Sedentarismo, alimentação desequilibrada, estresse e sono ruim estão entre os fatores que podem prejudicar a saúde cardiovascular
Principal causa de morte global, as doenças
cardiovasculares exigem prevenção contínua. Fatores como sedentarismo, má
alimentação, obesidade, tabagismo, estresse crônico e sono ruim elevam os
riscos de infarto e AVC. Para proteger o coração, especialistas recomendam
mudanças graduais no estilo de vida, incluindo dieta natural, 150 minutos
semanais de exercícios e controle do estresse, além de acompanhamento médico e
exames regulares para detectar e tratar alterações de forma precoce.
As doenças cardiovasculares são a principal causa de
morte em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No
Brasil, os problemas que atingem o coração também exigem atenção.
Segundo o Ministério da Saúde, ocorrem entre 300 mil e
400 mil infartos todos os anos no país. Além disso, o número de brasileiros com
insuficiência cardíaca já ultrapassa os dois milhões.
O estilo de vida está entre os fatores relacionados ao
risco cardiovascular. Alguns hábitos comuns podem afetar a pressão arterial, o
colesterol, a glicemia e o peso.
Kely Cruz, médica da área de cardiologia no AmorSaúde,
alerta que "vários hábitos do dia a dia podem aumentar o risco
cardiovascular. Entre os principais estão o sedentarismo e a alimentação rica
em sal, açúcar, gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados".
A médica explica que pequenas mudanças na rotina podem
ajudar a prevenir doenças cardiovasculares. Para isso, é importante conhecer os
hábitos que prejudicam a saúde do coração.
Quais hábitos prejudicam o coração?
Além do sedentarismo, existem outros comportamentos
que podem aumentar o risco de problemas cardiovasculares. De acordo com Kely,
os principais são:
Excesso de peso: "estar acima do peso
favorece a resistência à insulina, o aumento da pressão arterial e a piora do
colesterol. Todos esses fatores fazem com que o coração se esforce mais para
bombear o sangue e podem causar problemas ao órgão em longo prazo",
resume;
Má alimentação: "ultraprocessados costumam ter
maior quantidade de sódio, açúcares adicionados e gorduras, o que aumenta o
colesterol e eleva a pressão sanguínea. Além disso, esse alimentos costumam
substituir pratos ricos em fibras, vitaminas e minerais, que fazem bem para o
coração", explica;
Tabagismo: "fumar é um dos principais fatores de
risco cardiovascular evitáveis. O cigarro causa lesão do revestimento interno
das artérias, aumenta a inflamação, favorece a formação de placas de gordura e
aumenta a tendência à formação de coágulos. Com isso, cresce o risco de
infarto, AVC e doença arterial periférica. Isso também se aplica aos cigarros
eletrônicos, que não devem ser considerados inofensivos", detalha;
Consumo excessivo de bebidas alcoólicas: "o
álcool também merece atenção. O consumo elevado pode aumentar a pressão
arterial, favorecer arritmias e o ganho de peso e, em algumas situações,
enfraquecer o músculo cardíaco", alerta;
Poucas horas de sono: "ter um sono de má
qualidade está relacionado a maior risco de hipertensão, alterações
metabólicas, ganho de peso e pior controle da glicose. Distúrbios como a apneia
obstrutiva do sono também podem aumentar a liberação de cortisol e a
inflamação, contribuindo para a elevação da pressão arterial", sintetiza;
Estresse crônico: "o estresse provoca ativação
persistente de hormônios que podem aumentar frequência cardíaca e pressão
arterial. Além disso, pessoas sob estresse contínuo frequentemente dormem pior,
alimentam-se pior, fazem menos atividade física ou aumentam o consumo de
cigarro e álcool, o que potencializa o risco", defende.
Por que os fatores de risco podem se acumular?
As doenças cardíacas geralmente não surgem por causa
de um único fator. Muitas vezes, diferentes condições aparecem juntas e
aumentam o risco cardiovascular.
"A hipertensão, o aumento do colesterol, o
diabetes, a obesidade e a inflamação dos vasos sanguíneos são doenças
silenciosas e que ocorrem em conjunto em muitos pacientes. Com o passar dos
anos, esses fatores facilitam a formação de placas de gordura nas artérias,
aumentando o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares", ela
afirma.
Por isso, o acompanhamento médico é importante. A
avaliação ajuda a identificar fatores de risco e orientar mudanças de acordo
com as necessidades de cada pessoa.
Como mudar a rotina e proteger o coração?
"Não é necessário transformar toda a rotina de
uma vez. Mudanças consistentes e sustentáveis costumam ser mais importantes do
que medidas radicais feitas por pouco tempo", explica a médica.
Para a profissional, algumas atitudes podem fazer
diferença. Caminhar mais, preferir as escadas e priorizar uma alimentação
natural estão entre as medidas recomendadas.
Kely também destaca a importância da atividade física.
"O exercício regular tem efeito protetor porque
contribui para o controle da pressão, do peso, da glicemia e dos níveis de
gordura no sangue, além de melhorar a capacidade cardiorrespiratória",
resume.
Para a maioria dos adultos, a recomendação é realizar
150 minutos de atividade física moderada por semana ou 75 minutos de atividade
intensa. Exercícios de fortalecimento muscular também devem fazer parte da
rotina, conforme as condições de cada pessoa.
Alimentação equilibrada também é importante
A alimentação influencia fatores como pressão
arterial, colesterol e peso corporal.
"o padrão alimentar mais favorável ao coração é
aquele baseado em frutas, verduras, legumes, feijão, cereais integrais,
castanhas, sementes, peixes e outras fontes adequadas de proteína, priorizando
alimentos minimamente processados", descreve.
A orientação é reduzir o consumo de produtos
ultraprocessados, excesso de sal, açúcares adicionados e gorduras saturadas. As
mudanças devem ser adaptadas à realidade e às necessidades de cada pessoa.
Quando realizar exames cardiovasculares?
O acompanhamento deve começar antes do surgimento de
uma doença.
"O cuidado cardiovascular deve começar antes de
existir uma doença. Não existe uma idade única em que alguém deva começar a se
preocupar com o coração. O ideal é que fatores de risco sejam avaliados ao
longo da vida adulta", explica Kely.
A médica recomenda consultas periódicas. Também é
importante investigar o histórico pessoal e familiar.
A avaliação pode considerar sintomas, pressão
arterial, peso e índice de massa corporal.
"O indicação deve depender dos sintomas, dos
fatores de risco e da história do paciente, mas exames como eletrocardiograma,
ecocardiograma, teste ergométrico e exames de imagem podem ser extremamente
úteis", afirma.
Os exames mais comuns incluem colesterol,
triglicerídeos, glicemia e hemoglobina glicada. Eles ajudam a avaliar os níveis
de gordura e açúcar no sangue.
Pessoas idosas, com diabetes, fumantes ou com histórico
familiar de doenças cardiovasculares podem precisar de avaliações adicionais. A
escolha depende da análise médica.
Cuidar do coração começa na rotina
A prevenção cardiovascular não depende de uma única
mudança. O conjunto de hábitos influencia a saúde ao longo do tempo.
Praticar atividade física, dormir bem, manter uma
alimentação equilibrada e evitar o tabagismo são medidas importantes. O
acompanhamento médico também ajuda a identificar e controlar fatores de risco.
Pequenas mudanças podem contribuir para uma rotina
mais saudável. O ideal é começar de forma gradual e manter hábitos que sejam
possíveis a longo prazo.
Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/doencas-cardiacas-como-prevenir-com-habitos-saudaveis-e-exames-regulares,32f1246ca3e744b3ed9a94d5778e9b58976w8xd3.html?utm_source=clipboard
- Foto: Divulgação/AmorSaúde / Saúde em Dia

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