Número de mortes pela doença cresceu cerca de 20% em dez anos; especialistas alertam para a importância do acompanhamento médico e do diagnóstico precoce
Resumo
No Brasil, as mortes por câncer de próstata cresceram
20% em uma década, vitimando cerca de 18,5 mil homens em 2025. Silenciosa no
início, a doença é a mais frequente entre o público masculino, desconsiderando
o câncer de pele não melanoma. Com o aumento de casos também entre homens com
menos de 50 anos no exterior, o Novembro Azul alerta para a importância da
prevenção a partir dos 45 ou 50 anos, combatendo o preconceito para garantir
diagnósticos precoces e tratamentos mais eficazes.
O câncer de próstata continua sendo um dos maiores
desafios para a saúde masculina no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde
divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), aproximadamente 18,5
mil homens morreram em decorrência da doença em 2025, o equivalente a uma média
de 50 óbitos por dia. O número representa um crescimento de cerca de 20% em
relação a uma década antes, quando foram registradas 15,4 mil mortes.
Os dados ganham ainda mais relevância com a chegada do
Novembro Azul, campanha dedicada à conscientização sobre a saúde do homem.
Afinal, embora seja um dos tipos de câncer mais frequentes na população
masculina, a doença costuma evoluir silenciosamente, sem provocar sintomas em
seus estágios iniciais.
Entre 2017 e setembro de 2026, mais de 160 mil
brasileiros morreram em decorrência do câncer de próstata. Além disso,
estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para aproximadamente
78 mil novos casos anuais no país entre 2026 e 2028.
Por que o câncer de próstata preocupa tanto no Brasil?
O câncer de próstata é o segundo tipo de tumor mais
frequente entre os homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não
melanoma. Quando os tumores de pele não melanoma são desconsiderados, ocupa a
primeira posição.
Um dos principais desafios é que muitos homens
procuram atendimento médico somente quando percebem alguma alteração no
organismo. No caso do câncer de próstata, porém, esperar pelos sintomas pode
significar descobrir a doença em uma fase mais avançada.
Isso acontece porque os tumores frequentemente se
desenvolvem na região periférica da próstata, uma glândula localizada abaixo da
bexiga e responsável pela produção de parte do líquido que compõe o sêmen.
Como essa região fica afastada da uretra, o
crescimento inicial do tumor pode não interferir no funcionamento urinário.
Dessa forma, a doença pode permanecer sem manifestações perceptíveis durante
bastante tempo. Quando identificada precocemente, entretanto, as possibilidades
de tratamento são maiores, e muitos pacientes apresentam excelentes
perspectivas de recuperação.
Quais são os sintomas do câncer de próstata?
Embora o câncer de próstata geralmente não provoque
sinais no início, algumas alterações podem aparecer conforme a doença evolui.
Entre os sintomas que merecem atenção, estão:
Dificuldade para começar a urinar;
Necessidade de ir ao banheiro com maior frequência,
especialmente durante a noite;
Jato urinário fraco ou interrompido;
Presença de sangue na urina ou no sêmen;
Dores persistentes nos ossos, que podem ocorrer em estágios
avançados.
É importante destacar que esses sintomas não
significam necessariamente a presença de um tumor maligno. Alterações urinárias
também podem estar relacionadas à hiperplasia prostática benigna, condição
caracterizada pelo aumento não canceroso da próstata, bastante comum com o
envelhecimento. Por isso, diante de qualquer mudança persistente, a
recomendação é procurar um urologista para investigar a causa.
Quem tem maior risco de desenvolver a doença?
Embora qualquer homem possa desenvolver câncer de
próstata, alguns fatores aumentam a probabilidade de diagnóstico. A idade é um
dos principais. A maioria dos casos ocorre após os 50 anos, e o risco cresce
progressivamente com o envelhecimento.
O histórico familiar também merece atenção. Homens que
possuem pai ou irmão diagnosticado com a doença apresentam maior probabilidade
de desenvolvê-la, especialmente quando o familiar recebeu o diagnóstico ainda
jovem.
Outros fatores incluem determinadas alterações
genéticas hereditárias, como mutações no gene BRCA2. Além disso, a obesidade
está associada a um maior risco de formas agressivas da doença, embora a
relação entre excesso de peso e desenvolvimento do câncer de próstata ainda
seja estudada.
Câncer de próstata também cresce entre homens mais
jovens
Apesar de ser mais comum depois dos 50 anos, o câncer
de próstata também pode atingir adultos mais jovens. Um levantamento do World
Cancer Research Fund (WCRF), realizado na Inglaterra, identificou um
crescimento expressivo dos diagnósticos entre homens com menos de 50 anos. Em
2001, foram registrados 158 novos casos nessa faixa etária. Em 2023, o número
chegou a 640, mais de quatro vezes o total anterior.
Especialistas investigam se essa tendência está
relacionada à ampliação dos exames, à maior conscientização sobre a doença ou a
fatores associados ao estilo de vida, como obesidade e alimentação. É
importante ressaltar, porém, que esses números se referem à população inglesa e
não demonstram que o mesmo aumento tenha ocorrido no Brasil.
Ainda assim, o levantamento reforça a importância de
conhecer os fatores de risco e manter os cuidados com a saúde em diferentes
fases da vida.
Novembro Azul: quando começar a procurar um
urologista?
Uma das principais mensagens do Novembro Azul é que os
cuidados com a saúde masculina não devem começar apenas quando surgem sintomas.
Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, homens a partir dos 50 anos devem
procurar um urologista para conversar sobre os benefícios e os riscos dos
exames de rastreamento do câncer de próstata.
Para aqueles com maior risco, como pessoas com
histórico familiar da doença, essa avaliação pode ser antecipada para os 45
anos. Entre os exames utilizados estão o PSA, realizado por meio de uma coleta
de sangue, e o toque retal, que permite avaliar possíveis alterações na
próstata.
Entretanto, a realização desses procedimentos deve ser
discutida individualmente. Isso porque resultados alterados nem sempre indicam
câncer e podem levar a investigações ou tratamentos
desnecessários. Enquanto a SBU recomenda a avaliação individualizada, o
Ministério da Saúde não orienta o rastreamento populacional de rotina em homens
sem sintomas. A decisão deve considerar as características e preferências de
cada paciente.
Quais são os tratamentos disponíveis no Brasil?
O tratamento do câncer de próstata depende de fatores
como o estágio da doença, a agressividade do tumor, a idade e as condições
gerais de saúde do paciente. Em tumores considerados de baixo risco, uma das
possibilidades é a vigilância ativa. Nessa estratégia, o médico acompanha
periodicamente a evolução da doença, evitando intervenções imediatas quando
elas não são necessárias. Em outros casos, podem ser indicadas cirurgia,
radioterapia, tratamentos hormonais ou outras abordagens.
Entre os avanços recentes no país está a incorporação
da cirurgia de próstata assistida por robô ao Sistema Único de Saúde (SUS),
anunciada em 2026. A técnica utiliza instrumentos robóticos controlados pelo
cirurgião, permitindo movimentos precisos durante o procedimento.
Outras alternativas incluem o ultrassom focado de alta
intensidade (HIFU), que utiliza energia para destruir tecidos tumorais, e a
crioablação, que emprega temperaturas extremamente baixas para atingir as
células cancerosas. Esses procedimentos não são indicados para todos os
pacientes, e sua utilização depende de critérios médicos específicos.
Como reduzir os riscos e cuidar da saúde da próstata?
Embora não exista uma maneira garantida de impedir o
desenvolvimento do câncer de próstata, alguns hábitos contribuem para a saúde
geral e podem ajudar a diminuir o risco de diferentes doenças crônicas. Manter
uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente, evitar o
tabagismo e controlar o peso corporal são medidas importantes.
Também é fundamental conhecer o histórico de saúde da
família e informar ao médico a existência de parentes diagnosticados com
câncer, especialmente de próstata, mama, ovário ou pâncreas, já que algumas
dessas doenças podem compartilhar fatores genéticos hereditários.
Mais do que incentivar exames, o Novembro Azul busca
combater o preconceito e a resistência que ainda afastam muitos homens dos
consultórios médicos. Diante de milhares de mortes registradas anualmente no
Brasil, a mensagem é clara: cuidar da saúde não deve ser uma atitude tomada
apenas quando algo parece errado. O acompanhamento adequado e a atenção aos
fatores de risco podem fazer diferença na identificação e no tratamento de
doenças.
Fonte:
https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/novembro-azul-casos-de-cancer-de-prostata-cresceu-quatro-vezes-entre-homens-com-menos-de-50-anos,5c061429b87685cc42cfbf4a63a1614920kiofvz.html?utm_source=clipboard
- Por: Isabella Bisordi / Licenciado de Bons Fluidos - Foto: Reprodução:
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