Do consumo de álcool aos mitos sobre fertilidade, alguns hábitos podem dificultar a gravidez; saiba o que evitar durante as tentativas
A concepção envolve fatores biológicos complexos e
hábitos que afetam ambos os parceiros. Práticas como o consumo frequente de
álcool, tabagismo, confiar cegamente em aplicativos de ciclo e negligenciar a
saúde masculina prejudicam a fertilidade. Além disso, recorrer a soluções
milagrosas sem respaldo científico e a cobrança excessiva geram desgastes
desnecessários. O planejamento ideal exige acompanhamento médico, atenção
compartilhada à saúde do casal e informação confiável sobre o período fértil.
Para muitas mulheres, a decisão de ter um filho vem
acompanhada de expectativas, dúvidas e mudanças na rotina. Durante as
tentativas de engravidar, é comum buscar informações sobre alimentação, período
fértil e comportamentos que possam favorecer a gravidez. No entanto, nem todas
as orientações que circulam na internet são confiáveis, e alguns hábitos
cotidianos podem, de fato, prejudicar a fertilidade.
O processo de concepção envolve diferentes fatores,
como idade, saúde reprodutiva, qualidade dos óvulos e espermatozoides e
regularidade da ovulação. Por isso, embora determinadas atitudes possam
contribuir para a saúde reprodutiva, não existe uma fórmula capaz de garantir a
gravidez.
Conhecer os comportamentos que merecem atenção é um
passo importante para quem deseja engravidar. A seguir, confira 7 hábitos que
podem dificultar esse processo e saiba o que fazer para cuidar melhor da
fertilidade.
1. Consumir bebidas alcoólicas com frequência
O consumo excessivo de álcool pode afetar a saúde
reprodutiva de homens e mulheres. Entre os possíveis efeitos estão alterações
hormonais e prejuízos à qualidade dos espermatozoides. No caso das mulheres, o
consumo elevado também pode estar associado a dificuldades para
engravidar.
Embora os efeitos de pequenas quantidades de álcool
sobre a fertilidade ainda sejam estudados, não existe um nível de consumo
considerado seguro durante a gestação. A recomendação mais prudente é evitar
bebidas alcoólicas durante as tentativas, especialmente porque a gravidez pode
acontecer antes mesmo de ser identificada.
2. Manter o hábito de fumar
O cigarro é um dos fatores modificáveis mais
conhecidos por seus efeitos prejudiciais à fertilidade. As substâncias
presentes na fumaça do tabaco podem acelerar a perda de folículos ovarianos,
comprometer a qualidade dos óvulos e antecipar a menopausa.
O tabagismo também pode afetar a fertilidade
masculina, prejudicando parâmetros relacionados à qualidade do sêmen. Além
disso, fumar durante a gestação aumenta o risco de diferentes complicações para
a mãe e o bebê.
Abandonar o cigarro é uma das medidas mais importantes
para proteger a saúde reprodutiva. Quem encontra dificuldades para interromper
o hábito pode procurar acompanhamento médico e programas de apoio à cessação do
tabagismo.
3. Não prestar atenção ao período fértil
A gravidez depende de uma série de acontecimentos
biológicos, incluindo a liberação de um óvulo e seu encontro com um
espermatozoide. Por isso, conhecer o período fértil pode ajudar a identificar
os dias em que a concepção é mais provável.
A chamada janela fértil compreende, geralmente, os
cinco dias anteriores à ovulação e o próprio dia em que ela acontece. Isso
ocorre porque os espermatozoides podem sobreviver por alguns dias no sistema
reprodutor feminino, enquanto o óvulo permanece viável por um período mais
curto.
Manter relações sexuais a cada um ou dois dias durante
a janela fértil pode favorecer as chances de concepção. Outra possibilidade é
ter relações regularmente, a cada dois ou três dias ao longo do ciclo, sem a
necessidade de identificar exatamente a ovulação.
4. Confiar exclusivamente nos aplicativos menstruais
Aplicativos de acompanhamento do ciclo podem ser
ferramentas úteis para registrar menstruações e observar padrões. Entretanto,
as previsões oferecidas nem sempre correspondem ao momento real da ovulação.
Isso acontece porque o ciclo menstrual pode variar de um mês para outro,
inclusive entre mulheres que costumam menstruar regularmente. Assim, confiar
apenas nas datas calculadas por um aplicativo pode fazer com que o casal deixe
de aproveitar parte da janela fértil.
Utilize a tecnologia como ferramenta complementar.
Observar alterações no muco cervical e, quando indicado, utilizar testes de
ovulação pode ajudar a identificar o período fértil com maior precisão.
5. Deixar a saúde do parceiro em segundo plano
Quando o assunto é engravidar, grande parte das
orientações costuma ser direcionada às mulheres. Entretanto, a fertilidade
masculina também desempenha um papel fundamental no processo. Hábitos como
fumar, consumir álcool em excesso e utilizar esteroides anabolizantes podem
comprometer a produção ou a qualidade dos espermatozoides. Algumas condições de
saúde também podem interferir na capacidade reprodutiva.
Por isso, concentrar todos os cuidados apenas na
mulher pode atrasar a identificação de fatores que dificultam a concepção. O
planejamento da gravidez deve envolver os dois parceiros. Consultas médicas,
avaliação de condições preexistentes e mudanças nos hábitos de vida podem
contribuir para a saúde reprodutiva do casal.
6. Acreditar em soluções milagrosas para engravidar
Basta uma pesquisa nas redes sociais para encontrar
promessas de chás, suplementos e técnicas caseiras que supostamente aumentariam
as chances de gravidez. Entre as recomendações mais conhecidas está a ideia de
permanecer com as pernas elevadas após a relação sexual. Apesar de popular,
essa prática não apresenta evidências científicas de que melhore as taxas de
concepção.
O mesmo cuidado vale para produtos naturais anunciados
como estimulantes da fertilidade. Além de não oferecerem os resultados
prometidos, algumas substâncias podem apresentar riscos, especialmente durante
uma possível gestação.
Desconfie de métodos que prometem resultados
garantidos. Antes de utilizar suplementos, ervas ou medicamentos, procure
orientação profissional para avaliar a segurança e a real necessidade de cada
produto.
7. Transformar as tentativas em uma cobrança constante
O desejo de engravidar pode trazer uma mistura de
entusiasmo e preocupação, principalmente quando os meses passam sem o resultado
esperado. Nesse cenário, é comum que cada sinal do corpo seja observado com
atenção e que as relações sexuais acabem ficando associadas exclusivamente à
tentativa de concepção.
Embora situações de estresse intenso possam interferir
no funcionamento hormonal e menstrual, não há evidências suficientes para
afirmar que a ansiedade cotidiana, por si só, impeça uma gravidez. Por isso, é
importante evitar a ideia de que a mulher precisa simplesmente relaxar para
conseguir engravidar.
Ainda assim, o desgaste emocional merece cuidado, já
que pode afetar a qualidade de vida, o relacionamento e o bem-estar durante
esse período. Procure manter atividades prazerosas, momentos de descanso e uma
rotina que não esteja inteiramente voltada à gravidez. Se a ansiedade estiver
causando sofrimento, o acompanhamento psicológico pode ajudar a lidar com as
expectativas e incertezas.
Quando procurar ajuda para engravidar?
Mesmo com hábitos saudáveis, a gravidez pode não
acontecer imediatamente. Isso não significa, necessariamente, que exista algum
problema de fertilidade. De maneira geral, recomenda-se procurar avaliação
médica após 12 meses de relações sexuais regulares sem contraceptivos para
mulheres com menos de 35 anos. A partir dos 35 anos, a investigação costuma ser
indicada depois de seis meses de tentativas. Acima dos 40 anos, a avaliação
deve ser considerada mais precocemente.
Pessoas com ciclos menstruais muito irregulares, histórico
de endometriose, doenças reprodutivas ou outros fatores conhecidos que possam
comprometer a fertilidade também podem precisar de acompanhamento antes desses
prazos.
Além disso, uma consulta pré-concepcional é
recomendada mesmo antes do início das tentativas. Nela, é possível revisar
medicamentos, atualizar vacinas, avaliar condições de saúde e receber
orientações sobre suplementação de ácido fólico.
Por fim, vale lembrar que engravidar não depende
apenas de fazer tudo certo. A fertilidade envolve fatores biológicos que nem
sempre estão sob controle individual. Adotar hábitos saudáveis é importante,
mas o planejamento de uma gestação também deve incluir informação confiável,
acompanhamento médico e cuidado com a saúde emocional.
Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/esta-tentando-engravidar-7-habitos-que-podem-estar-atrapalhando,ef546e2f969da65ccf2d4702cbf3b6efy0jpnvsz.html?utm_source=clipboard
- Por: Isabella Bisordi / Licenciado de Bons Fluidos - Foto: Reprodução:
Canva/Aflo Images / Bons Fluidos







