Manter hábitos saudáveis e realizar exames periódicos é fundamental para prevenir complicações cardiovasculares
O colesterol é uma substância essencial para o
funcionamento do organismo, mas seu desequilíbrio representa um dos principais
fatores de risco para doenças cardiovasculares. O aumento do LDL, conhecido
como "colesterol ruim", favorece o acúmulo de gordura nas artérias e
pode permanecer silencioso durante anos, elevando as chances de infarto e
acidente vascular cerebral (AVC).
Celebrado em 8 de agosto, o Dia Nacional de Prevenção
e Controle do Colesterol reforça a importância do diagnóstico precoce e da
adoção de hábitos saudáveis. Embora a alimentação tenha papel importante,
fatores como genética, metabolismo, sedentarismo e doenças associadas também
influenciam os níveis de colesterol.
Nem todo colesterol faz mal
Muitas pessoas acreditam que todo colesterol deve ser
eliminado, mas isso não é verdade. O organismo precisa dessa substância para
produzir hormônios, vitamina D e formar as membranas das células. O problema
está no desequilíbrio entre suas diferentes frações.
"O colesterol é indispensável para a nossa saúde.
O problema não é a sua existência, mas o desequilíbrio entre suas frações. O
LDL favorece o acúmulo de gordura nas paredes das artérias quando está elevado.
Já o HDL ajuda a remover parte desse excesso e transportá-lo de volta ao fígado
para ser eliminado. O equilíbrio entre eles é um dos principais pilares da
saúde cardiovascular", destaca a endocrinologista Dra. Maria Letícia
Murba.
Mas atenção: ter um HDL elevado não é suficiente para
compensar um LDL alto. "O HDL tem uma função protetora, mas hoje sabemos
que não basta apenas ter um HDL elevado. O principal objetivo da prevenção
cardiovascular é controlar o LDL de acordo com o risco individual de cada
paciente", diz o cardiologista Dr. Carlo Bonasso Filho.
Não espere os sintomas aparecerem
Uma das principais características do colesterol
elevado é justamente a ausência de sintomas. Muitas pessoas convivem durante
anos com alterações importantes sem perceber, descobrindo o problema apenas
após um infarto ou AVC.
"O colesterol elevado não costuma causar
sintomas. Muitas vezes, o primeiro sinal de que existe um problema pode ser um
evento grave, como um infarto ou um acidente vascular cerebral. Por isso, o
acompanhamento periódico é fundamental para identificar alterações antes que
elas tragam consequências", diz o cardiologista Dr. Vitor de Holanda.
Causas do colesterol elevado
O colesterol alto pode ser causado por uma combinação
de fatores relacionados ao estilo de vida, à genética e a algumas condições de
saúde. Uma alimentação rica em gorduras saturadas e trans, presente em
alimentos ultraprocessados, frituras e carnes gordurosas, é uma das principais
causas. Além disso, sedentarismo, excesso de peso, tabagismo e consumo
excessivo de bebidas alcoólicas também favorecem o aumento do colesterol.
Além disso, algumas pessoas apresentam alterações
genéticas que elevam o LDL desde a infância, aumentando o risco de doenças
cardiovasculares precoces. "A hipercolesterolemia familiar é um
exemplo de condição genética em que o paciente apresenta níveis elevados de LDL
desde cedo. Muitas vezes, a pessoa não sabe que possui essa alteração e só
descobre após um evento cardiovascular ou durante uma investigação
médica", destaca o cardiologista Dr. Daniel Petlik.
O colesterol elevado frequentemente também está
associado a outras alterações metabólicas, como obesidade, diabetes,
resistência à insulina e gordura no fígado. Por isso, o tratamento deve
considerar o organismo de forma integrada. "O fígado é um órgão central no
metabolismo. Quando existe acúmulo de gordura hepática, isso pode ser um sinal
de que o organismo está enfrentando um desequilíbrio metabólico que também pode
impactar o risco cardiovascular", explica o Dr. Vitor de Holanda.
Hábitos saudáveis para controlar o colesterol alto
As metas de colesterol variam conforme a idade, o
histórico familiar e a presença de doenças como diabetes, hipertensão ou
eventos cardiovasculares prévios. Por isso, a avaliação médica individualizada
é indispensável. "Nem todas as pessoas terão a mesma meta de colesterol.
Um paciente que já teve um infarto ou possui doença cardiovascular estabelecida
precisa de um controle mais rigoroso do LDL do que uma pessoa sem esses fatores
de risco", diz o Dr. Daniel Petlik.
Embora algumas pessoas necessitem de medicamentos,
mudanças no estilo de vida continuam sendo fundamentais para controlar o
colesterol e reduzir o risco cardiovascular. "Não existe um alimento ou
suplemento capaz de compensar hábitos inadequados. O controle do colesterol
depende de uma combinação entre alimentação balanceada, atividade física,
controle do peso, sono adequado e acompanhamento médico quando
necessário", conta a Dra. Maria Letícia Murba.
Fonte:
https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/colesterol-alto-entenda-as-causas-e-os-riscos-para-a-saude-do-coracao,96e94c1487881ff3af2aeece40b1f0ea0mjvip6n.html?utm_source=clipboard
- Por Sarah Carvalho - Foto: SewCreamStudio | Shutterstock / Portal EdiCase

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