Em 1988, fui contratado pelo Grêmio Escolar Graccho Cardoso, através do amigo e colega de profissão o vice-diretor Abelardo Neto para dar aulas de basquete. No início do ano letivo, fiz a divulgação do basquete com cartazes de fotografias e consegui formar duas turmas masculinas. O colégio não tinha ainda tabelas de basquete no ginásio esportivo e os arremessos eram feitos em círculos pintados na parede com giz branco. As tabelas foram colocadas no início do 2º semestre, mas a espera valeu a pena, pois as tabelas eram elétricas e foram as primeiras do tipo em Sergipe.
Das duas turmas, formei uma de treinamento para
disputar os Jogos da Primavera. No 1º semestre, fizemos dois jogos amistosos:
um na quadra do Colégio Dinâmico e outro na quadra do Colégio Pio Décimo,
perdemos os dois jogos.
Faltando um mês para os Jogos da Primavera, Neto me
chamou a sua sala e deixou a mim a decisão de participar, pois reconhecia que
os treinamentos não foram adequados devidos à falta das tabelas. Mas, pedi a
ele o direito de participar pelo interesse que os alunos demonstraram pela
prática do basquete. Ele autorizou e fizemos a inscrição da equipe.
No sorteio dos jogos, ficamos na chave A composta por
5 colégios, entre eles: o Arquidiocesano, campeão do ano anterior, e do Murilo
Braga, o colégio que eu também era o técnico e que já tinha ganhado alguns
títulos no basquete.
O Graccho ficou de fora da 1ª rodada e fui assistir ao
jogo do Arqui. Sentei ao lado do Professor Márlio, coordenador de arbitragem
dos jogos. Durante o 1º tempo, o Arqui realizou a defesa zona pressão quadra
toda, o que era proibido pelo regulamento especifico do basquete que só
permitia a defesa individual, medida essa que visava a melhoria do nível
técnico do basquete sergipano. Ao final do 1º tempo, o coordenador foi
conversar com o técnico Professor Vinícius, diga-se de passagem, um dos
melhores técnicos do basquete sergipano de todos os tempos. No reinício do
jogo, o Arqui fez a defesa individual, e é claro ganhou o jogo com facilidade.
No seu primeiro jogo da competição, o Graccho enfrentou
o Arqui, que nos aplicou a defesa individual pressão quadra toda e em todo o
jogo. Ao final do jogo, o Graccho perdeu por 158 a 2, com uma cesta do atleta “Juazeiro”
de quase da metade da quadra, pois naquela época ainda não existia a cesta de 3
pontos. Após o jogo, reuni a equipe e conversei com eles para motivá-los para
os 3 jogos restantes, que também perdemos. No jogo do Graccho contra o Murilo
Braga, por uma questão ética, eu não fiquei no banco com nenhuma das equipes. O
Arqui foi o campeão invicto da competição e tinha na sua equipe dois ex-atletas
do Murilo Braga. O Murilo Braga ficou em 3º lugar. Após os jogos, continuamos
treinando e, no final do ano, eu fiz com todos os alunos praticantes um
festival de arremessos e o primeiro campeonato interno.
Após alguns anos da primeira participação do Graccho
no basquete, eu estava assistindo a um jogo de basquete no Salesiano quando o
Professor Vinícius, meu amigo e competente técnico de basquete, veio conversar
comigo e fez um elogio da evolução técnica do Graccho no basquete sergipano.
Então, eu falei que ele foi um dos que me motivou a trabalhar e superar os
desafios quando aplicou uma vitória do Arqui de 158 a 2 no Graccho, mas ele
retrucou dizendo que não se lembrava do episódio, então eu lhe disse a seguinte
frase: “Quem bate esquece, quem apanha não". Durante décadas, fomos
adversários, mas nunca inimigos, sempre nos respeitamos e mantemos laços de
amizade até os dias atuais.
Jorge Raimundo, Luiz Carlos, Evanuel, Sílvio e
Juazeiro, que fizeram parte da primeira equipe do Graccho e que não ganharam medalhas
nos jogos, foram os pioneiros na prática do basquete no colégio e serviram de exemplo
para os alunos que vieram posteriormente. A partir desse pontapé inicial, o
Graccho ganhou sua primeira medalha em 1990: a de bronze nos Jogos Infantis. Em
1991, nos Jogos Infantis, ganhamos a primeira medalha de ouro e em 1992
ganhamos a medalha de ouro nos Jogos da Primavera na categoria A, justamente a
mesma que perdemos por 158 a 2. Nos 22 anos em que trabalhei no Graccho, eu e
meus alunos ganhamos 28 medalhas nas diversas competições, entre elas:
Campeonato Sergipano, Jogos Escolares Tv Sergipe, Jogos das Escolas
Particulares de Sergipe- JEPS, Campeonato Escolar de Sergipe, Torneio de duplas
do Festival Praiano, Torneio de Duplas do Shopping RioMar.
Em 22 anos de trabalho no Graccho foram muitas
conquistas de medalhas, mas a maior de todas foi a de educar milhares de alunos
por meio do basquete e com respeito, honestidade, seriedade e compromisso com a
educação, quer fosse na derrota ou na vitória.
Por Professor José Costa

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