sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Hábitos comuns do dia a dia podem acelerar o envelhecimento sem você perceber


Autocrítica, excesso de notícias e isolamento podem afetar o bem-estar, mas não existe um hábito único capaz de acelerar o envelhecimento.

 

Hábitos como autocrítica excessiva, consumo exagerado de más notícias, preocupação contínua, isolamento, respiração bucal e negligência com a higiene interdental afetam a saúde e o bem-estar, mas não definem sozinhos a velocidade do envelhecimento, que é um processo complexo. Em vez de buscar fórmulas milagrosas contra o tempo, especialistas recomendam ajustes graduais na rotina e apoio profissional, priorizando a redução do estresse, a qualidade do sono e os vínculos sociais reais sem autocobrança.

 

O dia termina, mas a cabeça continua trabalhando: uma preocupação reaparece, a tela oferece outra notícia ruim e até um pequeno erro vira motivo para se cobrar. Nenhuma dessas cenas acrescenta anos ao rosto de uma hora para outra. Ainda assim, certos padrões da rotina merecem atenção quando o objetivo é envelhecer com saúde. Autocrítica constante, consumo excessivo de notícias negativas, preocupação repetitiva, isolamento, descuido com a limpeza entre os dentes e respiração frequente pela boca têm implicações diferentes. Entendê-las ajuda mais do que reunir tudo sob a promessa de desacelerar o envelhecimento.

 

Esses hábitos realmente fazem o corpo envelhecer mais rápido?

Não é possível medir o envelhecimento de alguém apenas pelo número de notícias que lê ou pela maneira como enfrenta um erro. O que se pode discutir são efeitos sobre aspectos concretos da saúde, como estresse, sono, vínculos e condição bucal. Envelhecer envolve processos biológicos, ambiente, doenças, condições de vida e acesso a cuidados. Transformar seis hábitos em uma explicação única simplifica demais uma questão complexa.

 

Essa distinção evita culpa: pressões, isolamento e noites difíceis não se resolvem com uma frase otimista. Mudanças podem oferecer apoio, mas não substituem tratamento. Observe o que se repete e prejudica o cotidiano, sem procurar um comportamento culpado por todo desconforto.

 

Como a tela e a autocrítica podem ocupar mais espaço do que deveriam?

A tela ocupa espaço demais quando a consulta deixa de informar e passa a interromper tarefas, descanso ou conversas. Com a autocrítica, o sinal aparece quando reconhecer um erro vira repetir uma acusação contra si. Não se trata de abandonar notícias ou responsabilidade. A diferença está entre usar uma informação para agir e permanecer preso a um ciclo que não acrescenta uma decisão útil ao problema.

 

Uma saída prática é criar limites observáveis: consultar notícias em momentos definidos, silenciar alertas desnecessários e descrever o erro de modo específico. Esquecer um compromisso não significa ser incapaz de cumprir qualquer tarefa. Separar fato e julgamento torna mais fácil pensar na correção. Para testar essas mudanças sem transformar o autocuidado em outra cobrança, experimente ajustes pequenos e compatíveis com sua rotina:

 

Defina momentos para consultar notícias, sem alerta contínuo.

Descreva um erro específico antes de julgar a si mesmo.

Reserve espaço para um contato que ofereça apoio.

Inclua a limpeza interdental na rotina diária.

 

O que fazer com preocupações repetitivas e afastamento social?

Com preocupações repetitivas, tente distinguir o que exige uma providência do que está sendo revisto sem solução nova. Anotar a próxima ação possível pode ajudar a organizar a situação. Já o afastamento social merece uma pergunta diferente: existe contato e apoio suficientes para você? Ficar sozinho por escolha em alguns momentos não é o mesmo que sentir falta de companhia e não encontrar alguém com quem conversar.

 

Relações de qualidade oferecem apoio, e uma aproximação pode começar por uma mensagem, uma caminhada acompanhada ou uma atividade regular. Não há necessidade de construir uma agenda lotada. Quando a preocupação prejudica o sono, o trabalho ou a convivência, procure ajuda profissional. Entender como o estresse aparece no cotidiano permite reconhecer limites antes de exigir de si uma solução imediata para todos os desconfortos.

 

Por que dentes e respiração também entram nessa conversa?

A limpeza entre os dentes alcança áreas que a escova não limpa adequadamente. O National Institute on Aging recomenda escovar duas vezes ao dia com creme dental fluoretado e limpar os espaços interdentais diariamente. O método pode ser ajustado por um dentista às condições da pessoa. O benefício principal é cuidar da boca; não há motivo para apresentar o fio dental como uma técnica capaz de rejuvenescer o organismo.

 

Respirar frequentemente pela boca, por sua vez, merece avaliação quando acompanha obstrução nasal, ronco, boca seca ou dificuldade para dormir. A causa precisa ser identificada, não presumida a partir de um vídeo. Não tape a boca para tentar corrigir o problema. Dor ou sangramento gengival, desconforto bucal e sintomas respiratórios persistentes são razões para procurar atendimento, sem substituir o diagnóstico por uma rotina caseira.

 

Como mudar a rotina sem perseguir uma promessa de juventude?

Escolha um ajuste que possa ser mantido: um horário para encerrar a consulta de notícias, a limpeza entre os dentes ou um contato semanal com alguém próximo. Observe o efeito sobre o dia, e não sobre uma suposta idade biológica que você não está medindo. Se a tentativa aumentar a cobrança ou não resolver o desconforto, reveja o plano e busque orientação adequada ao problema.

 

Envelhecer bem não exige eliminar preocupações ou cumprir uma rotina perfeita. Os seis hábitos abrem perguntas sobre descanso, vínculos e saúde bucal, sem oferecer uma fórmula contra o tempo. O cuidado ganha sentido quando atende necessidades reais, não quando transforma cada dificuldade em prova de envelhecimento acelerado.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/habitos-comuns-do-dia-a-dia-podem-acelerar-o-envelhecimento-sem-voce-perceber,78504a156191c5db4f961776f6cab484b03n6ucy.html?utm_source=clipboard - Por: Gabriel Correa / Licenciado de Catraca Livre - Foto: Imagem gerada por inteligência artificial / Catraca Livre

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Atividade física pode proteger o cérebro contra o Alzheimer? Entenda o que se sabe


Hábitos relacionados ao estilo de vida estão entre os fatores estudados por seu papel na manutenção da saúde cerebral ao longo dos anos

 

O Alzheimer, demência que pode atingir 5 milhões de brasileiros até 2050, é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta a memória e a cognição. Embora não tenha cura, o diagnóstico precoce viabiliza tratamentos que preservam a autonomia do paciente. A prática regular de exercícios físicos, especialmente aeróbicos, surge como importante aliada na prevenção e desaceleração do transtorno, somada a estímulos cognitivos, vida social ativa e controle de doenças crônicas como a hipertensão.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença de Alzheimer está entre os tipos mais comuns de demência e representa cerca de 60% a 70% dos casos em todo o mundo. No Brasil, a estimativa também chama a atenção: de acordo com o "Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (re)conhecimento e projeções futuras", do Ministério da Saúde, mais de 5 milhões de brasileiros poderão ser diagnosticados com demência até 2050.

 

Diante desse cenário, a conscientização sobre a doença se torna cada vez mais importante. A campanha nacional Setembro Lilás reúne ações ao longo do mês para chamar a atenção para o Alzheimer e outros tipos de demência. Embora o Alzheimer ainda não tenha cura definitiva, a doença conta com tratamentos que podem contribuir para a qualidade de vida dos pacientes.

 

Mas o que é a doença de Alzheimer?

A doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que provoca alterações no cérebro. Ao longo do tempo, esse transtorno compromete a memória, o raciocínio, a linguagem e a capacidade de realizar as atividades do dia a dia. Apesar de ainda não ter uma causa definida, alguns fatores de risco já são associados à doença de Alzheimer, como idade avançada e histórico familiar.

"A idade é o principal fator de risco, mas envelhecer não significa necessariamente desenvolver Alzheimer. Também estão associados ao risco fatores genéticos e familiares, além de hipertensão, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo, tabagismo, perda auditiva não tratada, isolamento social e baixa estimulação cognitiva, entre outros", explica a professora da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), Dra. Elisa de Paula França Resende.

Segundo o Ministério da Saúde, o quadro clínico desse transtorno costuma ser dividido em quatro estágios:

 

Estágio 1 (forma inicial): com alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais dos pacientes;

Estágio 2 (forma moderada): dificuldade na fala, na realização de tarefas simples e na coordenação de movimentos, além de agitação e insônia;

Estágio 3 (forma grave): dificuldade para realizar tarefas diárias, incontinência urinária e fecal, dificuldade para comer e deficiência motora progressiva;

Estágio 4 (terminal): restrição ao leito, mutismo, dor ao engolir e infecções intercorrentes.

 

Principais sinais de alerta

O avanço do Alzheimer acontece de forma gradual e irreversível. Um dos principais sinais de alerta dessa doença silenciosa é a perda de memória recente. "Quando a pessoa esquece de acontecimentos recentes, passa a repetir perguntas ou histórias e não consegue se lembrar depois, mesmo recebendo pistas", reforça a professora da FCM-MG.

Mas há outros sinais, como dificuldade para encontrar palavras; organizar tarefas que antes eram simples; lidar com dinheiro ou medicamentos; orientar-se em lugares conhecidos e tomar decisões. Mudanças de comportamento, apatia ou maior dificuldade para acompanhar conversas também podem ocorrer.

"Pequenos esquecimentos fazem parte do envelhecimento normal. A preocupação é quando as alterações são progressivas, mais frequentes e começam a interferir no funcionamento habitual da pessoa", enfatiza a Dra. Elisa de Paula França Resende.

 

Como funciona o diagnóstico?

O início da investigação da doença de Alzheimer conta com uma avaliação clínica, que inclui conversas com o paciente e seus familiares, a avaliação da memória e de outras funções cognitivas, além da verificação do impacto dos sintomas nas atividades cotidianas. Exames de sangue e exames de imagem, como a ressonância magnética, também ajudam a investigar outras possíveis causas. Entre os profissionais que podem conduzir essa investigação estão neurologistas, geriatras e psiquiatras.

"O diagnóstico precoce permite que o tratamento seja iniciado no momento mais adequado e, principalmente, que a pessoa participe das decisões sobre seu próprio futuro enquanto ainda mantém autonomia. É possível planejar questões familiares, financeiras e de cuidados, orientar familiares e cuidadores e tratar condições que podem piorar a cognição", explica a especialista.

 

Hábitos que ajudam no tratamento

Apesar de ainda não ter uma cura definitiva, a doença de Alzheimer possui, além dos tratamentos medicamentosos, alguns hábitos e estratégias que podem auxiliar na manutenção da autonomia e das funções cognitivas da pessoa afetada.

A prática regular de atividade física está associada a uma menor incidência de demência e pode contribuir para reduzir a progressão da doença. "Pessoas que praticam exercícios físicos regularmente, especialmente atividades aeróbicas que elevam a frequência cardíaca, apresentam menor incidência de demência. Esse tipo de exercício está relacionado tanto à prevenção da doença quanto à redução da sua progressão em pessoas que já foram diagnosticadas com demência", destaca a professora da FCM-MG.

Além das atividades físicas, a Dra. Elisa de Paula França Resende recomenda manter uma vida social ativa, estimular o cérebro por meio de atividades prazerosas e significativas, cuidar da saúde auditiva e visual e adotar uma alimentação equilibrada.

"É essencial controlar adequadamente pressão arterial, diabetes e colesterol, além de garantir um sono de boa qualidade. Para quem já apresenta comprometimento cognitivo, rotinas estruturadas, calendários, lembretes e adaptações no ambiente podem ajudar a preservar a independência e a segurança. O mais importante é estimular a pessoa sem infantilizá-la e permitir que continue realizando, com segurança, tudo aquilo que ainda consegue fazer", finaliza a especialista.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/atividade-fisica-pode-proteger-o-cerebro-contra-o-alzheimer-entenda-o-que-se-sabe,c1f0975fd6c9359c221f3903337b10749slyf6a5.html?utm_source=clipboard - Por Maristela Chaves - Foto: pics five | Shutterstock / Portal EdiCase

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Saúde masculina: os cuidados necessários em cada fase da vida


A saúde masculina vai além da próstata e exige atenção contínua. Na adolescência, o foco recai no desenvolvimento puberal e prevenção de ISTs. Entre os 20 e 30 anos, priorizam-se a fertilidade e a saúde sexual. Aos 40, intensificam-se os cuidados metabólicos e cardiovasculares. O rastreamento do câncer de próstata ganha destaque aos 50 anos, ou aos 45 para negros e pessoas com histórico familiar. A função renal e sintomas urinários ou sexuais devem ser monitorados para ampliar o sucesso do tratamento.

 

Quando se fala em acompanhamento urológico, a próstata costuma ser o primeiro assunto lembrado. Mas a saúde do homem envolve muitos outros cuidados.

 

Desenvolvimento dos órgãos genitais, fertilidade, saúde sexual, função renal e sintomas urinários também fazem parte desse acompanhamento. As prioridades mudam conforme a idade, o histórico familiar e os fatores de risco.

 

No Dia do Urologista, celebrado em 12 de setembro, o médico urologista e andrologista Dr. Pedro Bastos, de Juiz de Fora, explica quais pontos devem fazer parte dos cuidados masculinos desde a adolescência.

 

Adolescência exige atenção ao desenvolvimento

A consulta urológica pode identificar alterações ainda nessa fase da vida. Entre elas estão fimose, varicocele, dor, nódulos e assimetrias testiculares.

Também pode ser avaliado o desenvolvimento puberal, além da posição e do volume dos testículos.

"Na adolescência, por exemplo, a consulta pode identificar alterações que não devem ser ignoradas, como fimose, varicocele, dor, nódulos ou assimetrias testiculares. A avaliação também observa o desenvolvimento puberal, a posição e o volume dos testículos. É ainda uma oportunidade para abordar prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, uso de preservativo e vacinação contra HPV e hepatite B. A avaliação deve considerar idade, sintomas, hábitos, vida sexual, histórico familiar e fatores de risco", explica.

 

Aos 20 e 30 anos, saúde sexual e fertilidade entram no radar

Na faixa dos 20 e 30 anos, o acompanhamento pode incluir questões relacionadas à saúde sexual e reprodutiva.

Planejamento familiar e sintomas urinários também podem ser discutidos. Conforme os fatores de risco, pressão arterial, peso, circunferência abdominal, glicemia e perfil lipídico podem ser avaliados.

A investigação da fertilidade não é necessária para todos os homens. O espermograma pode ser indicado diante de dificuldade para engravidar ou quando existem fatores de risco para infertilidade.

"É nessa fase que a investigação da fertilidade pode ganhar espaço quando existe uma necessidade específica. O espermograma não é um exame de rotina para todos, mas pode ser indicado quando há dificuldade para engravidar ou fatores de risco para infertilidade", afirma o urologista.

 

Aos 40 anos, prevenção ganha mais espaço

A chegada aos 40 anos pode representar um novo momento no acompanhamento da saúde masculina.

Segundo Bastos, essa fase permite estruturar melhor a prevenção. A avaliação pode reunir fatores cardiovasculares e metabólicos com questões urológicas.

Função sexual, fertilidade, sintomas urinários e risco individual para doenças da próstata podem entrar na consulta.

Dependendo do histórico, exames como glicemia, colesterol, função renal e exame de urina podem ser indicados.

Pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade, cálculos renais ou que utilizam determinados medicamentos de forma contínua podem precisar de atenção específica.

"Uma primeira avaliação urológica preventiva por volta dos 40 anos pode ser bastante útil para estabelecer um histórico de saúde, identificar fatores de risco e planejar o acompanhamento das décadas seguintes".

 

Aos 50, prevenção do câncer de próstata ganha destaque

Por volta dos 50 anos, a investigação do câncer de próstata costuma ganhar mais espaço na consulta.

A decisão sobre o rastreamento deve ser individualizada e compartilhada entre médico e paciente. A avaliação pode envolver o PSA (Antígeno Prostático Específico) e exame físico, incluindo o toque retal quando indicado.

Para homens negros, essa conversa deve começar mais cedo, habitualmente aos 45 anos, devido ao maior risco para a doença.

Homens que têm pai ou irmão diagnosticado com câncer de próstata também devem conversar com o médico sobre o rastreamento a partir dos 45 anos.

O histórico familiar precisa ser analisado com cuidado. Grau de parentesco, idade ao diagnóstico e ocorrência de outros tipos de câncer na família podem modificar a avaliação do risco.

"Quando existem vários familiares afetados, diagnóstico em idade jovem ou casos associados de câncer de mama, ovário, pâncreas ou próstata agressivo na família, pode haver indicação de iniciar ainda mais cedo e considerar aconselhamento genético", explica.

 

Saúde dos rins também merece acompanhamento

A função renal pode ganhar importância com o avanço da idade.

Dependendo dos fatores de risco, podem ser solicitados exames como creatinina, estimativa da função renal, exame de urina e ultrassonografia.

Hipertensão e diabetes exigem atenção especial. Essas condições podem comprometer a função dos rins de maneira silenciosa.

Por isso, o controle adequado dessas doenças também faz parte da prevenção de problemas renais.

 

Quais sintomas precisam ser investigados?

O acompanhamento preventivo não substitui a avaliação diante de sintomas.

Algumas alterações devem ser investigadas, como:

 

Sangue visível na urina.

Dificuldade progressiva para urinar.

Jato urinário muito fraco.

Retenção urinária.

Dor lombar intensa.

Infecções urinárias recorrentes.

Perda involuntária de urina.

Nódulos nos testículos.

Nódulos ou alterações no pênis.

 

A saúde sexual também merece atenção.

"A atenção também vale para a saúde sexual: disfunção erétil persistente, queda importante da libido, infertilidade, sangue recorrente no sêmen, curvatura adquirida do pênis, feridas ou verrugas genitais e dor durante a relação sexual ou ejaculação precisam de atenção."

 

Acompanhamento deve começar antes dos 40

A consulta com o urologista não deve ser associada apenas à prevenção do câncer de próstata.

Cada fase da vida apresenta necessidades diferentes. Identificar alterações cedo pode facilitar a investigação e ampliar as possibilidades de tratamento.

"A consulta urológica não se resume ao exame da próstata. Homens com alterações genitais, urinárias, sexuais ou reprodutivas não devem esperar chegar aos 40 ou 50 anos para procurar um urologista. Quanto mais cedo a causa é identificada, maiores costumam ser as possibilidades de tratamento e de preservação da qualidade de vida", conclui.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/saude-masculina-os-cuidados-necessarios-em-cada-fase-da-vida,b4f92a68ea8fcfae4cd8f4d06981acc1xn6unxw6.html?utm_source=clipboard - Foto: Divulgação / Saúde em Dia

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Principais fatores e sinais de alerta antes de um AVC: saiba como agir


O AVC é uma emergência médica que exige reconhecimento rápido dos sinais. Muitas pessoas confundem informações ou acreditam em mitos sobre avisos que surgem horas antes do ataque. Compreender a verdade pode evitar atrasos no socorro e salvar vidas.

 

O AVC decorre de doenças vasculares crônicas, mas gatilhos agudos, como picos de pressão, infecções e arritmias, podem precipitá-lo em pessoas vulneráveis. Sinais temporários, como fraqueza unilateral, assimetria facial ou fala alterada, indicam um Ataque Isquêmico Transitório (AIT), que eleva muito o risco de um evento definitivo a curto prazo. Mesmo que esses sintomas desapareçam rapidamente, o atendimento médico imediato é essencial para evitar sequelas graves por meio do tratamento precoce.

 

Embora o AVC (Acidente Vascular Cerebral) seja conhecido por surgir de forma repentina, o evento costuma estar associado a um processo de alteração vascular que se desenvolve silenciosamente no organismo ao longo do tempo.

 

No entanto, em pessoas que já possuem vulnerabilidade, certas situações ocorridas poucas horas antes do episódio podem funcionar como fatores precipitantes.

 

Segundo o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, é essencial diferenciar esses gatilhos da condição de base do paciente. "É importante fazer uma distinction: na maioria dos casos, o AVC é resultado de uma doença vascular que vem se desenvolvendo ao longo de anos, e não de um único acontecimento ocorrido algumas horas antes", explica o especialista.

 

O que pode desencadear um AVC horas antes?

As doenças cardiovasculares crônicas são a base para o surgimento do problema. Fatores como hipertensão arterial, aterosclerose, diabetes, tabagismo, colesterol elevado e arritmias cardíacas (como a fibrilação atrial) constroem o cenário ideal para o evento vascular.

Sobre essa condição preexistente, eventos agudos de saúde podem atuar como gatilhos nas horas que antecedem o quadro.

De acordo com o Dr. Victor Hugo Espíndola, entre as situações que podem contribuir para o desencadeamento do AVC estão:

 

Picos acentuados de pressão arterial;

Arritmias cardíacas súbitas;

Infecções agudas;

Uso de substâncias estimulantes (como cocaína e anfetaminas);

Quadros de desidratação severa ou alterações hemodinâmicas em indivíduos vulneráveis.

 

O especialista ressalta que o impacto desses fatores varia conforme o tipo da complicação. No AVC hemorrágico, uma alta repentina e severa da pressão arterial costuma ter grande impacto.

Já no tipo isquêmico, o quadro geralmente decorre do bloqueio súbito de uma artéria provocado pela formação ou deslocamento de um coágulo.

 

Sinais de alerta podem surgir antes do quadro definitivo

Apesar de o sintoma definitivo se manifestar de repente, alguns sinais de alerta neurológicos podem dar as caras momentos antes do problema grave se instalar. Trata-se do Ataque Isquêmico Transitório (AIT).

"Algumas pessoas apresentam episódios neurológicos transitórios antes de um AVC definitivo. O principal exemplo é o ataque isquêmico transitório, o AIT", aponta o neurocirurgião.

No AIT, os sintomas imitam os de um AVC, mas duram apenas alguns minutos antes de desaparecerem por completo. Essa melhora temporária ocorre porque a interrupção da circulação sanguínea no cérebro é passageira.

 

Sintomas do Ataque Isquêmico Transitório (AIT)

Fique atento aos sintomas mais comuns que exigem atenção médica imediata:

 

Fraqueza ou dormência repentina em um lado do corpo;

Assimetria ou "boca torta" na face;

Dificuldade repentina para falar ou compreender a fala;

Perda ou alteração súbita da visão;

Perda de equilíbrio, tontura ou vertigem abrupta.

 

O desaparecimento dos sintomas não significa que o risco passou. Dados da American Heart Association revelam que o risco de ocorrência de um AVC definitivo nos 90 dias posteriores a um AIT pode chegar a cerca de 18%, sendo que uma parcela expressiva desses quadros ocorre nas primeiras 48 horas.

 

"Por isso, um déficit neurológico súbito que desapareceu deve ser valorizado tanto quanto aquele que permanece", adverte Espíndola.

 

Qual a diferença entre AIT e AVC isquêmico?

A diferenciação precisa entre um Ataque Isquêmico Transitório e o AVC isquêmico é feita por meio de exames de imagem no pronto-socorro.

De acordo com o médico, a definição médica atual não analisa apenas o tempo de duração das manifestações clínicas. "Quando os sintomas desaparecem e não existe evidência de infarto cerebral nos exames apropriados, podemos estar diante de um AIT; se a ressonância demonstra uma área de infarto, mesmo que o paciente já esteja assintomático, o quadro é considerado um AVC isquêmico", pontua.

Investigar o AIT permite tratar condições ocultas — como o estreitamento de artérias carótidas ou alterações no coração — antes que ocorra um episódio com sequelas graves ou incapacitantes.

 

Mitos sobre desidratação e exercícios físicos

Embora situações extremas possam atuar como fatores de risco pontuais, o neurocirurgião esclarece que desidratação e exercícios físicos intensos não devem ser encarados como causas diretas do problema.

Desidratação: Pode diminuir o volume de sangue circulante e aumentar a viscosidade sanguínea, afetando principalmente idosos ou pessoas com obstruções vasculares prévias. No entanto, isoladamente, não é uma causa habitual.

Exercício físico: A prática regular de atividades é uma das principais formas de proteção cardiovascular e prevenção ao AVC. Esforços muito intensos geram elevações temporárias na pressão arterial que podem exigir cautela em cenários específicos, mas o hábito do exercício é benéfico.

 

O que fazer ao notar os primeiros sinais de AVC?

Diante de qualquer sinal suspeito, a orientação é buscar socorro médico imediatamente em um pronto-socorro. Não se deve aguardar o sintoma passar, tentar dormir ou esperar por uma consulta posterior.

Para ajudar no reconhecimento rápido, utilize a mnemônica BE-FAST (Equilíbrio, Visão, Face, Braços, Fala e Tempo):

 

B (Balance/Equilíbrio): Perda súbita de equilíbrio ou coordenação.

E (Eyes/Olhos): Alteração visual repentina.

F (Face/Rosto): Rosto caído ou assimétrico ao sorrir.

A (Arms/Braços): Fraqueza ao tentar levantar os dois braços.

S (Speech/Fala): Dificuldade ou incapacidade de articular as palavras.

T (Time/Tempo): Chame o serviço de emergência (SAMU 192) sem hesitar.

 

O tempo de atendimento é determinante. Em episódios de AVC isquêmico, intervenções como a administração de medicamentos trombolíticos e a trombectomia mecânica podem restabelecer o fluxo sanguíneo cerebral, reduzindo o risco de sequelas graves.

 

"Mesmo que os sintomas desapareçam completamente depois de alguns minutos, a orientação permanece a mesma: procurar imediatamente um serviço de emergência, porque pode ter ocorrido um AIT e o período de maior risco para um novo evento pode ser justamente nas horas e nos primeiros dias seguintes", conclui Espíndola.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/principais-fatores-e-sinais-de-alerta-antes-de-um-avc-saiba-como-agir,7df75b219d3c4693ed3c9a282c85670822o6k3aq.html?utm_source=clipboard - Foto: Andrea Piacquadio/Pexels

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Setembro Amarelo: o papel dos exercícios físicos na saúde mental


Atividade física pode contribuir para o bem-estar emocional, mas não substitui acompanhamento profissional em casos de sofrimento psíquico

 

No contexto do Setembro Amarelo, a prática regular de exercícios físicos destaca-se como importante aliada do bem-estar mental, auxiliando na redução do estresse, na melhora do humor e na socialização. Embora caminhar, nadar ou dançar contribua para o autocuidado mesmo em intensidades leves, o movimento não substitui o tratamento médico ou psicológico. Diante de sofrimento emocional persistente e sinais de alerta, a busca por apoio profissional especializado continua sendo indispensável.

 

Setembro é marcado pelo Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a importância de cuidar da saúde mental. O tema também chama atenção para hábitos que podem contribuir para o bem-estar.

 

Entre eles está a prática de exercícios físicos.

 

Caminhar, correr, pedalar, nadar ou fazer musculação não são tratamentos isolados para problemas de saúde mental. Porém, manter o corpo ativo pode fazer parte de uma rotina de autocuidado e contribuir para diferentes aspectos do bem-estar.

 

Qual é a relação entre exercício físico e saúde mental?

Durante a atividade física, o organismo passa por mudanças que podem influenciar o humor e a sensação de bem-estar.

O exercício também pode ajudar a reduzir o estresse e favorecer o sono. Além disso, criar uma rotina de movimento pode contribuir para a disposição e para a percepção de qualidade de vida.

Esses efeitos variam de pessoa para pessoa. A intensidade e a frequência dos exercícios também precisam considerar o condicionamento físico de cada indivíduo.

 

Não precisa começar com um treino pesado

Quem está parado há algum tempo não precisa começar com exercícios intensos.

Uma caminhada de alguns minutos já pode ser uma forma de inserir movimento na rotina. Com o tempo, a duração e a intensidade podem aumentar de acordo com a adaptação do corpo.

Outras opções também podem funcionar:

 

Caminhada.

Corrida leve.

Bicicleta.

Dança.

Natação.

Musculação.

Pilates.

Esportes coletivos.

 

O mais importante é encontrar uma atividade que seja possível manter com regularidade.

 

A rotina de exercícios também pode ajudar na socialização

A atividade física não envolve apenas o movimento do corpo.

Treinar em uma academia, participar de um grupo de corrida ou praticar um esporte coletivo também pode criar oportunidades de convivência.

Para algumas pessoas, esses momentos ajudam a diminuir o isolamento e a manter vínculos sociais.

Isso não significa que o exercício sozinho seja capaz de resolver problemas emocionais. A socialização é apenas um dos possíveis benefícios associados a uma rotina mais ativa.

 

Exercício não substitui tratamento

Esse é um ponto importante durante o Setembro Amarelo.

Atividade física pode fazer parte de uma rotina saudável, mas não deve ser apresentada como tratamento para depressão, ansiedade ou outros transtornos.

Quem apresenta sofrimento persistente, perda de interesse pelas atividades, alterações importantes no sono ou no apetite, isolamento ou dificuldade para realizar tarefas do dia a dia deve procurar ajuda profissional.

Psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde podem avaliar cada situação e indicar o cuidado adequado.

 

Como começar a se movimentar?

Não existe necessidade de transformar a rotina de uma hora para outra.

Começar aos poucos pode facilitar a adaptação. Uma caminhada curta, por exemplo, pode ser um primeiro passo para quem ainda não pratica exercícios.

Também vale escolher horários que sejam compatíveis com a rotina. Ter companhia pode ajudar algumas pessoas a manter a regularidade.

E, se houver alguma condição de saúde ou dúvida sobre qual exercício praticar, é importante buscar orientação profissional.

 

Atenção aos sinais de sofrimento

O Setembro Amarelo também reforça a importância de prestar atenção a mudanças no comportamento.

Falas sobre morte, desesperança ou desejo de desaparecer devem ser levadas a sério. Nessas situações, não é indicado minimizar o sofrimento ou dizer simplesmente para a pessoa "pensar positivo".

Escutar sem julgamentos e incentivar a busca por ajuda profissional são atitudes importantes.

Em uma situação de risco imediato, a pessoa não deve ficar sozinha. É necessário buscar atendimento de emergência.

 

Movimento é parte do cuidado

Cuidar da saúde mental envolve diferentes aspectos. Sono adequado, alimentação, relações sociais, acompanhamento profissional quando necessário e atividade física podem fazer parte desse cuidado.

No Setembro Amarelo, falar sobre exercícios também é uma oportunidade para lembrar que saúde não é apenas desempenho, peso ou aparência.

O objetivo não precisa ser correr mais rápido ou levantar mais peso. Às vezes, simplesmente sair do lugar já pode ser um começo.

Mais do que buscar um treino perfeito, vale construir uma relação possível e sustentável com o movimento. E, quando existe sofrimento emocional, pedir ajuda também faz parte de cuidar de si.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/setembro-amarelo-o-papel-dos-exercicios-fisicos-na-saude-mental,0ff71466b3787162efef29d336694dc4qoos4m74.html?utm_source=clipboard - Por: Maria Eduarda Vieira / Licenciado de Sport Life - Foto: Shutterstock / Sport Life