Combinar atividades aeróbicas, de força, equilíbrio e mobilidade ajuda a manter a independência com a idade, explica médico do esporte. Veja as recomendações da OMS.
Manter o corpo ativo na velhice é vital para preservar
a saúde e a autonomia nas tarefas diárias. Para conter perdas musculares,
cardiorrespiratórias e articulares, especialistas e a OMS recomendam combinar
quatro tipos de treinos: aeróbicos, de fortalecimento, de equilíbrio e de
mobilidade. Essa integração previne doenças, evita quedas, melhora o fôlego e
garante que o idoso realize atividades rotineiras com segurança, sendo sempre
indicada a orientação profissional para adaptar a rotina.
Os exercícios certos ajudam a chegar à velhice com
saúde e independência. O corpo muda ao longo da vida, e manter-se ativo é uma
das principais estratégias para lidar com essas mudanças.
Segundo Carlos Ulloa, médico do esporte, membro do
Conselho para Assuntos de Nutrição da Herbalife, há uma tendência de redução da
massa e da força muscular. O equilíbrio, a mobilidade e a capacidade
cardiorrespiratória também sofrem alterações.
Por isso, um programa diversificado minimiza essas
perdas. Ele também preserva a capacidade de caminhar, subir escadas, carregar
compras, levantar-se de uma cadeira ou recuperar o equilíbrio após um tropeço.
O ideal é combinar modalidades que trabalhem
capacidades físicas diferentes. Confira as quatro principais.
Exercícios aeróbicos para ter fôlego
Caminhar, pedalar, nadar ou dançar aumentam a
frequência cardíaca e respiratória. Com isso, coração, pulmões e sistema
circulatório ficam mais eficientes em levar oxigênio aos músculos.
Esses exercícios ajudam a prevenir e controlar fatores
associados a doenças cardiovasculares e metabólicas. Um bom condicionamento
também reduz o cansaço em tarefas como fazer compras ou subir escadas.
Boas opções
caminhada em ritmo acelerado;
bicicleta e bicicleta ergométrica;
natação e hidroginástica;
dança e corrida;
escada e elíptico.
A OMS recomenda de 150 a 300 minutos de atividade
aeróbica moderada por semana. Outra opção é fazer de 75 a 150 minutos de
atividade vigorosa. Também é possível combinar as duas intensidades.
Exercícios de força para manter a independência
Com a idade, o corpo perde massa muscular e força de
forma progressiva. Esse quadro é chamado de sarcopenia. As articulações também
se deterioram, e isso pode comprometer tarefas simples e a autonomia.
"Os exercícios de força não servem apenas para
aumentar músculos ou melhorar a aparência", reforça Ulloa. Segundo ele,
eles preservam a capacidade de levantar-se da cama ou de uma cadeira, subir
degraus, carregar sacolas e agachar para pegar algo no chão.
O fortalecimento também contribui para a saúde óssea e
para a capacidade funcional.
Boas opções
musculação;
exercícios com faixas elásticas;
pilates;
calistenia, como agachamentos adaptados e flexões na
parede;
treinamento funcional.
A OMS indica atividades de fortalecimento de
intensidade moderada ou maior. Elas devem envolver os principais grupos
musculares em pelo menos dois dias por semana.
Exercícios de equilíbrio para evitar quedas
O equilíbrio ganha importância com o passar dos anos.
Ele depende da integração entre músculos, visão, sistema vestibular e sistema
nervoso. Essa integração controla o corpo e permite reagir rápido a mudanças no
ambiente.
Na prática, o equilíbrio entra em ação quando alguém
pisa em uma superfície irregular ou desvia de um obstáculo. Ele também age
quando a pessoa recupera a estabilidade depois de um tropeço.
Boas opções
tai chi chuan e ioga;
exercícios funcionais;
caminhar em diferentes direções;
ficar apoiado em um pé só;
movimentos com mudança de direção, transferência do
peso e coordenação.
Esses exercícios podem usar acessórios que criam
instabilidade. Ulloa cita bosu, discos e almofadas de equilíbrio, balance
board, bolas suíças e step. O médico destaca que a dificuldade deve se adaptar
à capacidade de cada pessoa, com progressão gradual.
A OMS recomenda praticar três ou mais dias por semana
atividades multicomponentes. Elas devem enfatizar o equilíbrio funcional e o
treinamento de força.
Alongamento e mobilidade para ter liberdade de
movimento
Esses exercícios mantêm a amplitude dos movimentos e
facilitam as tarefas diárias. O efeito é maior quando fazem parte de uma rotina
com força, equilíbrio e atividades aeróbicas.
Vale entender a diferença. A flexibilidade é a
capacidade de músculos e outros tecidos se alongarem. A mobilidade é a
capacidade de uma articulação se movimentar bem e com controle.
Boas opções
sessões de alongamento;
ioga e pilates;
exercícios de mobilidade articular;
movimentos dinâmicos que trabalhem diferentes
amplitudes.
Segundo Ulloa, as diretrizes atuais da OMS não definem
uma quantidade semanal de alongamentos para pessoas idosas. Mesmo assim, ele
recomenda incluir mobilidade e alongamento antes de qualquer treino ou
modalidade.
Como combinar os exercícios na rotina
Não é preciso escolher apenas um tipo. Algumas
modalidades trabalham mais de uma capacidade ao mesmo tempo. Uma aula de dança,
por exemplo, oferece estímulo aeróbico, coordenação e equilíbrio. Já certos
exercícios funcionais combinam força, mobilidade e equilíbrio.
Resumo das metas semanais da OMS
Aeróbicos: 150 a 300 minutos de intensidade moderada,
ou 75 a 150 minutos de intensidade vigorosa.
Força: pelo menos dois dias por semana.
Equilíbrio com força: três ou mais dias por semana.
Alongamento e mobilidade: sem meta definida, mas
indicados antes dos treinos.
Exercícios para viver com autonomia
Os exercícios não servem só para ganhar
condicionamento. Eles protegem a vida prática: levantar, caminhar, carregar e
se mover com segurança. "O objetivo é chegar às idades mais avançadas
mantendo a capacidade de fazer aquilo que faz parte da própria vida",
finaliza Ulloa.
Antes de começar, procure orientação profissional para
adaptar a rotina às suas condições de saúde.
Fonte:
https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/exercicios-para-uma-velhice-ativa-saude-e-independencia,3803c03984f9bf134697b39a6e5c4b38321zoxn1.html?utm_source=clipboard
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