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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Estudo associa oito aditivos alimentares comuns a maior risco de pressão alta e doenças cardíacas


Um estudo apresentado pela European Society of Cardiology (ESC) e divulgado pelo portal ScienceDaily analisou a relação entre aditivos alimentares e saúde cardiovascular.

 

Um estudo apresentado pela European Society of Cardiology (ESC) e divulgado pelo portal ScienceDaily analisou a relação entre aditivos alimentares e saúde cardiovascular. A pesquisa acompanhou mais de 112 mil adultos na França por até oito anos e encontrou associação entre o consumo frequente de determinados aditivos, presentes em alimentos ultraprocessados, e maior risco de hipertensão arterial e de doenças cardiovasculares. Os resultados não mostram uma ligação de causa e efeito. Ainda assim, levantam dúvidas importantes sobre o padrão alimentar atual e reforçam alertas já feitos por sociedades médicas.

 

Os participantes registraram, em um contexto de vida real, o que comiam ao longo do tempo. Com base nessas informações, os cientistas cruzaram a ingestão de aditivos específicos com o surgimento de novos casos de pressão alta, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outros problemas cardíacos. Dessa forma, o trabalho reforça o debate sobre o papel dos alimentos ultraprocessados na rotina. Além disso, mostra como rótulos aparentemente inofensivos podem esconder substâncias associadas a maior risco para o coração.

 

Como o estudo foi conduzido e quem participou da pesquisa?

O estudo analisado pela ESC utilizou dados de uma grande coorte francesa de base populacional, com voluntários adultos que aceitaram registrar de forma detalhada o que consumiam. No total, mais de 112 mil pessoas permaneceram em acompanhamento por até oito anos. Ao longo desse tempo, os participantes informavam, em vários momentos, sua alimentação diária, incluindo marcas, tipos de produtos e frequência de consumo.

 

Com essas informações, pesquisadores cruzaram cada item registrado com bancos de dados de composição de alimentos e identificaram quais produtos continham determinados aditivos. Em seguida, eles calcularam a quantidade média consumida de cada substância ao longo do acompanhamento. Paralelamente, os cientistas monitoravam a saúde dos participantes e verificavam o surgimento de hipertensão arterial e de eventos cardiovasculares, como infarto do miocárdio, AVC e necessidade de procedimentos de revascularização coronariana.

 

Os pesquisadores também consideraram fatores que poderiam interferir nos resultados, como idade, sexo, tabagismo, prática de atividade física, índice de massa corporal, histórico familiar de doença cardíaca e outros aspectos de estilo de vida. Desse modo, a análise estatística buscou isolar, dentro do possível, o papel de grupos específicos de aditivos. Mesmo assim, os autores ressaltam que o estudo utilizou um desenho observacional, no qual os cientistas apenas observam a vida real sem intervenção direta. Esse formato impede a confirmação de que os aditivos causem de forma direta os problemas detectados.

 

Quais são os oito aditivos associados a maior risco cardiovascular?

O foco principal do estudo recaiu sobre um conjunto de oito aditivos alimentares, amplamente usados pela indústria para conservar, realçar cor ou sabor e evitar a deterioração de produtos. São eles:

 

Sorbato de potássio

Metabissulfito de potássio

Nitrito de sódio

Ácido ascórbico

Ascorbato de sódio

Eritorbato de sódio

Ácido cítrico

Extrato de alecrim

 

Essas substâncias costumam aparecer de forma combinada em muitos alimentos ultraprocessados. Em geral, o nitrito de sódio entra na composição de carnes processadas, como salsichas, linguiças, presuntos e embutidos em geral, pois ajuda a conservar a cor rosada e impede o crescimento de bactérias. Já o sorbato de potássio surge com frequência em queijos industrializados, produtos de panificação, molhos prontos e bebidas adoçadas. Por sua vez, o metabissulfito de potássio aparece em muitos vinhos, frutos secos embalados, sucos industrializados e alguns produtos enlatados.

 

Os compostos relacionados à vitamina C, como ácido ascórbico, ascorbato de sódio e eritorbato de sódio, funcionam como antioxidantes, pois evitam o escurecimento de alimentos, melhoram a aparência e prolongam a validade. O ácido cítrico, por sua vez, atua como regulador de acidez e aparece em refrigerantes, doces, balas, sobremesas prontas, iogurtes saborizados e sucos em pó. Além disso, o extrato de alecrim também exerce função antioxidante e entra na composição de óleos, snacks salgados, carnes processadas e pratos prontos congelados. Em muitos rótulos, essas substâncias surgem com nomes técnicos ou códigos. Assim, a identificação por parte do consumidor torna-se mais difícil.

 

O que o estudo encontrou sobre pressão alta e doenças do coração?

Ao comparar grupos com maior e menor ingestão desses aditivos, os pesquisadores observaram que o consumo mais elevado se associou a um risco estatisticamente maior de desenvolver hipertensão e eventos cardiovasculares ao longo do período de acompanhamento. Em outros termos, pessoas que ingeriam com frequência alimentos ricos nesses aditivos tiveram mais episódios de problemas cardíacos do que aquelas que consumiam quantidades menores. Além disso, o risco parecia aumentar de forma gradual conforme o consumo de ultraprocessados crescia.

 

A análise indicou que a relação não se restringe a um alimento isolado, mas ao conjunto da dieta com alto teor de alimentos ultraprocessados. Esse padrão alimentar geralmente inclui itens com muito sódio, gorduras saturadas e açúcares adicionados e, ao mesmo tempo, menos fibras, frutas, legumes e preparações caseiras. Assim, o estudo sugere que o pacote completo da alimentação industrializada, incluindo os aditivos, pode contribuir para o aumento do risco de pressão alta e doenças do coração. Portanto, os resultados dialogam com outras pesquisas que já relacionam ultraprocessados a obesidade, diabetes tipo 2 e maior mortalidade.

 

Os autores reforçam, porém, que a pesquisa encontrou uma associação estatística. Isso significa que os dados mostram uma ligação observada, mas não provam que os aditivos atuem, por si só, como causa direta dos problemas. Outros elementos presentes na dieta ou no estilo de vida também podem participar dessa relação. Ainda assim, os resultados se mostraram consistentes o suficiente para motivar novas investigações e discussões regulatórias, especialmente sobre rotulagem e limites seguros de uso desses ingredientes.

 

Em que tipos de alimentos esses aditivos aparecem no cotidiano?

Os oito aditivos avaliados aparecem combinados em uma ampla gama de produtos disponíveis em supermercados e lojas de conveniência. Entre os exemplos mais comuns, destacam-se:

 

Carnes processadas: salsichas, presuntos, peito de peru, salames e linguiças, geralmente com nitrito de sódio, extrato de alecrim e antioxidantes como ascorbato e eritorbato de sódio.

Bebidas industrializadas: refrigerantes, sucos prontos, bebidas adoçadas e energéticos, frequentemente com ácido cítrico e, em alguns casos, metabissulfito de potássio.

Produtos de panificação e confeitaria: pães de forma industrializados, bolos prontos, sobremesas e recheios, que podem conter sorbato de potássio, ácido ascórbico e ácido cítrico.

Snacks e alimentos prontos: batatas fritas de pacote, salgadinhos, pratos congelados e molhos prontos, com uso de extrato de alecrim, sorbato de potássio e outros conservantes.

Frutas secas e enlatados: uvas-passas, damascos, alimentos em conserva e alguns vegetais enlatados, com metabissulfito de potássio e antioxidantes.

 

Nesse cenário, consumidores que baseiam grande parte da alimentação em produtos prontos ou semiprontos costumam ingerir diversos aditivos ao longo do dia, muitas vezes sem perceber. Por isso, a leitura atenta dos rótulos, incluindo a lista de ingredientes, ajuda a identificar a presença dessas substâncias e a frequência com que elas aparecem na rotina alimentar. Além disso, comparar marcas, escolher versões com listas menores de ingredientes e priorizar opções com menos aditivos são estratégias práticas para reduzir a exposição.

 

O que os cientistas concluíram e quais são os próximos passos?

Os pesquisadores envolvidos no estudo destacaram que os resultados reforçam a necessidade de atenção ao consumo regular de alimentos ultraprocessados, especialmente entre pessoas com risco maior de doença cardiovascular. A associação observada sugere que reduzir a ingestão de produtos ricos em conservantes, antioxidantes sintéticos e estabilizantes podem representar uma estratégia relevante de saúde pública. Essa medida deve atuar ao lado de outras ações já consolidadas, como evitar o tabagismo, manter atividade física regular e controlar a pressão arterial.

 

Ao mesmo tempo, o grupo responsável pelo trabalho afirma que a comunidade científica ainda precisa de mais estudos, incluindo pesquisas experimentais e ensaios clínicos, para esclarecer o papel específico de cada aditivo no organismo humano. Os pesquisadores também ressaltam a importância de avaliar o efeito combinado dessas substâncias, já que elas costumam aparecer juntas no mesmo produto e podem interagir entre si. Além disso, defendem investigações em diferentes países, a fim de verificar se os resultados se repetem em outros padrões alimentares.

 

Em termos práticos, a pesquisa reforça orientações que sociedades médicas e entidades de nutrição já discutem com frequência: priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, dar preferência a preparações caseiras quando possível e reservar itens ultraprocessados para consumo ocasional, e não diário. Ao trazer dados de um grupo numeroso, acompanhado por vários anos, o estudo apresentado pela European Society of Cardiology amplia o debate sobre a qualidade da alimentação atual e o impacto desse padrão sobre a pressão arterial e a saúde do coração ao longo da vida. Dessa maneira, ele oferece mais um argumento para que consumidores, profissionais de saúde e formuladores de políticas públicas revisem a relação com produtos industrializados.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/estudo-com-mais-de-112-mil-pessoas-associa-oito-aditivos-alimentares-comuns-a-maior-risco-de-pressao-alta-e-doencas-cardiacas,af614028fbb7035c6b6339d273c76760wt4gzgxb.html?utm_source=clipboard - Por: Jonasmoura* *com uso de inteligência artificial / Giro 10 - depositphotos.com / VitalikRadko

domingo, 14 de junho de 2026

Dormir menos de 7 horas pode reduzir anos de vida


Pessoas com sono insuficiente - classificado como menos de 7 horas de sono por noite - podem ter menos tempo de vida. É o que indica estudo realizado na Universidade de Ciência e Saúde do Oregon, nos Estados Unidos.

 

Os pesquisadores cruzaram dados de expectativa de vida com pesquisas detalhadas de saúde pública, realizadas entre 2019 e 2025, e concluíram que o sono insuficiente superou a dieta e os exercícios físicos como preditor do tempo de vida de uma pessoa, sendo que apenas o tabagismo influenciou negativamente a longevidade em relação ao sono.

 

Os autores explicam que o sono desempenha funções na saúde cardiovascular, no sistema imunológico e no desempenho cerebral. Logo, os resultados do estudo reforçam a necessidade de priorizar o descanso no mesmo nível que as recomendações médicas para nutrição e atividade física. Além disso, eles aconselham aos formuladores de políticas públicas o desenvolvimento de campanhas de incentivo à higiene do sono.

 

Fonte: SLEEP Advances. DOI: 10.1093/sleepadvances/zpaf090.

 

Fonte: https://www.boasaude.com.br/noticias/22514/dormir-menos-de-7-horas-pode-reduzir-anos-de-vida.html?utm_source=terra_capa_vida-e-estilo&utm_medium=referral#google_vignette

terça-feira, 9 de junho de 2026

Infarto envolve mais órgãos do que o coração


Quando se fala em infarto, pensa-se logo no coração. Contudo, estudo realizado na Universidade da Califórnia de San Diego, nos Estados Unidos, mostrou que o infarto do miocárdio é um processo sistêmico que envolve o sistema cardiovascular, o cérebro e o sistema imunológico.

 

Segundo os autores, o dano cardíaco é amplificado por uma resposta nervosa que faz com que as defesas do organismo atuem de forma desordenada e leva a uma resposta imune autodestrutiva.

 

Como no caso do infarto não existem patógenos ou bactérias a serem destruídas, as células de defesa liberadas acabam atacando o próprio tecido cardíaco, agravando a lesão original.

 

Em testes os pesquisadores conseguiram minimizar os danos do infarto bloqueando os sinais sensoriais e imunológicos que viajam entre o cérebro e o coração, reduzindo os danos após o infarto. Segundo os autores, esses resultados abrem caminho para que novas terapias mais abrangentes e menos invasivas possam ser desenvolvidas.

 

Fonte: https://www.boasaude.com.br/noticias/22370/infarto-envolve-mais-orgaos-do-que-o-coracao.html?utm_source=terra_capa_vida-e-estilo&utm_medium=referral – imagem da internet

domingo, 7 de junho de 2026

Quem é sedentário pode melhorar a saúde com apenas 1 mês de Pilates? Veja os resultados



Pilates para sedentários pode trazer mudanças antes do esperado? Um estudo observou efeitos em indicadores importantes após apenas um mês.

 

Quem está há muito tempo sem se exercitar costuma acreditar que qualquer mudança na saúde demora meses para aparecer. Mas um estudo recente sugere que alguns indicadores importantes, como pressão arterial e glicose, podem começar a melhorar mais cedo do que muita gente imagina.

 

A pesquisa acompanhou mulheres sedentárias que participaram de aulas de Pilates três vezes por semana durante um mês.

 

Ao final desse período, foram observadas mudanças em indicadores ligados à saúde cardiovascular, ao metabolismo e aos níveis de cortisol, hormônio relacionado à resposta do organismo ao estresse.

 

O que o Pilates fez com a saúde das participantes?

As participantes realizaram sessões de Pilates três vezes por semana, com duração de cerca de uma hora.

 

Ao final do programa, os pesquisadores observaram:

 

redução da frequência cardíaca em repouso;

diminuição da pressão arterial;

melhora dos níveis de glicose no sangue;

redução do índice de massa corporal (IMC);

diminuição da circunferência abdominal;

queda dos níveis de cortisol.

 

As melhorias apareceram nos dois grupos avaliados: mulheres entre 30 e 40 anos e participantes entre 50 e 60 anos.

 

Um dos achados que mais chamou a atenção foi que, em alguns indicadores, como pressão arterial, glicose e cortisol, as mulheres mais velhas apresentaram resultados ainda mais expressivos.

 

Como o Pilates pode influenciar pressão, glicose e bem-estar?

O Pilates combina fortalecimento muscular, controle da respiração e movimentos realizados de forma consciente.

Para pessoas sedentárias, começar a se exercitar regularmente costuma melhorar o funcionamento cardiovascular e metabólico.

Além disso, a prática envolve atenção aos movimentos e técnicas de respiração que costumam ser associadas ao relaxamento e ao bem-estar.

 

Por que algumas participantes melhoraram mais?

Os pesquisadores acreditam que participantes com maior comprometimento metabólico ou cardiovascular tinham mais espaço para melhorar após o início da atividade física.

Isso pode ajudar a explicar por que algumas mulheres entre 50 e 60 anos apresentaram respostas mais evidentes em indicadores como pressão arterial, glicose e cortisol.

 

Os resultados valem para qualquer pessoa?

Ainda é preciso interpretar os resultados com cautela.

A pesquisa envolveu apenas 30 mulheres sedentárias e durou um mês.

Além disso, as participantes também receberam orientações para reduzir o consumo de álcool, açúcar e bebidas açucaradas durante o período analisado.

Por isso, não é possível afirmar que todas as melhorias observadas ocorreram exclusivamente por causa do Pilates.

Mesmo assim, os resultados sugerem que iniciar uma rotina de exercícios pode trazer benefícios para a saúde antes do que muita gente imagina.

 

Vale a pena apostar na modalidade?

Para quem está há muito tempo sem se exercitar, o Pilates pode ser uma alternativa interessante para iniciar uma rotina mais ativa.

Além do fortalecimento muscular e da melhora da postura, a modalidade também pode trazer benefícios para a saúde cardiovascular e metabólica.

Isso não significa que os efeitos sejam imediatos ou garantidos para todas as pessoas. Mas os resultados reforçam o que já se sabe sobre a importância da atividade física regular para a saúde.

Publicado na revista científica Life, o estudo acrescenta novas evidências sobre os possíveis benefícios do Pilates para pessoas sedentárias.

Mais do que destacar uma modalidade específica, os achados reforçam que manter o corpo em movimento continua sendo uma das estratégias mais importantes para cuidar da saúde ao longo da vida.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/quem-e-sedentario-pode-melhorar-a-saude-com-apenas-1-mes-de-pilates-veja-os-resultados,3a3133801000a625f0da5d7c6083844eod6vx6xv.html?utm_source=clipboard - Por: Michele Azevedo / SaúdeLAB - Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

domingo, 17 de maio de 2026

Do nada? Estudo revela 4 fatores por trás dos casos de infarto


Pesquisa com cerca de 10 milhões de pessoas mostra os pontos em comum entre infartados

 

Embora percebido como um evento repentino, o infarto costuma ser o desfecho de um processo silencioso, que se desenvolve ao longo de anos. É o que indica um estudo internacional publicado no Journal of the American College of Cardiology, com dados de mais de 9,3 milhões de pessoas na Coreia do Sul e de 6.803 indivíduos nos Estados Unidos.

 

A pesquisa investigou quais condições estavam presentes antes do primeiro evento cardiovascular — como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), doença arterial coronariana ou insuficiência cardíaca — e encontrou um padrão consistente: em mais de 99% dos casos, havia ao menos um fator de risco prévio, e entre 93% e 97% dos pacientes apresentavam dois ou mais fatores combinados.

 

Os pesquisadores avaliaram quatro vilões clássicos: pressão arterial acima do ideal, colesterol elevado, glicemia alterada e histórico de tabagismo. E foram além dos diagnósticos formais: mesmo níveis considerados limítrofes, como pressão “normal-alta” ou pré-diabetes, entraram na conta, porque também aumentam o risco ao longo do tempo. Na prática, o estudo desmonta a ideia popular do “infarto do nada.”

 

Também chama atenção para um ponto crítico: o problema, muitas vezes, está no risco não identificado ou não tratado, mesmo quando as alterações parecem discretas. Pressão “normal-alta” (aquela que marca 120x80 mmHg, ou 12x8), glicemia em estágio de pré-diabetes e colesterol moderadamente elevado já demandam acompanhamento e, em muitos casos, intervenção. “O infarto deixa de ser visto como um evento súbito e imprevisível e passa a ser entendido como o desfecho de um processo crônico, progressivo, que evolui ao longo dos anos e, na maioria das vezes, pode ser prevenível”, avalia a cardiologista Juliana Tranjan, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.

 

Ataque silencioso às artérias

 

Por trás dessa progressão está a aterosclerose, o acúmulo gradual de gordura e inflamação na parede das artérias, levando à formação de placas. Se uma delas rompe, o organismo pode formar um coágulo no local, bloqueando a circulação. Quando isso acontece nas coronárias, surge o infarto. “Diabetes, obesidade e outros distúrbios metabólicos atrapalham a parede do vaso e facilitam o acúmulo de gordura, levando ao entupimento”, detalha o endocrinologista Márcio Weissheimer Lauria, coordenador do departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e professor de Endocrinologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 

A pressão alta lesa o endotélio, camada interna dos vasos. O colesterol LDL elevado favorece o depósito de gordura nas artérias. Por sua vez, a glicose em excesso aumenta a inflamação vascular. Já o cigarro, além de inflamação, causa estresse oxidativo e pode levar à instabilidade da placa ateromatosa. “Esses fatores associados levam a um maior risco de ruptura e trombose de placa aterosclerose, ocasionando o infarto agudo do miocárdio”, pontua Tranjan.

 

Esse processo é lento e gera adaptações no organismo ao longo dos anos. Por isso, em alguns casos, é assintomático. Quando aparecem sintomas, os alertas podem ser discretos demais para chamar atenção: cansaço fora do habitual, queda no desempenho físico, falta de ar ao fazer esforço e desconforto torácico. Sinais facilmente atribuídos também ao estresse, à idade ou ao sedentarismo.

 

A boa notícia é que esses fatores são, em grande parte, modificáveis. Mudanças no estilo de vida conseguem reduzir risco, desacelerar a progressão da doença aterosclerótica e até promover remissão de alterações metabólicas. Perda de peso, alimentação equilibrada, atividade física regular, abandono do cigarro, sono adequado e controle medicamentoso, quando necessário, fazem diferença.

 

“Poucos meses de intervenção com perda de peso e exercício físico consistentes já têm repercussão positiva e você consegue ver resultados em novos exames”, ressalta Lauria. Quanto antes essa intervenção começar, maior a chance de reversão. Em fases mais avançadas, o foco passa a ser estabilizar o problema e evitar a progressão.

 

Exames simples ainda são poderosos

 

Apesar do interesse crescente por marcadores sofisticados, boa parte do rastreamento cardiovascular continua dependendo de ferramentas bastante acessíveis, como medição da pressão arterial, da glicemia, do colesterol e dos triglicérides, além do monitoramento de peso e circunferência abdominal. “Os exames de rotina devem ser individualizados de acordo com história clínica, comorbidades e história familiar de cada paciente. Dessa forma, conseguimos fazer um rastreio mais refinado e prevenção da doença cardiovascular”, reforça a cardiologista do Einstein em Goiânia.

 

Marcadores adicionais, como apolipoproteína B e lipoproteína(a), podem ajudar em casos específicos, especialmente em pessoas com histórico familiar forte ou eventos cardiovasculares sem explicação clara. A lipoproteína(a), por exemplo, é um fator genético e sua dosagem é recomendada ao menos uma vez na vida por algumas diretrizes internacionais. Outro exame relevante para medir o risco cardiovascular é o escore de cálcio coronariano, exame de tomografia para quantificar placas de gordura calcificadas nas artérias do coração.

 

A prevenção cardiovascular não começa quando surge dor no peito, mas sim muito antes, no acompanhamento médico regular, nos exames de rotina e no controle de alterações aparentemente pequenas. “A doença aterosclerótica se desenvolve ao longo de décadas. O evento agudo é a manifestação tardia de algo que já estava acontecendo silenciosamente, por isso é tão importante a prevenção”, conclui Juliana Tranjan.

 

Fonte: https://www.correio24horas.com.br/saude/do-nada-estudo-revela-4-fatores-por-tras-dos-casos-de-infarto-0526 - Foto do(a) author(a) Agência Einstein - (Imagem: mentalmind | Shutterstock) por Imagem: mentalmind | Shutterstock

sábado, 9 de maio de 2026

Estudo com 15 mil brasileiros comprova que atividade física é o melhor investimento para o envelhecimento


Em 2024, a cada 15 minutos, o Brasil registrou quatro mortes que poderiam ser evitadas se a prática de atividade física fizesse parte da rotina dessas pessoas. Esse dado reforça o que pesquisadores já alertam: a inatividade física não é apenas uma escolha individual, mas uma pandemia com impactos profundos na saúde coletiva e custos humanos e econômicos.

 

No cenário de um país que envelhece a um ritmo acelerado, o movimento corporal surge não como um luxo, mas como uma estratégia essencial de sobrevivência e de dignidade.

 

O Brasil que envelhece e se imobiliza

O Brasil passa por uma transição demográfica acelerada. Enquanto nações europeias enriqueceram antes de envelhecerem, estamos envelhecendo em um contexto de desigualdades sociais persistentes.

 

Os dados do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto, ELSA-Brasil, oferecem um retrato fiel desse desafio. Há mais de 15 anos, a pesquisa acompanha 15 mil adultos em seis estados brasileiros. O projeto é financiado pelo Ministério da Saúde e conta também com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

 

Epidemiologicamente, a prevalência de atividade física insuficiente no Brasil ainda é preocupante. O boletim do ELSA-Brasil revela que o comportamento sedentário — o tempo gasto sentado ou deitado com baixo gasto energético — torna-se um hábito ainda mais comum em fases críticas, como a aposentadoria.

 

Ao contrário do que muitos pensam, parar de trabalhar muitas vezes reduz o nível de movimento: a inatividade física aumenta em 65% entre homens e 55% entre mulheres após a saída do mercado de trabalho.

 

O movimento como pilar para a longevidade

A prática regular de atividade física, definida como qualquer movimento voluntário com gasto de energia acima do repouso, atua como um “polifármaco” natural. Os benefícios para o envelhecimento saudável, evidenciados nos diversos artigos publicados pelo ELSA-Brasil, são multissistêmicos:

 

Saúde metabólica e cardiovascular: Atingir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 150 minutos semanais de atividade moderada a vigorosa está associado a um risco de mortalidade 25% menor em cinco anos. Na prática, a estatística mostra que, para cada quatro mortes registradas entre sedentários, ocorrem apenas três entre indivíduos ativos. Ou seja: a atividade física regular é capaz de evitar uma em cada quatro mortes que ocorreriam.

 

Preservação cognitiva: O exercício é fundamental para a manutenção de domínios centrais da cognição, como memória, linguagem e atenção, além de reduzir o risco de declínio cognitivo.

 

Proteção do Coração: Manter-se ativo ao longo da vida reduz a rigidez das artérias e a incidência de hipertensão e diabetes.

 

Bem-estar e Qualidade de Vida: Pequenas mudanças, como acumular cerca de 7 mil passos por dia, podem reduzir a mortalidade pela metade.

 

Políticas públicas

Para que o exercício não seja apenas uma recomendação clínica, o ambiente deve ser favorável. O Brasil possui ferramentas robustas, como o Guia de Atividade Física para a População Brasileira. Este documento orienta que “todo passo conta” e que a atividade física pode ocorrer no lazer, no deslocamento ou em tarefas domésticas.

 

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o programa Academia da Saúde destaca-se como uma política essencial para democratizar o acesso ao movimento. Além disso, o ELSA-Brasil demonstra que o ambiente urbano influencia diretamente o comportamento: pessoas que vivem perto de áreas verdes e parques praticam exercícios com mais frequência. Morar em uma vizinhança com boa infraestrutura para caminhar e sombra de árvores aumenta em 69% a probabilidade de o indivíduo praticar atividade física no lazer.

 

A ciência que sai do laboratório: o papel da divulgação

Para que dados complexos como os do ELSA-Brasil se transformem em mudanças de hábito, a comunicação precisa ser clara e acessível. A divulgação científica atua como essa ponte vital, traduzindo evidências estatísticas em orientações práticas que a população pode compreender e aplicar no dia a dia.

 

O ELSA-Brasil tem investido sistematicamente em estratégias para devolver seus achados à sociedade. Uma dessas iniciativas é a criação de boletins informativos periódicos, como o que fundamenta este artigo. Estes documentos utilizam uma linguagem visual e direta para explicar desde conceitos básicos — como a diferença entre atividade física (movimento voluntário) e exercício físico (planejado e repetitivo) — até os resultados mais recentes sobre prevenção de doenças.

 

Esses boletins temáticos, disponíveis no site do ELSA-Brasil, fazem parte de um ecossistema de divulgação que busca democratizar o conhecimento produzido em mais de 15 anos de estudo. Ao apresentar de forma lúdica que substituir apenas 10 minutos de comportamento sedentário por movimento pode salvar vidas, a ciência deixa de ser um gráfico em um artigo acadêmico e se torna um incentivo real para o cidadão que está sentado no sofá. Mais do que informar, essa iniciativa visa empoderar o brasileiro a tomar decisões baseadas em evidências para o seu próprio envelhecimento.

 

Nunca é tarde para começar

Um dos achados mais encorajadores da ciência moderna é a quebra do mito do “tempo perdido”. O papel protetor da atividade física é resiliente, independentemente da idade de início. Substituir apenas 10 minutos diários de sofá por movimento moderado já reduz o risco de morte em 10% no curto prazo.

 

O corpo humano mantém sua capacidade de adaptação em qualquer estágio da vida. Se o benefício acumulado de uma vida ativa é inegável, o benefício imediato da mudança de hábito é o que garante que o idoso de hoje seja o protagonista de sua própria história amanhã. O movimento é, sem dúvida, a forma mais eficiente de transformar os anos que ganhamos em vida plena e independente.

 

Fonte: https://theconversation.com/estudo-com-15-mil-brasileiros-comprova-que-atividade-fisica-e-o-melhor-investimento-para-o-envelhecimento-281083

terça-feira, 5 de maio de 2026

Pressão alta em jovens cresce e tem relação com hábitos comuns; entenda


Estudo aponta aumento de casos entre adolescentes e jovens adultos e reforça impacto do estilo de vida na saúde cardiovascular

 

A hipertensão, conhecida popularmente como pressão alta, deixou de ser um problema restrito a adultos e idosos. Nos últimos 20 anos, o número de adolescentes e crianças com a condição quase dobrou em todo o mundo.

 

Os dados são de um estudo publicado na revista científica The Lancet Child & Adolescent Health, em novembro de 2025. A pesquisa estima que cerca de 114 milhões de jovens convivem atualmente com a doença.

 

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a hipertensão atinge cerca de 30% da população.

 

Estilo de vida influencia diretamente

Embora fatores genéticos tenham importância, especialistas apontam que o estilo de vida tem grande impacto no desenvolvimento da doença.

 

De acordo com o cardiologista dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Gustavo Lenci, há uma combinação de fatores que vem preocupando a área da saúde.

 

Entre eles estão sedentarismo, obesidade, alimentação industrializada, estresse e até questões sociais.

 

"Além dos fatores clássicos, como sedentarismo e obesidade, devemos considerar desde a poluição e o estresse da vida moderna até a alimentação industrializada. A própria falta de segurança no local de moradia, por exemplo, é um fator que contribui para o aumento do estresse", explica o médico.

 

Jovens estão mais expostos a riscos cardiovasculares

Um estudo publicado em março de 2026 pelo Centro Universitário Assunção (UNIFAI), sobre determinantes socioambientais e hábitos de risco para hipertensão em jovens, reforça essa preocupação.

 

A pesquisa aponta que pessoas entre 15 e 29 anos estão apresentando maior antecipação dos riscos cardiovasculares.

 

O levantamento também destaca a importância do diagnóstico precoce.

 

Segundo o estudo, identificar a hipertensão ainda na juventude permite intervenções mais eficazes e ajuda a reduzir complicações futuras, além de incentivar hábitos mais saudáveis desde cedo.

 

Sintomas da hipertensão exigem atenção

A hipertensão é considerada uma doença silenciosa. Isso porque, na maioria dos casos, não apresenta sintomas claros no início.

 

Quando eles aparecem, podem incluir:

 

Dor de cabeça.

Tontura.

Zumbido no ouvido.

Visão embaçada.

Fraqueza.

Sangramento nasal.

Dor no peito.

Como os sinais podem surgir apenas em fases mais avançadas, o acompanhamento médico é essencial.

 

Quando procurar atendimento médico

Segundo o cardiologista Vinícius Oro Popp, do Hospital São Marcelino Champagnat, a persistência dos sintomas é um sinal de alerta.

 

"A combinação de sinais que não melhoram e se intensificam ao longo do tempo indica a necessidade de avaliação médica. Também há situações que exigem atendimento imediato, como dor de cabeça muito intensa, alterações visuais, confusão mental ou dor no peito. Mesmo sem sintomas, níveis de pressão muito elevados de forma persistente devem ser investigados precocemente", explica.

 

O especialista também reforça que pessoas com histórico familiar ou fatores de risco devem redobrar a atenção.

 

Mesmo sem sintomas, a medição regular da pressão é fundamental para o diagnóstico precoce.

 

Prevenção ainda é o melhor caminho

A boa notícia é que a hipertensão pode ser prevenida e controlada com mudanças no estilo de vida.

 

Entre as principais recomendações estão:

 

Reduzir o consumo de sal.

Evitar excesso de álcool.

Manter alimentação equilibrada, rica em frutas e fibras.

Praticar atividade física regularmente.

Controlar o peso corporal.

Evitar o tabagismo.

Em alguns casos, o tratamento também pode incluir o uso de medicamentos.

 

A aferição periódica da pressão arterial, inclusive em consultas de rotina, é uma das formas mais eficazes de identificar alterações precocemente e prevenir complicações.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/pressao-alta-em-jovens-cresce-e-tem-relacao-com-habitos-comuns-entenda,a07e07272117d8daf001e608a6f64817g85qmaf1.html?utm_source=clipboard - Foto: Saúde em Dia

sábado, 25 de abril de 2026

Tempo de vida: genes explicam metade da variação na longevidade humana: estudo


Durante muito tempo, a ciência estimou que a influência do DNA na nossa expectativa de vida era pequena, algo entre 10% e 20%. Acreditava-se que o estilo de vida e o ambiente eram os verdadeiros protagonistas do envelhecimento. No entanto, uma pesquisa liderada por Ben Shenhar, doutorando em física no Instituto Weizmann de Ciência, sob supervisão do professor Uri Alon, propõe uma mudança radical nessa visão. Publicado no periódico Science o estudo indica que fatores genéticos explicam cerca de metade da variação na longevidade humana.

 

Para chegar a esse número, a equipe analisou bases de dados de gêmeos na Suécia e Dinamarca, incluindo irmãos que cresceram separados. O diferencial desse estudo foi o uso de modelos matemáticos para isolar a mortalidade extrínseca — mortes por acidentes ou infecções — da mortalidade intrínseca, que é o envelhecimento biológico real. Os pesquisadores perceberam que estudos anteriores falhavam ao misturar fatalidades externas com o desgaste natural do corpo. Ao “limpar” esses dados, a herança biológica saltou de coadjuvante para protagonista.

 

É como se a vida fosse uma maratona onde alguns correm com tênis de alta performance herdados, enquanto outros enfrentam obstáculos imprevisíveis descalços. Se focarmos apenas em quem tropeça em um buraco, nunca entenderemos a eficiência do calçado. Ao remover o ruído dos acidentes, a genética mostrou-se tão influente quanto é para outras características complexas, como a altura. Esse novo cenário dá fôlego extra para a busca de variantes genéticas que possam ser usadas em terapias futuras contra o envelhecimento.

 

O peso do DNA e a influência do acaso biológico

A pesquisa utilizou um framework inovador com “gêmeos virtuais” para simular como o ambiente impacta irmãos com o mesmo código genético. Percebeu-se que, ao longo do século XX, conforme a saúde pública reduziu as mortes por causas externas, a biologia interna tornou-se mais evidente. A biogerontologista Austin Argentieri, do Massachusetts General Hospital, reforça que, embora o tabagismo e a condição socioeconômica pesem muito, eles não anulam a base genética intrínseca de cada indivíduo.Ciência

 

Outro ponto curioso é que a longevidade não depende de um único “gene da imortalidade”, mas de um conjunto de pequenas variações em genes como o APOE e o CDKN2B. Estudos em populações de centenários revelam que essas pessoas costumam carregar um mosaico de variantes que protegem o organismo por mais tempo. No Brasil, por exemplo, o estudo de supercentenários com mais de 110 anos sugere que a miscigenação pode criar combinações genéticas únicas e protetoras.

 

Mesmo com 50% da variação vindo dos genes, a outra metade da moeda ainda pertence ao estilo de vida e ao que os cientistas chamam de estocasticidade biológica — o puro acaso. Isso significa que, embora o roteiro inicial esteja no DNA, a forma como a história se desenrola depende da interação constante com o ambiente. Entender que o envelhecimento biológico tem um ritmo próprio ajuda a desviar de determinismos simples: os genes não são um destino absoluto, mas um mapa de possibilidades.

 

Limites celulares e a evolução da velhice

A biologia celular oferece explicações para esse limite genético através de conceitos como o limite de Hayflick. Ele determina quantas vezes uma célula pode se dividir antes de parar, um processo conhecido como senescência. Esse esgotamento celular acumulado é o que acaba afetando a funcionalidade dos tecidos. Além disso, a teoria da pleiotropia antagonista sugere que alguns genes que nos ajudam a sobreviver e reproduzir quando jovens podem se tornar prejudiciais na velhice, contribuindo para o declínio natural do organismo.História

 

A descoberta de Shenhar e Alon incentiva a catalogação de variantes que estendem a vida, o que pode transformar a farmacogenômica. Se sabemos que metade da longevidade é herdável, a medicina personalizada pode focar em mecanismos moleculares específicos para cada perfil genético. No entanto, é fundamental lembrar que esses 50% referem-se a variações dentro de uma população, não a uma garantia individual. Alguem pode herdar ótimos genes, mas ainda assim sofrer os impactos de um ambiente insalubre ou de escolhas ruins.

 

Ao observar esses dados, fica claro que a busca por uma vida longa é uma parceria entre o que recebemos e o que construímos. A ciência está finalmente separando o que é “sorte” ambiental do que é engenharia biológica. Isso me traz um conforto lógico: não somos apenas vítimas das circunstâncias, nem apenas escravos do DNA. A longevidade saudável surge justamente no equilíbrio de mitigar riscos externos enquanto aprendemos a trabalhar com as ferramentas que nossas células já possuem.

 

Fonte: https://hypescience.com/tempo-de-vida-genes-explicam-metade-da-variacao-na-longevidade-humana-estudo/ - Por Marcelo Ribeiro

terça-feira, 31 de março de 2026

Exercícios físicos podem ajudar no tratamento da depressão


Praticar exercícios físicos regularmente pode ajudar a reduzir sintomas de depressão, com efeitos semelhantes aos da terapia psicológica. Essa é a conclusão de uma revisão científica publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews.Saúde

 

O estudo reuniu dados de 73 ensaios clínicos que envolveram quase 5 mil adultos com diagnóstico de depressão. Os resultados indicaram que pessoas que participaram de programas de atividade física apresentaram melhora moderada dos sintomas em comparação com aquelas que não receberam tratamento específico.

 

Quando comparado diretamente com terapia psicológica, o exercício apresentou eficácia semelhante na redução dos sintomas depressivos. Em relação aos antidepressivos, os efeitos também pareceram comparáveis, embora as evidências ainda sejam consideradas limitadas.

 

Os pesquisadores observaram que exercícios de intensidade leve a moderada tende a trazer mais benefícios do que treinos muito intensos. Programas que combinam diferentes tipos de atividade física também mostraram resultados promissores.

 

Os especialistas destacam que o exercício não substitui necessariamente outros tratamentos, mas pode ser uma estratégia complementar segura e acessível, adaptada às preferências e condições de cada pessoa.

 

Cochrane Database of Systematic Reviews. DOI: 10.1002/14651858.CD004366.pub7/full.

 

Fonte: https://www.boasaude.com.br/noticias/22222/exercicios-fisicos-podem-ajudar-no-tratamento-da-depressao.html?utm_source=terra_capa_vida-e-estilo&utm_medium=referral#google_vignette

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Alerta: 6 tipos de câncer crescem entre jovens, segundo Harvard


Estudo internacional aponta aumento dos tipos de câncer em pessoas com menos de 50 anos e acende alerta para fatores de risco

 

Um estudo internacional coordenado pela Universidade de Harvard acendeu um alerta importante.

 

A pesquisa identificou crescimento de seis tipos de câncer em pessoas com menos de 50 anos.

 

Os dados foram publicados em novembro de 2025 na revista da National Library of Medicine.

 

Quais tipos de câncer estão aumentando?

O levantamento aponta alta mais acelerada nos seguintes tumores:

 

Câncer colorretal.

Câncer cervical.

Câncer pancreático.

Câncer de próstata.

Câncer renal.

Mieloma múltiplo.

 

Entre eles, os casos de câncer colorretal chamam atenção especial.

 

Isso porque, além do aumento no número de diagnósticos, também há crescimento na mortalidade.

 

Câncer colorretal preocupa especialistas

O câncer colorretal aparece como um dos principais focos da pesquisa.

A estimativa é de que, até 2030, os casos aumentem:

90% entre jovens de 20 a 34 anos.

46% na faixa de 35 a 49 anos.

Atualmente, cerca de 10% dos diagnósticos globais desse tumor já ocorrem em pessoas com menos de 50 anos.

Para os pesquisadores, o número é considerado significativo.

 

O que o estudo analisou?

Os cientistas avaliaram dados registrados entre 2000 e 2017.

Foram examinados 13 tipos de câncer que apresentaram aumento em adultos jovens em pelo menos 10 países.

O crescimento foi mais evidente em nações com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) muito alto.

América do Norte, Europa e Oceania concentram parte importante desse avanço.

 

Qual pode ser a causa?

Os pesquisadores apontam que a obesidade pode ter papel central nesse cenário.

O aumento global do excesso de peso está associado a vários tipos de câncer.

Tumores relacionados ao metabolismo e à inflamação crônica tendem a crescer em populações com maior índice de obesidade.

Outro fator relevante é a ampliação dos programas de rastreamento.

Países como Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul investiram em diagnóstico precoce.

Isso pode ter elevado o número de casos identificados, especialmente em estágios iniciais.

Em alguns tumores, como próstata e tireoide, houve aumento na incidência, mas não na mortalidade.

Esse dado pode indicar detecção mais precoce e maior acesso a exames.

 

Ainda há limitações

Apesar dos resultados, os autores reconhecem limitações importantes.

Os bancos de dados analisados não incluíram partes da Ásia, África e América Latina.

Isso significa que o cenário global pode ser ainda mais complexo.

 

O que esse alerta significa?

O aumento de câncer em jovens reforça a importância de:

 

Manter hábitos saudáveis.

Controlar o peso corporal.

Realizar exames preventivos quando indicados.

Buscar avaliação médica diante de sintomas persistentes.

A comunidade científica defende novos estudos para compreender melhor as causas desse crescimento.

Identificar fatores de risco é essencial para desenvolver estratégias de prevenção mais eficazes.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/alerta-6-tipos-de-cancer-crescem-entre-jovens-segundo-harvard,055492f431cc6c310b905d8da6459a0fbld1asmt.html?utm_source=clipboard - Foto: Reprodução/Instagram/@harvard/Freepik / Saúde em Dia