Especialista aponta que sedentarismo, estresse, má alimentação e falta de acompanhamento médico antecipam riscos cardiovasculares
A morte repentina da candidata ao Miss Paraná Maiara
Cristina de Lima Fiel, aos 31 anos, após um infarto, reacendeu um alerta
importante: problemas cardíacos, tradicionalmente mais ligados ao
envelhecimento, têm atingido cada vez mais jovens. Segundo dados do Ministério
da Saúde, as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de
morte no Brasil, com um óbito a cada dois minutos.
Nas últimas décadas, o número de infartos em pessoas
com menos de 40 anos cresceu de forma expressiva. Estima-se aumento de até 180%
entre 2000 e 2024 nessa faixa etária, além de alta nas internações de jovens
por infarto. Entre mulheres de 15 a 49 anos, as mortes também cresceram, o que
reforça que o problema não se limita a um único perfil.
Para a cardiologista Fernanda Weiler, do Sírio-Libanês
e diretora do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, esse avanço
está ligado ao acúmulo precoce de fatores de risco. Segundo ela, hoje é cada
vez mais comum encontrar pacientes jovens com hipertensão, colesterol elevado,
resistência à insulina e obesidade, condições que antes costumavam aparecer
mais tarde.
A especialista aponta como fatores centrais desse
cenário o sedentarismo, a alimentação rica em ultraprocessados, o estresse
crônico, o tabagismo, inclusive com cigarro eletrônico, o consumo de álcool e
outras substâncias, além do excesso de peso, hipertensão e diabetes em idades
mais precoces. De acordo com a médica, a combinação entre rotina sedentária,
sono inadequado, alimentação inflamatória e sobrecarga emocional favorece
processos inflamatórios e acelera a formação de placas nas artérias.
Outro desafio é que o infarto em jovens pode ser mais
silencioso. Como muitos não fazem acompanhamento médico regular e não se veem
no grupo de risco, sintomas como dor no peito, falta de ar, cansaço extremo e
palpitações acabam subestimados. “O jovem tende a interpretar os sintomas como
algo passageiro: ansiedade, cansaço ou estresse”, afirma Fernanda no material.
A cardiologista ressalta que há sinais que exigem
avaliação médica o quanto antes, como desmaios durante exercício ou emoção
intensa, dor no peito ao esforço, palpitações acompanhadas de mal-estar,
tontura ou quase desmaio, falta de ar desproporcional à atividade e histórico
familiar de morte súbita antes dos 50 anos ou de doenças cardíacas
hereditárias.
Apesar do avanço dos casos, a especialista destaca que
a maior parte dos fatores de risco é modificável. Prática regular de atividade
física, alimentação equilibrada, controle do estresse, redução do consumo de
álcool, abandono do cigarro e check-ups periódicos estão entre as principais
recomendações. Para ela, a prevenção cardiovascular não deve começar apenas
depois dos 50 anos, mas ser construída ao longo da vida.
O aumento dos casos entre jovens, segundo a médica,
mostra que as doenças cardiovasculares deixaram de ser um problema restrito à
terceira idade e passaram a refletir também o estilo de vida contemporâneo. O
recado, diz ela, é claro: cuidar do coração precisa começar cedo.
Fonte:
https://www.correiodopovo.com.br/bellamais/saudefeminina/infarto-em-jovens-caso-da-miss-parana-reacende-alerta-1.1707105
- Foto: Reprodução @mundomissbrasil / CP
