Doenças anorretais são comuns e contam com abordagens de tratamento menos invasivas e mais eficazes
Hemorroidas, fissuras e fístulas são condições que
afetam a região anal e podem causar desconforto, dor e outros sintomas. As
hemorroidas são veias dilatadas no ânus ou no reto, que podem surgir devido ao
esforço evacuatório, prisão de ventre ou gravidez, provocando dor, coceira e
sangramento.
A fissura anal é uma pequena ferida ou corte na mucosa
do ânus, geralmente causada pela passagem de fezes duras, sendo bastante
dolorosa, especialmente durante a evacuação. Por sua vez, a fístula anal é uma
espécie de canal anormal que se forma entre o interior do ânus e a pele ao
redor, geralmente como consequência de infecções ou abscessos, podendo causar
secreção, inflamação e dor persistente.
As hemorroidas estão entre as condições mais comuns
que afetam a população brasileira, embora ainda sejam cercadas por tabu. Dados
da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) apontam que cerca
de 50% dos adultos podem apresentar sintomas ao longo da vida. Mesmo assim, o
receio e a desinformação fazem com que muitos pacientes adiem a busca por ajuda
médica, o que pode agravar o quadro.
Conforme o estudo "Doença hemorroidária: aspectos
epidemiológicos e diagnósticos de 9.289 pacientes portadores de doença
hemorroidária", publicado na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS),
as hemorroidas são, de fato, uma das afecções mais comuns na prática
coloproctológica. Elas foram diagnosticadas como a queixa principal em 27,3%
dos casos (9.289 pacientes em um total de 34.000).
Abaixo, confira alguns pontos fundamentais sobre as
condições e os tratamentos delas.
1. Nem todos os casos precisam de cirurgia
Muitos pacientes associam automaticamente o
diagnóstico de hemorroida à necessidade de cirurgia, o que nem sempre é
verdade. Em fases iniciais, mudanças simples na rotina podem trazer alívio
significativo dos sintomas e evitar a progressão da doença.
"Nem todos os pacientes precisam de intervenção
cirúrgica. Em muitos casos, mudanças na alimentação, aumento da ingestão de
fibras e hidratação adequada já trazem melhora significativa. A avaliação
médica é essencial para definir a melhor abordagem para cada situação",
orienta a coloproctologista Paula A. Conceição.
2. A dor pode indicar qual é o problema
Observar como e quando a dor aparece pode ajudar a
diferenciar a hemorroida da fissura. Cada doença apresenta características
específicas que auxiliam no diagnóstico, embora a confirmação deva ser sempre
feita por avaliação médica.
"A fissura é uma lesão, como se fosse um corte na
região anal. O principal sintoma é uma dor intensa ao evacuar, muitas vezes
descrita como uma sensação de rasgo. Já a hemorroida costuma causar mais
desconforto e sangramento. Essas diferenças ajudam a orientar o
diagnóstico", explica o coloproctologista Dr. Íthalo Medeiros.
3. A recuperação hoje é mais rápida
O tempo de afastamento das atividades para o
tratamento das condições diminuiu consideravelmente, o que contribui para que
mais pessoas procurem tratamento sem medo de longos períodos de recuperação.
"Com técnicas modernas, muitos pacientes conseguem retomar suas atividades
em poucos dias. Isso representa um grande avanço, especialmente para quem tem
rotina intensa e não pode se afastar por longos períodos", afirma Paula A.
Conceição.
4. Hábitos de vida fazem toda a diferença
Mesmo com tratamentos eficazes, o estilo de vida
continua sendo um fator determinante tanto para o surgimento quanto para a
recorrência de hemorroidas, fissuras e fístulas. "A saúde intestinal está
diretamente ligada a essas condições. Manter uma dieta rica em fibras, beber
bastante água e evitar esforço ao evacuar são medidas simples que fazem grande
diferença na prevenção e no controle dos sintomas", reforça o Dr. Íthalo
Medeiros.
5. Diagnóstico precoce evita complicações
A vergonha ainda é um dos principais motivos que levam
pacientes a adiar a ida ao médico. No entanto, quanto mais cedo o problema é
identificado, maiores são as chances de um tratamento simples e eficaz.
"Muitos pacientes chegam ao consultório em estágios mais avançados por
medo ou desinformação. Quanto antes o diagnóstico é feito, mais simples tende a
ser o tratamento e melhores são os resultados", conclui Paula A.
Conceição.
Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/hemorroidas-fissuras-e-fistulas-5-pontos-essenciais-para-entender-as-condicoes,54eb528e7ec45b399a4b4c87cf589c6dfao5za4f.html?utm_source=clipboard
- Por Sarah Monteiro - Foto: New África | Shutterstock / Portal EdiCase

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