A importância da geriatria e da abordagem integral
O Brasil vive uma rápida transição demográfica e
caminha para se tornar, nas próximas décadas, um país majoritariamente adulto e
idoso.
De acordo com projeções do IBGE, até 2040 cerca de um
quarto da população brasileira terá 60 anos ou mais. Diante desse cenário,
especialistas alertam: o foco não deve estar apenas no aumento da expectativa
de vida, mas na promoção da longevidade saudável, conceito que prioriza
qualidade de vida, autonomia e bem-estar ao longo do envelhecimento.
Segundo o geriatra Marcos Cabrera, formado pela
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), envelhecer de forma
saudável envolve múltiplos fatores que vão além da ausência de doenças.
"Falamos de um envelhecimento ativo, que considera saúde física, mental,
funcional e social. Viver mais só faz sentido quando esses anos adicionais são
vividos com independência e propósito", afirma.
Mais que expectativa de vida
Estudos mostram que grande parte das doenças crônicas
associadas ao envelhecimento, como hipertensão, diabetes, osteoporose e
declínio cognitivo, está diretamente relacionada ao estilo de vida. A adoção de
hábitos saudáveis — alimentação equilibrada, atividade física regular, sono
adequado e controle do estresse — pode prevenir ou retardar essas condições,
reduzindo a perda funcional e melhorando a qualidade de vida.
Outro ponto de destaque é a importância do convívio
social. O isolamento, comum entre idosos, está associado a maior risco de
depressão, comprometimento cognitivo e mortalidade precoce. "Manter
vínculos sociais, participar de atividades comunitárias e preservar relações
interpessoais é tão importante quanto controlar a pressão arterial ou o colesterol",
ressalta Cabrera.
A saúde mental também ocupa papel central no
envelhecimento saudável. Processos naturais dessa fase da vida, como
aposentadoria, luto e mudanças no papel social, podem impactar o bem-estar
emocional. Por isso, ambientes acolhedores, políticas inclusivas e acesso ao
suporte psicológico são fundamentais para garantir uma velhice digna.
Políticas públicas são essenciais
Do ponto de vista estrutural, o especialista destaca a
necessidade de políticas públicas voltadas para cidades mais acessíveis, com
transporte adequado, espaços públicos seguros e oportunidades de aprendizado ao
longo da vida. Essas ações favorecem a autonomia e a participação ativa dos
idosos na sociedade.
A geriatria, especialidade médica dedicada ao cuidado
da pessoa idosa, reforça a importância de uma abordagem integral. "Não
tratamos apenas doenças, mas pessoas. A avaliação geriátrica ampla permite
compreender as reais necessidades do indivíduo e construir estratégias de
cuidado personalizadas", explica Cabrera.
Para o geriatra, envelhecer é uma conquista da
sociedade moderna, mas envelhecer com saúde é uma escolha que depende de ações
individuais e coletivas. "Investir hoje em prevenção, educação em saúde e
inclusão social é essencial para garantir um futuro com mais qualidade de vida
para todas as gerações", conclui.
Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/viver-mais-e-melhor-e-o-novo-desafio-da-longevidade-saudavel,8af2dcaebd2684181200db2db24fb1aajteoepjr.html?utm_source=clipboard
- Por: Gabriela de Lisboa / Revista Malu - Foto: Revista Malu - Freepik

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