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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Novembro Azul: casos de câncer de próstata cresceu quatro vezes entre homens com menos de 50 anos


Número de mortes pela doença cresceu cerca de 20% em dez anos; especialistas alertam para a importância do acompanhamento médico e do diagnóstico precoce

 

Resumo

No Brasil, as mortes por câncer de próstata cresceram 20% em uma década, vitimando cerca de 18,5 mil homens em 2025. Silenciosa no início, a doença é a mais frequente entre o público masculino, desconsiderando o câncer de pele não melanoma. Com o aumento de casos também entre homens com menos de 50 anos no exterior, o Novembro Azul alerta para a importância da prevenção a partir dos 45 ou 50 anos, combatendo o preconceito para garantir diagnósticos precoces e tratamentos mais eficazes.

O câncer de próstata continua sendo um dos maiores desafios para a saúde masculina no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), aproximadamente 18,5 mil homens morreram em decorrência da doença em 2025, o equivalente a uma média de 50 óbitos por dia. O número representa um crescimento de cerca de 20% em relação a uma década antes, quando foram registradas 15,4 mil mortes.

 

Os dados ganham ainda mais relevância com a chegada do Novembro Azul, campanha dedicada à conscientização sobre a saúde do homem. Afinal, embora seja um dos tipos de câncer mais frequentes na população masculina, a doença costuma evoluir silenciosamente, sem provocar sintomas em seus estágios iniciais.

 

Entre 2017 e setembro de 2026, mais de 160 mil brasileiros morreram em decorrência do câncer de próstata. Além disso, estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para aproximadamente 78 mil novos casos anuais no país entre 2026 e 2028.

 

Por que o câncer de próstata preocupa tanto no Brasil?

O câncer de próstata é o segundo tipo de tumor mais frequente entre os homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Quando os tumores de pele não melanoma são desconsiderados, ocupa a primeira posição.

Um dos principais desafios é que muitos homens procuram atendimento médico somente quando percebem alguma alteração no organismo. No caso do câncer de próstata, porém, esperar pelos sintomas pode significar descobrir a doença em uma fase mais avançada.

Isso acontece porque os tumores frequentemente se desenvolvem na região periférica da próstata, uma glândula localizada abaixo da bexiga e responsável pela produção de parte do líquido que compõe o sêmen.

Como essa região fica afastada da uretra, o crescimento inicial do tumor pode não interferir no funcionamento urinário. Dessa forma, a doença pode permanecer sem manifestações perceptíveis durante bastante tempo. Quando identificada precocemente, entretanto, as possibilidades de tratamento são maiores, e muitos pacientes apresentam excelentes perspectivas de recuperação.

 

Quais são os sintomas do câncer de próstata?

Embora o câncer de próstata geralmente não provoque sinais no início, algumas alterações podem aparecer conforme a doença evolui. Entre os sintomas que merecem atenção, estão: 

 

Dificuldade para começar a urinar;

Necessidade de ir ao banheiro com maior frequência, especialmente durante a noite;

Jato urinário fraco ou interrompido;

Presença de sangue na urina ou no sêmen;

Dores persistentes nos ossos, que podem ocorrer em estágios avançados.

 

É importante destacar que esses sintomas não significam necessariamente a presença de um tumor maligno. Alterações urinárias também podem estar relacionadas à hiperplasia prostática benigna, condição caracterizada pelo aumento não canceroso da próstata, bastante comum com o envelhecimento. Por isso, diante de qualquer mudança persistente, a recomendação é procurar um urologista para investigar a causa.

 

Quem tem maior risco de desenvolver a doença?

Embora qualquer homem possa desenvolver câncer de próstata, alguns fatores aumentam a probabilidade de diagnóstico. A idade é um dos principais. A maioria dos casos ocorre após os 50 anos, e o risco cresce progressivamente com o envelhecimento.

O histórico familiar também merece atenção. Homens que possuem pai ou irmão diagnosticado com a doença apresentam maior probabilidade de desenvolvê-la, especialmente quando o familiar recebeu o diagnóstico ainda jovem.

Outros fatores incluem determinadas alterações genéticas hereditárias, como mutações no gene BRCA2. Além disso, a obesidade está associada a um maior risco de formas agressivas da doença, embora a relação entre excesso de peso e desenvolvimento do câncer de próstata ainda seja estudada.

 

Câncer de próstata também cresce entre homens mais jovens

Apesar de ser mais comum depois dos 50 anos, o câncer de próstata também pode atingir adultos mais jovens. Um levantamento do World Cancer Research Fund (WCRF), realizado na Inglaterra, identificou um crescimento expressivo dos diagnósticos entre homens com menos de 50 anos. Em 2001, foram registrados 158 novos casos nessa faixa etária. Em 2023, o número chegou a 640, mais de quatro vezes o total anterior.

Especialistas investigam se essa tendência está relacionada à ampliação dos exames, à maior conscientização sobre a doença ou a fatores associados ao estilo de vida, como obesidade e alimentação. É importante ressaltar, porém, que esses números se referem à população inglesa e não demonstram que o mesmo aumento tenha ocorrido no Brasil.

Ainda assim, o levantamento reforça a importância de conhecer os fatores de risco e manter os cuidados com a saúde em diferentes fases da vida.

 

Novembro Azul: quando começar a procurar um urologista?

Uma das principais mensagens do Novembro Azul é que os cuidados com a saúde masculina não devem começar apenas quando surgem sintomas. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, homens a partir dos 50 anos devem procurar um urologista para conversar sobre os benefícios e os riscos dos exames de rastreamento do câncer de próstata.

Para aqueles com maior risco, como pessoas com histórico familiar da doença, essa avaliação pode ser antecipada para os 45 anos. Entre os exames utilizados estão o PSA, realizado por meio de uma coleta de sangue, e o toque retal, que permite avaliar possíveis alterações na próstata.

Entretanto, a realização desses procedimentos deve ser discutida individualmente. Isso porque resultados alterados nem sempre indicam câncer e podem levar a investigações ou tratamentos desnecessários. Enquanto a SBU recomenda a avaliação individualizada, o Ministério da Saúde não orienta o rastreamento populacional de rotina em homens sem sintomas. A decisão deve considerar as características e preferências de cada paciente.

 

Quais são os tratamentos disponíveis no Brasil?

O tratamento do câncer de próstata depende de fatores como o estágio da doença, a agressividade do tumor, a idade e as condições gerais de saúde do paciente. Em tumores considerados de baixo risco, uma das possibilidades é a vigilância ativa. Nessa estratégia, o médico acompanha periodicamente a evolução da doença, evitando intervenções imediatas quando elas não são necessárias. Em outros casos, podem ser indicadas cirurgia, radioterapia, tratamentos hormonais ou outras abordagens.

Entre os avanços recentes no país está a incorporação da cirurgia de próstata assistida por robô ao Sistema Único de Saúde (SUS), anunciada em 2026. A técnica utiliza instrumentos robóticos controlados pelo cirurgião, permitindo movimentos precisos durante o procedimento.

Outras alternativas incluem o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU), que utiliza energia para destruir tecidos tumorais, e a crioablação, que emprega temperaturas extremamente baixas para atingir as células cancerosas. Esses procedimentos não são indicados para todos os pacientes, e sua utilização depende de critérios médicos específicos.

 

Como reduzir os riscos e cuidar da saúde da próstata?

Embora não exista uma maneira garantida de impedir o desenvolvimento do câncer de próstata, alguns hábitos contribuem para a saúde geral e podem ajudar a diminuir o risco de diferentes doenças crônicas. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente, evitar o tabagismo e controlar o peso corporal são medidas importantes.

Também é fundamental conhecer o histórico de saúde da família e informar ao médico a existência de parentes diagnosticados com câncer, especialmente de próstata, mama, ovário ou pâncreas, já que algumas dessas doenças podem compartilhar fatores genéticos hereditários.

Mais do que incentivar exames, o Novembro Azul busca combater o preconceito e a resistência que ainda afastam muitos homens dos consultórios médicos. Diante de milhares de mortes registradas anualmente no Brasil, a mensagem é clara: cuidar da saúde não deve ser uma atitude tomada apenas quando algo parece errado. O acompanhamento adequado e a atenção aos fatores de risco podem fazer diferença na identificação e no tratamento de doenças.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/novembro-azul-casos-de-cancer-de-prostata-cresceu-quatro-vezes-entre-homens-com-menos-de-50-anos,5c061429b87685cc42cfbf4a63a1614920kiofvz.html?utm_source=clipboard - Por: Isabella Bisordi / Licenciado de Bons Fluidos - Foto: Reprodução: peakSTOCK/Getty Images Signature / Bons Fluidos

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Apneia do sono pode aumentar risco de AVC; saiba como se prevenir


Dormir mal pode aumentar o risco de AVC. Entenda como a apneia do sono afeta o cérebro e quando procurar ajuda médica.

 

Resumo

Dormir mal pode ter consequências sérias para o cérebro e o corpo. A apneia do sono, por exemplo, aumenta o risco de AVC devido à falta de oxigênio e inflamação nos vasos. Diagnóstico e tratamento adequados, como o uso do CPAP e mudanças no estilo de vida, são essenciais para prevenir complicações.

Dormir bem vai muito além de descansar. Quando a pessoa não consegue dormir direito, o cérebro sofre consequências importantes. Uma delas é o aumento do risco de AVC.

Esse problema fica ainda mais preocupante na apneia do sono. O distúrbio interrompe a respiração várias vezes durante a noite. Assim, o corpo deixa de se recuperar como deveria.

 

O que acontece quando se dorme mal

Durante o sono, o cérebro reorganiza informações e consolida memórias. Também regula hormônios e mantém funções vitais em equilíbrio. Por isso, dormir mal afeta todo o organismo.

Na apneia do sono, essas funções ficam prejudicadas repetidamente. O sono se torna fragmentado e superficial. E o corpo acorda sem a restauração necessária.

A apneia obstrutiva é a forma mais comum do distúrbio. Ela acontece quando a musculatura da língua e da garganta relaxa demais. Isso bloqueia a passagem de ar para os pulmões.

Como resultado, a oxigenação no sangue cai. A pessoa sofre despertares breves, muitas vezes sem perceber. A noite passa, mas o descanso não acontece de verdade.

 

Como a apneia aumenta o risco de AVC

A ligação entre apneia e AVC é direta. Cada pausa respiratória provoca falta de oxigênio no organismo.

 

Isso gera inflamação nos vasos sanguíneos.

Segundo o neurocirurgião Orlando Maia, o endotélio também sofre danos. Essa é a camada interna que reveste e protege os vasos. Quando ela é afetada, o risco de obstrução cresce.

A falta de oxigênio favorece a formação de coágulos. Esses coágulos podem interromper a circulação cerebral. E isso abre caminho para o AVC.

Além disso, o esforço para retomar a respiração pesa no coração. "O esforço constante para retomar a respiração ativa de forma exagerada o sistema nervoso autônomo", explica o médico. Esse efeito altera a pressão arterial e a frequência cardíaca.

O especialista também alerta para o surgimento de arritmias. Entre elas, está a fibrilação atrial. Esse quadro é mais um fator de risco para o AVC.

Estudos mostram números preocupantes sobre o tema. Homens com apneia do sono têm mais que o dobro de risco de AVC. Isso acontece mesmo quando outros fatores já estão controlados.

 

Sono e cérebro em alerta

A relação entre dormir mal e o cérebro é ampla. O problema não se limita ao cansaço do dia seguinte. Ele pode afetar a saúde vascular e neurológica.

O cérebro depende de um sono contínuo para funcionar bem. Quando isso não ocorre, o organismo entra em estado de alerta constante. Esse estado desgasta o sistema cardiovascular.

Além disso, a apneia pode aparecer após o próprio AVC. "O problema também pode ser consequência do próprio AVC", explica Orlando Maia. Até metade dos pacientes pode desenvolver apneia depois do evento.

m um terço dos casos, o quadro se mantém de forma crônica. Isso pode dificultar a reabilitação. E também aumenta a chance de novos episódios.

 

Sinais que merecem atenção

Ronco alto e frequente.

Pausas respiratórias percebidas por outra pessoa.

Sonolência excessiva durante o dia.

Acordar cansado, mesmo após muitas horas na cama.

Dificuldade para se concentrar.

Dor de cabeça ao acordar.

 

Esses sinais não devem ser ignorados. Eles podem indicar que a pessoa não está conseguindo dormir de forma saudável. E isso merece avaliação médica.

 

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da apneia começa com avaliação especializada. O exame mais importante é a polissonografia. Ele analisa parâmetros respiratórios, cardíacos e cerebrais durante a noite.

Esse exame ajuda a medir a gravidade do problema. Também orienta o melhor tratamento para cada caso. Por isso, é um passo fundamental.

Muitas pessoas convivem com o distúrbio sem saber. Elas acham que o ronco é apenas incômodo. Mas o quadro pode esconder um risco maior.

Quando há suspeita, a investigação não deve demorar. Quanto antes o diagnóstico acontecer, melhor. Isso reduz a chance de complicações sérias.

 

O que ajuda a reduzir os riscos

Felizmente, a apneia tem tratamento. Quando ela é controlada, o risco de AVC diminui bastante. Isso reforça a importância de procurar ajuda.

O CPAP é considerado o método mais eficaz. O equipamento envia pressão positiva contínua para manter as vias aéreas abertas. Assim, ele melhora a respiração durante o sono.

Outras medidas também fazem diferença no tratamento. Controle de peso, mudança de posição ao dormir e menos álcool ajudam. Em alguns casos, sedativos também precisam ser reduzidos.

sses cuidados complementam o uso do CPAP. E tornam o tratamento mais eficiente no dia a dia. O segredo está na constância.

 

Checklist de prevenção

Observar sinais de ronco e pausas respiratórias.

Procurar avaliação médica se houver sonolência excessiva.

Fazer a polissonografia quando indicada.

Seguir corretamente o uso do CPAP.

Reduzir álcool e sedativos.

Cuidar do peso corporal.

Ajustar a posição ao dormir.

 

Dormir bem é prevenção!

Dormir bem não é luxo. É uma necessidade para o cérebro e para o corpo. No contexto do AVC, isso faz ainda mais sentido.

A apneia mostra como noites ruins podem afetar a saúde de forma silenciosa. O distúrbio desgasta vasos, coração e cérebro. E tudo isso pode começar apenas com um ronco ignorado.

"O que acontece à noite interfere diretamente na saúde do dia seguinte", resume a lógica do problema. Por isso, cuidar do sono é uma forma concreta de prevenção. E essa prevenção pode salvar vidas.

Reconhecer os sinais é o primeiro passo. Depois, vem a avaliação médica e o tratamento adequado. Assim, dormir bem deixa de ser desejo e vira proteção.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/apneia-do-sono-pode-aumentar-risco-de-avc-saiba-como-se-prevenir,1d502ba0334c3cde4e6a5e93157efc43bkx8x8ak.html?utm_source=clipboard - Foto: Reprodução/Shutterstock

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Gordura no fígado: 5 hábitos simples para evitar a condição


Conhecida como "esteatose hepática", a gordura no fígado é uma condição silenciosa que afeta milhões de pessoas. Felizmente, a prevenção está em suas mãos. Conheça cinco mudanças fáceis no dia a dia para proteger seu fígado

 

Resumo

A esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado, é uma condição silenciosa e perigosa caracterizada pelo acúmulo de gordura nas células do órgão. Se não for diagnosticada e tratada a tempo, ela pode evoluir para complicações graves de saúde. Suas causas mais comuns envolvem fatores como o sobrepeso, o diabetes, o sedentarismo e uma alimentação inadequada.

A esteatose hepática, popularmente conhecida como acúmulo de gordura no fígado, é uma condição silenciosa - e perigosa. Trata-se de um acúmulo de gordura no interior das células hepáticas que pode levar a complicações graves se não for identificada e tratada a tempo. Entre as causas mais comuns estão o sobrepeso, a alimentação inadequada, o diabetes e a falta de atividade física.

 

Quais são os riscos associados à gordura no fígado?

É normal haver presença de algum percentual de gordura no fígado. No entanto, quando este índice chega a 5% ou mais, deve-se iniciar um tratamento. Segundo o Ministério da Saúde, existem duas classificações de esteatose hepática, que têm causas diferentes.

 

Alcoólicas: provocadas pelo consumo excessivo de álcool;

Não alcoólicas: provocadas por hábitos e estilos de vida inadequados.

Os dois tipos, se não tratados, podem evoluir para condições mais críticas, como fibrose, cirrose e até mesmo câncer de fígado. Segundo especialistas, esta condição é um fator de risco significativo para problemas cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. Assim, alterações nas enzimas hepáticas levantam suspeitas e podem conduzir a um diagnóstico precoce, crucial para impedir a progressão para estágios mais graves.

 

5 dicas para manter o fígado saudável

1. Alimentação inteligente

A dieta é a principal aliada na prevenção. Evite o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, farinha branca e gorduras trans. Em vez disso, priorize frutas, vegetais, grãos integrais, proteínas magras e gorduras saudáveis, como as encontradas no abacate e nas nozes. Em suma, uma dieta colorida e variada é a chave para fornecer os nutrientes que seu fígado precisa para funcionar bem.

 

2. Peso saudável

O excesso de peso, especialmente a gordura na região abdominal, é um dos maiores fatores de risco para a esteatose hepática. A perda de apenas 5% a 10% do peso corporal pode reduzir significativamente a gordura no fígado, reverter o quadro e melhorar a saúde geral do órgão. A perda de peso deve ser gradual e sustentável, por isso o ideal é sempre buscar orientação profissional.

 

3. Exercícios físicos

A atividade física não só ajuda a controlar o peso, mas também tem um impacto direto no metabolismo da gordura. Assim, a prática regular de exercícios, sejam eles aeróbicos (caminhada, corrida, bicicleta) ou de fortalecimento (musculação), melhora a sensibilidade à insulina e ajuda a queimar a gordura acumulada, incluindo aquela que se deposita no fígado. Começar com 30 minutos de caminhada por dia já faz uma grande diferença.

 

4. Beba água

A água é essencial para o bom funcionamento do corpo, incluindo o do fígado. Por isso, uma hidratação adequada auxilia nos processos de desintoxicação e ajuda a manter o metabolismo ativo, facilitando a eliminação de toxinas e resíduos. Beber a quantidade ideal de água diariamente é uma das medidas mais simples e eficazes para manter a saúde do fígado em dia.

 

5.  Álcool com moderação

Por fim, embora a esteatose hepática que estamos abordando seja a "não-alcoólica", o consumo excessivo de bebidas alcoólicas é uma causa direta de outras doenças hepáticas e pode agravar a gordura no fígado. A moderação no consumo de álcool é uma recomendação de saúde fundamental para proteger o seu fígado de danos a longo prazo e garantir o bom funcionamento do órgão.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/gordura-no-figado-5-habitos-simples-para-evitar-a-condicao,08cd618d82ea9e5b780adfed5c69bb83hzbfcr81.html?utm_source=clipboard - Por: Lilian Coelho Maffei / Licenciado de Bons Fluidos - Foto: depositphotos.com / katerynakon / Bons Fluidos

domingo, 18 de outubro de 2026

AVC em jovens: sinais de alerta e como prevenir


O acidente vascular cerebral também pode atingir adultos jovens. Entenda os fatores de risco, reconheça os sintomas de AVC e saiba por que o atendimento rápido pode reduzir mortes e sequelas

 

Embora mais comum em idosos, o AVC atinge cada vez mais jovens devido a fatores como hipertensão, obesidade e tabagismo, além de causas genéticas. Sintomas repentinos como fraqueza unilateral, boca torta, dificuldade na fala e dor de cabeça intensa exigem socorro imediato via SAMU (192), pois a rapidez no atendimento é crucial para reduzir danos cerebrais e sequelas graves. A prevenção inclui hábitos saudáveis e controle cardiovascular para mitigar riscos de quadros isquêmicos e hemorrágicos.

 

Dor de cabeça súbita e intensa, dificuldade para falar, alteração na visão e perda de força em um dos lados do corpo são sinais que exigem atenção imediata.

 

Embora possam ser confundidos com problemas passageiros, esses sintomas também podem indicar um acidente vascular cerebral (AVC), uma das principais emergências neurológicas.

 

Apesar de ser mais frequente entre idosos, o AVC também pode atingir adultos jovens. A presença precoce de fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, obesidade, diabetes e tabagismo, aumenta a preocupação com a doença nessa faixa etária.

 

AVC em jovens: por que a doença preocupa?

Dados do Ministério da Saúde mostram a dimensão do problema no Brasil. Em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) contabilizou 292 mil atendimentos por AVC, dos quais 218 mil foram relacionados ao tipo isquêmico, causado pela obstrução de um vaso sanguíneo que leva sangue ao cérebro. Esse tipo corresponde a cerca de 85% dos casos.

Na Bahia, dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) apontaram que, até 24 de outubro de 2025, cerca de 2.700 pessoas haviam morrido em decorrência de AVC. Desse total, 87% das mortes ocorreram entre pessoas com mais de 60 anos. Em Salvador, foram registrados 344 óbitos nos dez primeiros meses de 2025, contra 333 durante todo o ano de 2024.

Embora os números mostrem a predominância entre idosos, o problema também merece atenção entre pessoas mais jovens.

"O AVC não deve ser encarado como uma doença exclusiva da terceira idade. Quando fatores como hipertensão, obesidade, diabetes, tabagismo, sedentarismo e uso de álcool ou outras substâncias aparecem cada vez mais cedo, o risco cardiovascular também pode surgir precocemente. Em pessoas jovens, ainda precisamos investigar causas específicas, como alterações cardíacas, distúrbios da coagulação, doenças autoimunes e genéticas".

A explicação é do neurologista Woquiton Martins, professor do curso de Medicina da UniFG Bahia, integrante da Inspirali, ecossistema da Ânima Educação.

 

Quais são os sintomas de AVC?

Os sintomas de AVC geralmente aparecem de forma repentina. Identificar essas alterações e buscar atendimento rapidamente pode fazer diferença no tratamento e na recuperação.

 

Entre os principais sinais de alerta estão:

 

Fraqueza ou formigamento em um lado do corpo.

Boca torta ou um lado do rosto caído.

Dificuldade para falar ou compreender o que outras pessoas dizem.

Perda ou alteração repentina da visão.

Tontura súbita ou perda de equilíbrio.

Dificuldade para caminhar ou coordenar os movimentos.

Confusão mental.

Dor de cabeça súbita e intensa, sem causa aparente.

Nem todos os pacientes apresentam os mesmos sintomas. A intensidade também pode variar conforme a região do cérebro afetada.

 

Como reconhecer um AVC e quando buscar ajuda?

Uma forma de identificar alguns sinais é observar o rosto, os braços e a fala. Um lado do rosto pode ficar caído, um dos braços pode perder força e a pessoa pode apresentar dificuldade para falar ou compreender frases.

Alterações repentinas na visão, no equilíbrio ou na caminhada também precisam ser consideradas.

"Diante de qualquer alteração neurológica súbita, não se deve esperar para ver se o sintoma vai passar. É preciso acionar o SAMU, pelo 192, ou procurar imediatamente um serviço de emergência. No AVC, o tempo é determinante porque cada minuto de circulação cerebral interrompida pode representar perda de tecido cerebral", alerta Woquiton Martins.

Diante da suspeita, ligue para o SAMU, pelo número 192. Não espere os sintomas desaparecerem nem tente medicar a pessoa por conta própria.

Mesmo que as manifestações melhorem em poucos minutos, é importante buscar avaliação médica. O quadro pode indicar um ataque isquêmico transitório, que também exige atendimento urgente.

 

Quais são os tipos de AVC?

O acidente vascular cerebral pode ser classificado em dois tipos principais.

AVC isquêmico: ocorre quando um coágulo ou outra obstrução impede a passagem do sangue por um vaso que irriga o cérebro. É o tipo mais frequente.

AVC hemorrágico: acontece quando um vaso sanguíneo se rompe e provoca sangramento no cérebro ou ao redor dele.

A identificação do tipo de AVC é essencial para definir o tratamento. Por isso, a equipe médica realiza uma avaliação clínica e exames de imagem, como a tomografia computadorizada.

 

Como funciona o tratamento do AVC?

O tratamento depende do tipo de AVC, do tempo transcorrido desde o início dos sintomas e das condições clínicas do paciente.

Em alguns casos de AVC isquêmico, medicamentos podem ser utilizados para dissolver o coágulo. Determinados pacientes também podem receber indicação de tratamento endovascular, como a trombectomia mecânica, procedimento que permite retirar o coágulo de um vaso sanguíneo.

No AVC hemorrágico, a conduta pode envolver o controle da pressão arterial, medidas para controlar o sangramento e, em determinadas situações, procedimentos cirúrgicos.

A avaliação precisa ser feita rapidamente por uma equipe médica, pois nem todos os tratamentos são indicados para todos os pacientes.

 

Quais sequelas o AVC pode deixar?

As consequências variam conforme a região cerebral atingida, a extensão da lesão e a rapidez com que o atendimento começa.

Entre as possíveis sequelas estão dificuldades motoras, alterações visuais, problemas na fala e na linguagem, perda de memória, dificuldade para engolir e mudanças emocionais ou cognitivas.

A reabilitação pode envolver fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e acompanhamento médico. O plano é definido de acordo com as necessidades de cada pessoa e pode ajudar a recuperar funções e ampliar a autonomia.

"Quanto mais cedo o atendimento começa, maiores são as possibilidades de preservar funções neurológicas e reduzir a gravidade das sequelas. E, depois da emergência, a reabilitação é fundamental para recuperar a maior autonomia possível. Por isso, reconhecer os sinais e buscar ajuda rapidamente pode fazer uma diferença enorme na vida do paciente", conclui o neurologista.

 

Como prevenir o AVC desde a juventude?

Embora a idade e a predisposição genética não possam ser modificadas, muitos fatores de risco podem ser controlados. A prevenção envolve hábitos saudáveis e acompanhamento médico regular.

 

Entre as principais medidas estão:

 

Manter a pressão arterial sob controle.

Acompanhar os níveis de glicose e colesterol.

Não fumar.

Evitar o consumo excessivo de álcool.

Praticar atividade física regularmente.

Adotar uma alimentação equilibrada.

Manter um peso adequado.

Seguir as orientações médicas para tratar doenças cardiovasculares e metabólicas.

Também é importante investigar condições de saúde que possam aumentar o risco de AVC, especialmente quando há histórico familiar ou alterações identificadas em avaliações médicas.

 

Reconhecer os sinais de AVC pode salvar vidas

O AVC não é uma doença exclusiva da terceira idade. Embora seja mais frequente entre idosos, também pode atingir pessoas jovens, especialmente quando existem fatores de risco ou condições específicas associadas.

Conhecer os sintomas, acompanhar a saúde cardiovascular e manter hábitos saudáveis são medidas importantes para reduzir os riscos. Diante de alterações neurológicas repentinas, porém, a prioridade é buscar atendimento de emergência.

No AVC, cada minuto importa. O reconhecimento rápido dos sinais e o início oportuno do tratamento podem reduzir os danos cerebrais e melhorar as possibilidades de recuperação.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/avc-em-jovens-sinais-de-alerta-e-como-prevenir,e9064c34692865294719a9f1988f48e6ghecml77.html?utm_source=clipboard - Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Fibromialgia: a dor invisível que afeta milhões de brasileiros


Reconhecida como deficiência no Brasil, a síndrome exige atenção, diagnóstico correto e cuidados multidisciplinares

 

A fibromialgia é uma síndrome crônica marcada por dor generalizada, fadiga e distúrbios do sono, afetando sobretudo mulheres. De diagnóstico difícil por não constar em exames de imagem, a doença gera estigma, mas seu manejo com remédios e exercícios melhora a qualidade de vida. No Brasil, seu recente enquadramento como deficiência assegura direitos e políticas públicas aos pacientes, marcando um avanço contra o preconceito e na garantia de suporte social a essa condição invisível e debilitante.

 

A fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dores musculares generalizadas, fadiga intensa, distúrbios do sono e problemas de memória. Apesar de afetar cerca de 3% da população mundial, sendo em sua maioria mulheres, a doença ainda é cercada por preconceito e falta de conhecimento. No Brasil, um avanço significativo ocorreu recentemente com o reconhecimento oficial da fibromialgia como uma condição que pode ser enquadrada como deficiência, o que garante às pessoas afetadas o acesso a direitos e políticas públicas específicas.

 

Entre os principais sintomas da fibromialgia estão dores persistentes por todo o corpo, sensibilidade exagerada ao toque, cansaço extremo mesmo após uma noite de sono e alterações no humor. Muitos pacientes também relatam episódios de depressão e ansiedade. A origem da síndrome ainda não é completamente compreendida, mas especialistas apontam que fatores genéticos, traumas físicos e emocionais, além de desequilíbrios nos neurotransmissores, podem estar envolvidos no desenvolvimento da condição.

 

Fibromialgia

Por ser uma doença de difícil diagnóstico — já que não aparece em exames laboratoriais ou de imagem —, muitos pacientes enfrentam anos de sofrimento até receberem o diagnóstico correto. A falta de marcadores objetivos faz com que a dor e o sofrimento de quem tem fibromialgia sejam, muitas vezes, subestimados, o que contribui para o estigma social.

 

O tratamento da fibromialgia é multidisciplinar e envolve a combinação de medicamentos, fisioterapia, atividade física regular e acompanhamento psicológico. Embora não haja cura, é possível controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Recomenda-se medicamentos como analgésicos, antidepressivos e relaxantes musculares. Porém, médicos também indicam exercícios físicos de baixo impacto, como caminhada, pilates e hidroginástica como parte essencial da abordagem terapêutica.

 

O reconhecimento da fibromialgia como uma condição que pode gerar deficiência reforça a importância de políticas públicas que acolham e protejam os pacientes. Além do acesso à saúde, isso inclui o direito a aposentadoria por invalidez, isenção de impostos e prioridade em processos seletivos, concursos públicos e programas de inclusão.

 

A luta de pacientes e entidades médicas para legitimar a fibromialgia como uma condição séria e debilitante avança. No entanto, ainda há muito a ser feito em termos de conscientização. Entender a síndrome e apoiar quem convive com ela é fundamental para construir uma sociedade mais empática e justa.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/fibromialgia-a-dor-invisivel-que-afeta-milhoes-de-brasileiros,1648bedd28de3332f22e6ddf1172baa4tnw9p0bf.html?utm_source=clipboard - Por: Lilian Coelho Maffei / Licenciado de Bons Fluidos - Foto: depositphotos.com / Sasha2109 / Bons Fluidos

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Além do caroço: 5 sinais de câncer de mama que exigem atenção


Conheça sinais que também merecem investigação

 

Além do nódulo, o câncer de mama manifesta sinais como retrações na pele, aspecto de casca de laranja, mudanças e secreções no mamilo ou caroços na axila. A ausência de dor ou de histórico familiar — presente em apenas 10% dos casos — não descarta a doença, que pode ser assintomática no início. O autoconhecimento ajuda a notar alterações, mas não substitui exames como a mamografia, essenciais para o rastreamento precoce e tratamentos menos invasivos, cuidado que deve se estender por todo o ano.

 

Especialista explica que alterações na pele, mudanças no mamilo, secreções e nódulos na axila estão entre os sinais de alerta

O nódulo na mama é um dos sinais mais conhecidos do câncer de mama, mas não é o único que merece atenção. Durante o Outubro Rosa, a conscientização também passa por reconhecer outras alterações que podem indicar a necessidade de investigação médica, como mudanças na pele e no formato das mamas, alterações no mamilo, secreções e o aparecimento de nódulos na região das axilas.

 

Segundo o Dr. Rodrigo Oliveira Souto, mastologista e cirurgião oncológico do Hospital Icaraí, um dos principais pontos de atenção é perceber mudanças que não estavam presentes anteriormente. Retrações na pele ou aspecto semelhante à "casca de laranja", alterações no formato da mama ou do mamilo e saída espontânea de secreção, principalmente quando ocorre de apenas um lado, devem ser investigadas.

 

Conhecer o próprio corpo pode ajudar a identificar essas mudanças, mas não substitui a avaliação médica. "Costumo orientar minhas pacientes a conhecerem as próprias mamas. Não para que façam um diagnóstico em casa, mas para que consigam perceber quando alguma coisa mudou. E existe uma diferença importante entre perceber uma alteração e concluir que ela é câncer", orienta o médico.

 

Manter a calma

A presença de uma alteração também não significa necessariamente um diagnóstico de câncer. Existem diferentes condições benignas que podem provocar mudanças nas mamas. Por isso, a orientação é evitar tanto o pânico quanto a tentativa de descobrir sozinha a origem do sintoma. Mudanças persistentes ou diferentes do habitual devem ser avaliadas por um especialista.

 

Outro ponto importante é que o câncer de mama pode se desenvolver sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Nesses casos, exames de rastreamento, como a mamografia, podem identificar alterações suspeitas antes que sejam percebidas pela mulher ou mesmo durante o exame clínico.

 

"O câncer de mama não precisa dar sinais para existir. É justamente por isso que o rastreamento tem valor: ele procura a doença antes que ela se manifeste", explica o mastologista. Mulheres que já perceberam um nódulo ou outra alteração, por outro lado, precisam de investigação médica independentemente de estarem ou não na faixa etária habitual do rastreamento.

 

A genética influencia?

O histórico familiar também costuma gerar uma falsa sensação de segurança. De acordo com o especialista, somente cerca de 10% das mulheres que desenvolvem a doença possuem algum familiar com câncer de mama. Embora a presença de casos na família seja um fator de risco importante, a ausência desse histórico não significa que uma mulher esteja protegida.

 

Outro mito frequente é associar o câncer necessariamente à dor. A ausência desse sintoma pode fazer com que algumas mulheres deixem de procurar avaliação ao perceber outras alterações. "O câncer de mama pode não provocar dor, principalmente no início. Portanto, a ausência de dor não deve ser usada como motivo para ignorar um nódulo ou outra alteração", alerta o Dr. Rodrigo.

 

Quando identificado em uma fase inicial, o câncer de mama pode apresentar mais possibilidades terapêuticas e, em muitos casos, permitir tratamentos menos extensos. Os avanços também possibilitam abordagens cada vez mais individualizadas, considerando os diferentes subtipos da doença e as características de cada tumor.

 

Para o Dr. Rodrigo, a conscientização promovida pelo Outubro Rosa deve se estender aos demais meses do ano. "Não espere outubro para cuidar das suas mamas. O cuidado deve fazer parte da saúde da mulher durante todo o ano."

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/alem-do-caroco-5-sinais-de-cancer-de-mama-que-exigem-atencao,69562201eb9c28bb4d352fb52821c887020qq95u.html?utm_source=clipboard - Por: Gabriela de Lisboa / Licenciado de Revista Malu - Foto de Rebekah Vos na Unsplash

domingo, 4 de outubro de 2026

5 alimentos que podem estar associados à prevenção do câncer e cabem em uma alimentação equilibrada


Nenhum alimento previne câncer sozinho; veja como frutas, verduras, feijões e grãos integrais entram em um padrão alimentar equilibrado.

 

Nenhum alimento isolado previne o câncer. Segundo o INCA, a redução de riscos decorre de um padrão alimentar equilibrado a longo prazo, e não de supostos "superalimentos". A recomendação foca em priorizar itens in natura e vegetais variados, como frutas, legumes, verduras, leguminosas e grãos integrais, ricos em fibras e nutrientes, em vez de ultraprocessados. A prevenção real envolve escolhas constantes no estilo de vida, atividade física e acompanhamento médico, sem soluções milagrosas.

 

Uma lista de "cinco alimentos contra o câncer" chama atenção, mas transforma uma relação complexa em uma promessa que o prato não consegue cumprir. Nenhuma fruta, semente ou verdura isolada impede a doença. O que instituições como o Instituto Nacional de Câncer observam é a associação entre padrões alimentares e risco ao longo do tempo: variedade de alimentos vegetais, fibras e substituição de produtos menos favoráveis. A pergunta útil, portanto, não é qual ingrediente protege sozinho, mas como cinco grupos podem entrar numa rotina alimentar equilibrada.

 

O que significa reduzir risco pela alimentação?

Em populações estudadas ao longo do tempo, dietas ricas em alimentos de origem vegetal se associam a menor risco de alguns tipos de câncer. Isso não transforma uma refeição em escudo. Risco envolve idade, histórico, tabagismo, álcool, atividade física, exposição ambiental e muitos outros fatores. O INCA recomenda uma alimentação variada baseada em alimentos in natura e minimamente processados, em vez de depender de um suposto superalimento.

 

A evidência pode ser diferente conforme o tipo de tumor e o padrão de consumo. Fibra de grãos integrais, por exemplo, entra numa relação estudada com câncer colorretal; não seria correto atribuir proteção equivalente a qualquer tipo de doença. Esta leitura complementar apresenta ideias de alimentação cotidiana, sem substituir acompanhamento clínico nem medidas de rastreamento indicadas para cada pessoa.

 

Quais cinco grupos cabem no prato?

Frutas, verduras, legumes, feijões e outros grãos integrais oferecem combinações de fibras, vitaminas e compostos vegetais. Essa divisão é prática, não uma classificação de cinco medicamentos naturais. Uma banana no café, folhas e legumes no almoço, feijão com arroz e aveia ou pão integral ao longo do dia mostram como a variedade pode caber numa rotina comum, sem ingredientes caros.

 

O INCA destaca que diferentes cores e tipos ampliam a diversidade de componentes da dieta. O efeito observado é do padrão alimentar, não da soma de cinco produtos escolhidos uma vez. Feijão também é uma leguminosa acessível; variar preparações ajuda a manter o hábito. Não é necessário comprar suplementos de antioxidantes para reproduzir resultados encontrados em estudos de alimentação, pois alimentos e comprimidos não são equivalentes.

 

Frutas variadas trazem fibras e podem substituir sobremesas ultraprocessadas.

Verduras e legumes ampliam a diversidade do prato habitual.

Feijões e outras leguminosas combinam fibra e proteína vegetal.

Grãos integrais oferecem uma forma de incluir mais fibra ao longo do dia.

Sementes e nozes podem complementar a variedade, em porções compatíveis com a dieta.

 

Por que o conjunto importa mais que a lista?

Comer um item saudável sem mudar o restante da rotina pode ter efeito limitado. Uma pessoa pode adicionar sementes à refeição e continuar consumindo frequentemente carnes processadas, que o INCA recomenda evitar pelo aumento do risco de câncer de intestino. Trocas consistentes, quantidade total de alimentos, atividade física e outros hábitos entram na avaliação. A lista serve para abrir opções, não para vender a ilusão de compensação.

 

Também importa o contexto: acesso a alimentos, preferências, cultura culinária e condições de saúde determinam o que é sustentável. Arroz com feijão e vegetais não precisa ceder lugar a produtos rotulados como funcionais. Quem tem restrições alimentares, alergias ou tratamento oncológico deve discutir adaptações com profissionais de saúde; dietas "anticâncer" sem avaliação podem atrapalhar nutrição adequada.

 

O preparo muda a proposta?

Pode mudar. Uma fruta inteira conserva uma combinação de fibras que um suco coado não oferece na mesma forma. Verduras fritas e cobertas de molhos muito salgados entram numa refeição diferente de vegetais preparados com variedade e moderação. Isso não significa proibir métodos de preparo ou exigir comida crua; significa olhar para a refeição completa e para a frequência de consumo.

 

Substituir uma parte dos ultraprocessados por opções vegetais simples pode ser um objetivo mais claro que procurar um alimento milagroso. O INCA e o Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer tratam prevenção como conjunto de escolhas e condições. Nem mesmo seguir todas as recomendações elimina a possibilidade de adoecer. A linguagem correta é redução de risco em escala populacional, com benefício potencial para a saúde, não garantia individual.

 

Como levar a ideia ao mercado?

Escolha alimentos de diferentes grupos que já fazem parte da sua cozinha e acrescente variedade gradualmente. Uma fruta da estação, um legume para a refeição principal, folhas quando possível, feijão e um grão integral são uma maneira concreta de começar. O preço e a disponibilidade mudam; a estratégia não depende de repetir os mesmos cinco itens toda semana.

 

Se a lista despertou curiosidade, o resultado mais útil é trocar a pergunta "qual alimento previne câncer?" por "que padrão alimentar consigo sustentar?". Os estudos não colocam um poder isolado na semente ou na fruta. Apontam para hábitos ao longo do tempo, combinados a outras medidas de prevenção e ao cuidado médico necessário. Essa é uma resposta menos espetacular, mas muito mais fiel ao que se sabe.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/5-alimentos-que-podem-estar-associados-a-prevencao-do-cancer-e-cabem-em-uma-alimentacao-equilibrada,0f816f82de02e34badac059227b8bb46uha2l1nl.html?utm_source=clipboard - Por: Gabriel Correa / Licenciado de Catraca Livre - Foto: Imagem gerada por inteligência artificial / Catraca Livre

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Infarto: sinais de alerta e a importância do socorro imediato


Cardiologista explica por que a suspeita de infarto exige atendimento imediato e quais sinais devem acender o alerta

 

O socorro imediato é vital na suspeita de infarto, pois quanto mais rápido o fluxo sanguíneo for restabelecido, menor será o dano ao coração. Além do aperto no peito, os sinais incluem dores nos braços, costas ou mandíbula, falta de ar, náuseas e suor frio, que costumam ser subestimados. Diagnosticado por eletrocardiograma e exames de sangue, o quadro pode exigir angioplastia e medicamentos. Os sintomas não devem ser ignorados, mesmo por pessoas jovens ou sem histórico de fatores de risco.

 

Quando há suspeita de infarto, não é recomendado esperar para ver se os sintomas passam. A orientação é procurar atendimento médico imediatamente, principalmente diante de dor, pressão ou desconforto persistente no peito, com ou sem outros sinais.

 

Segundo a cardiologista intervencionista Dra. Denise Pellegrini, diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), o ideal é buscar socorro nos primeiros minutos.

 

"O ideal é procurar socorro nos primeiros minutos. No infarto, quanto mais tempo a artéria permanece obstruída, maior é a quantidade de músculo cardíaco que pode ser lesionada. Por isso, diante de sintomas sugestivos, não devemos esperar para ver se eles desaparecem espontaneamente."

 

O infarto agudo do miocárdio acontece, na maioria dos casos, quando uma artéria que leva sangue ao coração fica obstruída. Isso geralmente ocorre pela formação de um coágulo sobre uma placa de gordura.

 

Com a redução ou interrupção do fluxo sanguíneo, o músculo cardíaco deixa de receber oxigênio adequadamente e pode começar a sofrer lesões.

 

Quais são os principais sinais de um infarto?

O sintoma mais conhecido é a dor, pressão ou desconforto no peito. A sensação pode ser descrita como aperto, peso ou compressão no centro do tórax.

No entanto, o infarto não se manifesta da mesma maneira em todas as pessoas. Outros sinais podem aparecer, como:

 

dor ou desconforto que se espalha para um ou ambos os braços;

dor ou desconforto na mandíbula, queixo, pescoço, ombros ou costas;

desconforto na região do estômago;

falta de ar;

suor frio;

náuseas ou vômitos;

tontura ou sensação de desmaio;

cansaço intenso e desproporcional ao esforço;

mal-estar, inquietação ou ansiedade.

 

A especialista destaca que alguns desses sintomas podem ser confundidos com problemas menos graves, o que pode atrasar a procura por atendimento.

"Um dos grandes problemas é que alguns sintomas são pouco reconhecidos como manifestações cardíacas. A pessoa pode pensar que está com indigestão, estresse, ansiedade ou apenas cansada e acaba postergando a busca por atendimento", explica Dra. Denise.

 

Quando é hora de pedir ajuda?

A orientação é não esperar a dor ficar intensa ou insuportável. Diante de sintomas sugestivos de infarto, principalmente quando surgem de forma súbita ou são diferentes do habitual, a avaliação médica deve acontecer o mais rápido possível.

O atendimento de emergência é importante porque o tempo influencia diretamente a quantidade de músculo cardíaco que pode ser preservada.

"O tempo para o tratamento de um infarto com uma artéria obstruída é muito importante. Quanto mais cedo o paciente chega a um serviço de emergência, recebe o diagnóstico e, quando indicado, tem a artéria desobstruída, maiores são as chances de limitar o dano ao coração e reduzir complicações", reforça a cardiologista.

 

Como o infarto é identificado?

No hospital, a avaliação começa pela história clínica e pelo exame físico. Um dos primeiros exames realizados é o eletrocardiograma (ECG), que ajuda a identificar alterações características de determinados tipos de infarto e a orientar a estratégia inicial de tratamento.

Também são feitos exames de sangue, especialmente a dosagem de troponina, marcador de lesão do músculo cardíaco.

Dependendo do quadro, outros exames de imagem e avaliações da circulação das artérias coronárias podem ser necessários.

É importante lembrar que nem todo infarto apresenta alterações típicas no primeiro eletrocardiograma. Por isso, diante de uma suspeita clínica, a avaliação médica e, quando necessário, a repetição dos exames são fundamentais.

 

Como o infarto é tratado?

O tratamento depende do tipo de infarto e das características de cada paciente. Quando existe uma obstrução aguda de uma artéria coronária e há indicação de reperfusão imediata, uma das principais estratégias é a angioplastia coronária.

O procedimento é realizado por cateterismo para identificar e tratar a obstrução, restabelecendo o fluxo sanguíneo. Em muitos casos, é implantado um stent.

Medicamentos também podem fazer parte do tratamento, incluindo antiagregantes plaquetários, anticoagulantes e outras terapias, conforme o tipo de infarto e a avaliação da equipe médica.

"A prioridade é restabelecer o fluxo de sangue para o coração o mais rapidamente possível quando há uma artéria obstruída. Cada minuto de atraso pode representar mais músculo cardíaco lesionado", destaca Dra. Denise.

 

Fatores de risco não são os únicos responsáveis

Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo e histórico familiar estão entre os fatores associados ao aumento do risco de doença cardiovascular.

Ainda assim, não ter esses fatores conhecidos não significa estar livre do risco de sofrer um infarto.

Por isso, sintomas sugestivos não devem ser minimizados apenas porque a pessoa é jovem, pratica atividade física ou nunca recebeu um diagnóstico de doença cardiovascular.

"O infarto é uma emergência médica em que a informação pode salvar vidas. Reconhecer os sintomas, não minimizar os sinais e procurar ajuda imediatamente são atitudes simples, mas fundamentais. A mensagem é clara: diante da suspeita, não espere", conclui a cardiologista.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/infarto-sinais-de-alerta-e-a-importancia-do-socorro-imediato,8a5f1948882cd5120f068a121d08efab3mdbv2bs.html?utm_source=clipboard - Foto: Shutterstock / Saúde em Dia