Cardiologista explica por que a suspeita de infarto exige atendimento imediato e quais sinais devem acender o alerta
O socorro imediato é vital na suspeita de infarto,
pois quanto mais rápido o fluxo sanguíneo for restabelecido, menor será o dano
ao coração. Além do aperto no peito, os sinais incluem dores nos braços, costas
ou mandíbula, falta de ar, náuseas e suor frio, que costumam ser subestimados.
Diagnosticado por eletrocardiograma e exames de sangue, o quadro pode exigir
angioplastia e medicamentos. Os sintomas não devem ser ignorados, mesmo por
pessoas jovens ou sem histórico de fatores de risco.
Quando há suspeita de infarto, não é recomendado
esperar para ver se os sintomas passam. A orientação é procurar atendimento
médico imediatamente, principalmente diante de dor, pressão ou desconforto
persistente no peito, com ou sem outros sinais.
Segundo a cardiologista intervencionista Dra. Denise
Pellegrini, diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e
Cardiologia Intervencionista (SBHCI), o ideal é buscar socorro nos primeiros
minutos.
"O ideal é procurar socorro nos primeiros
minutos. No infarto, quanto mais tempo a artéria permanece obstruída, maior é a
quantidade de músculo cardíaco que pode ser lesionada. Por isso, diante de
sintomas sugestivos, não devemos esperar para ver se eles desaparecem
espontaneamente."
O infarto agudo do miocárdio acontece, na maioria dos
casos, quando uma artéria que leva sangue ao coração fica obstruída. Isso
geralmente ocorre pela formação de um coágulo sobre uma placa de gordura.
Com a redução ou interrupção do fluxo sanguíneo, o
músculo cardíaco deixa de receber oxigênio adequadamente e pode começar a
sofrer lesões.
Quais são os principais sinais de um infarto?
O sintoma mais conhecido é a dor, pressão ou
desconforto no peito. A sensação pode ser descrita como aperto, peso ou
compressão no centro do tórax.
No entanto, o infarto não se manifesta da mesma maneira em todas as pessoas. Outros sinais podem aparecer, como:
dor ou desconforto que se espalha para um ou ambos os
braços;
dor ou desconforto na mandíbula, queixo, pescoço,
ombros ou costas;
desconforto na região do estômago;
falta de ar;
suor frio;
náuseas ou vômitos;
tontura ou sensação de desmaio;
cansaço intenso e desproporcional ao esforço;
mal-estar, inquietação ou ansiedade.
A especialista destaca que alguns desses sintomas
podem ser confundidos com problemas menos graves, o que pode atrasar a procura
por atendimento.
"Um dos grandes problemas é que alguns sintomas são pouco reconhecidos como manifestações cardíacas. A pessoa pode pensar que está com indigestão, estresse, ansiedade ou apenas cansada e acaba postergando a busca por atendimento", explica Dra. Denise.
Quando é hora de pedir ajuda?
A orientação é não esperar a dor ficar intensa ou
insuportável. Diante de sintomas sugestivos de infarto, principalmente quando
surgem de forma súbita ou são diferentes do habitual, a avaliação médica deve
acontecer o mais rápido possível.
O atendimento de emergência é importante porque o
tempo influencia diretamente a quantidade de músculo cardíaco que pode ser
preservada.
"O tempo para o tratamento de um infarto com uma artéria obstruída é muito importante. Quanto mais cedo o paciente chega a um serviço de emergência, recebe o diagnóstico e, quando indicado, tem a artéria desobstruída, maiores são as chances de limitar o dano ao coração e reduzir complicações", reforça a cardiologista.
Como o infarto é identificado?
No hospital, a avaliação começa pela história clínica
e pelo exame físico. Um dos primeiros exames realizados é o eletrocardiograma
(ECG), que ajuda a identificar alterações características de determinados tipos
de infarto e a orientar a estratégia inicial de tratamento.
Também são feitos exames de sangue, especialmente a
dosagem de troponina, marcador de lesão do músculo cardíaco.
Dependendo do quadro, outros exames de imagem e
avaliações da circulação das artérias coronárias podem ser necessários.
É importante lembrar que nem todo infarto apresenta
alterações típicas no primeiro eletrocardiograma. Por isso, diante de uma
suspeita clínica, a avaliação médica e, quando necessário, a repetição dos
exames são fundamentais.
Como o infarto é tratado?
O tratamento depende do tipo de infarto e das
características de cada paciente. Quando existe uma obstrução aguda de uma
artéria coronária e há indicação de reperfusão imediata, uma das principais
estratégias é a angioplastia coronária.
O procedimento é realizado por cateterismo para
identificar e tratar a obstrução, restabelecendo o fluxo sanguíneo. Em muitos
casos, é implantado um stent.
Medicamentos também podem fazer parte do tratamento,
incluindo antiagregantes plaquetários, anticoagulantes e outras terapias,
conforme o tipo de infarto e a avaliação da equipe médica.
"A prioridade é restabelecer o fluxo de sangue
para o coração o mais rapidamente possível quando há uma artéria obstruída.
Cada minuto de atraso pode representar mais músculo cardíaco lesionado",
destaca Dra. Denise.
Fatores de risco não são os únicos responsáveis
Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado,
tabagismo, obesidade, sedentarismo e histórico familiar estão entre os fatores
associados ao aumento do risco de doença cardiovascular.
Ainda assim, não ter esses fatores conhecidos não
significa estar livre do risco de sofrer um infarto.
Por isso, sintomas sugestivos não devem ser
minimizados apenas porque a pessoa é jovem, pratica atividade física ou nunca
recebeu um diagnóstico de doença cardiovascular.
"O infarto é uma emergência médica em que a
informação pode salvar vidas. Reconhecer os sintomas, não minimizar os sinais e
procurar ajuda imediatamente são atitudes simples, mas fundamentais. A mensagem
é clara: diante da suspeita, não espere", conclui a cardiologista.
Fonte:
https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/infarto-sinais-de-alerta-e-a-importancia-do-socorro-imediato,8a5f1948882cd5120f068a121d08efab3mdbv2bs.html?utm_source=clipboard
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