O uso de canetas emagrecedoras cresceu mais de 200% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025.
As canetas emagrecedoras, que tiveram um crescimento
de 239% nas vendas em 2026, estão mudando o tratamento da obesidade, mas não
substituem a cirurgia bariátrica. O médico José Afonso Sallet explica mitos e
verdades sobre esses medicamentos, destacando que eles devem ser prescritos com
critério e acompanhamento médico para garantir eficácia e segurança.
Especialista esclarece se as canetas vão substituir a
bariátrica e aponta a melhor opção para cada caso
O avanço das canetas emagrecedoras mudou a forma como
muitos brasileiros encaram o tratamento contra a obesidade. Segundo a empresa
de inteligência de dados Scanntech, o uso desses medicamentos injetáveis
cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do
ano passado. Ao mesmo tempo, o mercado informal já representa aproximadamente
50% das vendas, o que aumenta os riscos do uso sem orientação médica.
Diante da popularização dos medicamentos à base dos
chamados agonistas do GLP-1, cresce também a necessidade de esclarecer
informações. Especialista no tratamento contra a obesidade e em cirurgia
bariátrica, o médico José Afonso Sallet, do Instituto de Medicina Sallet,
esclarece seis mitos e verdades sobre o tema.
1 - Qualquer pessoa pode usar caneta emagrecedora
Mito. As canetas devem ser prescritas para quem
apresenta diabetes tipo 2 e para o manejo de peso em adultos com IMC igual ou
superior a 30 kg/m² (obesidade), ou IMC igual ou superior a 27 kg/m²
(sobrepeso) na presença de pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso, como
pressão alta.
Mais recentemente, a Anvisa (Agência Nacional de
Vigilância Sanitária) autorizou o uso da caneta Monjauro (tirzepatida) para
crianças e adolescentes a partir de 10 anos para tratamento contra diabetes
tipo 2. Já contra a obesidade, as canetas Saxenda (liraglutida) e Wegovy
(semaglutida) estão liberadas a partir dos 12 anos, com critérios específicos
de IMC e acompanhamento médico. Isso porque, o uso sem prescrição médica pode
trazer riscos à saúde.
2 - Tirzepatida e similares têm efeitos colaterais
Verdade. Náuseas, vômitos, diarreia e prisão de
ventre estão entre os efeitos adversos mais frequentes. A Anvisa também alerta
para eventos graves, como pancreatite aguda. Isso reforça, portanto, a
necessidade de acompanhamento médico durante todo o tratamento.
3 - Canetas são eficazes contra doenças causadas pela
obesidade
Verdade. Além da perda de peso, estudos demonstram
benefícios no controle do diabetes tipo 2 e melhora de condições associadas,
como hipertensão arterial, apneia do sono e problemas articulares. A melhora
dessas condições contribui, desse modo, para uma melhor qualidade de vida.
4 - Quem fez bariátrica e engordou não pode usar
semagluita ou similares
Mito. Canetas emagrecedoras podem ser uma aliada
importante no tratamento contra reganho de peso após a cirurgia bariátrica. No
entanto, a introdução desse tratamento nunca deve ser feita de forma isolada ou
como uma "solução mágica".
Isso porque, embora atuem no centro da saciedade e no
esvaziamento gástrico, as canetas devem fazer parte de uma associação de
tratamentos, de acordo com o especialista. Ou seja, os injetáveis precisam
representar um suporte temporário ou de longo prazo até que o paciente alcance
equilíbrio metabólico e incorpore à rotina hábitos saudáveis, como exercícios
físicos.
5 - Os medicamentos injetáveis vão substituir a
cirurgia bariátrica
Mito. Para pacientes com obesidade em níveis mais
elevados e doenças metabólicas, a cirurgia bariátrica continua sendo o
tratamento mais indicado. Enquanto os medicamentos injetáveis auxiliam no
controle da doença, a cirurgia promove alterações metabólicas e hormonais mais
duradouras.
6 - Com bariátrica, perde-se mais peso do que com
canetas
Verdade. Os análogos do hormônio GLP-1 costumam
proporcionar perda de 10% a 15% do peso corporal, podendo chegar perto de 20% ,
conforme apontam estudos mais recentes. Já a cirurgia bariátrica normalmente
resulta em redução de 30% a 40% do peso corporal total, além de apresentar
maiores índices de remissão de doenças associadas, como o diabetes tipo 2.
Outros tratamentos
O especialista lembra que existem outras opções
terapêuticas para o tratamento contra a obesidade, como a endosutura gástrica e
o balão intragástrico. Na endosutura gástrica, o médico faz suturas
("pregas) no estômago a fim de reduzir o tamanho do órgão e, com isso,
aumentar a saciedade do paciente.
"A obesidade não possui uma solução única",
frisa Sallet. "A escolha do tratamento deve ser baseada em critérios
médicos, considerando o IMC, o perfil metabólico e o histórico de saúde de cada
paciente".
Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/canetas-x-bariatrica-6-mitos-e-verdades-sobre-os-tratamentos,dc29160098d8c32beef5def1cf3ff4cdeyeh9z70.html?utm_source=clipboard
- Por: Fernanda Villas Bôas / Licenciado de Revista Malu




