Uma noite mal dormida pode afetar o sistema imunológico, prejudicar a concentração e até aumentar o risco de doenças cardiovasculares
Os impactos de dormir mal vão muito além do cansaço no
dia seguinte. A falta de sono de qualidade pode afetar o sistema imunológico,
prejudicar a concentração e até aumentar o risco de doenças cardiovasculares.
No entanto, segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), cerca de 70% dos
brasileiros sofrem com algum tipo de distúrbio do sono.
Para a pneumologista e médica do sono Raíssa Dantas,
do Hospital e Maternidade São Luiz Osasco, esses problemas costumam se refletir
rapidamente no dia a dia. "Uma noite mal dormida pode provocar sonolência
excessiva, irritabilidade, fadiga e dificuldade de concentração. São sintomas
que impactam diretamente a qualidade de vida", explica. Além disso, a
privação de sono também pode comprometer a imunidade, deixando o organismo mais
vulnerável a infecções.
Distúrbios do sono mais comuns
Os distúrbios do sono são condições que prejudicam a
duração ou a qualidade do descanso, impedindo que o corpo alcance o chamado
sono reparador. Entre os mais comuns, estão: insônia, privação crônica do sono
e apneia do sono (sendo três tipos: obstrutiva, central ou mista).
A apneia obstrutiva do sono é caracterizada por
obstrução parcial ou total da via respiratória durante o sono. A apneia
central do sono caracteriza-se por pausas respiratórias durante o sono,
decorrentes da ausência ou redução do estímulo respiratório gerado pelo sistema
nervoso central. Ela pode ocorrer em situações que alteram o controle
ventilatório, como insuficiência cardíaca ou uso de medicamentos que reduzem o
estímulo respiratório. A apneia mista combina ambos os tipos anteriores.
Segundo Raíssa Dantas, a apneia do sono é o distúrbio
respiratório do sono mais frequente. Estudos do Instituto do Sono apontam que,
na cidade de São Paulo, o problema atinge cerca de 30% da população. Entre os
fatores que podem favorecer o problema, estão obesidade, enfraquecimento dos
músculos da garganta e alterações craniofaciais.
"Essas interrupções intermitentes e frequentes na
respiração durante o sono estão associadas ao maior risco de problemas
cardiovasculares, como hipertensão e acidente vascular cerebral (AVC)",
destaca a médica.
Sinais de alerta para procurar um médico
Alguns sintomas podem indicar que a qualidade do sono
não está adequada. Os principais são:
Sonolência excessiva durante o dia;
Sensação de cansaço ao acordar;
Ronco frequente;
Dificuldade para iniciar ou manter o sono.
Nesses casos, a recomendação é procurar avaliação
médica. O diagnóstico pode envolver exames como a polissonografia, que monitora
diferentes parâmetros do organismo durante o sono.
"No caso da apneia do sono, a polissonografia
tipo 3 é um dos exames mais utilizados e pode ser realizada em casa, durante o
sono. O paciente recebe orientações para utilizar um dispositivo simples, que
inclui uma cinta torácica para registrar os movimentos respiratórios, um
oxímetro no dedo para monitorar a oxigenação do sangue, um sensor de posição
corporal e uma cânula nasal que mede o fluxo de ar durante a respiração",
explica Raíssa Dantas.
Segundo a especialista, os equipamentos registram
essas informações ao longo da noite, permitindo identificar pausas
respiratórias e assim diagnosticar a apneia do sono.
Melhorando a qualidade do sono
Pequenas mudanças na rotina podem fazer diferença na
qualidade do descanso. A especialista recomenda:
Manter horários regulares para dormir e acordar,
inclusive nos fins de semana;
Dormir entre 7 e 9 horas por noite, tempo recomendado
para a maioria dos adultos;
Evitar telas, especialmente o celular, próximo ao
horário de dormir;
Deitar apenas quando estiver com sono;
Evitar refeições pesadas antes de dormir;
Manter o quarto silencioso, escuro e com temperatura
confortável.
Outro ponto de atenção é o uso de melatonina sem
orientação médica. "A melatonina é um hormônio produzido pelo
organismo. Ela é produzida no cérebro e ajuda a sincronizar nosso relógio
biológico, sinalizando para o corpo que está chegando a hora de dormir. Ela não
é uma substância indutora do sono, como muitos pensam", alerta Raíssa
Dantas.
Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/disturbios-do-sono-veja-os-tipos-mais-comuns-e-quando-procurar-um-medico,299584e6e480f93395fd620f63cfb91cxwm2rzak.html?utm_source=clipboard
- Por Samara Meni - Foto: Lysenko Andrii | Shutterstock / Portal EdiCase

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