terça-feira, 27 de outubro de 2026

Além da pílula: veja quais tipos de anticoncepcionais existem


Conheça os tipos de anticoncepcionais, seus subtipos, como funcionam, a eficácia e as diferenças entre métodos hormonais e não hormonais.

 

Existem diversos métodos contraceptivos, divididos em hormonais (pílula, injeção, implante, DIU), não hormonais (preservativos, DIU de cobre), comportamentais, de emergência e cirúrgicos. Opções de longa duração, como implantes e DIUs, destacam-se pela alta eficácia, enquanto apenas os preservativos protegem contra ISTs. A escolha depende da saúde, rotina e planos reprodutivos individuais, sendo que o SUS disponibiliza gratuitamente várias dessas alternativas com orientação profissional.

 

Pílula, injeção, DIU, implante ou preservativo: existem diferentes formas de prevenir uma gravidez, mas cada anticoncepcional funciona de um jeito. Enquanto alguns exigem uso diário, outros oferecem proteção por vários anos sem depender de lembranças frequentes.

 

A escolha também envolve outras questões, como o desejo de ter filhos no futuro, o fluxo menstrual, as condições de saúde e a necessidade de prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

 

Conheça os principais tipos de anticoncepcionais, suas diferenças e quais opções podem ser encontradas no Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Quais são os principais tipos de anticoncepcionais?

Os métodos contraceptivos são divididos em hormonais, não hormonais, comportamentais, de emergência e cirúrgicos definitivos. Cada grupo tem características próprias, vantagens e limitações.

 

Anticoncepcionais hormonais

Esses métodos utilizam hormônios para prevenir a gravidez, principalmente impedindo a ovulação ou dificultando a passagem dos espermatozoides.

 

Entre as principais opções estão:

 

Pílula anticoncepcional: pode combinar estrogênio e progestagênio ou conter apenas progestagênio. Exige atenção à regularidade do uso.

Injeção anticoncepcional: pode ser mensal, com combinação hormonal, ou trimestral, com progestagênio isolado.

Implante contraceptivo: pequeno bastão inserido sob a pele do braço por profissional habilitado. Libera hormônio continuamente e oferece proteção prolongada.

DIU hormonal: dispositivo colocado no útero que libera levonorgestrel. Pode reduzir o fluxo menstrual.

Adesivo e anel vaginal: liberam hormônios e dispensam a ingestão diária de comprimidos, mas exigem o cumprimento correto das instruções de uso.

A composição e as contraindicações variam conforme o produto. Métodos que contêm estrogênio, por exemplo, exigem atenção em pessoas com determinados fatores de risco, como histórico de trombose ou enxaqueca com aura.

 

Anticoncepcionais não hormonais

Quem prefere evitar hormônios pode considerar métodos que atuam por barreira física ou por outros mecanismos.

O DIU de cobre é inserido no útero e dificulta a fecundação. Tem longa duração, é reversível e não utiliza hormônios. Em contrapartida, pode aumentar o fluxo menstrual e as cólicas.

Os preservativos externos e internos formam uma barreira que ajuda a prevenir a gravidez e também reduz o risco de transmissão de diversas ISTs.

Existem ainda métodos de barreira, como o diafragma, além de espermicidas. A eficácia varia conforme o método e o uso correto.

 

Anticoncepção de emergência

A contracepção de emergência pode ser utilizada após uma relação sexual desprotegida ou uma falha do método habitual, como o rompimento do preservativo.

As opções incluem a pílula de levonorgestrel e o DIU de cobre, que pode ser inserido por profissional habilitado dentro do prazo recomendado. O levonorgestrel deve ser utilizado o mais cedo possível, conforme as orientações do medicamento.

A disponibilidade de outras opções, como o acetato de ulipristal, varia conforme o país e o mercado. A contracepção de emergência não substitui um método regular e não protege contra ISTs.

 

Métodos comportamentais

Esses métodos procuram identificar o período fértil para evitar relações desprotegidas nessa fase ou dependem de comportamentos específicos.

Entre eles estão a tabelinha, o método Billings, a temperatura basal, o método sintotérmico e o coito interrompido. A eficácia depende da identificação adequada dos sinais de fertilidade e do cumprimento das orientações.

O método da amenorreia lactacional também pode oferecer proteção temporária após o parto, mas somente quando todos os critérios são atendidos: bebê com menos de seis meses, ausência de retorno da menstruação e amamentação exclusiva ou quase exclusiva, com mamadas frequentes.

 

Métodos cirúrgicos definitivos

A laqueadura tubária e a vasectomia são procedimentos destinados a pessoas que desejam evitar uma gravidez de forma permanente.

A laqueadura bloqueia ou interrompe as trompas uterinas. A vasectomia interrompe a passagem dos espermatozoides pelos canais deferentes.

Nenhum dos procedimentos deve ser considerado imediatamente eficaz sem os cuidados indicados. Após a vasectomia, por exemplo, é necessário realizar o acompanhamento e o exame recomendado antes de abandonar outros métodos contraceptivos.

 

Quais anticoncepcionais são mais eficazes?

Os implantes e os dispositivos intrauterinos estão entre os métodos reversíveis mais eficazes, pois oferecem proteção prolongada e não dependem de uma ação diária para funcionar.

Pílulas e injetáveis também podem ser eficazes, mas esquecimentos e atrasos podem comprometer a proteção. Nos métodos comportamentais, o resultado depende da identificação do período fértil e da aplicação correta das regras.

A eficácia não é o único fator a considerar. A rotina, as condições de saúde, as preferências pessoais e a intenção de ter filhos futuramente também influenciam a escolha.

 

Quais anticoncepcionais estão disponíveis no SUS?

O Sistema Único de Saúde oferece diferentes opções de planejamento reprodutivo, incluindo preservativos, pílulas anticoncepcionais, injetáveis, DIU de cobre e contracepção de emergência. A oferta de implantes contraceptivos também está sendo implementada na rede pública, conforme a organização dos serviços.

Laqueadura e vasectomia podem ser realizadas pelo SUS, respeitando os critérios legais aplicáveis.

Como a disponibilidade pode variar entre municípios e unidades de saúde, vale procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para conhecer as opções oferecidas e receber orientação.

 

Quais anticoncepcionais protegem contra ISTs?

Os preservativos externos e internos são os métodos contraceptivos que também ajudam a prevenir a transmissão de diversas infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV.

Pílulas, injeções, implantes e DIUs previnem a gravidez, mas não oferecem essa proteção.

Por isso, utilizar preservativo junto com outro método contraceptivo pode proporcionar dupla proteção: prevenção da gravidez e redução do risco de ISTs.

 

Como escolher o anticoncepcional mais adequado?

Não existe um único anticoncepcional ideal para todas as pessoas. A decisão deve considerar a eficácia, a facilidade de uso, o histórico clínico, os possíveis efeitos adversos e os planos reprodutivos.

Alguns métodos podem alterar o padrão menstrual. O DIU de cobre pode aumentar o fluxo e as cólicas, enquanto o implante e o DIU hormonal podem provocar sangramentos irregulares ou ausência de menstruação.

Métodos hormonais combinados também apresentam contraindicações específicas, por isso a avaliação profissional é importante antes da escolha.

Conhecer as opções ajuda a fazer uma escolha mais consciente. Com orientação adequada, é possível comparar os métodos e encontrar aquele que melhor se adapta à saúde, à rotina e aos planos de cada pessoa.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/alem-da-pilula-veja-quais-tipos-de-anticoncepcionais-existem,a1eebbcef680a0e915b5e52b843c34a5265vaisr.html?utm_source=clipboard - Por: Farm. Elizandra Civalsci Costa / Licenciado de SaúdeLAB - Foto: SaúdeLAB

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Quanto tempo demora para o álcool sair do corpo? O que água, café e banho frio realmente fazem


Quanto tempo demora para o álcool sair do corpo? Entenda o que influencia esse processo e descubra se há algo que realmente ajude.

 

O fígado leva horas para metabolizar o álcool, e o tempo varia conforme a quantidade ingerida, genética e alimentação. Métodos populares como beber café, tomar banho frio ou ingerir água não aceleram sua eliminação nem restauram os reflexos, servindo apenas para aliviar sintomas. Sentir-se bem não garante aptidão para dirigir. Casos graves de intoxicação, com convulsões ou perda de consciência, exigem socorro médico imediato pelo SAMU, devendo-se colocar a vítima de lado até a chegada do resgate.


Já se perguntou quanto tempo demora para o álcool sair do corpo e se existe alguma maneira de acelerar sua eliminação? Quando alguém percebe que os efeitos da bebida demoram a passar, é natural querer entender o que acontece no organismo e o que realmente pode ajudar.

 

O álcool pode levar várias horas para ser metabolizado, e não existe um prazo único para todas as pessoas. A quantidade consumida e fatores individuais influenciam esse processo.

 

Além disso, sentir-se melhor não significa necessariamente que o álcool já foi eliminado.

 

Como o organismo elimina o álcool

O fígado é o principal responsável por processar o álcool. A quantidade ingerida ajuda a determinar quanto o organismo precisará metabolizar.

 

Por exemplo, uma lata de cerveja de 350 ml com 5% de álcool contém cerca de 14 gramas de álcool puro. Uma lata de 473 ml com o mesmo teor contém aproximadamente 19 gramas. Portanto, o tamanho da embalagem e a concentração alcoólica fazem diferença.

 

O organismo também pode continuar absorvendo o álcool depois da última bebida. Por isso, a regra de que o corpo elimina uma dose por hora não é segura para calcular quando alguém pode dirigir.

 

O que determina a velocidade de eliminação do álcool

Além da quantidade ingerida, outros fatores podem influenciar a absorção e a maneira como o organismo processa a bebida:

 

Velocidade do consumo: beber muito em pouco tempo pode elevar rapidamente a concentração de álcool no sangue.

Alimentação: comer antes ou durante o consumo pode retardar a absorção, mas não acelera a eliminação do álcool que já chegou à corrente sanguínea.

Características individuais: composição corporal, genética e funcionamento do fígado podem influenciar o metabolismo. Alguns medicamentos também podem alterar os efeitos do álcool.

Esses fatores ajudam a explicar por que não existe um prazo igual para todos.

 

Água, café ou banho frio ajudam a eliminar o álcool mais rápido?

Não. Esses métodos não aceleram de forma significativa a eliminação do álcool, embora possam produzir outras sensações ou efeitos.

 

Água: ajuda na hidratação, mas não reduz rapidamente o álcool no sangue.

Café e bebidas energéticas: podem aumentar o estado de alerta, mas não recuperam os reflexos nem a coordenação.

Banho frio: não acelera a eliminação e pode ser perigoso para uma pessoa muito intoxicada.

Sono: permite descansar, mas não garante que a pessoa estará recuperada ao acordar.

Comida: pode retardar a absorção do álcool quando consumida antes ou durante a ingestão, mas não elimina o álcool já absorvido.

 

O que corta o efeito do álcool na hora?

Não há um método caseiro capaz de reverter imediatamente os efeitos da bebida. O álcool pode comprometer a atenção, o equilíbrio, os reflexos e a capacidade de tomar decisões, mesmo quando a pessoa não percebe essas alterações.

 

Por isso, não dirija nem opere máquinas após beber. Sentir-se bem não garante que você esteja em condições seguras para conduzir um veículo.

 

Quanto tempo o álcool fica no sangue e na urina?

O tempo que o álcool pode ser detectado depende da quantidade consumida e do tipo de exame.

 

No sangue, o teste identifica o álcool que ainda está circulando pelo organismo. Já alguns exames de urina conseguem detectar substâncias que o corpo produz ao processar o álcool e que podem continuar detectáveis por mais tempo, dependendo do método utilizado.

 

É importante lembrar que o tempo de detecção não é o mesmo que o tempo de duração dos efeitos da bebida.

 

Além disso, não existe um prazo único para todos os exames. Por isso, não é possível prever com precisão quando o resultado será negativo apenas com base no tempo que passou desde a última dose.

 

Quando a intoxicação alcoólica exige atendimento médico

Dificuldade para acordar, confusão intensa, convulsões, respiração lenta ou irregular e vômitos acompanhados de redução da consciência podem indicar intoxicação grave.

 

Nessas situações, ligue para o SAMU, pelo número 192.

 

Não deixe a pessoa sozinha, não ofereça café ou alimentos e não provoque vômito. Se ela estiver inconsciente, mas respirando, coloque-a de lado, se for seguro fazê-lo, enquanto aguarda socorro.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/quanto-tempo-demora-para-o-alcool-sair-do-corpo-o-que-agua-cafe-e-banho-frio-realmente-fazem,4c2087e3688edc95bcc0a7bfc89d79aapcfaq4mh.html?utm_source=clipboard - Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

domingo, 25 de outubro de 2026

Em virada histórica, Lula derrota Flávio Bolsonaro e chega ao quarto mandato como presidente


Após forte mobilização nas ruas e nas redes, presidente superou derrota do 1º turno e venceu uma eleição acirrada. Petista terá pela frente forte oposição no Congresso e o desafio de equilibrar as contas públicas após ampliar gastos durante a campanha eleitoral.

Em uma eleição acirrada e marcada por uma virada inédita, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) presidente da República e conquistou seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto.

Às vésperas de completar 81 anos, o que ocorrerá na próxima terça-feira (27), o petista se tornou, ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL), o primeiro presidente da história do Brasil a ser eleito quatro vezes pelo voto popular.

A confirmação da vitória de Lula foi feita pelo sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 21h08, quando 97% das urnas já tinham sido apuradas. Àquela altura, Lula tinha 51,74% e Flávio tinha 48,26%.

O quarto triunfo de Lula ocorre mais de duas décadas depois de chegar ao poder pela primeira vez, em 2002.

A virada histórica se deu após uma forte mobilização da campanha do petista, nas ruas e nas redes sociais.

No quarto mandato, Lula terá grandes desafios, como lidar com uma forte oposição no Congresso Nacional e equilibrar as contas públicas após ampliar benefícios durante campanha eleitoral e prometer reforçar programas sociais.

Um dos fundadores do PT, Lula foi eleito presidente em 2002, reeleito em 2006 e voltou ao Planalto em 2023, após vencer Jair Bolsonaro, pai de Flávio, nas eleições de 2022.

Sua trajetória também foi marcada por três derrotas presidenciais, condenações posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), 580 dias de prisão e o retorno à disputa eleitoral.

A nova vitória consolida Lula como o principal personagem da política brasileira no século 21. E garante ao petista mais quatro anos na chefia do Poder Executivo.

Depois de ficar atrás de Flávio no primeiro turno, 47% a 45% dos votos válidos, o petista protagonizou uma virada histórica na segunda etapa da disputa eleitoral.

 

Quem é Luiz Inácio Lula da Silva?

Lula nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco. É o sétimo dos oito filhos do casal de lavradores Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, conhecida como Dona Lindu.

O pai deixou Pernambuco quando Lula ainda era bebê e se mudou para o litoral paulista em busca de trabalho. Em dezembro de 1952, aos sete anos, Lula viajou com a mãe e os irmãos para São Paulo, em um caminhão pau de arara.

A família se instalou inicialmente no Guarujá, onde reencontrou Aristides, que já havia formado outra família e a dona Lindu acabou se separando do marido.

Em 1956, mãe e filhos se mudaram para a capital paulista, onde passaram a morar em um pequeno cômodo nos fundos de um bar.

Lula foi vendedor ambulante, engraxate e office boy, até conseguir emprego na Fábrica de Parafusos Marte.

Aos 14 anos, ingressou na indústria e aos 18 anos concluiu o curso de torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Antes disso, aos 17 anos, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho.

A vida pessoal de Lula também foi marcada por perdas familiares. Em 1969, casou-se com a operária Maria de Lourdes da Silva, que morreu gravida em 1971.

Em 1974, Lula se casou com Marisa Letícia, com quem viveu por mais de quatro décadas.

Lula e dona Marisa tiveram três filhos, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio. Lula também é pai de Marcos Cláudio, filho de Marisa de um relacionamento anterior, que foi adotado pelo petista, e de Lurian, fruto de outro relacionamento com Miriam Cordeiro.

Marisa acompanhou a ascensão política de Lula, desde o movimento sindical até a Presidência da República. Ela morreu em fevereiro de 2017, aos 66 anos, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC).

Em maio de 2022, Lula se casou pela terceira vez, com a socióloga Rosângela da Silva, conhecida como Janja. A cerimônia ocorreu em São Paulo, durante a campanha que levaria o petista de volta à Presidência da República.

 

Movimento sindical e PT

Luiz Inácio Lula da Silva fala durante uma assembléia com os metalúrgicos da Ford, em abril de 1984. Durante as décadas de 70 e 80, Lula dedicou-se intensamente à atividade sindical, como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Lula trabalhou na Indústria Villares, metalúrgica em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. Ingressou no movimento sindical por influência do irmão José, chamado de Frei Chico.

Foi suplente, primeiro-secretário e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.

Reeleito presidente do sindicato, Lula ganhou visibilidade nacional pela liderança nas greves de metalúrgicos que paralisaram o ABC durante a ditadura militar (1964-1985). O governo ditatorial reagiu, e o sindicalista ficou 31 dias na cadeia em 1980, com base na antiga Lei de Segurança Nacional.

Também em 1980, Lula foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), junto com políticos, sindicalistas, intelectuais, lideranças rurais e religiosas. Dona Marisa, sua esposa na época, costurou a primeira bandeira do partido.

O país entrava na reta final da ditadura, com a abertura política "lenta e gradual" definida pelos militares, e ganhou alternativa de partido à esquerda.

A atuação de Lula também foi importante na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983. No ano seguinte, ele participou da campanha das Diretas Já, movimento que levou multidões às ruas para exigir a volta das eleições diretas para presidente da República.

A passagem do sindicalismo para a política eleitoral começou em 1982, quando Lula concorreu, sem sucesso, ao governo de São Paulo e ficou em quarto lugar. Quatro anos depois, em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo e participou da Assembleia Nacional Constituinte, que promulgou a Constituição de 1988.

Em 1989, o petista estreou na corrida ao Planalto na primeira eleição direta para presidente desde 1960. Ele chegou ao segundo turno, porém foi derrotado por Fernando Collor de Mello, à época no PRN, que em 1992 renunciou e foi condenado em um processo de impeachment motivado por denúncias de corrupção.

Lula voltou a concorrer ao Planalto em 1994 e 1998, porém nas duas ocasiões foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), candidato impulsionado pelo êxito do Plano Real no combate à inflação.

 

Mandatos

Em 2002, Lula foi eleito com 52,7 milhões de votos. Derrotou no segundo turno José Serra (PSDB), candidato governista. Em 1º de janeiro de 2003, tornou-se o primeiro operário a governar o Brasil.

Definiu como meta a redução da miséria e da desigualdade, aprimorou políticas sociais e lançou programas como Fome Zero, Bolsa Família e ProUni.

Em 2006, Lula recebeu 58,2 milhões de votos e venceu Geraldo Alckmin, que estava no PSDB, no segundo turno. Reeleito, lançou novos programas, com destaque para a política de habitação do Minha Casa, Minha Vida e para as obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Lula foi badalado no exterior, ao ponto de ser chamado de “o cara” pelo então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Com aprovação recorde de 87%, o petista se despediu em 2010 tendo sido decisivo na vitória de Dilma Rousseff (PT), sua ex-ministra, na corrida presidencial.

Lula iniciou o terceiro mandato em 2023 depois de vencer Jair Bolsonaro no segundo turno com 60,3 milhões de votos.

O petista recriou ministérios extintos no governo anterior, como o da Cultura. Também ampliou a estrutura administrativa, que hoje tem 38 pastas, com a criação de novos ministérios, como os da Igualdade Racial e o dos Povos Indígenas.

Lula passou por algumas crises nos últimos quatro anos, como o escândalo de fraudes no INSS, com os descontos indevidos em aposentadorias e pensões no período de 2019 a 2024. O caso levou à troca do comando do instituto e o indiciamento de ex-dirigentes do órgão, além da substituição de Carlos Lupi no Ministério da Previdência Social.

Também viu o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a Polícia Federal a realizar investigações sobre o suposto tráfico de influência de seu filho Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no Ministério da Saúde e na Dataprev.

E, em junho, teve de retirar Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após o parlamentar baiano ser alvo da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes bilionárias praticadas pelo Banco Master.

Na área econômica e social, o governo conseguiu aprovar a reforma tributária no Congresso Nacional e ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda.

O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome e houve a ampliação de programas voltados à moradia e à transferência de renda, além da implementação de medidas para ampliar o acesso à saúde e para estimular investimentos.

Lula também precisou lidar com os reflexos de crises internacionais, como conflitos no Oriente Médio e a política tarifária adotada pelos Estados Unidos.

A condução das negociações comerciais e diplomáticas, que incluiu a resposta do governo brasileiro ao tarifaço norte-americano e os embates públicos com Donald Trump, foi um dos principais desafios do mandato.

Também no campo econômico, o presidente foi criticado por sua estratégia econômica, marcada pelo aumento dos gastos públicos e pelos ataques ao Banco Central em razão da taxa básica de juros.

Lula também voltou atrás de duas decisões recentemente na reta final das eleições.

O presidente articulou com o Congresso a aprovação do fim da taxa das blusinhas. No início de setembro, Lula sancionou a nova lei, que acaba com a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

E, antes do primeiro turno, o petista anunciou a proibição total de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A vedação inclui também jogos online e cassinos virtuais no país, como por exemplo, o "Jogo do Tigrinho".

Na reta final do terceiro mandato, Lula articulou a aprovação de uma mudança histórica na legislação trabalhista: o fim da escala 6x1.

O presidente participou, no Congresso Nacional, da sessão de promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabeleceu uma jornada de cinco dias de trabalho para dois de descanso, uma das principais conquistas da agenda trabalhista de seu governo.

Na mesma sessão, também foi promulgada a PEC que estabelece aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias.

Na cerimônia de promulgação das duas PECs, Lula esteve ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta, aliado do governo, e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Lula e Alcolumbre protagonizaram episódios de tensão ao longo do mandato, mas voltaram a estreitar a relação durante o período eleitoral.

Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, Lula anunciou medidas de forte apelo popular, como o programa Prospera MEI, voltado aos microempreendedores individuais, e o reajuste do Bolsa Família.

As iniciativas foram adotadas em meio à disputa eleitoral e receberam críticas de adversários, que as classificaram como eleitoreiras.

A campanha no segundo turno também foi marcada por uma grande mobilização da equipe do presidente nas redes sociais, com o canal "Exército do Lula", coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG), que contou com mais de 10 milhões de inscritos.

 

Escândalos

Mensalão

Em 2005 estourou o escândalo do mensalão. O então deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, relatou em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo" um esquema de compra de apoio político no Congresso por meio de mesadas pagas a parlamentares de partidos da base de Lula.

O escândalo resultou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios e derrubou o ministro da Casa Civil, José Dirceu. O PT argumentava que o esquema se tratava de caixa dois, dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral.

Ainda em 2005, Lula foi à televisão para um pronunciamento em cadeia nacional no qual se disse “traído”. Sem usar a palavra mensalão, admitiu que o partido e o governo tinham errado e deveriam pedir desculpas.

 

Lava Jato

Como ex-presidente, Lula viveu altos e baixos. Superou um câncer na laringe e viu o Supremo Tribunal Federal (STF) condenar 28 dos 38 réus na ação penal do mensalão.

Em 2014, ele comemorou a reeleição de Dilma. No mesmo ano, começou a Operação Lava Jato, que descobriu esquema de desvio de recursos públicos nas gestões petistas por meio de contratos da Petrobras. O dinheiro irrigava doleiros, executivos, partidos e políticos.

A operação avançou sob a condução de Sergio Moro, juiz da 13ª Vara Criminal de Curitiba. A Lava Jato gerou delações premiadas, devolução de parte do dinheiro desviado, prisões de empreiteiros e políticos e influenciou no impeachment de Dilma, em 2016. A cassação marcou a saída do PT do Planalto após 13 anos no poder.

Em 2017, Lula foi condenado por Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá (SP). A condenação, a primeira de um ex-presidente por crime comum no Brasil, foi confirmada no ano seguinte no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), a segunda instância de Justiça Federal. Para três desembargadores Lula recebeu propina da construtora OAS por meio do triplex e de reformas no imóvel.

O petista negava os crimes e se dizia vítima de perseguição. Travou uma batalha nos tribunais nos últimos anos. Como o STF tinha entendimento de que era possível cumprir a pena após condenação em segunda instância, Lula foi preso em 7 de abril de 2018. Ele foi levado para uma sala na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde ficou encarcerado por 580 dias.

No mesmo ano, teve a candidatura à Presidência barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa.

Em 2019, Lula deixou a prisão após o STF decidir que a execução da pena só pode ocorrer após o trânsito em julgado.

Dois anos depois, em 2021, o ministro Edson Fachin anulou as condenações relacionadas à Lava Jato, devolvendo ao petista os direitos políticos e tornando-o elegível novamente.

 

Saúde

Em 2011, Lula foi diagnosticado com câncer na laringe, e superou a doença após o segundo mandato na Presidência.

Ao longo do terceiro mandato, o petista também enfrentou desafios relacionados à saúde.

Em 2023, Lula foi submetido a uma cirurgia no quadril para tratar dores provocadas por artrose. Em 2024, sofreu uma queda no banheiro do Palácio da Alvorada, que o levou a cancelar compromissos internacionais.

Em 2025, apresentou um quadro de labirintite e, em 2026, passou pela retirada de uma lesão cancerígena no couro cabeludo, seguida de sessões de radioterapia.

 

Fonte: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/25/em-virada-historica-lula-derrota-flavio-e-chega-ao-quarto-mandato-como-presidente-do-brasil.ghtml - Por Kellen Barreto, Isabella Calzolari, g1 — Brasília

O que devemos comer para ter a pele mais jovem


Plantas, gorduras e alimentos fermentados podem reduzir as rugas, promover o colágeno e melhorar a textura da nossa pele.

 

A alimentação é vital para manter a pele jovem e protegida de danos externos e do tempo. Vegetais e frutas coloridos fornecem antioxidantes e carotenoides que estimulam o colágeno e combatem a radiação solar. Gorduras saudáveis presentes em peixes e oleaginosas, como ômega-3 e vitamina E, preservam a hidratação e reduzem rugas. Além disso, uma dieta rica em fibras e alimentos fermentados fortalece a microbiota intestinal, gerando efeitos anti-inflamatórios essenciais para a saúde cutânea.

 

A pele é o maior órgão do corpo humano e precisa durar por toda a nossa vida.

 

Além de nos manter com aparência jovem e bem cuidada, a pele também beneficia ativamente nossa saúde como um todo. Mas, por ser a barreira entre o nosso corpo e o mundo exterior, ela sofre muito desgaste.

 

Muitos fatores ambientais contribuem para o envelhecimento da pele, como a poluição do ar, o ozônio e as mudanças climáticas, segundo o professor de dermatologia Jean Krutmann, do Instituto de Pesquisa Leibniz de Medicina Ambiental.

 

"Há décadas imaginamos que a radiação ultravioleta fosse a principal causa do envelhecimento da pele por razões ambientais. Sabemos que isso não é verdade", explica ele.

 

"Outros comprimentos de onda contidos na luz solar natural podem contribuir para o envelhecimento, como a luz visível e a radiação infravermelha." E mesmo o aumento da temperatura pode contribuir para o processo, segundo o professor.

 

E existe simplesmente o tempo. À medida que envelhecemos, perdemos gradualmente colágeno, a proteína que fornece a estrutura da nossa pele, o que pode causar rugas.

 

Um fator menosprezado que pode ajudar a manter a nossa pele em melhor forma é a nossa alimentação. De gorduras saudáveis até alimentos fermentados que fazem bem para o intestino, aqui estão vários itens que devem ser incluídos na nossa dieta.

 

1. Verduras, frutas e legumes coloridos

Inúmeras pesquisas indicam que a alimentação rica em alimentos de origem vegetal é importante para manter nossa pele saudável.

Por isso, vale a pena procurar verduras, frutas e legumes coloridos, pois eles contêm poderosos antioxidantes, que ajudam a proteger a pele contra os danos causados pela poluição e pela luz solar.

Cenouras, pimentas e tomates são ricos em carotenoides, como luteína, licopeno e beta-caroteno.

"Eles são armazenados no tecido adiposo e protegem contra os raios ultravioleta", explica o professor de química alimentar Volker Böhm, da Universidade Friedrich Schiller em Jena, na Alemanha.

O filtro solar continua sendo importante, mas Böhm afirma que as pessoas costumam aplicá-lo durante a exposição prolongada em ambiente externo, não todos os dias.

O consumo regular de alimentos ricos em carotenoides fornece "um fator de proteção contra UV básico contínuo de cerca de 2 a 3, o ano inteiro", explica ele.

Acrescentar aos tomates ou cenouras uma pequena quantidade de gordura saudável, como azeite de oliva, ajuda o corpo a absorver esses antioxidantes com mais facilidade.

O beta-caroteno também pode ser transformado em vitamina A, que é importante para o crescimento das células da pele e sua proteção contra infecções.

Os carotenoides podem ajudar as células da pele a produzir ácido hialurônico. Esta molécula ajuda a manter a firmeza e a elasticidade da pele e é encontrada em muitos umectantes e cremes "antienvelhecimento" disponíveis comercialmente.

Os mesmos pigmentos também podem ajudar a estimular o colágeno.

Um pequeno estudo indicou que mulheres que tomaram um suplemento diário de carotenoide por 10 meses exibiram aumento do colágeno e da elastina na pele, sugerindo que ele pode ajudar a evitar a degradação do colágeno.

Descobriu-se também que comer muitas verduras, frutas e legumes coloridos cria "brilho" e oferece à pele aparência mais saudável.

Para obter esses benefícios, é preciso comer esses alimentos de forma consistente, segundo Krutmann.

"Seja qual for o antioxidante que você estiver comendo, para ter proteção contra os efeitos ambientais, normalmente são necessárias oito a 10 semanas até atingir efeitos perceptíveis."

A manga é rica em antioxidantes e pesquisas indicam que ela pode reduzir os sinais visíveis do envelhecimento

Descobriu-se que a manga mantém a pele com aparência mais jovem à medida que envelhecemos.

Em um estudo com mulheres pós-menopausa, realizado por Vivien Fam, da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, as participantes comeram 85 g de manga quatro vezes por semana, ao longo de 16 semanas. Os pesquisadores concluíram que o tamanho das rugas pré-existentes diminuiu, bem como o surgimento de novas rugas.

Mais pesquisas são necessárias, mas pesquisadores especulam que os efeitos benéficos poderão se dever aos carotenoides, além dos antioxidantes flavonoides e mangiferina.

Surpreendentemente, o estudo concluiu que comer cerca de 250 g de manga por dia aumentou as rugas.

Um dos autores da pesquisa, o professor de nutrição Robert Hackman, também da Universidade da Califórnia em Davis, afirma que não se sabe ao certo por que isso aconteceu, mas pode se dever ao alto teor natural de açúcar da manga.

"Nossa proposta é que o açúcar tenha criado alguma lesão das moléculas da pele", explica Hackhan. E, embora o estudo fosse pequeno, pesquisas posteriores ainda não publicadas reproduziram os resultados, segundo ele.

A manga e as frutas cítricas também são ricas em vitamina C, que ajuda na produção de colágeno e também age como antioxidante, que pode proteger a pele contra lesões causadas pelo Sol.

Estudos indicam que a vitamina C pode ajudar a aumentar a hidratação da pele e reduzir sua pigmentação. Por isso, esta vitamina é amplamente empregada em produtos de tratamento da pele e como suplemento, segundo Krutmann.

 

2. Gorduras saudáveis

Normalmente, não sou fã de nozes e amêndoas. Mas comecei a picá-las e acrescentar às saladas, o que me agradou muito mais do que eu esperava.

Passei a fazer isso porque comer nozes e sementes em boas quantidades pode beneficiar a nossa pele.

Um pequeno estudo controlado randomizado concluiu que as pessoas que comeram amêndoas por 16 semanas apresentaram menos rugas visíveis, em comparação com aquelas que comeram outros tipos de lanche.

A vitamina E, abundante em nozes e sementes, também pode proteger a pele contra lesões celulares e envelhecimento.

A deficiência desta vitamina pode prejudicar a saúde da pele, além de retardar a cura de feridas. E boas fontes incluem amêndoas, avelãs, pinhões e muitas oleaginosas.

As nozes também contêm ácidos graxos ômega-6, que podem fortalecer a barreira da pele que retém a sua umidade.

Outro tipo de gordura saudável que sabemos que faz bem para a nossa pele é o ômega-3, encontrado em peixes oleosos e algas.

Os peixes ricos em ômega-3 incluem salmão, sardinha e cavalinha. Estudos pequenos sugerem que eles podem reduzir a sensibilidade da pele ao Sol e, portanto, ajudar a proteger contra lesões solares.

Os peixes gordurosos também ajudam a preservar o colágeno já existente e a reduzir inflamações.

 

3. Alimentos benéficos para o intestino

Quando a nossa alimentação é variada e rica em produtos frescos, nozes e sementes, os micróbios do intestino se beneficiam e, com eles, a nossa pele.

Isso ocorre porque existe uma conexão complexa entre a pele e a saúde intestinal. Os pesquisadores chamam este relacionamento de "eixo intestino-pele".

Quando ingerimos alimentos diversificados de origem vegetal, os micróbios do intestino liberam compostos com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Eles também afetam a nossa pele, segundo Hackman.

A microbiota intestinal saudável também pode melhorar as condições da pele, fortalecendo o nosso sistema imunológico.

Uma forma de atingir estes benefícios é comer uma ampla variedade de alimentos vegetais.

Eles incluem frutas, legumes, verduras, leguminosas, legumes, grãos integrais, ervas e especiarias, que podem reduzir o estresse, melhorar o sono e proteger contra condições da pele, como a psoríase.

Alimentos fermentados, como o chucrute, kimchi, kombucha e iogurte, também são particularmente benéficos para os micróbios intestinais.

Talvez você não vá parecer ter 30 anos de idade quando estiver na casa dos 60, mas a dieta saudável irá ajudar a sua pele a permanecer saudável ao longo dos anos.

E também não se esqueça de passar o protetor solar.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/o-que-devemos-comer-para-ter-a-pele-mais-jovem,91011484053204fba323364c7b127911019d11eu.html?utm_source=clipboard - Por: Melissa Hogenboom - BBC Future - Foto: Getty Images / BBC News Brasil

sábado, 24 de outubro de 2026

Colesterol alto mesmo com alimentação saudável? Entenda por que isso acontece


Predisposição hereditária, mudanças hormonais e condições metabólicas podem influenciar os resultados dos exames

 

Mesmo com hábitos saudáveis, o colesterol pode se elevar porque a maior parte dele é produzida pelo fígado e não depende só da dieta. Fatores genéticos como a hipercolesterolemia familiar, hipotireoidismo, menopausa, diabetes e certos medicamentos influenciam diretamente essa taxa. Como o quadro é silencioso e eleva o risco cardiovascular, a dieta nem sempre basta, tornando indispensáveis o acompanhamento médico regular e a avaliação individualizada para definir a necessidade de remédios.

 

Manter uma alimentação equilibrada, evitar frituras, consumir frutas e verduras e praticar atividades físicas são hábitos importantes para a saúde cardiovascular. Ainda assim, algumas pessoas se surpreendem ao receber exames que apontam colesterol elevado, mesmo seguindo uma rotina considerada saudável.

 

Isso acontece porque os níveis de colesterol no sangue não dependem exclusivamente da alimentação. Fatores genéticos, alterações hormonais, condições metabólicas e até determinados medicamentos podem influenciar os resultados.

 

Segundo o cardiologista Dr. Raphael Boesche Guimarães, a ideia de que o colesterol alto está sempre relacionado a uma alimentação inadequada é um dos principais equívocos sobre o assunto. "O colesterol é uma substância essencial para o funcionamento do organismo, utilizada na produção de hormônios e na formação das membranas celulares. Grande parte dele é produzida pelo próprio corpo, principalmente pelo fígado. Por isso, mesmo quem mantém uma alimentação saudável pode apresentar níveis elevados", explica.

 

Abaixo, veja alguns fatores que podem interferir nos níveis de colesterol no organismo.

 

1. A genética pode influenciar o colesterol

Algumas pessoas apresentam predisposição genética para produzir ou manter níveis elevados de colesterol no sangue, independentemente dos hábitos alimentares. Uma das condições mais conhecidas é a hipercolesterolemia familiar, alteração hereditária que compromete a capacidade do organismo de remover o colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim, da circulação.

"Existem pessoas que seguem uma alimentação equilibrada, praticam exercícios e, ainda assim, apresentam colesterol elevado desde jovens. Nesses casos, precisamos considerar a influência genética, especialmente quando há histórico familiar de colesterol alto ou doenças cardiovasculares precoces", destaca o cardiologista.

 

2. Alterações na tireoide também podem elevar os níveis

O funcionamento da tireoide interfere diretamente no metabolismo das gorduras. Quando a glândula produz menos hormônios do que o necessário, condição conhecida como hipotireoidismo, o organismo pode apresentar maior dificuldade para eliminar o colesterol LDL do sangue. Em alguns casos, o colesterol elevado é identificado antes mesmo de outros sintomas da alteração hormonal.

"Quando encontramos níveis elevados de colesterol, especialmente sem uma causa aparente, é importante avaliar se existem condições associadas, como alterações da tireoide. Tratar a doença de base pode contribuir para melhorar o perfil lipídico", orienta o Dr. Raphael Boesche Guimarães.

 

3. Menopausa pode provocar mudanças no colesterol

As alterações hormonais que acontecem durante a transição para a menopausa também podem interferir nos níveis de colesterol. A redução do estrogênio está associada a mudanças no metabolismo das gorduras, podendo favorecer o aumento do colesterol LDL e alterações na distribuição da gordura corporal.

Isso significa que mulheres que mantêm os mesmos hábitos alimentares e a mesma rotina de exercícios podem perceber mudanças nos exames ao longo dessa fase. "A menopausa representa um período importante de atenção à saúde cardiovascular feminina. Mesmo sem grandes mudanças no estilo de vida, podem ocorrer alterações no colesterol e em outros fatores de risco, o que reforça a importância do acompanhamento médico", afirma o especialista.

 

4. Resistência à insulina e diabetes interferem no metabolismo

Condições metabólicas, como resistência à insulina e diabetes tipo 2, também podem alterar o perfil de gordura no sangue. Nesses casos, é comum observar aumento dos triglicerídeos, redução do colesterol HDL, conhecido como colesterol bom, e mudanças nas características das partículas de LDL.

"Não basta avaliar apenas a alimentação. O metabolismo influencia diretamente a forma como o organismo produz, transporta e elimina as gorduras. Por isso, o colesterol precisa ser analisado em conjunto com outros indicadores de saúde", explica o cardiologista.

 

5. Alguns medicamentos podem interferir nos resultados

Determinados medicamentos também podem contribuir para alterações no colesterol e nos triglicerídeos. Entre eles, estão alguns corticoides, imunossupressores, retinoides e medicamentos utilizados em tratamentos específicos.

Isso não significa que esses remédios devam ser interrompidos, mas que seus possíveis efeitos metabólicos precisam ser considerados durante o acompanhamento. "Quando o colesterol aumenta sem uma explicação evidente, também avaliamos os medicamentos utilizados pelo paciente. Essa análise ajuda a identificar possíveis fatores associados e definir a melhor conduta, sem comprometer outros tratamentos", ressalta.

 

Alimentação saudável é suficiente para controlar o colesterol?

Embora a alimentação tenha papel fundamental na prevenção cardiovascular, ela nem sempre é suficiente para manter o colesterol dentro das metas recomendadas. A resposta depende da predisposição genética, das condições de saúde e, principalmente, do risco cardiovascular individual.

Além disso, nem toda alimentação considerada saudável tem necessariamente o mesmo efeito sobre o colesterol. A quantidade de gorduras saturadas, o consumo de fibras e a composição geral da dieta também fazem diferença.

"Adotar hábitos saudáveis continua sendo indispensável, mas algumas pessoas precisam de tratamento medicamentoso para reduzir adequadamente o colesterol. Isso não representa uma falha na alimentação ou na prática de exercícios, e sim uma necessidade individual de controle do risco cardiovascular", esclarece o Dr. Raphael Boesche Guimarães.

 

Quando o colesterol alto exige tratamento?

O colesterol elevado geralmente não provoca sintomas, o que torna os exames de sangue importantes para sua identificação. A necessidade de tratamento, por sua vez, não depende apenas de um resultado isolado. O médico considera fatores como idade, pressão arterial, diabetes, tabagismo, histórico familiar e presença de doenças cardiovasculares.

Pessoas com risco cardiovascular elevado podem precisar de metas de colesterol LDL mais rigorosas, enquanto outras podem ser inicialmente orientadas a intensificar mudanças no estilo de vida. "O objetivo não é simplesmente melhorar um número no exame, mas reduzir o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações cardiovasculares. Por isso, a avaliação precisa ser individualizada. Mesmo quem se alimenta bem e pratica exercícios deve acompanhar seus níveis de colesterol", conclui o Dr. Raphael Boesche Guimarães.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/colesterol-alto-mesmo-com-alimentacao-saudavel-entenda-por-que-isso-acontece,f9ea00729b43695c5a596ea4ebc0f624l3ze370i.html?utm_source=clipboard - Por Daiane Bombarda - Foto: Alphavector | Shutterstock / Portal EdiCase