A saúde masculina vai além da próstata e exige atenção contínua. Na adolescência, o foco recai no desenvolvimento puberal e prevenção de ISTs. Entre os 20 e 30 anos, priorizam-se a fertilidade e a saúde sexual. Aos 40, intensificam-se os cuidados metabólicos e cardiovasculares. O rastreamento do câncer de próstata ganha destaque aos 50 anos, ou aos 45 para negros e pessoas com histórico familiar. A função renal e sintomas urinários ou sexuais devem ser monitorados para ampliar o sucesso do tratamento.
Quando se fala em acompanhamento urológico, a próstata
costuma ser o primeiro assunto lembrado. Mas a saúde do homem envolve muitos
outros cuidados.
Desenvolvimento dos órgãos genitais, fertilidade,
saúde sexual, função renal e sintomas urinários também fazem parte desse
acompanhamento. As prioridades mudam conforme a idade, o histórico familiar e
os fatores de risco.
No Dia do Urologista, celebrado em 12 de setembro, o
médico urologista e andrologista Dr. Pedro Bastos, de Juiz de Fora, explica
quais pontos devem fazer parte dos cuidados masculinos desde a adolescência.
Adolescência exige atenção ao desenvolvimento
A consulta urológica pode identificar alterações ainda
nessa fase da vida. Entre elas estão fimose, varicocele, dor, nódulos e
assimetrias testiculares.
Também pode ser avaliado o desenvolvimento puberal,
além da posição e do volume dos testículos.
"Na adolescência, por exemplo, a consulta pode
identificar alterações que não devem ser ignoradas, como fimose, varicocele,
dor, nódulos ou assimetrias testiculares. A avaliação também observa o
desenvolvimento puberal, a posição e o volume dos testículos. É ainda uma
oportunidade para abordar prevenção de infecções sexualmente transmissíveis,
uso de preservativo e vacinação contra HPV e hepatite B. A avaliação deve
considerar idade, sintomas, hábitos, vida sexual, histórico familiar e fatores
de risco", explica.
Aos 20 e 30 anos, saúde sexual e fertilidade entram no
radar
Na faixa dos 20 e 30 anos, o acompanhamento pode
incluir questões relacionadas à saúde sexual e reprodutiva.
Planejamento familiar e sintomas urinários também podem ser discutidos. Conforme os fatores de risco, pressão arterial, peso, circunferência abdominal, glicemia e perfil lipídico podem ser avaliados.
A investigação da fertilidade não é necessária para
todos os homens. O espermograma pode ser indicado diante de dificuldade para
engravidar ou quando existem fatores de risco para infertilidade.
"É nessa fase que a investigação da fertilidade
pode ganhar espaço quando existe uma necessidade específica. O espermograma não
é um exame de rotina para todos, mas pode ser indicado quando há dificuldade
para engravidar ou fatores de risco para infertilidade", afirma o
urologista.
Aos 40 anos, prevenção ganha mais espaço
A chegada aos 40 anos pode representar um novo momento
no acompanhamento da saúde masculina.
Segundo Bastos, essa fase permite estruturar melhor a
prevenção. A avaliação pode reunir fatores cardiovasculares e metabólicos com
questões urológicas.
Função sexual, fertilidade, sintomas urinários e risco
individual para doenças da próstata podem entrar na consulta.
Dependendo do histórico, exames como glicemia,
colesterol, função renal e exame de urina podem ser indicados.
Pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade, cálculos
renais ou que utilizam determinados medicamentos de forma contínua podem
precisar de atenção específica.
"Uma primeira avaliação urológica preventiva por
volta dos 40 anos pode ser bastante útil para estabelecer um histórico de
saúde, identificar fatores de risco e planejar o acompanhamento das décadas
seguintes".
Aos 50, prevenção do câncer de próstata ganha destaque
Por volta dos 50 anos, a investigação do câncer de
próstata costuma ganhar mais espaço na consulta.
A decisão sobre o rastreamento deve ser
individualizada e compartilhada entre médico e paciente. A avaliação pode
envolver o PSA (Antígeno Prostático Específico) e exame físico, incluindo o
toque retal quando indicado.
Para homens negros, essa conversa deve começar mais
cedo, habitualmente aos 45 anos, devido ao maior risco para a doença.
Homens que têm pai ou irmão diagnosticado com câncer
de próstata também devem conversar com o médico sobre o rastreamento a partir
dos 45 anos.
O histórico familiar precisa ser analisado com
cuidado. Grau de parentesco, idade ao diagnóstico e ocorrência de outros tipos
de câncer na família podem modificar a avaliação do risco.
"Quando existem vários familiares afetados,
diagnóstico em idade jovem ou casos associados de câncer de mama, ovário,
pâncreas ou próstata agressivo na família, pode haver indicação de iniciar
ainda mais cedo e considerar aconselhamento genético", explica.
Saúde dos rins também merece acompanhamento
A função renal pode ganhar importância com o avanço da
idade.
Dependendo dos fatores de risco, podem ser solicitados
exames como creatinina, estimativa da função renal, exame de urina e
ultrassonografia.
Hipertensão e diabetes exigem atenção especial. Essas
condições podem comprometer a função dos rins de maneira silenciosa.
Por isso, o controle adequado dessas doenças também
faz parte da prevenção de problemas renais.
Quais sintomas precisam ser investigados?
O acompanhamento preventivo não substitui a avaliação
diante de sintomas.
Algumas alterações devem ser investigadas, como:
Sangue visível na urina.
Dificuldade progressiva para urinar.
Jato urinário muito fraco.
Retenção urinária.
Dor lombar intensa.
Infecções urinárias recorrentes.
Perda involuntária de urina.
Nódulos nos testículos.
Nódulos ou alterações no pênis.
A saúde sexual também merece atenção.
"A atenção também vale para a saúde sexual: disfunção erétil persistente, queda importante da libido, infertilidade, sangue recorrente no sêmen, curvatura adquirida do pênis, feridas ou verrugas genitais e dor durante a relação sexual ou ejaculação precisam de atenção."
Acompanhamento deve começar antes dos 40
A consulta com o urologista não deve ser associada
apenas à prevenção do câncer de próstata.
Cada fase da vida apresenta necessidades diferentes.
Identificar alterações cedo pode facilitar a investigação e ampliar as
possibilidades de tratamento.
"A consulta urológica não se resume ao exame da
próstata. Homens com alterações genitais, urinárias, sexuais ou reprodutivas
não devem esperar chegar aos 40 ou 50 anos para procurar um urologista. Quanto
mais cedo a causa é identificada, maiores costumam ser as possibilidades de
tratamento e de preservação da qualidade de vida", conclui.
Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/saude-masculina-os-cuidados-necessarios-em-cada-fase-da-vida,b4f92a68ea8fcfae4cd8f4d06981acc1xn6unxw6.html?utm_source=clipboard
- Foto: Divulgação / Saúde em Dia

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