição contrária dos outros, resguardando as amizades.

Reflita sobre as consequências de suas atitudes, de inimizades com os amigos, vizinhos e familiares nesta eleição, porque a política passa e a amizade verdadeira deve ficar para sempre. Disputa eleitoral, sim, mas acima de tudo a amizade.

José Costa
Professor de Educação Física
CREF 000245-G/SE

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