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domingo, 25 de outubro de 2026

O que devemos comer para ter a pele mais jovem


Plantas, gorduras e alimentos fermentados podem reduzir as rugas, promover o colágeno e melhorar a textura da nossa pele.

 

A alimentação é vital para manter a pele jovem e protegida de danos externos e do tempo. Vegetais e frutas coloridos fornecem antioxidantes e carotenoides que estimulam o colágeno e combatem a radiação solar. Gorduras saudáveis presentes em peixes e oleaginosas, como ômega-3 e vitamina E, preservam a hidratação e reduzem rugas. Além disso, uma dieta rica em fibras e alimentos fermentados fortalece a microbiota intestinal, gerando efeitos anti-inflamatórios essenciais para a saúde cutânea.

 

A pele é o maior órgão do corpo humano e precisa durar por toda a nossa vida.

 

Além de nos manter com aparência jovem e bem cuidada, a pele também beneficia ativamente nossa saúde como um todo. Mas, por ser a barreira entre o nosso corpo e o mundo exterior, ela sofre muito desgaste.

 

Muitos fatores ambientais contribuem para o envelhecimento da pele, como a poluição do ar, o ozônio e as mudanças climáticas, segundo o professor de dermatologia Jean Krutmann, do Instituto de Pesquisa Leibniz de Medicina Ambiental.

 

"Há décadas imaginamos que a radiação ultravioleta fosse a principal causa do envelhecimento da pele por razões ambientais. Sabemos que isso não é verdade", explica ele.

 

"Outros comprimentos de onda contidos na luz solar natural podem contribuir para o envelhecimento, como a luz visível e a radiação infravermelha." E mesmo o aumento da temperatura pode contribuir para o processo, segundo o professor.

 

E existe simplesmente o tempo. À medida que envelhecemos, perdemos gradualmente colágeno, a proteína que fornece a estrutura da nossa pele, o que pode causar rugas.

 

Um fator menosprezado que pode ajudar a manter a nossa pele em melhor forma é a nossa alimentação. De gorduras saudáveis até alimentos fermentados que fazem bem para o intestino, aqui estão vários itens que devem ser incluídos na nossa dieta.

 

1. Verduras, frutas e legumes coloridos

Inúmeras pesquisas indicam que a alimentação rica em alimentos de origem vegetal é importante para manter nossa pele saudável.

Por isso, vale a pena procurar verduras, frutas e legumes coloridos, pois eles contêm poderosos antioxidantes, que ajudam a proteger a pele contra os danos causados pela poluição e pela luz solar.

Cenouras, pimentas e tomates são ricos em carotenoides, como luteína, licopeno e beta-caroteno.

"Eles são armazenados no tecido adiposo e protegem contra os raios ultravioleta", explica o professor de química alimentar Volker Böhm, da Universidade Friedrich Schiller em Jena, na Alemanha.

O filtro solar continua sendo importante, mas Böhm afirma que as pessoas costumam aplicá-lo durante a exposição prolongada em ambiente externo, não todos os dias.

O consumo regular de alimentos ricos em carotenoides fornece "um fator de proteção contra UV básico contínuo de cerca de 2 a 3, o ano inteiro", explica ele.

Acrescentar aos tomates ou cenouras uma pequena quantidade de gordura saudável, como azeite de oliva, ajuda o corpo a absorver esses antioxidantes com mais facilidade.

O beta-caroteno também pode ser transformado em vitamina A, que é importante para o crescimento das células da pele e sua proteção contra infecções.

Os carotenoides podem ajudar as células da pele a produzir ácido hialurônico. Esta molécula ajuda a manter a firmeza e a elasticidade da pele e é encontrada em muitos umectantes e cremes "antienvelhecimento" disponíveis comercialmente.

Os mesmos pigmentos também podem ajudar a estimular o colágeno.

Um pequeno estudo indicou que mulheres que tomaram um suplemento diário de carotenoide por 10 meses exibiram aumento do colágeno e da elastina na pele, sugerindo que ele pode ajudar a evitar a degradação do colágeno.

Descobriu-se também que comer muitas verduras, frutas e legumes coloridos cria "brilho" e oferece à pele aparência mais saudável.

Para obter esses benefícios, é preciso comer esses alimentos de forma consistente, segundo Krutmann.

"Seja qual for o antioxidante que você estiver comendo, para ter proteção contra os efeitos ambientais, normalmente são necessárias oito a 10 semanas até atingir efeitos perceptíveis."

A manga é rica em antioxidantes e pesquisas indicam que ela pode reduzir os sinais visíveis do envelhecimento

Descobriu-se que a manga mantém a pele com aparência mais jovem à medida que envelhecemos.

Em um estudo com mulheres pós-menopausa, realizado por Vivien Fam, da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, as participantes comeram 85 g de manga quatro vezes por semana, ao longo de 16 semanas. Os pesquisadores concluíram que o tamanho das rugas pré-existentes diminuiu, bem como o surgimento de novas rugas.

Mais pesquisas são necessárias, mas pesquisadores especulam que os efeitos benéficos poderão se dever aos carotenoides, além dos antioxidantes flavonoides e mangiferina.

Surpreendentemente, o estudo concluiu que comer cerca de 250 g de manga por dia aumentou as rugas.

Um dos autores da pesquisa, o professor de nutrição Robert Hackman, também da Universidade da Califórnia em Davis, afirma que não se sabe ao certo por que isso aconteceu, mas pode se dever ao alto teor natural de açúcar da manga.

"Nossa proposta é que o açúcar tenha criado alguma lesão das moléculas da pele", explica Hackhan. E, embora o estudo fosse pequeno, pesquisas posteriores ainda não publicadas reproduziram os resultados, segundo ele.

A manga e as frutas cítricas também são ricas em vitamina C, que ajuda na produção de colágeno e também age como antioxidante, que pode proteger a pele contra lesões causadas pelo Sol.

Estudos indicam que a vitamina C pode ajudar a aumentar a hidratação da pele e reduzir sua pigmentação. Por isso, esta vitamina é amplamente empregada em produtos de tratamento da pele e como suplemento, segundo Krutmann.

 

2. Gorduras saudáveis

Normalmente, não sou fã de nozes e amêndoas. Mas comecei a picá-las e acrescentar às saladas, o que me agradou muito mais do que eu esperava.

Passei a fazer isso porque comer nozes e sementes em boas quantidades pode beneficiar a nossa pele.

Um pequeno estudo controlado randomizado concluiu que as pessoas que comeram amêndoas por 16 semanas apresentaram menos rugas visíveis, em comparação com aquelas que comeram outros tipos de lanche.

A vitamina E, abundante em nozes e sementes, também pode proteger a pele contra lesões celulares e envelhecimento.

A deficiência desta vitamina pode prejudicar a saúde da pele, além de retardar a cura de feridas. E boas fontes incluem amêndoas, avelãs, pinhões e muitas oleaginosas.

As nozes também contêm ácidos graxos ômega-6, que podem fortalecer a barreira da pele que retém a sua umidade.

Outro tipo de gordura saudável que sabemos que faz bem para a nossa pele é o ômega-3, encontrado em peixes oleosos e algas.

Os peixes ricos em ômega-3 incluem salmão, sardinha e cavalinha. Estudos pequenos sugerem que eles podem reduzir a sensibilidade da pele ao Sol e, portanto, ajudar a proteger contra lesões solares.

Os peixes gordurosos também ajudam a preservar o colágeno já existente e a reduzir inflamações.

 

3. Alimentos benéficos para o intestino

Quando a nossa alimentação é variada e rica em produtos frescos, nozes e sementes, os micróbios do intestino se beneficiam e, com eles, a nossa pele.

Isso ocorre porque existe uma conexão complexa entre a pele e a saúde intestinal. Os pesquisadores chamam este relacionamento de "eixo intestino-pele".

Quando ingerimos alimentos diversificados de origem vegetal, os micróbios do intestino liberam compostos com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Eles também afetam a nossa pele, segundo Hackman.

A microbiota intestinal saudável também pode melhorar as condições da pele, fortalecendo o nosso sistema imunológico.

Uma forma de atingir estes benefícios é comer uma ampla variedade de alimentos vegetais.

Eles incluem frutas, legumes, verduras, leguminosas, legumes, grãos integrais, ervas e especiarias, que podem reduzir o estresse, melhorar o sono e proteger contra condições da pele, como a psoríase.

Alimentos fermentados, como o chucrute, kimchi, kombucha e iogurte, também são particularmente benéficos para os micróbios intestinais.

Talvez você não vá parecer ter 30 anos de idade quando estiver na casa dos 60, mas a dieta saudável irá ajudar a sua pele a permanecer saudável ao longo dos anos.

E também não se esqueça de passar o protetor solar.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/o-que-devemos-comer-para-ter-a-pele-mais-jovem,91011484053204fba323364c7b127911019d11eu.html?utm_source=clipboard - Por: Melissa Hogenboom - BBC Future - Foto: Getty Images / BBC News Brasil

sábado, 24 de outubro de 2026

Colesterol alto mesmo com alimentação saudável? Entenda por que isso acontece


Predisposição hereditária, mudanças hormonais e condições metabólicas podem influenciar os resultados dos exames

 

Mesmo com hábitos saudáveis, o colesterol pode se elevar porque a maior parte dele é produzida pelo fígado e não depende só da dieta. Fatores genéticos como a hipercolesterolemia familiar, hipotireoidismo, menopausa, diabetes e certos medicamentos influenciam diretamente essa taxa. Como o quadro é silencioso e eleva o risco cardiovascular, a dieta nem sempre basta, tornando indispensáveis o acompanhamento médico regular e a avaliação individualizada para definir a necessidade de remédios.

 

Manter uma alimentação equilibrada, evitar frituras, consumir frutas e verduras e praticar atividades físicas são hábitos importantes para a saúde cardiovascular. Ainda assim, algumas pessoas se surpreendem ao receber exames que apontam colesterol elevado, mesmo seguindo uma rotina considerada saudável.

 

Isso acontece porque os níveis de colesterol no sangue não dependem exclusivamente da alimentação. Fatores genéticos, alterações hormonais, condições metabólicas e até determinados medicamentos podem influenciar os resultados.

 

Segundo o cardiologista Dr. Raphael Boesche Guimarães, a ideia de que o colesterol alto está sempre relacionado a uma alimentação inadequada é um dos principais equívocos sobre o assunto. "O colesterol é uma substância essencial para o funcionamento do organismo, utilizada na produção de hormônios e na formação das membranas celulares. Grande parte dele é produzida pelo próprio corpo, principalmente pelo fígado. Por isso, mesmo quem mantém uma alimentação saudável pode apresentar níveis elevados", explica.

 

Abaixo, veja alguns fatores que podem interferir nos níveis de colesterol no organismo.

 

1. A genética pode influenciar o colesterol

Algumas pessoas apresentam predisposição genética para produzir ou manter níveis elevados de colesterol no sangue, independentemente dos hábitos alimentares. Uma das condições mais conhecidas é a hipercolesterolemia familiar, alteração hereditária que compromete a capacidade do organismo de remover o colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim, da circulação.

"Existem pessoas que seguem uma alimentação equilibrada, praticam exercícios e, ainda assim, apresentam colesterol elevado desde jovens. Nesses casos, precisamos considerar a influência genética, especialmente quando há histórico familiar de colesterol alto ou doenças cardiovasculares precoces", destaca o cardiologista.

 

2. Alterações na tireoide também podem elevar os níveis

O funcionamento da tireoide interfere diretamente no metabolismo das gorduras. Quando a glândula produz menos hormônios do que o necessário, condição conhecida como hipotireoidismo, o organismo pode apresentar maior dificuldade para eliminar o colesterol LDL do sangue. Em alguns casos, o colesterol elevado é identificado antes mesmo de outros sintomas da alteração hormonal.

"Quando encontramos níveis elevados de colesterol, especialmente sem uma causa aparente, é importante avaliar se existem condições associadas, como alterações da tireoide. Tratar a doença de base pode contribuir para melhorar o perfil lipídico", orienta o Dr. Raphael Boesche Guimarães.

 

3. Menopausa pode provocar mudanças no colesterol

As alterações hormonais que acontecem durante a transição para a menopausa também podem interferir nos níveis de colesterol. A redução do estrogênio está associada a mudanças no metabolismo das gorduras, podendo favorecer o aumento do colesterol LDL e alterações na distribuição da gordura corporal.

Isso significa que mulheres que mantêm os mesmos hábitos alimentares e a mesma rotina de exercícios podem perceber mudanças nos exames ao longo dessa fase. "A menopausa representa um período importante de atenção à saúde cardiovascular feminina. Mesmo sem grandes mudanças no estilo de vida, podem ocorrer alterações no colesterol e em outros fatores de risco, o que reforça a importância do acompanhamento médico", afirma o especialista.

 

4. Resistência à insulina e diabetes interferem no metabolismo

Condições metabólicas, como resistência à insulina e diabetes tipo 2, também podem alterar o perfil de gordura no sangue. Nesses casos, é comum observar aumento dos triglicerídeos, redução do colesterol HDL, conhecido como colesterol bom, e mudanças nas características das partículas de LDL.

"Não basta avaliar apenas a alimentação. O metabolismo influencia diretamente a forma como o organismo produz, transporta e elimina as gorduras. Por isso, o colesterol precisa ser analisado em conjunto com outros indicadores de saúde", explica o cardiologista.

 

5. Alguns medicamentos podem interferir nos resultados

Determinados medicamentos também podem contribuir para alterações no colesterol e nos triglicerídeos. Entre eles, estão alguns corticoides, imunossupressores, retinoides e medicamentos utilizados em tratamentos específicos.

Isso não significa que esses remédios devam ser interrompidos, mas que seus possíveis efeitos metabólicos precisam ser considerados durante o acompanhamento. "Quando o colesterol aumenta sem uma explicação evidente, também avaliamos os medicamentos utilizados pelo paciente. Essa análise ajuda a identificar possíveis fatores associados e definir a melhor conduta, sem comprometer outros tratamentos", ressalta.

 

Alimentação saudável é suficiente para controlar o colesterol?

Embora a alimentação tenha papel fundamental na prevenção cardiovascular, ela nem sempre é suficiente para manter o colesterol dentro das metas recomendadas. A resposta depende da predisposição genética, das condições de saúde e, principalmente, do risco cardiovascular individual.

Além disso, nem toda alimentação considerada saudável tem necessariamente o mesmo efeito sobre o colesterol. A quantidade de gorduras saturadas, o consumo de fibras e a composição geral da dieta também fazem diferença.

"Adotar hábitos saudáveis continua sendo indispensável, mas algumas pessoas precisam de tratamento medicamentoso para reduzir adequadamente o colesterol. Isso não representa uma falha na alimentação ou na prática de exercícios, e sim uma necessidade individual de controle do risco cardiovascular", esclarece o Dr. Raphael Boesche Guimarães.

 

Quando o colesterol alto exige tratamento?

O colesterol elevado geralmente não provoca sintomas, o que torna os exames de sangue importantes para sua identificação. A necessidade de tratamento, por sua vez, não depende apenas de um resultado isolado. O médico considera fatores como idade, pressão arterial, diabetes, tabagismo, histórico familiar e presença de doenças cardiovasculares.

Pessoas com risco cardiovascular elevado podem precisar de metas de colesterol LDL mais rigorosas, enquanto outras podem ser inicialmente orientadas a intensificar mudanças no estilo de vida. "O objetivo não é simplesmente melhorar um número no exame, mas reduzir o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações cardiovasculares. Por isso, a avaliação precisa ser individualizada. Mesmo quem se alimenta bem e pratica exercícios deve acompanhar seus níveis de colesterol", conclui o Dr. Raphael Boesche Guimarães.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/colesterol-alto-mesmo-com-alimentacao-saudavel-entenda-por-que-isso-acontece,f9ea00729b43695c5a596ea4ebc0f624l3ze370i.html?utm_source=clipboard - Por Daiane Bombarda - Foto: Alphavector | Shutterstock / Portal EdiCase

domingo, 27 de setembro de 2026

O que causa o autismo? Especialistas explicam o papel da genética e outros fatores


Autismo é genético? Entenda o que a ciência já sabe sobre os genes, a família, a gravidez e outros fatores ligados à condição.

 

O autismo tem como base primária uma arquitetura genética complexa, envolvendo múltiplas combinações genéticas herdadas ou espontâneas, e não um gene único. Fatores gestacionais, como infecções ou uso de ácido valproico, podem elevar os riscos, mas em menor grau e sem agir isoladamente. A ciência descarta mitos como a influência de vacinas ou da criação familiar, reforçando que essa heterogeneidade genética e biológica faz com que cada indivíduo no espectro se desenvolva de maneira única.


Quando uma criança recebe o diagnóstico de autismo, é comum que a família tente entender por que isso aconteceu.

 

Pare de tentar adivinhar. Aprenda a entender o autismo, reconhecer os sinais e agir com segurança no dia a dia, mesmo que você ainda esteja perdido ou sem apoio profissional.

 

A dúvida pode levar a perguntas sobre a gravidez, o parto, doenças, medicamentos ou até mudanças percebidas nos primeiros anos de vida.

 

Uma revisão recente da National Autistic Society, baseada em dezenas de trabalhos científicos, reforçou uma informação importante sobre essa pergunta. A entidade passou a afirmar de forma explícita que o autismo é genético.

 

Mas o que isso significa na prática? Se os genes têm um papel tão importante, por que nem sempre existe outra pessoa autista na família? E por que irmãos, inclusive gêmeos, podem apresentar desenvolvimentos tão diferentes?

 

O que significa dizer que o autismo é genético

A resposta não está em um único ponto do DNA.

"Não há um único gene que possa prever ou explicar o autismo", afirma Fabricia Signorelli, psiquiatra especialista em TEA, TDAH e outros transtornos do neurodesenvolvimento.

Segundo a médica, o autismo envolve uma combinação de diferentes características genéticas. Algumas são comuns e podem atuar juntas. Outras são mais raras e podem ser herdadas da família ou surgir durante o desenvolvimento.

"O autismo tem uma arquitetura genética complexa", explica.

Em linguagem simples, isso significa que diferentes combinações de genes podem participar do desenvolvimento do autismo, e essa combinação não é igual em todas as pessoas.

É por isso que não existe um exame genético simples capaz de dizer se uma criança terá autismo.

Em algumas situações, porém, a investigação genética consegue identificar uma alteração específica. O resultado pode ajudar os médicos a compreender melhor aquele caso, acompanhar possíveis condições associadas e orientar a família.

A National Autistic Society ressalta que a ciência ainda não identificou todos os genes envolvidos no autismo. Portanto, afirmar que o autismo é genético não significa que já exista uma fórmula capaz de prever quem será autista.

 

E quando ninguém na família é autista

Se não há outro caso conhecido na família, ainda assim pode haver uma participação genética no autismo.

Algumas alterações genéticas surgem durante a formação do óvulo ou do espermatozoide ou nas primeiras etapas do desenvolvimento. São as chamadas alterações de novo, que não foram herdadas diretamente dos pais.

A National Autistic Society inclui essas alterações entre as possibilidades relacionadas ao autismo, embora sejam menos comuns.

Já ter um familiar autista aumenta a possibilidade de outro membro da família também estar no espectro. Isso não significa, porém, que o diagnóstico necessariamente se repetirá.

"Uma investigação genética bem indicada pode ajudar a refinar o aconselhamento sobre o risco de recorrência", afirma Fabricia.

A especialista cita uma estimativa média de recorrência entre irmãos de cerca de 10%. O risco pode ser maior quando já existem dois ou mais filhos autistas.

Isso significa que ter um filho autista aumenta a possibilidade de outro também estar no espectro, mas não permite prever o que acontecerá em uma próxima gestação.

 

Por que irmãos e gêmeos podem ser diferentes

Se a genética tem um papel tão importante no autismo, por que irmãos da mesma família podem ter desenvolvimentos tão diferentes?

Os gêmeos idênticos ajudam a entender essa questão. Eles compartilham praticamente todo o material genético, mas isso não significa que terão exatamente o mesmo desenvolvimento.

A National Autistic Society destaca que, mesmo entre eles, um pode ser autista e o outro não.

Mayra Gaiato, psicóloga e neurocientista especializada em autismo e desenvolvimento infantil, chama atenção para essa diferença. Segundo ela, mesmo quando a genética é praticamente a mesma, cada pessoa tem experiências e formas próprias de se desenvolver.

"Eles são pessoas diferentes, pensamentos diferentes, ações diferentes. E mesmo sendo criados pelos mesmos pais no mesmo lugar, o ambiente de cada um, a experiência de cada um, a forma como cada um recebe os estímulos também é diferente", afirma.

Em outras palavras, os genes têm um papel importante, mas não funcionam como um roteiro que determina sozinho como cada criança vai se desenvolver.

 

A gravidez também pode aumentar o risco?

A genética é a principal peça dessa história, mas alguns fatores relacionados à gestação também podem aumentar a probabilidade de autismo.

Isso não significa, porém, que esses fatores provoquem o autismo de forma isolada.

Entre os fatores com evidências mais fortes estão a rubéola durante o primeiro trimestre e a exposição ao ácido valproico durante a gravidez. A National Autistic Society destaca especificamente essas duas situações.

O ácido valproico, também chamado de valproato, é usado no tratamento de algumas condições, como epilepsia.

Segundo Fabrícia Signorelli, a associação entre a exposição ao medicamento durante a gestação e o aumento do risco de autismo é consistente nos estudos.

"A exposição ao valproato durante a gravidez está associada a cerca de três vezes mais risco de autismo", aponta.

Isso não significa que uma gestante deva interromper o medicamento por conta própria. Qualquer mudança no tratamento precisa ser discutida com o médico, considerando os riscos e benefícios para mãe e bebê.

Outros fatores também aparecem nas pesquisas, como prematuridade, baixo peso ao nascer, algumas infecções, idade parental mais avançada e determinadas complicações no nascimento.

Nesses casos, a relação é mais complexa. A presença de um desses fatores não permite afirmar que ele tenha causado o autismo.

A National Autistic Society ressalta que a contribuição desses fatores é muito menor do que a genética e que, na maioria das situações, eles não podem ser apontados isoladamente como responsáveis pelo autismo.

 

Vacina causa autismo?

Não há evidências científicas de que vacinas causem autismo.

A National Autistic Society inclui essa associação entre os mitos sobre as causas do autismo e destaca que a preocupação ganhou força nos anos 1990 a partir de uma pesquisa que posteriormente foi considerada fraudulenta.

 

Por que os sinais podem ficar mais claros por volta dos 2 anos?

Algumas crianças apresentam sinais desde os primeiros meses de vida. Em outras, as diferenças ficam mais perceptíveis conforme aumentam as expectativas sobre fala, interação social e desenvolvimento.

Também existem casos de regressão, quando a criança perde habilidades que já havia adquirido.

Quando isso acontece, os pais podem tentar encontrar uma explicação para a mudança.

"Muitas vezes, eles procuram um acontecimento para explicar aquilo que estão vendo naquele momento", afirma Mayra Gaiato.

É nesse contexto que entra a chamada poda sináptica. Durante o desenvolvimento, o cérebro fortalece algumas conexões entre as células nervosas e elimina outras. Esse processo faz parte da reorganização cerebral ao longo do crescimento.

Mayra relaciona esse período às mudanças que podem ficar mais evidentes por volta de 1 ano e meio a 2 anos. Na explicação da especialista, a poda não cria o autismo naquele momento, mas pode tornar mais visíveis dificuldades que já estavam presentes.

"Essa não é a causa, a poda só mostrou mais as dificuldades que já existiam", explica.

A regressão no autismo é reconhecida, mas os mecanismos envolvidos ainda são estudados. Por isso, essa explicação deve ser entendida dentro desse contexto.

Perceber os sinais com mais clareza nessa idade, portanto, não significa necessariamente que o autismo tenha começado naquele momento.

 

Os pais podem causar o autismo?

Não. A ideia de que a criação dos filhos provocaria autismo já foi abandonada pela ciência. Uma das teorias mais conhecidas do passado, a chamada "mãe-geladeira", chegou a atribuir a condição à falta de afeto materno.

Essa explicação não tem respaldo científico, mas a culpa familiar pode aparecer de outras formas até hoje.

Lucelmo Lacerda de Brito, doutor em Educação e pesquisador na área de autismo, chama atenção para esse problema.

"A ideia de que o autismo está relacionado diretamente à criação da família é um mito que historicamente produziu muita culpa", afirma.

Segundo o pesquisador, essa interpretação também pode aparecer no ambiente escolar, quando comportamentos de uma criança autista são atribuídos simplesmente à falta de limites ou de atenção dos pais.

"Muitas vezes, comportamentos considerados problemáticos acabam sendo atribuídos à família, especialmente quando a criança apresenta maiores necessidades de apoio", diz.

Para Lucelmo, essa interpretação pode dificultar a relação entre escola e família. Em vez de procurar o que está por trás de determinado comportamento e quais apoios podem ajudar, a discussão acaba concentrada na maneira como a criança é criada.

 

O que a genética explica sobre o autismo?

A ciência não aponta uma causa única para todos os casos.

O que a pesquisa recente reforça é o peso da genética. Não existe um único gene responsável, mas uma combinação complexa de características genéticas pode participar do desenvolvimento do autismo. Algumas são herdadas e outras podem surgir durante o desenvolvimento.

Alguns fatores relacionados à gestação também podem aumentar o risco, mas não devem ser confundidos com causas isoladas.

Essa complexidade ajuda a explicar por que pessoas autistas podem apresentar características e necessidades muito diferentes.

"O autismo é altamente heterogêneo", resume Lucelmo.

Em outras palavras, não existe uma única forma de ser autista. A genética ajuda a explicar como a condição se desenvolve, mas não permite prever exatamente como ela vai se manifestar em cada pessoa.

Por isso, entender a origem do autismo não deveria levar a família a procurar um culpado. O conhecimento sobre a genética é mais útil quando ajuda a compreender a condição e a identificar as necessidades específicas de cada criança.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/o-que-causa-o-autismo-especialistas-explicam-o-papel-da-genetica-e-outros-fatores,3cdd1c34c4a64b62f2d8dccd0d788ee9wjo2z2z3.html#google_vignette - Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Doenças cardíacas: como prevenir com hábitos saudáveis e exames regulares


Sedentarismo, alimentação desequilibrada, estresse e sono ruim estão entre os fatores que podem prejudicar a saúde cardiovascular

 

Principal causa de morte global, as doenças cardiovasculares exigem prevenção contínua. Fatores como sedentarismo, má alimentação, obesidade, tabagismo, estresse crônico e sono ruim elevam os riscos de infarto e AVC. Para proteger o coração, especialistas recomendam mudanças graduais no estilo de vida, incluindo dieta natural, 150 minutos semanais de exercícios e controle do estresse, além de acompanhamento médico e exames regulares para detectar e tratar alterações de forma precoce.

 

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, os problemas que atingem o coração também exigem atenção.

 

Segundo o Ministério da Saúde, ocorrem entre 300 mil e 400 mil infartos todos os anos no país. Além disso, o número de brasileiros com insuficiência cardíaca já ultrapassa os dois milhões.

 

O estilo de vida está entre os fatores relacionados ao risco cardiovascular. Alguns hábitos comuns podem afetar a pressão arterial, o colesterol, a glicemia e o peso.

 

Kely Cruz, médica da área de cardiologia no AmorSaúde, alerta que "vários hábitos do dia a dia podem aumentar o risco cardiovascular. Entre os principais estão o sedentarismo e a alimentação rica em sal, açúcar, gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados".

 

A médica explica que pequenas mudanças na rotina podem ajudar a prevenir doenças cardiovasculares. Para isso, é importante conhecer os hábitos que prejudicam a saúde do coração.

 

Quais hábitos prejudicam o coração?

Além do sedentarismo, existem outros comportamentos que podem aumentar o risco de problemas cardiovasculares. De acordo com Kely, os principais são:

Excesso de peso: "estar acima do peso favorece a resistência à insulina, o aumento da pressão arterial e a piora do colesterol. Todos esses fatores fazem com que o coração se esforce mais para bombear o sangue e podem causar problemas ao órgão em longo prazo", resume;

 

Má alimentação: "ultraprocessados costumam ter maior quantidade de sódio, açúcares adicionados e gorduras, o que aumenta o colesterol e eleva a pressão sanguínea. Além disso, esse alimentos costumam substituir pratos ricos em fibras, vitaminas e minerais, que fazem bem para o coração", explica;

Tabagismo: "fumar é um dos principais fatores de risco cardiovascular evitáveis. O cigarro causa lesão do revestimento interno das artérias, aumenta a inflamação, favorece a formação de placas de gordura e aumenta a tendência à formação de coágulos. Com isso, cresce o risco de infarto, AVC e doença arterial periférica. Isso também se aplica aos cigarros eletrônicos, que não devem ser considerados inofensivos", detalha;

Consumo excessivo de bebidas alcoólicas: "o álcool também merece atenção. O consumo elevado pode aumentar a pressão arterial, favorecer arritmias e o ganho de peso e, em algumas situações, enfraquecer o músculo cardíaco", alerta;

Poucas horas de sono: "ter um sono de má qualidade está relacionado a maior risco de hipertensão, alterações metabólicas, ganho de peso e pior controle da glicose. Distúrbios como a apneia obstrutiva do sono também podem aumentar a liberação de cortisol e a inflamação, contribuindo para a elevação da pressão arterial", sintetiza;

Estresse crônico: "o estresse provoca ativação persistente de hormônios que podem aumentar frequência cardíaca e pressão arterial. Além disso, pessoas sob estresse contínuo frequentemente dormem pior, alimentam-se pior, fazem menos atividade física ou aumentam o consumo de cigarro e álcool, o que potencializa o risco", defende.

 

Por que os fatores de risco podem se acumular?

As doenças cardíacas geralmente não surgem por causa de um único fator. Muitas vezes, diferentes condições aparecem juntas e aumentam o risco cardiovascular.

"A hipertensão, o aumento do colesterol, o diabetes, a obesidade e a inflamação dos vasos sanguíneos são doenças silenciosas e que ocorrem em conjunto em muitos pacientes. Com o passar dos anos, esses fatores facilitam a formação de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares", ela afirma.

Por isso, o acompanhamento médico é importante. A avaliação ajuda a identificar fatores de risco e orientar mudanças de acordo com as necessidades de cada pessoa.

 

Como mudar a rotina e proteger o coração?

"Não é necessário transformar toda a rotina de uma vez. Mudanças consistentes e sustentáveis costumam ser mais importantes do que medidas radicais feitas por pouco tempo", explica a médica.

Para a profissional, algumas atitudes podem fazer diferença. Caminhar mais, preferir as escadas e priorizar uma alimentação natural estão entre as medidas recomendadas.

Kely também destaca a importância da atividade física.

 

"O exercício regular tem efeito protetor porque contribui para o controle da pressão, do peso, da glicemia e dos níveis de gordura no sangue, além de melhorar a capacidade cardiorrespiratória", resume.

Para a maioria dos adultos, a recomendação é realizar 150 minutos de atividade física moderada por semana ou 75 minutos de atividade intensa. Exercícios de fortalecimento muscular também devem fazer parte da rotina, conforme as condições de cada pessoa.

 

Alimentação equilibrada também é importante

A alimentação influencia fatores como pressão arterial, colesterol e peso corporal.

"o padrão alimentar mais favorável ao coração é aquele baseado em frutas, verduras, legumes, feijão, cereais integrais, castanhas, sementes, peixes e outras fontes adequadas de proteína, priorizando alimentos minimamente processados", descreve.

A orientação é reduzir o consumo de produtos ultraprocessados, excesso de sal, açúcares adicionados e gorduras saturadas. As mudanças devem ser adaptadas à realidade e às necessidades de cada pessoa.

 

Quando realizar exames cardiovasculares?

O acompanhamento deve começar antes do surgimento de uma doença.

"O cuidado cardiovascular deve começar antes de existir uma doença. Não existe uma idade única em que alguém deva começar a se preocupar com o coração. O ideal é que fatores de risco sejam avaliados ao longo da vida adulta", explica Kely.

A médica recomenda consultas periódicas. Também é importante investigar o histórico pessoal e familiar.

A avaliação pode considerar sintomas, pressão arterial, peso e índice de massa corporal.

"O indicação deve depender dos sintomas, dos fatores de risco e da história do paciente, mas exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico e exames de imagem podem ser extremamente úteis", afirma.

Os exames mais comuns incluem colesterol, triglicerídeos, glicemia e hemoglobina glicada. Eles ajudam a avaliar os níveis de gordura e açúcar no sangue.

Pessoas idosas, com diabetes, fumantes ou com histórico familiar de doenças cardiovasculares podem precisar de avaliações adicionais. A escolha depende da análise médica.

 

Cuidar do coração começa na rotina

A prevenção cardiovascular não depende de uma única mudança. O conjunto de hábitos influencia a saúde ao longo do tempo.

Praticar atividade física, dormir bem, manter uma alimentação equilibrada e evitar o tabagismo são medidas importantes. O acompanhamento médico também ajuda a identificar e controlar fatores de risco.

Pequenas mudanças podem contribuir para uma rotina mais saudável. O ideal é começar de forma gradual e manter hábitos que sejam possíveis a longo prazo.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/doencas-cardiacas-como-prevenir-com-habitos-saudaveis-e-exames-regulares,32f1246ca3e744b3ed9a94d5778e9b58976w8xd3.html?utm_source=clipboard - Foto: Divulgação/AmorSaúde / Saúde em Dia

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Principais fatores e sinais de alerta antes de um AVC: saiba como agir


O AVC é uma emergência médica que exige reconhecimento rápido dos sinais. Muitas pessoas confundem informações ou acreditam em mitos sobre avisos que surgem horas antes do ataque. Compreender a verdade pode evitar atrasos no socorro e salvar vidas.

 

O AVC decorre de doenças vasculares crônicas, mas gatilhos agudos, como picos de pressão, infecções e arritmias, podem precipitá-lo em pessoas vulneráveis. Sinais temporários, como fraqueza unilateral, assimetria facial ou fala alterada, indicam um Ataque Isquêmico Transitório (AIT), que eleva muito o risco de um evento definitivo a curto prazo. Mesmo que esses sintomas desapareçam rapidamente, o atendimento médico imediato é essencial para evitar sequelas graves por meio do tratamento precoce.

 

Embora o AVC (Acidente Vascular Cerebral) seja conhecido por surgir de forma repentina, o evento costuma estar associado a um processo de alteração vascular que se desenvolve silenciosamente no organismo ao longo do tempo.

 

No entanto, em pessoas que já possuem vulnerabilidade, certas situações ocorridas poucas horas antes do episódio podem funcionar como fatores precipitantes.

 

Segundo o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, é essencial diferenciar esses gatilhos da condição de base do paciente. "É importante fazer uma distinction: na maioria dos casos, o AVC é resultado de uma doença vascular que vem se desenvolvendo ao longo de anos, e não de um único acontecimento ocorrido algumas horas antes", explica o especialista.

 

O que pode desencadear um AVC horas antes?

As doenças cardiovasculares crônicas são a base para o surgimento do problema. Fatores como hipertensão arterial, aterosclerose, diabetes, tabagismo, colesterol elevado e arritmias cardíacas (como a fibrilação atrial) constroem o cenário ideal para o evento vascular.

Sobre essa condição preexistente, eventos agudos de saúde podem atuar como gatilhos nas horas que antecedem o quadro.

De acordo com o Dr. Victor Hugo Espíndola, entre as situações que podem contribuir para o desencadeamento do AVC estão:

 

Picos acentuados de pressão arterial;

Arritmias cardíacas súbitas;

Infecções agudas;

Uso de substâncias estimulantes (como cocaína e anfetaminas);

Quadros de desidratação severa ou alterações hemodinâmicas em indivíduos vulneráveis.

 

O especialista ressalta que o impacto desses fatores varia conforme o tipo da complicação. No AVC hemorrágico, uma alta repentina e severa da pressão arterial costuma ter grande impacto.

Já no tipo isquêmico, o quadro geralmente decorre do bloqueio súbito de uma artéria provocado pela formação ou deslocamento de um coágulo.

 

Sinais de alerta podem surgir antes do quadro definitivo

Apesar de o sintoma definitivo se manifestar de repente, alguns sinais de alerta neurológicos podem dar as caras momentos antes do problema grave se instalar. Trata-se do Ataque Isquêmico Transitório (AIT).

"Algumas pessoas apresentam episódios neurológicos transitórios antes de um AVC definitivo. O principal exemplo é o ataque isquêmico transitório, o AIT", aponta o neurocirurgião.

No AIT, os sintomas imitam os de um AVC, mas duram apenas alguns minutos antes de desaparecerem por completo. Essa melhora temporária ocorre porque a interrupção da circulação sanguínea no cérebro é passageira.

 

Sintomas do Ataque Isquêmico Transitório (AIT)

Fique atento aos sintomas mais comuns que exigem atenção médica imediata:

 

Fraqueza ou dormência repentina em um lado do corpo;

Assimetria ou "boca torta" na face;

Dificuldade repentina para falar ou compreender a fala;

Perda ou alteração súbita da visão;

Perda de equilíbrio, tontura ou vertigem abrupta.

 

O desaparecimento dos sintomas não significa que o risco passou. Dados da American Heart Association revelam que o risco de ocorrência de um AVC definitivo nos 90 dias posteriores a um AIT pode chegar a cerca de 18%, sendo que uma parcela expressiva desses quadros ocorre nas primeiras 48 horas.

 

"Por isso, um déficit neurológico súbito que desapareceu deve ser valorizado tanto quanto aquele que permanece", adverte Espíndola.

 

Qual a diferença entre AIT e AVC isquêmico?

A diferenciação precisa entre um Ataque Isquêmico Transitório e o AVC isquêmico é feita por meio de exames de imagem no pronto-socorro.

De acordo com o médico, a definição médica atual não analisa apenas o tempo de duração das manifestações clínicas. "Quando os sintomas desaparecem e não existe evidência de infarto cerebral nos exames apropriados, podemos estar diante de um AIT; se a ressonância demonstra uma área de infarto, mesmo que o paciente já esteja assintomático, o quadro é considerado um AVC isquêmico", pontua.

Investigar o AIT permite tratar condições ocultas — como o estreitamento de artérias carótidas ou alterações no coração — antes que ocorra um episódio com sequelas graves ou incapacitantes.

 

Mitos sobre desidratação e exercícios físicos

Embora situações extremas possam atuar como fatores de risco pontuais, o neurocirurgião esclarece que desidratação e exercícios físicos intensos não devem ser encarados como causas diretas do problema.

Desidratação: Pode diminuir o volume de sangue circulante e aumentar a viscosidade sanguínea, afetando principalmente idosos ou pessoas com obstruções vasculares prévias. No entanto, isoladamente, não é uma causa habitual.

Exercício físico: A prática regular de atividades é uma das principais formas de proteção cardiovascular e prevenção ao AVC. Esforços muito intensos geram elevações temporárias na pressão arterial que podem exigir cautela em cenários específicos, mas o hábito do exercício é benéfico.

 

O que fazer ao notar os primeiros sinais de AVC?

Diante de qualquer sinal suspeito, a orientação é buscar socorro médico imediatamente em um pronto-socorro. Não se deve aguardar o sintoma passar, tentar dormir ou esperar por uma consulta posterior.

Para ajudar no reconhecimento rápido, utilize a mnemônica BE-FAST (Equilíbrio, Visão, Face, Braços, Fala e Tempo):

 

B (Balance/Equilíbrio): Perda súbita de equilíbrio ou coordenação.

E (Eyes/Olhos): Alteração visual repentina.

F (Face/Rosto): Rosto caído ou assimétrico ao sorrir.

A (Arms/Braços): Fraqueza ao tentar levantar os dois braços.

S (Speech/Fala): Dificuldade ou incapacidade de articular as palavras.

T (Time/Tempo): Chame o serviço de emergência (SAMU 192) sem hesitar.

 

O tempo de atendimento é determinante. Em episódios de AVC isquêmico, intervenções como a administração de medicamentos trombolíticos e a trombectomia mecânica podem restabelecer o fluxo sanguíneo cerebral, reduzindo o risco de sequelas graves.

 

"Mesmo que os sintomas desapareçam completamente depois de alguns minutos, a orientação permanece a mesma: procurar imediatamente um serviço de emergência, porque pode ter ocorrido um AIT e o período de maior risco para um novo evento pode ser justamente nas horas e nos primeiros dias seguintes", conclui Espíndola.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/principais-fatores-e-sinais-de-alerta-antes-de-um-avc-saiba-como-agir,7df75b219d3c4693ed3c9a282c85670822o6k3aq.html?utm_source=clipboard - Foto: Andrea Piacquadio/Pexels

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Dificuldade para dormir? Veja hábitos alimentares que podem estar atrapalhando o seu sono


Embora a alimentação não seja a única responsável pelas dificuldades para dormir, escolhas feitas perto da hora de deitar podem influenciar o bem-estar e o descanso

 

Ter uma boa noite de sono envolve mais do que uma cama confortável. Ao longo do dia, diferentes fatores podem influenciar a forma como o corpo se prepara para o descanso, e a alimentação é um deles. Embora não existam alimentos que necessariamente causem insônia, alguns hábitos alimentares, principalmente no período que antecede o horário de dormir, podem dificultar o relaxamento e prejudicar a qualidade do sono.

 

"A resposta [ao alimento] varia de pessoa para pessoa, mas alguns hábitos podem favorecer desconfortos ou interferir na rotina de sono. Uma rotina alimentar equilibrada pode contribuir para o bem-estar geral, mas dificuldades frequentes para dormir não devem ser atribuídas somente à alimentação. Estresse, ansiedade, alterações na rotina, medicamentos e condições de saúde também podem interferir no sono", explica a nutricionista Mônica Magalhães, coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade Unime Anhanguera.

 

A seguir, a especialista destaca 7 hábitos alimentares que podem atrapalhar o descanso. Confira!

 

1. Consumir cafeína no final do dia

Café, energéticos, alguns tipos de chá, refrigerantes à base de cola e outros produtos com cafeína podem aumentar o estado de alerta. Quando consumidos próximo ao horário de dormir, podem dificultar o início do sono em pessoas mais sensíveis. Por isso, quem percebe dificuldade para dormir pode avaliar a redução do consumo de bebidas com cafeína no período da tarde e da noite.

 

2. Fazer refeições muito pesadas à noite

Comer grandes quantidades de alimentos próximo ao horário de dormir pode causar sensação de estômago cheio e desconforto, dificultando o momento de relaxamento. Sempre que possível, refeições noturnas devem ser adequadas à rotina e às necessidades individuais, evitando exageros especialmente pouco antes de deitar.

 

3. Consumir alimentos muito gordurosos antes de dormir

Preparações muito gordurosas podem permanecer por mais tempo no processo digestivo e provocar desconforto em algumas pessoas. Quando isso acontece próximo ao horário de dormir, o descanso pode ser prejudicado. Observar como o organismo reage a determinados alimentos é uma estratégia útil para identificar o que pode estar interferindo no sono.

 

4. Exagerar em alimentos muito picantes

Alimentos muito condimentados ou picantes podem provocar azia, refluxo ou desconforto gastrointestinal em algumas pessoas. Esses sintomas podem se tornar mais incômodos quando a pessoa se deita logo após comer. Quem apresenta sensibilidade pode evitar esse tipo de preparação nas horas que antecedem o sono.

 

5. Consumir muito açúcar próximo ao horário de dormir

Doces, sobremesas e bebidas açucaradas podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas o consumo excessivo, especialmente à noite, não é recomendado. Além disso, produtos ricos em açúcar não devem substituir alimentos mais nutritivos na rotina. O ideal é manter uma alimentação variada ao longo do dia e evitar exageros antes de dormir.

 

6. Beber muito líquido de uma só vez à noite

Manter-se hidratado é importante, mas ingerir grandes volumes de líquidos pouco antes de dormir pode aumentar a necessidade de levantar durante a noite para urinar. Distribuir a ingestão de água ao longo do dia pode ajudar a evitar esse excesso próximo ao horário de descanso.

 

7. Usar bebidas alcoólicas para "relaxar"

Embora o álcool possa provocar sonolência inicialmente, seu consumo pode prejudicar a qualidade do sono e favorecer despertares durante a noite. Por isso, não é recomendado utilizá-lo como estratégia para conseguir dormir.

 

Atenção aos sinais

De acordo com a nutricionista Mônica Magalhães, quando a dificuldade para dormir é frequente ou persistente, é importante buscar avaliação de um profissional de saúde para identificar as possíveis causas e receber orientação adequada.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/dificuldade-para-dormir-veja-habitos-alimentares-que-podem-estar-atrapalhando-o-seu-sono,b2afae3d27b192e9510ce3fa89eab6658su00dnu.html?utm_source=clipboard - Por Deiwerson Damasceno - Foto: New Africa | Shutterstock / Portal EdiCase