Atividade física pode contribuir para o bem-estar emocional, mas não substitui acompanhamento profissional em casos de sofrimento psíquico
No contexto do Setembro Amarelo, a prática regular de
exercícios físicos destaca-se como importante aliada do bem-estar mental,
auxiliando na redução do estresse, na melhora do humor e na socialização.
Embora caminhar, nadar ou dançar contribua para o autocuidado mesmo em intensidades
leves, o movimento não substitui o tratamento médico ou psicológico. Diante de
sofrimento emocional persistente e sinais de alerta, a busca por apoio
profissional especializado continua sendo indispensável.
Setembro é marcado pelo Setembro Amarelo, campanha de
conscientização sobre a prevenção do suicídio e a importância de cuidar da
saúde mental. O tema também chama atenção para hábitos que podem contribuir
para o bem-estar.
Entre eles está a prática de exercícios físicos.
Caminhar, correr, pedalar, nadar ou fazer musculação
não são tratamentos isolados para problemas de saúde mental. Porém, manter o
corpo ativo pode fazer parte de uma rotina de autocuidado e contribuir para
diferentes aspectos do bem-estar.
Qual é a relação entre exercício físico e saúde
mental?
Durante a atividade física, o organismo passa por
mudanças que podem influenciar o humor e a sensação de bem-estar.
O exercício também pode ajudar a reduzir o estresse e
favorecer o sono. Além disso, criar uma rotina de movimento pode contribuir
para a disposição e para a percepção de qualidade de vida.
Esses efeitos variam de pessoa para pessoa. A
intensidade e a frequência dos exercícios também precisam considerar o
condicionamento físico de cada indivíduo.
Não precisa começar com um treino pesado
Quem está parado há algum tempo não precisa começar
com exercícios intensos.
Uma caminhada de alguns minutos já pode ser uma forma de inserir movimento na rotina. Com o tempo, a duração e a intensidade podem aumentar de acordo com a adaptação do corpo.
Outras opções também podem funcionar:
Caminhada.
Corrida leve.
Bicicleta.
Dança.
Natação.
Musculação.
Pilates.
Esportes coletivos.
O mais importante é encontrar uma atividade que seja
possível manter com regularidade.
A rotina de exercícios também pode ajudar na
socialização
A atividade física não envolve apenas o movimento do
corpo.
Treinar em uma academia, participar de um grupo de
corrida ou praticar um esporte coletivo também pode criar oportunidades de
convivência.
Para algumas pessoas, esses momentos ajudam a diminuir
o isolamento e a manter vínculos sociais.
Isso não significa que o exercício sozinho seja capaz
de resolver problemas emocionais. A socialização é apenas um dos possíveis
benefícios associados a uma rotina mais ativa.
Exercício não substitui tratamento
Esse é um ponto importante durante o Setembro Amarelo.
Atividade física pode fazer parte de uma rotina
saudável, mas não deve ser apresentada como tratamento para depressão,
ansiedade ou outros transtornos.
Quem apresenta sofrimento persistente, perda de interesse pelas atividades, alterações importantes no sono ou no apetite, isolamento ou dificuldade para realizar tarefas do dia a dia deve procurar ajuda profissional.
Psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de
saúde podem avaliar cada situação e indicar o cuidado adequado.
Como começar a se movimentar?
Não existe necessidade de transformar a rotina de uma
hora para outra.
Começar aos poucos pode facilitar a adaptação. Uma
caminhada curta, por exemplo, pode ser um primeiro passo para quem ainda não
pratica exercícios.
Também vale escolher horários que sejam compatíveis
com a rotina. Ter companhia pode ajudar algumas pessoas a manter a
regularidade.
E, se houver alguma condição de saúde ou dúvida sobre
qual exercício praticar, é importante buscar orientação profissional.
Atenção aos sinais de sofrimento
O Setembro Amarelo também reforça a importância de
prestar atenção a mudanças no comportamento.
Falas sobre morte, desesperança ou desejo de
desaparecer devem ser levadas a sério. Nessas situações, não é indicado
minimizar o sofrimento ou dizer simplesmente para a pessoa "pensar
positivo".
Escutar sem julgamentos e incentivar a busca por ajuda
profissional são atitudes importantes.
Em uma situação de risco imediato, a pessoa não deve
ficar sozinha. É necessário buscar atendimento de emergência.
Movimento é parte do cuidado
Cuidar da saúde mental envolve diferentes aspectos.
Sono adequado, alimentação, relações sociais, acompanhamento profissional
quando necessário e atividade física podem fazer parte desse cuidado.
No Setembro Amarelo, falar sobre exercícios também é
uma oportunidade para lembrar que saúde não é apenas desempenho, peso ou
aparência.
O objetivo não precisa ser correr mais rápido ou
levantar mais peso. Às vezes, simplesmente sair do lugar já pode ser um começo.
Mais do que buscar um treino perfeito, vale construir
uma relação possível e sustentável com o movimento. E, quando existe sofrimento
emocional, pedir ajuda também faz parte de cuidar de si.
Fonte:
https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/setembro-amarelo-o-papel-dos-exercicios-fisicos-na-saude-mental,0ff71466b3787162efef29d336694dc4qoos4m74.html?utm_source=clipboard
- Por: Maria Eduarda Vieira / Licenciado de Sport Life - Foto: Shutterstock / Sport
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