Alterações nas vias aéreas interferem no descanso noturno e explicam noites mal dormidas e cansaço constante
Dormir bem não depende apenas da quantidade de horas
na cama. Para que o sono seja realmente restaurador, o corpo precisa atingir
fases profundas de relaxamento, o que só acontece quando a respiração flui de
forma livre e contínua. Quando existe qualquer tipo de bloqueio ou esforço
respiratório, o organismo entra em um estado de alerta involuntário. A pessoa
até dorme, mas não descansa.
Problemas respiratórios durante o sono costumam ser
subestimados porque nem sempre provocam dor ou sintomas evidentes durante o
dia. Ainda assim, eles fragmentam o sono, reduzem a oxigenação adequada do
organismo e impactam diretamente a disposição, a concentração, o humor e até a
saúde a longo prazo.
De acordo com a médica Renata Mori,
otorrinolaringologista especialista em doenças nasais, a qualidade da
respiração é determinante para um sono reparador. "Durante o sono, o corpo
precisa reduzir o ritmo, mas, quando há dificuldade para respirar, o cérebro
entende que existe um risco e se mantém em estado de vigilância. Isso impede
que a pessoa atinja as fases mais profundas do sono, mesmo sem perceber",
explica.
A seguir, confira os principais problemas
respiratórios que podem comprometer diretamente a qualidade do sono.
1. Desvio de septo nasal
O desvio de septo não causa apenas nariz entupido. Ele
altera a dinâmica da respiração ao longo da noite, criando um fluxo de ar
irregular que exige esforço constante do sistema respiratório. Com o corpo
deitado, essa assimetria se intensifica, favorecendo congestão de um lado do
nariz e sobrecarga do outro, impactando diretamente a estabilidade do sono.
"Quando o septo está desviado, o organismo
precisa compensar essa dificuldade respiratória durante toda a noite. O
resultado é um sono fragmentado, com microdespertares que impedem o descanso
profundo, mesmo que a pessoa não acorde completamente", explica Renata
Mori.
2. Rinite alérgica
Mais do que espirros e coriza, a rinite provoca um
estado inflamatório contínuo dentro do nariz. Durante a noite, essa inflamação
tende a aumentar por fatores hormonais e pela posição deitada, tornando a
respiração mais difícil justamente no momento em que o corpo deveria relaxar.
"A rinite faz com que o nariz funcione mal à
noite. O paciente passa a respirar com dificuldade, alterna a respiração entre
as narinas e acorda várias vezes ao longo do sono, o que compromete a
recuperação física e mental", afirma a médica.
3. Sinusite crônica
Na sinusite persistente, o problema não está apenas na
obstrução nasal, mas na qualidade do ar que circula pelas vias respiratórias. A
presença constante de secreção e inflamação interfere na ventilação adequada
dos seios da face, gerando desconforto silencioso durante a noite.
"Mesmo sem dor intensa, a sinusite crônica impede
uma respiração plena. O cérebro interpreta essa limitação como um fator de
estresse, o que mantém o sono superficial e pouco restaurador", detalha
Renata Mori.
4. Respiração pela boca
Dormir respirando pela boca altera completamente a
fisiologia do sono. Além de reduzir a eficiência da oxigenação, essa condição
favorece o ressecamento das vias aéreas, inflamações recorrentes e maior
instabilidade respiratória durante a noite.
"A respiração bucal é sempre um sinal de alerta.
Ela indica que o nariz não está cumprindo seu papel e isso faz com que o sono
seja mais leve, agitado e menos eficiente do ponto de vista reparador", ressalta
a médica.
5. Ronco frequente
O ronco não é apenas um som incômodo. Ele revela
vibração excessiva dos tecidos da garganta causada pela passagem dificultada do
ar. Essa resistência cria turbulência respiratória e impede que o fluxo de
oxigênio seja constante ao longo da noite.
"O ronco frequente mostra que a respiração está
sendo feita com esforço. Mesmo quando não há apneia, ele já indica prejuízo na
qualidade do sono e aumento do risco de cansaço diurno", alerta Renata
Mori.
6. Apneia obstrutiva do sono
Na apneia, a respiração é interrompida repetidamente
durante a noite, levando a quedas na oxigenação do sangue. Cada pausa obriga o
cérebro a sair do sono profundo para garantir a sobrevivência, quebrando o
ciclo natural do descanso.
"O paciente com apneia pode passar a noite
inteira dormindo e, ainda assim, acordar exausto. O corpo nunca entra em um
estado contínuo de recuperação porque está sempre reagindo às pausas
respiratórias", explica a especialista.
7. Aumento das adenoides e das amígdalas
Especialmente em crianças, o aumento dessas estruturas
reduz o espaço para a passagem de ar, forçando uma respiração ruidosa e
ineficiente durante o sono. Isso interfere diretamente no desenvolvimento
físico e cognitivo.
"Quando a criança dorme mal por dificuldade
respiratória, isso reflete no comportamento, na atenção e até no crescimento. O
sono é fundamental nessa fase, e a respiração inadequada compromete todo esse
processo", observa Renata Mori.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados
Para a especialista, sintomas como ronco persistente,
sono agitado, boca seca ao acordar e cansaço frequente não devem ser
considerados normais. "Respirar bem é um dos pilares do sono saudável.
Identificar e tratar alterações respiratórias é essencial para recuperar a
qualidade do descanso e, consequentemente, de vida", conclui.
Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/7-problemas-causados-pela-respiracao-que-podem-prejudicar-o-sono,c91836ae3b7b57d0510c595d0c53dca3fc579ctu.html?utm_source=clipboard
- Por Sarah Monteiro - Foto: AJR_photo | Shutterstock / Portal EdiCase

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