Apertar os olhos para enxergar melhor pode ser só um hábito, mas também pode apontar para olho seco, cansaço visual ou erro de refração. Veja como diferenciar as situações.
Apertar os olhos melhora o foco temporariamente, mas
pode sinalizar problemas como miopia, astigmatismo ou olho seco, além de mero
cansaço ou excesso de luz. O alerta surge quando o ato é frequente e associado
a dores de cabeça ou visão borrada. O cuidado deve ser redobrado em crianças,
pois distúrbios não tratados prejudicam o desenvolvimento visual e o
aprendizado. Diante desses sinais, a avaliação oftalmológica periódica é
essencial para o diagnóstico e a correção adequados.
Apertar os olhos pode melhorar a nitidez da imagem de
forma temporária em algumas situações. Isso acontece porque a visão muda a
forma como a luz entra no olho. Dessa forma, funciona como um ajuste manual e
momentâneo do foco.
Segundo a oftalmologista Ilana Lages, do CBV-Hospital
de Olhos, o comportamento tem explicações variadas.
"Apertar os olhos pode, sim, ser um hábito. Mas,
muitas vezes, algumas pessoas fazem isso como forma de melhorar temporariamente
a nitidez visual. Pode ser por alterações na lubrificação ocular, que podem
causar olho seco, ou por algum erro de refração, que pode necessitar de
correção com óculos", explica a médica.
Nem sempre o hábito está ligado a uma doença ocular.
"Algumas pessoas também apertam os olhos apenas para compensar uma
luminosidade excessiva no ambiente ou por cansaço visual", lembra Ilana.
Ambientes muito claros e o uso prolongado de telas são
gatilhos comuns para esse comportamento. Por isso, nem sempre existe um
problema mais grave por trás.
Quais problemas de visão causam esse hábito?
Apertar os olhos costuma se relacionar a erros de
refração. Isso ocorre quando o gesto não é apenas uma reação à luz ou ao
cansaço. Ou seja, a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo entram nessa
lista.
Na miopia, a imagem se forma antes de chegar à retina.
Por isso, fica mais difícil enxergar objetos distantes com nitidez.
Já no astigmatismo, a córnea ou o cristalino têm um
formato irregular. Isso significa que as imagens podem parecer borradas ou
distorcidas em qualquer distância.
O olho seco também entra na lista de causas. Além
disso, a diminuição da lubrificação natural do olho pode gerar irritação,
sensação de areia e visão momentaneamente menos nítida. Assim, a pessoa acaba
apertando os olhos como forma de compensação, conforme aponta Ilana.
Quando esse comportamento é motivo de atenção?
A frequência com que a pessoa aperta os olhos é um dos
principais indicadores. Além disso, o padrão do piscar merece observação
constante. "Devemos ficar atentos à frequência e ao padrão do piscar dos
olhos", orienta a oftalmologista.
Alguns sintomas associados, inclusive, ajudam a diferenciar
hábito de alerta. Ilana sugere fazer a si mesmo algumas perguntas.
É necessário piscar com mais frequência ou apertar os
olhos para enxergar com mais nitidez?
A visão fica borrada quando você não aperta os olhos?
Há sintomas associados, como dores de cabeça ou
cansaço visual intenso?
Se a resposta for sim para alguma dessas perguntas, a
recomendação é buscar uma avaliação especializada.
Dor de cabeça frequente, ardência, lacrimejamento e
sensação de peso nos olhos também podem acompanhar erros de refração não
corrigidos. Esses sinais, quando somados ao hábito de apertar os olhos,
reforçam a necessidade de uma consulta.
A atenção deve ser redobrada em crianças
Nas crianças, identificar esse comportamento a tempo é
ainda mais importante. A visão infantil está em pleno desenvolvimento. Além
disso, problemas não corrigidos podem trazer consequências para a aprendizagem
e para a vida escolar.
"Vale lembrar que, em crianças, é ainda mais
importante observar esse comportamento, para que erros de refração sejam
descartados e para evitar possíveis prejuízos ao desenvolvimento visual",
ressalta Ilana.
Além de apertar os olhos, os pais podem, inclusive,
observar outros sinais. Entre eles, inclinar a cabeça para enxergar e esfregar
os olhos com frequência.
Ainda assim, vale observar também a aproximação
excessiva de livros e telas. Isso inclui, ainda, a dificuldade para acompanhar
o quadro na escola.
O que fazer diante da dúvida sobre a visão
O ideal é não tentar diagnosticar o problema por conta
própria. Ao mesmo tempo, uma avaliação com oftalmologista ajuda a diferenciar
um hábito passageiro de uma alteração visual. Essa alteração pode precisar de
correção com óculos, lentes de contato ou outro tratamento indicado pelo
especialista.
Manter consultas oftalmológicas periódicas, tanto para
adultos quanto para crianças, é uma forma simples de prevenção. Dessa forma, é
possível identificar erros de refração e outras alterações. Isso significa proteger
a qualidade de vida e o desenvolvimento visual infantil antes que surjam
prejuízos maiores.
Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/apertar-os-olhos-habito-inofensivo-ou-alerta-para-problemas-de-visao,c153d362cd77492b55d423b3a932ed81t4cft7zi.html?utm_source=clipboard
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