Predisposição hereditária, mudanças hormonais e condições metabólicas podem influenciar os resultados dos exames
Mesmo com hábitos saudáveis, o colesterol pode se
elevar porque a maior parte dele é produzida pelo fígado e não depende só da
dieta. Fatores genéticos como a hipercolesterolemia familiar, hipotireoidismo,
menopausa, diabetes e certos medicamentos influenciam diretamente essa taxa.
Como o quadro é silencioso e eleva o risco cardiovascular, a dieta nem sempre
basta, tornando indispensáveis o acompanhamento médico regular e a avaliação
individualizada para definir a necessidade de remédios.
Manter uma alimentação equilibrada, evitar frituras,
consumir frutas e verduras e praticar atividades físicas são hábitos
importantes para a saúde cardiovascular. Ainda assim, algumas pessoas se
surpreendem ao receber exames que apontam colesterol elevado, mesmo seguindo
uma rotina considerada saudável.
Isso acontece porque os níveis de colesterol no sangue
não dependem exclusivamente da alimentação. Fatores genéticos, alterações
hormonais, condições metabólicas e até determinados medicamentos podem
influenciar os resultados.
Segundo o cardiologista Dr. Raphael Boesche Guimarães,
a ideia de que o colesterol alto está sempre relacionado a uma alimentação
inadequada é um dos principais equívocos sobre o assunto. "O colesterol é
uma substância essencial para o funcionamento do organismo, utilizada na
produção de hormônios e na formação das membranas celulares. Grande parte dele
é produzida pelo próprio corpo, principalmente pelo fígado. Por isso, mesmo
quem mantém uma alimentação saudável pode apresentar níveis elevados",
explica.
Abaixo, veja alguns fatores que podem interferir nos
níveis de colesterol no organismo.
1. A genética pode influenciar o colesterol
Algumas pessoas apresentam predisposição genética para
produzir ou manter níveis elevados de colesterol no sangue, independentemente
dos hábitos alimentares. Uma das condições mais conhecidas é a
hipercolesterolemia familiar, alteração hereditária que compromete a capacidade
do organismo de remover o colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim, da
circulação.
"Existem pessoas que seguem uma alimentação
equilibrada, praticam exercícios e, ainda assim, apresentam colesterol elevado
desde jovens. Nesses casos, precisamos considerar a influência genética,
especialmente quando há histórico familiar de colesterol alto ou doenças
cardiovasculares precoces", destaca o cardiologista.
2. Alterações na tireoide também podem elevar os
níveis
O funcionamento da tireoide interfere diretamente no
metabolismo das gorduras. Quando a glândula produz menos hormônios do que o
necessário, condição conhecida como hipotireoidismo, o organismo pode apresentar
maior dificuldade para eliminar o colesterol LDL do sangue. Em alguns casos, o
colesterol elevado é identificado antes mesmo de outros sintomas da alteração
hormonal.
"Quando encontramos níveis elevados de
colesterol, especialmente sem uma causa aparente, é importante avaliar se
existem condições associadas, como alterações da tireoide. Tratar a doença de
base pode contribuir para melhorar o perfil lipídico", orienta o Dr.
Raphael Boesche Guimarães.
3. Menopausa pode provocar mudanças no colesterol
As alterações hormonais que acontecem durante a
transição para a menopausa também podem interferir nos níveis de colesterol. A
redução do estrogênio está associada a mudanças no metabolismo das gorduras,
podendo favorecer o aumento do colesterol LDL e alterações na distribuição da
gordura corporal.
Isso significa que mulheres que mantêm os mesmos
hábitos alimentares e a mesma rotina de exercícios podem perceber mudanças nos
exames ao longo dessa fase. "A menopausa representa um período importante
de atenção à saúde cardiovascular feminina. Mesmo sem grandes mudanças no
estilo de vida, podem ocorrer alterações no colesterol e em outros fatores de
risco, o que reforça a importância do acompanhamento médico", afirma o
especialista.
4. Resistência à insulina e diabetes interferem no
metabolismo
Condições metabólicas, como resistência à insulina e
diabetes tipo 2, também podem alterar o perfil de gordura no sangue. Nesses
casos, é comum observar aumento dos triglicerídeos, redução do colesterol HDL,
conhecido como colesterol bom, e mudanças nas características das partículas de
LDL.
"Não basta avaliar apenas a alimentação. O
metabolismo influencia diretamente a forma como o organismo produz, transporta
e elimina as gorduras. Por isso, o colesterol precisa ser analisado em conjunto
com outros indicadores de saúde", explica o cardiologista.
5. Alguns medicamentos podem interferir nos resultados
Determinados medicamentos também podem contribuir para
alterações no colesterol e nos triglicerídeos. Entre eles, estão alguns
corticoides, imunossupressores, retinoides e medicamentos utilizados em
tratamentos específicos.
Isso não significa que esses remédios devam ser
interrompidos, mas que seus possíveis efeitos metabólicos precisam ser
considerados durante o acompanhamento. "Quando o colesterol aumenta sem
uma explicação evidente, também avaliamos os medicamentos utilizados pelo
paciente. Essa análise ajuda a identificar possíveis fatores associados e
definir a melhor conduta, sem comprometer outros tratamentos", ressalta.
Alimentação saudável é suficiente para controlar o
colesterol?
Embora a alimentação tenha papel fundamental na
prevenção cardiovascular, ela nem sempre é suficiente para manter o colesterol
dentro das metas recomendadas. A resposta depende da predisposição genética,
das condições de saúde e, principalmente, do risco cardiovascular individual.
Além disso, nem toda alimentação considerada saudável
tem necessariamente o mesmo efeito sobre o colesterol. A quantidade de gorduras
saturadas, o consumo de fibras e a composição geral da dieta também fazem
diferença.
"Adotar hábitos saudáveis continua sendo
indispensável, mas algumas pessoas precisam de tratamento medicamentoso para
reduzir adequadamente o colesterol. Isso não representa uma falha na
alimentação ou na prática de exercícios, e sim uma necessidade individual de
controle do risco cardiovascular", esclarece o Dr. Raphael Boesche
Guimarães.
Quando o colesterol alto exige tratamento?
O colesterol elevado geralmente não provoca sintomas,
o que torna os exames de sangue importantes para sua identificação. A
necessidade de tratamento, por sua vez, não depende apenas de um resultado
isolado. O médico considera fatores como idade, pressão arterial, diabetes,
tabagismo, histórico familiar e presença de doenças cardiovasculares.
Pessoas com risco cardiovascular elevado podem
precisar de metas de colesterol LDL mais rigorosas, enquanto outras podem ser
inicialmente orientadas a intensificar mudanças no estilo de vida. "O
objetivo não é simplesmente melhorar um número no exame, mas reduzir o risco de
infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações cardiovasculares.
Por isso, a avaliação precisa ser individualizada. Mesmo quem se alimenta bem e
pratica exercícios deve acompanhar seus níveis de colesterol", conclui o
Dr. Raphael Boesche Guimarães.
Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/colesterol-alto-mesmo-com-alimentacao-saudavel-entenda-por-que-isso-acontece,f9ea00729b43695c5a596ea4ebc0f624l3ze370i.html?utm_source=clipboard
- Por Daiane Bombarda - Foto: Alphavector | Shutterstock / Portal EdiCase




