Especialista explica a diferença entre crises crônicas e agudas, e alerta para o perigo da automedicação
A dor de cabeça, ou cefaleia, é um dos sintomas mais
prevalentes do mundo. A OMS estima que 40% das pessoas terão, em algum momento
da vida, a experiência de enfrentar o incômodo. No entanto, embora grande parte
dos casos não represente gravidade e envolva doenças crônicas conhecidas, como
a enxaqueca e a cefaleia tensional, saber diferenciar uma dor de cabeça comum
de uma emergência médica é fundamental para evitar complicações graves.
De acordo com a neurologista do Hospital Orizonti,
Josemary Sucupira, existem critérios claros que indicam a necessidade imediata
de avaliação médica. “É preciso ficar atento à cefaleia com sinais de alarme. A
dor de cabeça que vem subitamente, com grande intensidade, ou que venha
associada a outros sintomas, como alteração visual, alteração da força, perda
de sensibilidade, desequilíbrio ou confusão mental”, explica a especialista.
Dentre os principais sinais de alerta que exigem uma
visita imediata ao Pronto Atendimento estão as dores súbitas e de forte
intensidade, que começam de forma explosiva, em questão de segundos, além dos
quadros que pioram progressivamente a cada dia ou que surgem após algum trauma
na cabeça.
O sintoma também é considerado de urgência se vier
acompanhado de febre, rigidez na nuca, convulsões, desmaios ou confusão mental.
Sinais neurológicos associados, como fraqueza em um lado do corpo, dificuldade
para falar e alterações visuais, como perda de visão ou visão dupla, também são
indicativos de gravidade.
A neurologista ressalta que o surgimento de uma dor
nova exige atenção redobrada e avaliação médica caso ocorra em pessoas com mais
de 50 anos ou em pacientes oncológicos e imunossuprimidos. Pessoas que já
sofrem com dores crônicas, como a enxaqueca, também precisam ficar atentas.
A ida ao hospital é recomendada quando o controle com
a medicação em casa falha, quando há vômitos que impedem a ingestão dos
comprimidos ou, principalmente, quando a característica da crise se altera. “O
paciente que tem enxaqueca, mas sente que a dor de cabeça dele mudou, também
deve buscar o pronto atendimento. É o que chamamos de mudança de padrão da
dor”, destaca a coordenadora do Hospital Orizonti.
Os perigos da automedicação
Um dos grandes desafios no combate às cefaleias é o
uso indiscriminado de remédios por conta própria. A coordenadora de neurologia
do Hospital Orizonti alerta que o ideal é ter um diagnóstico prévio, feito por
um médico especialista, para tratar as crises de forma direcionada. “Muitas
pessoas que têm o costume de se automedicar com analgésicos simples. O uso
inadequado de analgésicos sem orientação médica pode levar a outros problemas
de saúde, como a cefaleia por abuso de analgésico”, adverte.
A médica reforça ainda que mascarar uma dor
desconhecida pode trazer riscos. “Se é uma dor que a pessoa nunca teve, com
grande intensidade, é melhor ir ao pronto atendimento do que se automedicar e
de repente estar diante de um quadro que pode trazer complicações maiores, como
sangramentos intracranianos. O uso de medicamentos deve ser sempre sob
orientação médica, mesmo que seja um simples analgésico”, conclui a
neurologista.
Fonte: https://www.correio24horas.com.br/brasil/dor-de-cabeca-neurologista-lista-os-sinais-de-alerta-e-explica-quando-o-sintoma-exige-procurar-ajuda-medica-0326
- Perla Ribeiro - (Imagem: giggsy25 | Shutterstock)
