Mesmo após emagrecer e adotar hábitos saudáveis, algumas alterações físicas podem permanecer, exigindo avaliação médica
Praticar atividade física regularmente e manter uma
alimentação equilibrada são hábitos fundamentais para a saúde. No entanto, nem
sempre essas mudanças são suficientes para eliminar todas as queixas
relacionadas ao corpo. Em alguns casos, excesso de pele, flacidez ou alterações
musculares continuam presentes mesmo após a perda de peso e podem comprometer o
conforto, a mobilidade e até a autoestima.
Esse cenário é mais comum do que muitas pessoas
imaginam. Dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que 57,5% dos
brasileiros estão acima do peso e 24,3% vivem com obesidade. Com o aumento da
busca por qualidade de vida, também cresce o número de pessoas que conseguem
emagrecer, mas permanecem insatisfeitas com a própria aparência.
Segundo o cirurgião plástico Dr. Marco Dallegrave,
membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), é importante
entender que nem toda alteração corporal desaparece apenas com dieta e
exercícios físicos.
"Os hábitos saudáveis são indispensáveis e devem
sempre ser incentivados. Porém, algumas mudanças provocadas pelo
envelhecimento, pela gestação, por grandes perdas de peso ou até por fatores
genéticos não dependem apenas do emagrecimento ou do fortalecimento
muscular", explica.
Confira alguns sinais que podem indicar que vale a
pena procurar uma avaliação especializada.
1. A pele continua sobrando mesmo depois de emagrecer
Quem perde muito peso, especialmente após uma cirurgia
bariátrica ou um processo intenso de emagrecimento, pode continuar com excesso
de pele em regiões como abdômen, braços, coxas e mamas. Além da aparência, esse
excesso pode provocar assaduras, desconforto e até dificultar a prática de
exercícios físicos.
"Em muitos pacientes, o peso deixa de ser o
principal problema. O excesso de pele passa a interferir na qualidade de vida e
até na rotina", afirma o Dr. Marco Dallegrave.
2. A flacidez não melhora com a musculação
Ganhar massa muscular ajuda a definir o corpo, mas não
recupera a elasticidade da pele quando ela já perdeu colágeno devido ao
envelhecimento, à gravidez ou às oscilações de peso. "Fortalecer a
musculatura continua sendo importante para a saúde, mas isso nem sempre resolve
a flacidez, porque são alterações diferentes", explica.
3. O abdômen continua projetado mesmo com pouca
gordura
Nem toda barriga persistente está relacionada ao
excesso de gordura. Em muitas mulheres, principalmente após a gestação, o volume
abdominal pode estar ligado à diástase, condição caracterizada pelo afastamento
dos músculos retos do abdômen. "A avaliação médica permite identificar se
a principal causa é gordura localizada, flacidez ou uma alteração muscular que
precisa de outra abordagem", orienta o Dr. Marco Dallegrave.
4. Apenas uma região do corpo continua incomodando
Há pessoas que mantêm peso adequado, praticam
atividade física e têm uma alimentação equilibrada, mas continuam insatisfeitas
com áreas específicas, como braços, papada, flancos, abdômen ou mamas. Segundo
o especialista, fatores anatômicos e genéticos também influenciam o formato
corporal. "O corpo responde de maneira diferente em cada pessoa. Existem
características que não mudam apenas com alimentação e atividade física",
destaca.
5. O desconforto interfere nas atividades do dia a dia
Quando o excesso de tecido provoca irritações na pele,
dificulta movimentos, limita a escolha das roupas ou atrapalha a prática de
exercícios, o problema deixa de ser apenas estético. "O impacto funcional
também deve ser considerado durante a avaliação. O objetivo é melhorar o
bem-estar e a qualidade de vida do paciente", afirma.
6. O peso ideal foi alcançado, mas a insatisfação
permanece
Nem sempre atingir o peso desejado significa sentir-se
satisfeito com a própria imagem. "É importante entender de onde vem essa
insatisfação. Nem toda queixa será resolvida com cirurgia, assim como nem toda
será resolvida apenas com dieta. Cada caso precisa ser avaliado
individualmente", explica.
7. A solução parece ser treinar cada vez mais
Quando os resultados deixam de aparecer, muitas
pessoas aumentam a intensidade dos treinos ou fazem restrições alimentares mais
severas. Porém, isso pode não resolver alterações que não estão relacionadas ao
excesso de gordura.
"É fundamental compreender a origem da queixa
antes de insistir em estratégias que podem gerar frustração. A cirurgia
plástica não substitui hábitos saudáveis, mas pode ser indicada quando existe
uma limitação anatômica que não melhora com alimentação equilibrada e atividade
física", conclui o Dr. Marco Dallegrave.
Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/7-sinais-de-que-dieta-e-academia-podem-nao-resolver-a-insatisfacao-com-o-corpo,6888d4fe11b1335e39b2177950897e3c9fmex8qm.html?utm_source=clipboard
- Por Carolina Lara - Foto: Pixel-Shot | Shutterstock / Portal EdiCase






