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sábado, 31 de janeiro de 2026

Uma derrota que valeu por muitas vitórias


Em 1988, fui contratado pelo Grêmio Escolar Graccho Cardoso, através do amigo e colega de profissão o vice-diretor Abelardo Neto para dar aulas de basquete. No início do ano letivo, fiz a divulgação do basquete com cartazes de fotografias e consegui formar duas turmas masculinas. O colégio não tinha ainda tabelas de basquete no ginásio esportivo e os arremessos eram feitos em círculos pintados na parede com giz branco. As tabelas foram colocadas no início do 2º semestre, mas a espera valeu a pena, pois as tabelas eram elétricas e foram as primeiras do tipo em Sergipe.

 

Das duas turmas, formei uma de treinamento para disputar os Jogos da Primavera. No 1º semestre, fizemos dois jogos amistosos: um na quadra do Colégio Dinâmico e outro na quadra do Colégio Pio Décimo, perdemos os dois jogos.

 

Faltando um mês para os Jogos da Primavera, Neto me chamou a sua sala e deixou a mim a decisão de participar, pois reconhecia que os treinamentos não foram adequados devidos à falta das tabelas. Mas, pedi a ele o direito de participar pelo interesse que os alunos demonstraram pela prática do basquete. Ele autorizou e fizemos a inscrição da equipe.

 

No sorteio dos jogos, ficamos na chave A composta por 5 colégios, entre eles: o Arquidiocesano, campeão do ano anterior, e do Murilo Braga, o colégio que eu também era o técnico e que já tinha ganhado alguns títulos no basquete.

 

O Graccho ficou de fora da 1ª rodada e fui assistir ao jogo do Arqui. Sentei ao lado do Professor Márlio, coordenador de arbitragem dos jogos. Durante o 1º tempo, o Arqui realizou a defesa zona pressão quadra toda, o que era proibido pelo regulamento especifico do basquete que só permitia a defesa individual, medida essa que visava a melhoria do nível técnico do basquete sergipano. Ao final do 1º tempo, o coordenador foi conversar com o técnico Professor Vinícius, diga-se de passagem, um dos melhores técnicos do basquete sergipano de todos os tempos. No reinício do jogo, o Arqui fez a defesa individual, e é claro ganhou o jogo com facilidade.

 

No seu primeiro jogo da competição, o Graccho enfrentou o Arqui, que nos aplicou a defesa individual pressão quadra toda e em todo o jogo. Ao final do jogo, o Graccho perdeu por 158 a 2, com uma cesta do atleta “Juazeiro” de quase da metade da quadra, pois naquela época ainda não existia a cesta de 3 pontos. Após o jogo, reuni a equipe e conversei com eles para motivá-los para os 3 jogos restantes, que também perdemos. No jogo do Graccho contra o Murilo Braga, por uma questão ética, eu não fiquei no banco com nenhuma das equipes. O Arqui foi o campeão invicto da competição e tinha na sua equipe dois ex-atletas do Murilo Braga. O Murilo Braga ficou em 3º lugar. Após os jogos, continuamos treinando e, no final do ano, eu fiz com todos os alunos praticantes um festival de arremessos e o primeiro campeonato interno.

 

Após alguns anos da primeira participação do Graccho no basquete, eu estava assistindo a um jogo de basquete no Salesiano quando o Professor Vinícius, meu amigo e competente técnico de basquete, veio conversar comigo e fez um elogio da evolução técnica do Graccho no basquete sergipano. Então, eu falei que ele foi um dos que me motivou a trabalhar e superar os desafios quando aplicou uma vitória do Arqui de 158 a 2 no Graccho, mas ele retrucou dizendo que não se lembrava do episódio, então eu lhe disse a seguinte frase: “Quem bate esquece, quem apanha não". Durante décadas, fomos adversários, mas nunca inimigos, sempre nos respeitamos e mantemos laços de amizade até os dias atuais.

 

Jorge Raimundo, Luiz Carlos, Evanuel, Sílvio e Juazeiro, que fizeram parte da primeira equipe do Graccho e que não ganharam medalhas nos jogos, foram os pioneiros na prática do basquete no colégio e serviram de exemplo para os alunos que vieram posteriormente. A partir desse pontapé inicial, o Graccho ganhou sua primeira medalha em 1990: a de bronze nos Jogos Infantis. Em 1991, nos Jogos Infantis, ganhamos a primeira medalha de ouro e em 1992 ganhamos a medalha de ouro nos Jogos da Primavera na categoria A, justamente a mesma que perdemos por 158 a 2. Nos 22 anos em que trabalhei no Graccho, eu e meus alunos ganhamos 28 medalhas nas diversas competições, entre elas: Campeonato Sergipano, Jogos Escolares Tv Sergipe, Jogos das Escolas Particulares de Sergipe- JEPS, Campeonato Escolar de Sergipe, Torneio de duplas do Festival Praiano, Torneio de Duplas do Shopping RioMar.

 

Em 22 anos de trabalho no Graccho foram muitas conquistas de medalhas, mas a maior de todas foi a de educar milhares de alunos por meio do basquete e com respeito, honestidade, seriedade e compromisso com a educação, quer fosse na derrota ou na vitória.

 

Por Professor José Costa