quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Novembro Azul: casos de câncer de próstata cresceu quatro vezes entre homens com menos de 50 anos


Número de mortes pela doença cresceu cerca de 20% em dez anos; especialistas alertam para a importância do acompanhamento médico e do diagnóstico precoce

 

Resumo

No Brasil, as mortes por câncer de próstata cresceram 20% em uma década, vitimando cerca de 18,5 mil homens em 2025. Silenciosa no início, a doença é a mais frequente entre o público masculino, desconsiderando o câncer de pele não melanoma. Com o aumento de casos também entre homens com menos de 50 anos no exterior, o Novembro Azul alerta para a importância da prevenção a partir dos 45 ou 50 anos, combatendo o preconceito para garantir diagnósticos precoces e tratamentos mais eficazes.

O câncer de próstata continua sendo um dos maiores desafios para a saúde masculina no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), aproximadamente 18,5 mil homens morreram em decorrência da doença em 2025, o equivalente a uma média de 50 óbitos por dia. O número representa um crescimento de cerca de 20% em relação a uma década antes, quando foram registradas 15,4 mil mortes.

 

Os dados ganham ainda mais relevância com a chegada do Novembro Azul, campanha dedicada à conscientização sobre a saúde do homem. Afinal, embora seja um dos tipos de câncer mais frequentes na população masculina, a doença costuma evoluir silenciosamente, sem provocar sintomas em seus estágios iniciais.

 

Entre 2017 e setembro de 2026, mais de 160 mil brasileiros morreram em decorrência do câncer de próstata. Além disso, estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para aproximadamente 78 mil novos casos anuais no país entre 2026 e 2028.

 

Por que o câncer de próstata preocupa tanto no Brasil?

O câncer de próstata é o segundo tipo de tumor mais frequente entre os homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Quando os tumores de pele não melanoma são desconsiderados, ocupa a primeira posição.

Um dos principais desafios é que muitos homens procuram atendimento médico somente quando percebem alguma alteração no organismo. No caso do câncer de próstata, porém, esperar pelos sintomas pode significar descobrir a doença em uma fase mais avançada.

Isso acontece porque os tumores frequentemente se desenvolvem na região periférica da próstata, uma glândula localizada abaixo da bexiga e responsável pela produção de parte do líquido que compõe o sêmen.

Como essa região fica afastada da uretra, o crescimento inicial do tumor pode não interferir no funcionamento urinário. Dessa forma, a doença pode permanecer sem manifestações perceptíveis durante bastante tempo. Quando identificada precocemente, entretanto, as possibilidades de tratamento são maiores, e muitos pacientes apresentam excelentes perspectivas de recuperação.

 

Quais são os sintomas do câncer de próstata?

Embora o câncer de próstata geralmente não provoque sinais no início, algumas alterações podem aparecer conforme a doença evolui. Entre os sintomas que merecem atenção, estão: 

 

Dificuldade para começar a urinar;

Necessidade de ir ao banheiro com maior frequência, especialmente durante a noite;

Jato urinário fraco ou interrompido;

Presença de sangue na urina ou no sêmen;

Dores persistentes nos ossos, que podem ocorrer em estágios avançados.

 

É importante destacar que esses sintomas não significam necessariamente a presença de um tumor maligno. Alterações urinárias também podem estar relacionadas à hiperplasia prostática benigna, condição caracterizada pelo aumento não canceroso da próstata, bastante comum com o envelhecimento. Por isso, diante de qualquer mudança persistente, a recomendação é procurar um urologista para investigar a causa.

 

Quem tem maior risco de desenvolver a doença?

Embora qualquer homem possa desenvolver câncer de próstata, alguns fatores aumentam a probabilidade de diagnóstico. A idade é um dos principais. A maioria dos casos ocorre após os 50 anos, e o risco cresce progressivamente com o envelhecimento.

O histórico familiar também merece atenção. Homens que possuem pai ou irmão diagnosticado com a doença apresentam maior probabilidade de desenvolvê-la, especialmente quando o familiar recebeu o diagnóstico ainda jovem.

Outros fatores incluem determinadas alterações genéticas hereditárias, como mutações no gene BRCA2. Além disso, a obesidade está associada a um maior risco de formas agressivas da doença, embora a relação entre excesso de peso e desenvolvimento do câncer de próstata ainda seja estudada.

 

Câncer de próstata também cresce entre homens mais jovens

Apesar de ser mais comum depois dos 50 anos, o câncer de próstata também pode atingir adultos mais jovens. Um levantamento do World Cancer Research Fund (WCRF), realizado na Inglaterra, identificou um crescimento expressivo dos diagnósticos entre homens com menos de 50 anos. Em 2001, foram registrados 158 novos casos nessa faixa etária. Em 2023, o número chegou a 640, mais de quatro vezes o total anterior.

Especialistas investigam se essa tendência está relacionada à ampliação dos exames, à maior conscientização sobre a doença ou a fatores associados ao estilo de vida, como obesidade e alimentação. É importante ressaltar, porém, que esses números se referem à população inglesa e não demonstram que o mesmo aumento tenha ocorrido no Brasil.

Ainda assim, o levantamento reforça a importância de conhecer os fatores de risco e manter os cuidados com a saúde em diferentes fases da vida.

 

Novembro Azul: quando começar a procurar um urologista?

Uma das principais mensagens do Novembro Azul é que os cuidados com a saúde masculina não devem começar apenas quando surgem sintomas. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, homens a partir dos 50 anos devem procurar um urologista para conversar sobre os benefícios e os riscos dos exames de rastreamento do câncer de próstata.

Para aqueles com maior risco, como pessoas com histórico familiar da doença, essa avaliação pode ser antecipada para os 45 anos. Entre os exames utilizados estão o PSA, realizado por meio de uma coleta de sangue, e o toque retal, que permite avaliar possíveis alterações na próstata.

Entretanto, a realização desses procedimentos deve ser discutida individualmente. Isso porque resultados alterados nem sempre indicam câncer e podem levar a investigações ou tratamentos desnecessários. Enquanto a SBU recomenda a avaliação individualizada, o Ministério da Saúde não orienta o rastreamento populacional de rotina em homens sem sintomas. A decisão deve considerar as características e preferências de cada paciente.

 

Quais são os tratamentos disponíveis no Brasil?

O tratamento do câncer de próstata depende de fatores como o estágio da doença, a agressividade do tumor, a idade e as condições gerais de saúde do paciente. Em tumores considerados de baixo risco, uma das possibilidades é a vigilância ativa. Nessa estratégia, o médico acompanha periodicamente a evolução da doença, evitando intervenções imediatas quando elas não são necessárias. Em outros casos, podem ser indicadas cirurgia, radioterapia, tratamentos hormonais ou outras abordagens.

Entre os avanços recentes no país está a incorporação da cirurgia de próstata assistida por robô ao Sistema Único de Saúde (SUS), anunciada em 2026. A técnica utiliza instrumentos robóticos controlados pelo cirurgião, permitindo movimentos precisos durante o procedimento.

Outras alternativas incluem o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU), que utiliza energia para destruir tecidos tumorais, e a crioablação, que emprega temperaturas extremamente baixas para atingir as células cancerosas. Esses procedimentos não são indicados para todos os pacientes, e sua utilização depende de critérios médicos específicos.

 

Como reduzir os riscos e cuidar da saúde da próstata?

Embora não exista uma maneira garantida de impedir o desenvolvimento do câncer de próstata, alguns hábitos contribuem para a saúde geral e podem ajudar a diminuir o risco de diferentes doenças crônicas. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente, evitar o tabagismo e controlar o peso corporal são medidas importantes.

Também é fundamental conhecer o histórico de saúde da família e informar ao médico a existência de parentes diagnosticados com câncer, especialmente de próstata, mama, ovário ou pâncreas, já que algumas dessas doenças podem compartilhar fatores genéticos hereditários.

Mais do que incentivar exames, o Novembro Azul busca combater o preconceito e a resistência que ainda afastam muitos homens dos consultórios médicos. Diante de milhares de mortes registradas anualmente no Brasil, a mensagem é clara: cuidar da saúde não deve ser uma atitude tomada apenas quando algo parece errado. O acompanhamento adequado e a atenção aos fatores de risco podem fazer diferença na identificação e no tratamento de doenças.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/novembro-azul-casos-de-cancer-de-prostata-cresceu-quatro-vezes-entre-homens-com-menos-de-50-anos,5c061429b87685cc42cfbf4a63a1614920kiofvz.html?utm_source=clipboard - Por: Isabella Bisordi / Licenciado de Bons Fluidos - Foto: Reprodução: peakSTOCK/Getty Images Signature / Bons Fluidos

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Apneia do sono pode aumentar risco de AVC; saiba como se prevenir


Dormir mal pode aumentar o risco de AVC. Entenda como a apneia do sono afeta o cérebro e quando procurar ajuda médica.

 

Resumo

Dormir mal pode ter consequências sérias para o cérebro e o corpo. A apneia do sono, por exemplo, aumenta o risco de AVC devido à falta de oxigênio e inflamação nos vasos. Diagnóstico e tratamento adequados, como o uso do CPAP e mudanças no estilo de vida, são essenciais para prevenir complicações.

Dormir bem vai muito além de descansar. Quando a pessoa não consegue dormir direito, o cérebro sofre consequências importantes. Uma delas é o aumento do risco de AVC.

Esse problema fica ainda mais preocupante na apneia do sono. O distúrbio interrompe a respiração várias vezes durante a noite. Assim, o corpo deixa de se recuperar como deveria.

 

O que acontece quando se dorme mal

Durante o sono, o cérebro reorganiza informações e consolida memórias. Também regula hormônios e mantém funções vitais em equilíbrio. Por isso, dormir mal afeta todo o organismo.

Na apneia do sono, essas funções ficam prejudicadas repetidamente. O sono se torna fragmentado e superficial. E o corpo acorda sem a restauração necessária.

A apneia obstrutiva é a forma mais comum do distúrbio. Ela acontece quando a musculatura da língua e da garganta relaxa demais. Isso bloqueia a passagem de ar para os pulmões.

Como resultado, a oxigenação no sangue cai. A pessoa sofre despertares breves, muitas vezes sem perceber. A noite passa, mas o descanso não acontece de verdade.

 

Como a apneia aumenta o risco de AVC

A ligação entre apneia e AVC é direta. Cada pausa respiratória provoca falta de oxigênio no organismo.

 

Isso gera inflamação nos vasos sanguíneos.

Segundo o neurocirurgião Orlando Maia, o endotélio também sofre danos. Essa é a camada interna que reveste e protege os vasos. Quando ela é afetada, o risco de obstrução cresce.

A falta de oxigênio favorece a formação de coágulos. Esses coágulos podem interromper a circulação cerebral. E isso abre caminho para o AVC.

Além disso, o esforço para retomar a respiração pesa no coração. "O esforço constante para retomar a respiração ativa de forma exagerada o sistema nervoso autônomo", explica o médico. Esse efeito altera a pressão arterial e a frequência cardíaca.

O especialista também alerta para o surgimento de arritmias. Entre elas, está a fibrilação atrial. Esse quadro é mais um fator de risco para o AVC.

Estudos mostram números preocupantes sobre o tema. Homens com apneia do sono têm mais que o dobro de risco de AVC. Isso acontece mesmo quando outros fatores já estão controlados.

 

Sono e cérebro em alerta

A relação entre dormir mal e o cérebro é ampla. O problema não se limita ao cansaço do dia seguinte. Ele pode afetar a saúde vascular e neurológica.

O cérebro depende de um sono contínuo para funcionar bem. Quando isso não ocorre, o organismo entra em estado de alerta constante. Esse estado desgasta o sistema cardiovascular.

Além disso, a apneia pode aparecer após o próprio AVC. "O problema também pode ser consequência do próprio AVC", explica Orlando Maia. Até metade dos pacientes pode desenvolver apneia depois do evento.

m um terço dos casos, o quadro se mantém de forma crônica. Isso pode dificultar a reabilitação. E também aumenta a chance de novos episódios.

 

Sinais que merecem atenção

Ronco alto e frequente.

Pausas respiratórias percebidas por outra pessoa.

Sonolência excessiva durante o dia.

Acordar cansado, mesmo após muitas horas na cama.

Dificuldade para se concentrar.

Dor de cabeça ao acordar.

 

Esses sinais não devem ser ignorados. Eles podem indicar que a pessoa não está conseguindo dormir de forma saudável. E isso merece avaliação médica.

 

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da apneia começa com avaliação especializada. O exame mais importante é a polissonografia. Ele analisa parâmetros respiratórios, cardíacos e cerebrais durante a noite.

Esse exame ajuda a medir a gravidade do problema. Também orienta o melhor tratamento para cada caso. Por isso, é um passo fundamental.

Muitas pessoas convivem com o distúrbio sem saber. Elas acham que o ronco é apenas incômodo. Mas o quadro pode esconder um risco maior.

Quando há suspeita, a investigação não deve demorar. Quanto antes o diagnóstico acontecer, melhor. Isso reduz a chance de complicações sérias.

 

O que ajuda a reduzir os riscos

Felizmente, a apneia tem tratamento. Quando ela é controlada, o risco de AVC diminui bastante. Isso reforça a importância de procurar ajuda.

O CPAP é considerado o método mais eficaz. O equipamento envia pressão positiva contínua para manter as vias aéreas abertas. Assim, ele melhora a respiração durante o sono.

Outras medidas também fazem diferença no tratamento. Controle de peso, mudança de posição ao dormir e menos álcool ajudam. Em alguns casos, sedativos também precisam ser reduzidos.

sses cuidados complementam o uso do CPAP. E tornam o tratamento mais eficiente no dia a dia. O segredo está na constância.

 

Checklist de prevenção

Observar sinais de ronco e pausas respiratórias.

Procurar avaliação médica se houver sonolência excessiva.

Fazer a polissonografia quando indicada.

Seguir corretamente o uso do CPAP.

Reduzir álcool e sedativos.

Cuidar do peso corporal.

Ajustar a posição ao dormir.

 

Dormir bem é prevenção!

Dormir bem não é luxo. É uma necessidade para o cérebro e para o corpo. No contexto do AVC, isso faz ainda mais sentido.

A apneia mostra como noites ruins podem afetar a saúde de forma silenciosa. O distúrbio desgasta vasos, coração e cérebro. E tudo isso pode começar apenas com um ronco ignorado.

"O que acontece à noite interfere diretamente na saúde do dia seguinte", resume a lógica do problema. Por isso, cuidar do sono é uma forma concreta de prevenção. E essa prevenção pode salvar vidas.

Reconhecer os sinais é o primeiro passo. Depois, vem a avaliação médica e o tratamento adequado. Assim, dormir bem deixa de ser desejo e vira proteção.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/apneia-do-sono-pode-aumentar-risco-de-avc-saiba-como-se-prevenir,1d502ba0334c3cde4e6a5e93157efc43bkx8x8ak.html?utm_source=clipboard - Foto: Reprodução/Shutterstock

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Cinco exercícios de Pilates para melhorar postura e mobilidade


Fisioterapeuta e especialista em Pilates, Mariana Dias explica como movimentos que trabalham força, mobilidade e respiração podem contribuir para uma rotina com mais consciência corporal

 

Resumo

Para combater a rigidez causada pelo sedentarismo e pelo uso de telas, o Pilates surge como alternativa eficaz para aprimorar a postura, a mobilidade e a força funcional. A prática se apoia em cinco pilares principais: mobilização da coluna, extensão do tronco, mobilidade de quadril, ativação do core e controle da respiração. Essencialmente adaptável aos limites individuais, o método prioriza a consciência corporal e o controle dos movimentos, enfatizando que os exercícios jamais devem causar dor.

Passar horas sentado, trabalhar diante do computador ou ficar muito tempo no celular pode aumentar a sensação de tensão e rigidez corporal. Para lidar com esses desconfortos, movimentar o corpo ao longo do dia é uma estratégia importante. O Pilates é uma das práticas que podem ajudar nesse processo, combinando força, mobilidade, controle dos movimentos e respiração.

 

Segundo a fisioterapeuta e especialista em Pilates Mariana Dias, proprietária de uma unidade do Instituto VOLL em Campinas, a prática trabalha diferentes capacidades físicas de forma integrada. A proposta é desenvolver não apenas a execução dos movimentos, mas também a percepção de como o corpo se movimenta.

 

"Uma pessoa forte e móvel é uma pessoa funcional, e isso tem relação direta com qualidade de vida. O objetivo não é apenas conseguir executar um movimento, mas entender como o corpo se movimenta e desenvolver cada vez mais controle sobre ele", explica a especialista.

 

A seguir, confira cinco tipos de exercícios de Pilates que podem contribuir para a mobilidade e a postura no dia a dia.

 

1. Mobilização da coluna

Os movimentos de flexão e extensão da coluna ajudam a trabalhar a mobilidade vertebral e a percepção dos diferentes segmentos do corpo. Essa consciência é importante para reconhecer como a coluna se movimenta e desenvolver maior controle durante os exercícios.

A execução deve ser lenta e controlada, respeitando os limites individuais. Não é necessário forçar a amplitude para tentar alcançar um resultado melhor.

 

2. Alongamento e extensão do tronco

Exercícios de alongamento e extensão do tronco trabalham a mobilidade da coluna e dos ombros. Eles também podem ajudar a reduzir a sensação de rigidez associada a longos períodos na mesma posição.

Esses movimentos podem ser especialmente relevantes para quem passa boa parte do dia sentado ou trabalhando diante de telas. O importante é realizar os exercícios com controle e sem forçar o corpo além de seus limites.

 

3. Mobilidade de quadril

O quadril participa de diversas atividades cotidianas, como caminhar, agachar e levantar de uma cadeira. Por isso, trabalhar sua mobilidade pode contribuir para movimentos mais eficientes e ajudar a evitar compensações durante essas ações.

No Pilates, os exercícios para essa região são adaptados às necessidades de cada pessoa. A amplitude e a intensidade devem respeitar a mobilidade individual, sem provocar dor.

 

4. Ativação do centro do corpo

O core é o conjunto de músculos que contribuem para a estabilização do tronco. No Pilates, exercícios voltados para essa região ajudam a desenvolver força, controle e estabilidade corporal.

Esse trabalho pode contribuir para a execução de diferentes movimentos do cotidiano, já que o tronco participa da sustentação e do controle do corpo durante várias atividades.

A prática deve considerar o condicionamento e as necessidades de cada pessoa, com adaptações quando necessário.

 

5. Exercícios associados à respiração

A respiração é parte importante da prática de Pilates. Prestar atenção ao ritmo respiratório durante os movimentos pode favorecer a concentração, o controle da execução e a consciência corporal.

Em vez de realizar os exercícios de forma automática, a proposta é coordenar a respiração com os movimentos e perceber como o corpo responde durante a prática.

Essa atenção também ajuda a respeitar o próprio ritmo, evitando movimentos apressados ou feitos com esforço excessivo.

 

Pilates: os exercícios não devem provocar dor

Embora o Pilates possa contribuir para trabalhar a mobilidade e a consciência corporal, os exercícios precisam ser adaptados às condições de cada pessoa. Não existe uma única forma de executar todos os movimentos, já que cada corpo apresenta necessidades e limitações diferentes.

"Não existe um movimento que precise ser igual para todo mundo. O Pilates permite inúmeras variações e adaptações, justamente porque cada corpo tem uma necessidade e uma história diferente", afirma Mariana.

A especialista também alerta que a dor não deve ser interpretada automaticamente como sinal de que o exercício está funcionando. Se houver desconforto, é importante interromper ou adaptar o movimento com orientação profissional.

Em casos de dores persistentes ou limitações de movimento, a recomendação é buscar avaliação de um profissional habilitado antes de insistir nos exercícios.

Mais do que praticar movimentos isolados, o Pilates propõe desenvolver uma relação mais consciente com o próprio corpo. Com orientação adequada e exercícios adaptados às necessidades individuais, a prática pode integrar uma rotina voltada à mobilidade, ao controle corporal e à qualidade de vida.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/cinco-exercicios-de-pilates-para-melhorar-postura-e-mobilidade,5b8a03af73162ced2e4f66c707b3ec55o6w0rmvk.html?utm_source=clipboard - Por: Marcus Almeida / Licenciado de Sport Life - Foto: Shutterstock / Sport Life

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Coceira nos olhos? Entenda os riscos graves de esfregar a visão e como aliviar


Prática vista como inofensiva pode provocar lesões graves na córnea, acelerar doenças como o ceratocone e favorecer infecções sérias

 

Resumo

Coçar os olhos pode parecer inofensivo, mas traz sérios riscos à visão, como lesões na córnea, infecções bacterianas e o desenvolvimento ou agravamento do ceratocone, doença que deforma a estrutura ocular. O hábito também pode romper vasos sanguíneos e acelerar a flacidez palpebral. Para aliviar a coceira de forma segura, recomenda-se aplicar compressas frias e usar colírios lubrificantes indicados por um oftalmologista, investigando causas como alergias, olho seco ou fadiga visual.

Um gesto quase automático praticado por milhares de pessoas durante crises alérgicas ou episódios de cansaço extremo pode trazer graves consequências para a visão. O médico oftalmologista Vinícius Tadashi, integrante do quadro de especialistas do Instituto Curitiba de Saúde (ICS), alerta que o hábito constante de coçar os olhos favorece o surgimento de infecções, quadros inflamatórios e alterações definitivas na estrutura da córnea. Segundo o profissional, a prática é vista equivocadamente como um ato banal, mas carrega o potencial de agravamento de enfermidades preexistentes no aparelho visual. "Coçar os olhos muitas vezes é tido como algo inofensivo ou simplesmente acaba passando despercebido diante da correria do dia a dia. Porém, esse simples ato pode trazer prejuízos para a saúde ocular."

 

Os riscos mecânicos e infecciosos para a saúde dos olhos

A principal complicação relacionada ao atrito manual frequente envolve a contaminação microbiológica e o dano mecânico às estruturas oculares. As mãos humanas acumulam bactérias, vírus e fungos em superfícies diversas e, ao entrar em contato com a mucosa ocular, transportam esses microrganismos diretamente para uma área vulnerável. Além do risco biológico de infecções, a fricção física desestabiliza o filme lacrimal e promove o estresse mecânico da córnea. Em pacientes predispostos, o atrito contínuo contribui para o desenvolvimento do ceratocone, uma patologia degenerativa caracterizada pelo afinamento e pela deformação progressiva da superfície corneana, gerando perda permanente da nitidez visual.

 

Origens da irritação e estratégias seguras de alívio

A origem do prurido ocular ultrapassa o campo estritamente oftalmológico, relacionando-se frequentemente a gatilhos ambientais e sistêmicos. Condições clínicas como a rinite alérgica, a asma, a dermatite atópica, a síndrome de Down e a fadiga estresse visual atuam como fatores desencadeadores da coceira. No âmbito ocular direto, o sintoma associa-se à conjuntivite alérgica, síndrome do olho seco, blefarite e ao uso inadequado de lentes de contato sem a devida higienização. Em situações nas quais a irritação persiste, especialistas orientam recorrer a métodos paliativos seguros até a consulta profissional.

 

Para mitigar o incômodo sem aplicar força sobre as pálpebras, recomenda-se a aplicação de compressas frias sobre a região, o uso de colírios lubrificantes com orientação médica prévia e a higienização rigorosa dos anexos oculares e das lentes de contato. Quando a manifestação da coceira é frequente, de alta intensidade ou acompanhada por sinais como vermelhidão, dor, secreção purulenta ou alteração no campo de visão, a busca por diagnóstico especializado torna-se indispensável. "O mais importante é manter o acompanhamento com seu médico oftalmologista, buscando uma avaliação mais individualizada e um tratamento e seguimento mais personalizados", destaca Vinícius Tadashi.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/coceira-nos-olhos-entenda-os-riscos-graves-de-esfregar-a-visao-e-como-aliviar,77a8c26b772bb0dd725a68b1cc52e168p0jeiobl.html?utm_source=clipboard - Foto: Canva / Perfil Brasil

domingo, 1 de novembro de 2026

Você está preparado para envelhecer? Veja o que fazer para chegar bem à terceira idade


Geriatra explica quais hábitos ajudam a preservar a autonomia, por que a segurança financeira não é suficiente e como começar a se preparar

 

Você já parou para pensar em como deseja chegar à velhice? Mais do que cuidar da saúde e guardar dinheiro para a aposentadoria, preparar-se para envelhecer exige atenção à saúde mental, às relações sociais e à capacidade de manter a autonomia ao longo da vida. E, segundo especialistas, nunca é tarde para começar.

 

Do ponto de vista biológico, não existe uma idade exata em que o corpo passa a ser considerado velho. Embora a legislação brasileira classifique como idosa a pessoa a partir dos 60 anos, o envelhecimento do organismo é um processo gradual, que começa muito antes dessa fase.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o acúmulo de danos nas células e nos tecidos ao longo dos anos provoca mudanças nas capacidades físicas e mentais. Essas transformações, porém, não acontecem no mesmo ritmo para todos. Por isso, duas pessoas da mesma idade podem apresentar condições de saúde e níveis de autonomia bastante diferentes.

 

Quem não ligou a mínima para que a OMS fala é a empresária Regina Moreira, 63, que mora em Campinas (SP). As caminhadas na Lagoa do Taquaral, principal cartão postal da cidade, e a tentativa de manter os músculos em forma em uma academia somam-se a outros esforços, como a alimentação mais adequada para a idade dela. Mas bem que tem um pouco de ajuda da vida moderna --no caso, a tinta de cabelo. É a única "artificialidade" que ela cita.

 

"Não vem com essa de coisa artificial aqui não. Só a tinta, mas nem é porque tenho vergonha do cabelo branco. Achei que não combinou, só", brincou ao falar com o Terra. Essa "preocupação" tem um significado. "Hoje todas as mulheres sempre querem fazer procedimentos, querem corrigir os efeitos da idade com plástica, botox, sei lá o que mais. Mas eu não penso assim. Estou cuidado da 'base' do meu corpo", disse.

 

"Eu não tenho medo de envelhecer, não! Eu tenho uma vida que me deixa extremamente confortável para que eu possa buscar o que meu corpo precisa para o momento. Envelhecer é parte do processo da vida", acrescenta. Ela tem dois filhos que vivem fora do Estado, mas "não se mete na vida deles".

 

Segundo o médico geriatra Marco Polo Dias Freitas, chefe do Serviço de Geriatria do Hospital Universitário de Brasília, da Universidade de Brasília (HUB-UnB), essa preparação deve começar muito antes dos 60 anos. Mas quem chega à terceira idade sem ter adotado hábitos saudáveis ainda pode fazer mudanças para melhorar a qualidade de vida.

 

"Envelhecer bem não significa apenas viver mais anos ou permanecer livre de doenças. Significa preservar, tanto quanto possível, a autonomia, a capacidade de fazer escolhas e a possibilidade de continuar aprendendo, contribuindo e construindo relações significativas", afirma o especialista ao Terra.

 

O que fazer aos 30, 40 ou 50 anos?

De acordo com Freitas, os hábitos adotados ao longo da vida contribuem para formar uma espécie de "capital de saúde", que reúne condições físicas, cognitivas e emocionais importantes para enfrentar as mudanças do envelhecimento.

 

O geriatra recomenda uma combinação de cuidados:

 

Atividade física: praticar exercícios aeróbicos, de fortalecimento muscular e de equilíbrio;

Alimentação: priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e manter hidratação adequada às necessidades individuais;

Saúde: dormir adequadamente, não fumar, evitar o consumo nocivo de álcool e controlar doenças como hipertensão e diabetes;

Medicamentos: evitar a automedicação e o uso de suplementos sem indicação individualizada;

Vida social: cultivar amizades, fortalecer os vínculos familiares e participar de atividades comunitárias;

Saúde mental: aprender coisas novas, manter interesses pessoais e desenvolver maneiras de lidar com o estresse.

Essas medidas, segundo o especialista, não garantem uma velhice livre de doenças ou limitações, mas podem aumentar as chances de preservar a autonomia e a qualidade de vida.

 

Passou dos 60 anos? Ainda há tempo para mudar

Quem chegou aos 60 ou 70 anos sem se preocupar com o envelhecimento ainda pode mudar os próprios hábitos.

 

"Nunca é tarde para adotar hábitos mais saudáveis, fortalecer vínculos sociais e encontrar novos interesses e propósitos", afirma Freitas.

 

Ele explica que, embora algumas consequências de doenças e do envelhecimento não possam ser completamente revertidas, mudanças nessa fase podem trazer benefícios para a saúde física, a capacidade de realizar atividades cotidianas e o bem-estar emocional.

 

Um dos cuidados apontados pelo médico é evitar o isolamento social. Ele cita o Harvard Study of Adult Development, pesquisa que acompanha participantes há mais de oito décadas e destaca a importância das relações interpessoais para a saúde e o bem-estar.

 

O geriatra também chama a atenção para a definição de envelhecimento saudável da Organização Mundial da Saúde (OMS). O conceito considera a capacidade de realizar atividades importantes, tomar decisões, manter relações e participar da sociedade, mesmo quando existem doenças ou limitações.

 

Para Freitas, a qualidade do envelhecimento não depende apenas das escolhas individuais. Condições econômicas, acesso aos serviços de saúde e o ambiente em que a pessoa vive também influenciam a capacidade de manter a autonomia.

 

"Não devemos encarar os 60 ou 70 anos como um prazo vencido para cuidar da saúde ou transformar a própria vida. Sempre há possibilidades de adaptação, aprendizado e crescimento", conclui.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/voce-esta-preparado-para-envelhecer-veja-o-que-fazer-para-chegar-bem-a-terceira-idade,95d545d4a47d6a5a27194dcc0a51f82br35rmrt2.html?utm_source=clipboard - Por: Felipe de Souza - Foto: Reprodução / SHVETS Production via Pexels