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domingo, 21 de dezembro de 2025

Automedicação nas festas: perigos de misturar álcool e remédios


Interações entre remédios e bebidas alcoólicas podem resultar em intoxicações graves e riscos à saúde

 

Com a chegada das festas de fim de ano, cresce o consumo de bebidas alcoólicas e, junto com ele, o risco de interações perigosas entre álcool e medicamentos utilizados de forma inadequada. Segundo a Dra. Gisele Lopes Cavalcante, professora do curso de Farmácia da Faculdade Anhanguera Ribeirão Preto, a automedicação nesta época pode causar efeitos inesperados, intoxicações graves e até internações, especialmente quando combinada com o álcool.

 

A especialista explica que muitas pessoas recorrem a analgésicos, anti-inflamatórios, antigripais, anti-histamínicos e até ansiolíticos sem considerar que essas substâncias passam por vias metabólicas semelhantes às do álcool no organismo.

 

"O fígado fica sobrecarregado ao tentar metabolizar o álcool e o medicamento ao mesmo tempo. Isso aumenta o risco de toxicidade, potencializa os efeitos colaterais e pode anular o efeito terapêutico do remédio", afirma a Dra. Gisele Lopes Cavalcante.

 

Perigos da combinação entre álcool e medicamentos

Entre os riscos mais frequentes, Gisele Lopes Cavalcante destaca o aumento da sonolência, queda de pressão, alteração de reflexos e irritação gástrica, especialmente quando antigripais e anti-inflamatórios são usados após consumo de bebida alcoólica.

 

"Medicamentos como ibuprofeno e diclofenaco irritam a mucosa estomacal. Quando combinados ao álcool, elevam significativamente as chances de gastrite, vômitos, sangramentos e dor abdominal intensa", explica.

 

A farmacêutica alerta ainda para o perigo do paracetamol, um dos remédios mais usados durante festas para aliviar dor de cabeça e mal-estar. "Esse medicamento, quando associado ao álcool, tem potencial de causar lesão hepática aguda, podendo levar à insuficiência do fígado. Pessoas que bebem regularmente ou em grande quantidade nas festas devem ter atenção redobrada", reforça.

 

Medicamentos para ansiedade, insônia e alergias também merecem atenção. "Antialérgicos e ansiolíticos possuem efeito sedativo. Misturados ao álcool, podem causar sonolência extrema, dificuldade respiratória e perda de consciência. É uma combinação muito perigosa, especialmente em ambientes de festa, piscina e praia, onde o risco de acidentes é maior", alerta a professora.

 

Quando a automedicação é perigosa?

A automedicação também pode mascarar sintomas importantes, atrasando diagnósticos. Muitas pessoas, por exemplo, tomam remédios para dor, náusea ou febre acreditando que é apenas ressaca, quando, na verdade, podem estar diante de intoxicações alimentares ou infecções que exigem cuidado. 

 

"O problema não é apenas o remédio, mas a falta de orientação. O corpo já está lidando com o álcool; adicionar medicamentos sem necessidade pode agravar um quadro que precisava de avaliação médica", explica a docente.

 

Para reduzir riscos, a professora Gisele Lopes Cavalcante recomenda evitar o uso de medicamentos durante e logo após o consumo de álcool, não misturar diferentes tipos de analgésicos, manter-se hidratado e buscar orientação profissional sempre que houver dúvida. 

 

Ela reforça que nenhuma dor ou mal-estar deve ser tratado com remédios repetidamente sem supervisão. "Nas festas, o corpo está sujeito a excessos. O que parece uma simples dor de cabeça pode se tornar um problema muito maior se houver automedicação inadequada. A prevenção ainda é o melhor caminho", conclui.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/automedicacao-nas-festas-perigos-de-misturar-alcool-e-remedios,f6b9fd2f66692117e8bf1f8cdcaabcedgflodko7.html?utm_source=clipboard - Por Bianca Lodi Rieg - Foto: PawelKacperek | Shutterstock / Portal EdiCase

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

As perigosas interações do álcool com vários tipos de remédio

Não é mito – e o alerta não vai só para quem está tomando antibiótico! A bebida pode causar estragos quando consumida junto a alguns medicamentos

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, o consumo de álcool per capita no Brasil excede a média internacional – tendo chegado a quase 9 litros em 2016, em comparação aos 6,4 do resto do planeta. E quatro dias específicos do calendário brasileiro dão um empurrãozinho para a nossa elevada média etílica: o carnaval.

Durante o feriado, milhares de foliões pelo país estarão bebendo. E, enquanto muitos dos abstêmios podem encontrar no uso de antibióticos a justificativa para recusar uma cerveja gelada, pouco se fala sobre a interação das bebidas alcoólicas com outros tipos de remédio.

Nesse sentido, os dias de folia merecem atenção especial. Justamente por isso, o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo preparou uma material com as principais interações entre medicamentos e a bebida, que SAÚDE adaptou para você:

Álcool + dipirona
O efeito do álcool pode ser potencializado.

Álcool + paracetamol
Maior risco de hepatite medicamentosa.

Álcool + ácido acetilsalicílico
Maior risco de sangramentos no estômago, já que o ácido acetilsalicílico irrita a mucosa estomacal.

Álcool + antibióticos
É possível que leve a vômitos, palpitação, cefaleia, hipotensão, dificuldade respiratória e até morte. Esse tipo de reação seria mais comum com as substâncias metronidazol; trimetoprim-sulfametoxazol, tinidazole e griseofulvin.

Já outros antibióticos – como cetoconazol, nitrofurantoína, eritromicina, rifampicina e isoniazida – tampouco devem ser tomados com cerveja e afins pelo risco de inibição do efeito e potencialização de toxicidade hepática.

Álcool + anti-inflamatórios
Maior risco de úlcera gástrica e sangramentos.

Álcool + antidepressivos
Aumento nas reações adversas e no efeito sedativo, além da diminuição na eficácia do medicamento.

Álcool + calmantes (ansiolíticos)
Aumento no efeito sedativo. Há ainda uma maior probabilidade de coma e insuficiência respiratória. Um exemplo disso é a substância benzodiazepina.

Álcool + inibidores de apetite
Tontura, vertigem, fraqueza, síncope, confusão mental e outros sintomas ligados aos sistema nervoso central se tornam mais comuns.

Álcool + anticonvulsivantes
Maiores efeitos colaterais e risco de intoxicação. Também há uma diminuição na eficácia contra as crises de epilepsia.