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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Apertar os olhos: hábito inofensivo ou alerta para problemas de visão?


Apertar os olhos para enxergar melhor pode ser só um hábito, mas também pode apontar para olho seco, cansaço visual ou erro de refração. Veja como diferenciar as situações.

 

Apertar os olhos melhora o foco temporariamente, mas pode sinalizar problemas como miopia, astigmatismo ou olho seco, além de mero cansaço ou excesso de luz. O alerta surge quando o ato é frequente e associado a dores de cabeça ou visão borrada. O cuidado deve ser redobrado em crianças, pois distúrbios não tratados prejudicam o desenvolvimento visual e o aprendizado. Diante desses sinais, a avaliação oftalmológica periódica é essencial para o diagnóstico e a correção adequados.

 

Apertar os olhos pode melhorar a nitidez da imagem de forma temporária em algumas situações. Isso acontece porque a visão muda a forma como a luz entra no olho. Dessa forma, funciona como um ajuste manual e momentâneo do foco.

 

Segundo a oftalmologista Ilana Lages, do CBV-Hospital de Olhos, o comportamento tem explicações variadas.

 

"Apertar os olhos pode, sim, ser um hábito. Mas, muitas vezes, algumas pessoas fazem isso como forma de melhorar temporariamente a nitidez visual. Pode ser por alterações na lubrificação ocular, que podem causar olho seco, ou por algum erro de refração, que pode necessitar de correção com óculos", explica a médica.

 

Nem sempre o hábito está ligado a uma doença ocular. "Algumas pessoas também apertam os olhos apenas para compensar uma luminosidade excessiva no ambiente ou por cansaço visual", lembra Ilana.

 

Ambientes muito claros e o uso prolongado de telas são gatilhos comuns para esse comportamento. Por isso, nem sempre existe um problema mais grave por trás.

 

Quais problemas de visão causam esse hábito?

Apertar os olhos costuma se relacionar a erros de refração. Isso ocorre quando o gesto não é apenas uma reação à luz ou ao cansaço. Ou seja, a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo entram nessa lista.

 

Na miopia, a imagem se forma antes de chegar à retina. Por isso, fica mais difícil enxergar objetos distantes com nitidez.

 

Já no astigmatismo, a córnea ou o cristalino têm um formato irregular. Isso significa que as imagens podem parecer borradas ou distorcidas em qualquer distância.

 

O olho seco também entra na lista de causas. Além disso, a diminuição da lubrificação natural do olho pode gerar irritação, sensação de areia e visão momentaneamente menos nítida. Assim, a pessoa acaba apertando os olhos como forma de compensação, conforme aponta Ilana.

 

Quando esse comportamento é motivo de atenção?

A frequência com que a pessoa aperta os olhos é um dos principais indicadores. Além disso, o padrão do piscar merece observação constante. "Devemos ficar atentos à frequência e ao padrão do piscar dos olhos", orienta a oftalmologista.

 

Alguns sintomas associados, inclusive, ajudam a diferenciar hábito de alerta. Ilana sugere fazer a si mesmo algumas perguntas.

 

É necessário piscar com mais frequência ou apertar os olhos para enxergar com mais nitidez?

A visão fica borrada quando você não aperta os olhos?

Há sintomas associados, como dores de cabeça ou cansaço visual intenso?

 

Se a resposta for sim para alguma dessas perguntas, a recomendação é buscar uma avaliação especializada.

 

Dor de cabeça frequente, ardência, lacrimejamento e sensação de peso nos olhos também podem acompanhar erros de refração não corrigidos. Esses sinais, quando somados ao hábito de apertar os olhos, reforçam a necessidade de uma consulta.

 

A atenção deve ser redobrada em crianças

Nas crianças, identificar esse comportamento a tempo é ainda mais importante. A visão infantil está em pleno desenvolvimento. Além disso, problemas não corrigidos podem trazer consequências para a aprendizagem e para a vida escolar.

 

"Vale lembrar que, em crianças, é ainda mais importante observar esse comportamento, para que erros de refração sejam descartados e para evitar possíveis prejuízos ao desenvolvimento visual", ressalta Ilana.

 

Além de apertar os olhos, os pais podem, inclusive, observar outros sinais. Entre eles, inclinar a cabeça para enxergar e esfregar os olhos com frequência.

 

Ainda assim, vale observar também a aproximação excessiva de livros e telas. Isso inclui, ainda, a dificuldade para acompanhar o quadro na escola.

 

O que fazer diante da dúvida sobre a visão

O ideal é não tentar diagnosticar o problema por conta própria. Ao mesmo tempo, uma avaliação com oftalmologista ajuda a diferenciar um hábito passageiro de uma alteração visual. Essa alteração pode precisar de correção com óculos, lentes de contato ou outro tratamento indicado pelo especialista.

 

Manter consultas oftalmológicas periódicas, tanto para adultos quanto para crianças, é uma forma simples de prevenção. Dessa forma, é possível identificar erros de refração e outras alterações. Isso significa proteger a qualidade de vida e o desenvolvimento visual infantil antes que surjam prejuízos maiores.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/apertar-os-olhos-habito-inofensivo-ou-alerta-para-problemas-de-visao,c153d362cd77492b55d423b3a932ed81t4cft7zi.html?utm_source=clipboard - Foto: yamasan/Getty Images

quarta-feira, 1 de março de 2017

Vitaminas para enxergar melhor (e evitar catarata, olho seco…)

A vitamina C desponta como protagonista na prevenção à catarata. Mas suas colegas de classe também têm truques para proteger os olhos

Desde a época das grandes navegações até hoje, a vitamina C coleciona feitos. No passado, livrou milhares de marinheiros do fatal escorbuto e, hoje, já se sabe que o micronutriente tem participação especial na produção de colágeno e no fortalecimento da imunidade frente a tumores e infecções – quem nunca pegou uma gripe e ouviu a recomendação “vitamina C e cama”?

Grande parte das vantagens vem do seu poderoso efeito antioxidante. É que o nutriente mais célebre das frutas cítricas combate os radicais livres, aquelas moléculas que, em excesso, danificam as células do corpo. Com uma propriedade dessas, fica fácil entender por que o currículo da substância vive crescendo. Seu último emprego, recém-divulgado por estudiosos do King’s College London, na Inglaterra, é atuar em defesa dos olhos.

O grupo de pesquisa acompanhou 324 pares de gêmeas com idades entre 50 e 83 anos por uma década. Durante esse tempo, a velocidade de progressão da catarata foi medida por meio de fotos do cristalino, a lente natural do olho – na doença, ela fica turva e a visão embaça. Além disso, as voluntárias preencheram um questionário alimentar, no qual constava a ingestão de nutrientes. O cruzamento de dados revelou que, entre as mulheres com maior consumo de ácido ascórbico, o nome oficial da vitamina C, houve redução de 33% no ritmo de evolução da catarata. “Sua ação antioxidante auxiliaria a manter a transparência do cristalino”, traduz o oftalmologista Jae Lee Min, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

A experiência ainda sugere que a ingestão da maioria das vitaminas e dos minerais contribuiu para a catarata nem aparecer. Mas dois nutrientes ganharam o troféu nesse quesito: o manganês, dos vegetais verde-escuros e grãos integrais, e (de novo!) a vitamina C. Sozinha, ela reduziu em 19% a probabilidade de a visão nublar. “Uma alimentação pobre em antioxidantes propicia o envelhecimento geral do corpo e também do cristalino”, raciocina a oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O estudo britânico não é o único a dar motivos para colorir o menu com laranja, mexerica, limão, acerola e companhia. Publicada neste ano, uma revisão de 30 trabalhos científicos também concluiu que a catarata está mesmo na mira da vitamina C. O artigo assinala que seu consumo fez cair em 17% a probabilidade de uma pessoa encarar o problema. “A ingestão do nutriente deve ser indicada para a prevenção primária da doença”, ressaltaram os autores.

Quanto ingerir de vitamina C

Mas, afinal, o que seria um consumo adequado da substância? “Para os homens, recomendamos 90 miligramas ao dia. E, para as mulheres, 75 miligramas”, informa a nutricionista Cristiane Cominetti, do Grupo de Pesquisa em Genômica Nutricional da Universidade Federal de Goiás (UFG). Para ter ideia, uma laranja concentra cerca de 40 miligramas de vitamina C. Já 100 gramas de pimentão amarelo ostentam nada menos que 200 miligramas do micronutriente.

Agora, há uma estratégia para aproveitá-lo ao máximo: tem que priorizar o alimento in natura. Se decidir cozinhar, a saída é utilizar a água do cozimento em outras receitas, como sopas ou carnes. “Vitaminas hidrossolúveis, como a vitamina C, podem se perder no caldo da cocção”, justifica a nutricionista Carla de Morais, pesquisadora da UFG. Quanto aos sucos, ela conta que também tem artimanha: “Beba logo após o preparo porque a vitamina C é sensível a variações de temperatura”.

Outras vitaminas em prol dos olhos

Já faz um tempinho que a ciência reconhece o papel da alimentação, com destaque para as vitaminas, na saúde ocular. Publicado em 2001, o clássico Estudo sobre Doenças do Olho Relacionadas à Idade, conhecido pela sigla em inglês AREDS, foi o primeiro a identificar que uma combinação de antioxidantes era capaz de baixar em 25% o risco do avanço da degeneração macular relacionada à idade, ou DMRI.

Investigadores de várias partes do mundo envolvidos na pesquisa chegaram até a bolar um suplemento em cima disso – ele inclui zinco, cobre, ômega-3 e carotenoides, como luteína e zeaxantina, além das vitaminas C e E. A última, só para dizer, está nos peixes, no ovo e nas oleaginosas.

“Hoje, a fórmula vitamínica do AREDS é recomendada a pessoas com degeneração em graus intermediário ou avançado”, conta o oftalmologista Daniel Lavinsky, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Segundo ele, a suplementação foi a única alternativa para suprir as altas doses de nutrientes necessárias para deter a progressão da doença, que, assim como a catarata, pode levar à cegueira.

Mas, como forma de prevenção, mais uma vez, melhor caprichar no prato. “Uma dieta rica em nutrientes ajuda a limpar os dejetos do metabolismo que causam a morte das células do fundo do olho”, esclarece Lavinsky.

Repor a vitamina D em caso de ausência dessa substância – embora esteja nos peixes e nos lácteos, a principal fonte são os raios solares – também teria efeito benéfico. Um estudo coreano que examinou dados médicos de mais de 17 mil adultos concluiu que baixos índices da vitamina no organismo deixa o sujeito mais predisposto à vermelhidão e à coceira nos olhos características da doença.

Porém, ainda não há consenso em relação à suplementação nesse cenário. “São necessários mais estudos para saber a dose exata a ser prescrita”, relata Min.

Enquanto isso, outra indispensável no cardápio é a vitamina A, encontrada no bife de fígado, no leite, na gema de ovo, na cenoura, na abóbora e no espinafre. Estima-se que cerca de 17,4% das crianças e 12,3% das mulheres nas cinco regiões do Brasil tenham déficit da substância.

A questão é que esse descuido tem pelo menos duas consequências: o olho seco (nesse contexto, a complicação, chamada também de xeroftalmia, é causada pela falta do micronutriente) e a cegueira noturna, caracterizada pela dificuldade de enxergar à noite ou na penumbra. Compreensível: dentro do corpo, a vitamina A ativa a produção da rodopsina, uma proteína dos bastonetes, as células do olho que nos ajudam a diferenciar o claro do escuro e a ter visão periférica.

Não à toa, dietas muito restritivas ou repletas de junk food – que fazem a tal vitamina sumir do organismo – estão associadas ao mal. “Quando a cegueira noturna é detectada, é necessário fazer a reposição do nutriente via suplementação para reverter o quadro. Depois, você assegura os níveis com a alimentação”, ensina a nutricionista Jacqueline Faustino, pesquisadora da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto. Pois é: um menu variado e multicolorido não faz bem só para o paladar, mas também para os olhos. Em todos os sentidos.

Problemas oculares comuns e influenciados pelo cardápio

Catarata: ocorre quando a lente do olho, o cristalino, começa a ficar opaca. A visão se torna embaçada e desbotada. Pode levar à cegueira.

Degeneração macular relacionada à idade: doença degenerativa da retina que provoca uma perda progressiva da visão. O indivíduo enxerga linhas tortas e pontos escuros.

Síndrome do olho seco: provocada por alterações na composição e na produção da lágrima, resulta em secura, vermelhidão, coceira, ardência etc.

Cegueira noturna: o portador tem dificuldade de enxergar à noite ou na penumbra. A deficiência de vitamina A está ligada ao surgimento da condição.

Outros compostos benéficos para a visão

Ômega-3: presente nos peixes gordurosos, como salmão, sardinha e atum, ajuda a lubrificar os olhos e mantém a integridade das células da retina.

Ômega-6: é detectado nos óleos vegetais, nos ovos e em sementes. Tem um papel semelhante ao do ômega-3 no combate e na prevenção à síndrome do olho seco.

Luteína e zeaxantina: da família dos carotenoides, estão na alface, no brócolis, na rúcula, na gema de ovo e no milho. Atuam como antioxidantes na retina e nas lentes oculares.

Zinco: itens ricos no mineral, como carne, frutos do mar, leguminosas, oleaginosas e pescados, auxiliam a vitamina A a fazer melanina, que afasta a cegueira noturna.

Cobre: está nos cereais integrais, nas frutas secas, nas nozes, nas ostras e nos mariscos. Sua função é evitar a morte de células no fundo do olho e a degeneração macular.


Fonte: http://saude.abril.com.br/alimentacao/vitaminas-para-ver-melhor-e-evitar-catarata-olho-seco/ - Por Sílvia Lisboa – foto Crédito: Carlo Giovanni