O coração feminino dá sinais próprios. Identificar os sintomas atípicos é o primeiro passo para salvar vidas e garantir um tratamento ágil
O infarto do miocárdio ainda é visto por muitos como
um "problema masculino". No entanto, as doenças cardiovasculares são
a principal causa de morte entre as mulheres no Brasil e no mundo.
O grande perigo reside na desinformação. Muitas vezes,
as mulheres não reconhecem os sinais de um ataque cardíaco porque esperam pelo
clássico sintoma da dor aguda no peito.
Diferente dos homens, o organismo feminino costuma
apresentar sintomas mais sutis e difusos.
Isso faz com que muitas mulheres demorem a procurar
ajuda médica, acreditando tratar-se de mal-estar passageiro ou estresse.
Por que os sintomas variam?
A fisiologia feminina influencia a forma como a
obstrução das artérias se manifesta.
Nas mulheres, é mais comum o comprometimento de vasos
menores (microcirculação), enquanto nos homens a obstrução ocorre
frequentemente nas artérias coronárias principais.
Além disso, fatores hormonais desempenham um papel
protetor até a menopausa.
Após esse período, com a queda do estrogênio, o risco
cardíaco feminino sobe drasticamente, igualando-se ao dos homens.
Os sinais de alerta no corpo feminino
Enquanto o homem sente aquela pressão forte no peito
que irradia para o braço esquerdo, a mulher pode sentir desconfortos que
parecem problemas digestivos ou musculares. Fique atenta aos seguintes
sintomas:
Cansaço extremo: Uma fadiga inexplicável, que surge de
repente e não passa com o repouso.
Falta de ar: Dificuldade para respirar mesmo em
repouso ou realizando esforços leves.
Náuseas e tonturas: Sensação de estômago embrulhado,
que pode ser confundida com gastrite ou intoxicação alimentar.
Dor nas costas ou mandíbula: O desconforto pode se
concentrar na região entre as escápulas, no pescoço ou no queixo.
Suor frio e ansiedade: Uma sensação de "morte
iminente" ou um suor repentino sem causa aparente.
É importante ressaltar que a dor no peito também pode
ocorrer nas mulheres. Porém, ela costuma ser descrita como uma queimação ou um
peso, e não necessariamente uma dor lancinante.
Fatores de risco específicos para mulheres
Além dos riscos comuns a todos — como tabagismo,
sedentarismo e hipertensão —, as mulheres possuem agravantes próprios:
Diabetes: O diabetes aumenta o risco de infarto em
mulheres de forma mais agressiva do que nos homens.
Estresse e depressão: O impacto emocional afeta o
coração feminino com maior intensidade, podendo causar a "Síndrome do
Coração Partido".
Menopausa: A falta de hormônios altera o perfil
lipídico, aumentando o colesterol ruim (LDL).
Complicações na gravidez: Histórico de pré-eclâmpsia
ou diabetes gestacional eleva o risco cardiovascular a longo prazo.
O que fazer em caso de suspeita?
O tempo é o músculo cardíaco. Se você ou alguém
próximo apresentar esses sintomas de forma súbita, não espere passar.
Ligue para o 192 (SAMU): O socorro especializado é a
melhor opção.
Não dirija até o hospital: Em caso de desmaio, o risco
de acidente é alto.
Mantenha a calma: Repousar ajuda a diminuir a carga
sobre o coração enquanto a ajuda não chega.
Prevenção é o melhor remédio
A conscientização é a maior arma contra o infarto em
mulheres. Realizar check-ups regulares, controlar a pressão arterial e manter
uma alimentação equilibrada são passos essenciais.
Ouça o seu corpo. Sintomas "estranhos" que
persistem devem sempre ser investigados por um cardiologista.
Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/infarto-em-mulheres-os-sintomas-podem-ser-diferentes-dos-homens-entenda,7c6d8a02cc7ae0004d05544c84dfb749slcrl3ij.html?utm_source=clipboard
- Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

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