O AVC é uma emergência médica que exige reconhecimento rápido dos sinais. Muitas pessoas confundem informações ou acreditam em mitos sobre avisos que surgem horas antes do ataque. Compreender a verdade pode evitar atrasos no socorro e salvar vidas.
O AVC decorre de doenças vasculares crônicas, mas
gatilhos agudos, como picos de pressão, infecções e arritmias, podem
precipitá-lo em pessoas vulneráveis. Sinais temporários, como fraqueza
unilateral, assimetria facial ou fala alterada, indicam um Ataque Isquêmico
Transitório (AIT), que eleva muito o risco de um evento definitivo a curto
prazo. Mesmo que esses sintomas desapareçam rapidamente, o atendimento médico
imediato é essencial para evitar sequelas graves por meio do tratamento
precoce.
Embora o AVC (Acidente Vascular Cerebral) seja
conhecido por surgir de forma repentina, o evento costuma estar associado a um
processo de alteração vascular que se desenvolve silenciosamente no organismo
ao longo do tempo.
No entanto, em pessoas que já possuem vulnerabilidade,
certas situações ocorridas poucas horas antes do episódio podem funcionar como
fatores precipitantes.
Segundo o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, é
essencial diferenciar esses gatilhos da condição de base do paciente. "É
importante fazer uma distinction: na maioria dos casos, o AVC é resultado de
uma doença vascular que vem se desenvolvendo ao longo de anos, e não de um
único acontecimento ocorrido algumas horas antes", explica o especialista.
O que pode desencadear um AVC horas antes?
As doenças cardiovasculares crônicas são a base para o
surgimento do problema. Fatores como hipertensão arterial, aterosclerose,
diabetes, tabagismo, colesterol elevado e arritmias cardíacas (como a
fibrilação atrial) constroem o cenário ideal para o evento vascular.
Sobre essa condição preexistente, eventos agudos de
saúde podem atuar como gatilhos nas horas que antecedem o quadro.
De acordo com o Dr. Victor Hugo Espíndola, entre as
situações que podem contribuir para o desencadeamento do AVC estão:
Picos acentuados de pressão arterial;
Arritmias cardíacas súbitas;
Infecções agudas;
Uso de substâncias estimulantes (como cocaína e
anfetaminas);
Quadros de desidratação severa ou alterações
hemodinâmicas em indivíduos vulneráveis.
O especialista ressalta que o impacto desses fatores
varia conforme o tipo da complicação. No AVC hemorrágico, uma alta repentina e
severa da pressão arterial costuma ter grande impacto.
Já no tipo isquêmico, o quadro geralmente decorre do
bloqueio súbito de uma artéria provocado pela formação ou deslocamento de um
coágulo.
Sinais de alerta podem surgir antes do quadro
definitivo
Apesar de o sintoma definitivo se manifestar de
repente, alguns sinais de alerta neurológicos podem dar as caras momentos antes
do problema grave se instalar. Trata-se do Ataque Isquêmico Transitório (AIT).
"Algumas pessoas apresentam episódios
neurológicos transitórios antes de um AVC definitivo. O principal exemplo é o
ataque isquêmico transitório, o AIT", aponta o neurocirurgião.
No AIT, os sintomas imitam os de um AVC, mas duram
apenas alguns minutos antes de desaparecerem por completo. Essa melhora
temporária ocorre porque a interrupção da circulação sanguínea no cérebro é
passageira.
Sintomas do Ataque Isquêmico Transitório (AIT)
Fique atento aos sintomas mais comuns que exigem
atenção médica imediata:
Fraqueza ou dormência repentina em um lado do corpo;
Assimetria ou "boca torta" na face;
Dificuldade repentina para falar ou compreender a
fala;
Perda ou alteração súbita da visão;
Perda de equilíbrio, tontura ou vertigem abrupta.
O desaparecimento dos sintomas não significa que o
risco passou. Dados da American Heart Association revelam que o risco de
ocorrência de um AVC definitivo nos 90 dias posteriores a um AIT pode chegar a
cerca de 18%, sendo que uma parcela expressiva desses quadros ocorre nas
primeiras 48 horas.
"Por isso, um déficit neurológico súbito que
desapareceu deve ser valorizado tanto quanto aquele que permanece",
adverte Espíndola.
Qual a diferença entre AIT e AVC isquêmico?
A diferenciação precisa entre um Ataque Isquêmico
Transitório e o AVC isquêmico é feita por meio de exames de imagem no
pronto-socorro.
De acordo com o médico, a definição médica atual não
analisa apenas o tempo de duração das manifestações clínicas. "Quando os
sintomas desaparecem e não existe evidência de infarto cerebral nos exames
apropriados, podemos estar diante de um AIT; se a ressonância demonstra uma
área de infarto, mesmo que o paciente já esteja assintomático, o quadro é
considerado um AVC isquêmico", pontua.
Investigar o AIT permite tratar condições ocultas —
como o estreitamento de artérias carótidas ou alterações no coração — antes que
ocorra um episódio com sequelas graves ou incapacitantes.
Mitos sobre desidratação e exercícios físicos
Embora situações extremas possam atuar como fatores de
risco pontuais, o neurocirurgião esclarece que desidratação e exercícios
físicos intensos não devem ser encarados como causas diretas do problema.
Desidratação: Pode diminuir o volume de sangue
circulante e aumentar a viscosidade sanguínea, afetando principalmente idosos
ou pessoas com obstruções vasculares prévias. No entanto, isoladamente, não é
uma causa habitual.
Exercício físico: A prática regular de atividades é
uma das principais formas de proteção cardiovascular e prevenção ao AVC.
Esforços muito intensos geram elevações temporárias na pressão arterial que
podem exigir cautela em cenários específicos, mas o hábito do exercício é
benéfico.
O que fazer ao notar os primeiros sinais de AVC?
Diante de qualquer sinal suspeito, a orientação é
buscar socorro médico imediatamente em um pronto-socorro. Não se deve aguardar
o sintoma passar, tentar dormir ou esperar por uma consulta posterior.
Para ajudar no reconhecimento rápido, utilize a
mnemônica BE-FAST (Equilíbrio, Visão, Face, Braços, Fala e Tempo):
B (Balance/Equilíbrio): Perda súbita de equilíbrio ou
coordenação.
E (Eyes/Olhos): Alteração visual repentina.
F (Face/Rosto): Rosto caído ou assimétrico ao sorrir.
A (Arms/Braços): Fraqueza ao tentar levantar os dois
braços.
S (Speech/Fala): Dificuldade ou incapacidade de
articular as palavras.
T (Time/Tempo): Chame o serviço de emergência (SAMU
192) sem hesitar.
O tempo de atendimento é determinante. Em episódios de
AVC isquêmico, intervenções como a administração de medicamentos trombolíticos
e a trombectomia mecânica podem restabelecer o fluxo sanguíneo cerebral,
reduzindo o risco de sequelas graves.
"Mesmo que os sintomas desapareçam completamente
depois de alguns minutos, a orientação permanece a mesma: procurar
imediatamente um serviço de emergência, porque pode ter ocorrido um AIT e o
período de maior risco para um novo evento pode ser justamente nas horas e nos
primeiros dias seguintes", conclui Espíndola.
Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/principais-fatores-e-sinais-de-alerta-antes-de-um-avc-saiba-como-agir,7df75b219d3c4693ed3c9a282c85670822o6k3aq.html?utm_source=clipboard
- Foto: Andrea Piacquadio/Pexels




