Prática vista como inofensiva pode provocar lesões graves na córnea, acelerar doenças como o ceratocone e favorecer infecções sérias
Resumo
Coçar os olhos pode parecer inofensivo, mas traz
sérios riscos à visão, como lesões na córnea, infecções bacterianas e o
desenvolvimento ou agravamento do ceratocone, doença que deforma a estrutura
ocular. O hábito também pode romper vasos sanguíneos e acelerar a flacidez
palpebral. Para aliviar a coceira de forma segura, recomenda-se aplicar
compressas frias e usar colírios lubrificantes indicados por um oftalmologista,
investigando causas como alergias, olho seco ou fadiga visual.
Um gesto quase automático praticado por milhares de
pessoas durante crises alérgicas ou episódios de cansaço extremo pode trazer
graves consequências para a visão. O médico oftalmologista Vinícius Tadashi,
integrante do quadro de especialistas do Instituto Curitiba de Saúde (ICS),
alerta que o hábito constante de coçar os olhos favorece o surgimento de
infecções, quadros inflamatórios e alterações definitivas na estrutura da
córnea. Segundo o profissional, a prática é vista equivocadamente como um ato
banal, mas carrega o potencial de agravamento de enfermidades preexistentes no
aparelho visual. "Coçar os olhos muitas vezes é tido como algo inofensivo
ou simplesmente acaba passando despercebido diante da correria do dia a dia.
Porém, esse simples ato pode trazer prejuízos para a saúde ocular."
Os riscos mecânicos e infecciosos para a saúde dos
olhos
A principal complicação relacionada ao atrito manual
frequente envolve a contaminação microbiológica e o dano mecânico às estruturas
oculares. As mãos humanas acumulam bactérias, vírus e fungos em superfícies
diversas e, ao entrar em contato com a mucosa ocular, transportam esses
microrganismos diretamente para uma área vulnerável. Além do risco biológico de
infecções, a fricção física desestabiliza o filme lacrimal e promove o estresse
mecânico da córnea. Em pacientes predispostos, o atrito contínuo contribui para
o desenvolvimento do ceratocone, uma patologia degenerativa caracterizada pelo
afinamento e pela deformação progressiva da superfície corneana, gerando perda
permanente da nitidez visual.
Origens da irritação e estratégias seguras de alívio
A origem do prurido ocular ultrapassa o campo
estritamente oftalmológico, relacionando-se frequentemente a gatilhos
ambientais e sistêmicos. Condições clínicas como a rinite alérgica, a asma, a
dermatite atópica, a síndrome de Down e a fadiga estresse visual atuam como
fatores desencadeadores da coceira. No âmbito ocular direto, o sintoma
associa-se à conjuntivite alérgica, síndrome do olho seco, blefarite e ao uso
inadequado de lentes de contato sem a devida higienização. Em situações nas
quais a irritação persiste, especialistas orientam recorrer a métodos
paliativos seguros até a consulta profissional.
Para mitigar o incômodo sem aplicar força sobre as
pálpebras, recomenda-se a aplicação de compressas frias sobre a região, o uso
de colírios lubrificantes com orientação médica prévia e a higienização
rigorosa dos anexos oculares e das lentes de contato. Quando a manifestação da
coceira é frequente, de alta intensidade ou acompanhada por sinais como
vermelhidão, dor, secreção purulenta ou alteração no campo de visão, a busca
por diagnóstico especializado torna-se indispensável. "O mais importante é
manter o acompanhamento com seu médico oftalmologista, buscando uma avaliação
mais individualizada e um tratamento e seguimento mais personalizados",
destaca Vinícius Tadashi.
Fonte:
https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/coceira-nos-olhos-entenda-os-riscos-graves-de-esfregar-a-visao-e-como-aliviar,77a8c26b772bb0dd725a68b1cc52e168p0jeiobl.html?utm_source=clipboard
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