O câncer é uma das doenças crônicas não transmissíveis que mais provoca morte no mundo. Mas você sabia que quase 40% dos tumores estão associados a fatores de risco evitáveis? Essa foi a conclusão de uma pesquisa conduzida por cientistas da OMS e publicada este ano na revista científica Nature, que analisou pacientes com 36 tipos de câncer em 185 países.
A seguir, listamos algumas medidas que você deve
adotar para minimizar o risco de desenvolver um câncer. “Vale lembrar que essa
é uma doença multifatorial. Então, toda vez que a gente fala de mecanismo de
prevenção é sempre uma redução de risco. Tem que juntar várias medidas para
você reduzir o risco ao longo da vida”, afirma a oncologista clínica Clarissa
Baldotto, presidente da Sboc (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica).
Não fumar
O consumo de tabaco é um dos principais fatores
evitáveis da doença. Ele é responsável por 15% dos novos casos de tumores,
mostra o estudo publicado na Nature. O tabaco está ligado a 20 tipos de câncer,
como de pulmão, boca, garganta, esôfago e estômago.
Um estudo identificou 83 substâncias cancerígenas no
tabaco e em sua fumaça.
Baldotto explica que os tumores são fruto de uma
mutação no DNA de uma célula, que altera seu funcionamento. E substâncias
contidas no tabaco provocam danos ao material genético das células. “Por isso,
quanto mais exposto, quanto maior a quantidade, teoricamente, maior o risco da
célula sofrer mutações.” O calor gerado pelo cigarro também é outro fator para
alterações celulares.
Apesar de menos impactados do que os fumantes ativos,
aqueles que inalam constantemente a fumaça do cigarro também sofrem as
consequências do tabagismo e têm maior risco de desenvolver câncer do que quem
não é exposto frequentemente à fumaça.
Walter da Costa, gerente médico do A.C.Camargo Cancer
Center, acrescenta que usuários de cigarro eletrônico (conhecido também como
vape) podem estar sujeitos a um maior risco de alguns tipos de câncer, embora
faltem estudos de longo prazo que avaliem a relação entre vape e câncer, já que
esse é um hábito recente da população.
Evitar bebidas alcoólicas
Bebidas alcoólicas estão associadas a 3% dos novos
casos da doença, segundo a OMS, o que as coloca em terceiro lugar entre os
fatores de risco modificáveis de câncer —em segundo lugar estão as infecções,
responsáveis por 10,2% dos casos.
O álcool pode provocar câncer de boca, garganta,
esôfago, fígado, intestino e mama. Também há evidências de que está envolvido
na formação de tumores no esôfago e no pâncreas.
A presidente da Sboc conta que, ao ser metabolizado, o
álcool resulta em substâncias que inflamam o organismo e lesionam as células de
forma crônica, o que, eventualmente, pode gerar uma célula cancerosa.
Praticar exercícios físicos
A atividade física reduz a inflamação do corpo e ajuda
no controle hormonal. Além disso, fortalece o sistema imunológico, melhora o
metabolismo e ajuda a evitar o ganho de peso (fator de risco para vários tipos
de tumores);
Para Baldotto, é possível que a ciência não tenha
identificado ainda todos as formas pelas quais o exercício físico previne o
câncer, “mas a gente tem evidências de que o impacto existe”.
A OMS recomenda a prática de pelo menos 150 minutos de
atividade física moderada ou 75 minutos de intensidade alta por semana para
adultos e idosos.
Manter uma alimentação saudável
Diversas pesquisas associam o consumo de alimentos
ultraprocessados a um maior risco de câncer. Fazem parte desse grupo biscoitos,
salgadinhos, bolos, sorvetes, refrigerantes, comidas congeladas
industrializadas (lasanhas, pizzas), sucos artificais, alguns tipos de pães,
embutidos e carnes processadas (salsicha, nuggets, hambúrguer).
Roger Akira, oncologista clínico do Hospital
Universitário da UFPR (Universidade Federal do Paraná), explica que carnes
ultraprocessadas e embutidos contêm nitrito e nitrato, substâncias que elevam o
risco de alteração no material genético das células
Walter da Costa, do A.C. Camargo, acrescenta que o
câncer de reto está vinculado a uma alimentação com poucas fibras (presentes em
frutas, verduras e legumes). Esse tipo de tumor tem ocorrido em populações cada
vez mais jovens.
Costa diz que as fibras diminuem o tempo do trânsito
intestinal, o que limita o contato de algumas substâncias com potencial
cancerígeno com a parede do intestino. A fermentação das fibras pela microbiota
(bactérias que habitam a parede do intestino) também gera substâncias com
propriedades anti-inflamatórias, que auxiliam na saúde da parede intestinal.
Uma alimentação saudável é composta por verduras,
legumes, frutas, ovo, carnes, peixes, castanhas, leite e derivados.
Evitar o sobrepeso
A obesidade é um fator claro de risco de câncer de
próstata, de mama e colorretal, que estão entre os tumores mais comuns no
Brasil, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer).
O excesso de gordura corporal gera uma inflamação
crônica no organismo e o aumento no nível de determinados hormônios, o que traz
um ambiente mais propício à instabilidade do material genético.
Use protetor solar
Os raios solares ultravioletas também podem provocar
danos ao material genético das células. Para se proteger, as pessoas devem
evitar exposição solar das 10h até o fim da tarde e utilizar filtro solar, que
deve ter pelo menos FPS 30.
Vacinação
Costa explica que existem duas vacinas comprovadamente
capazes de prevenir câncer: a de HPV (papilomavírus humano) e a de hepatite B.
O HPV é sexualmente transmissível e um dos principais
fatores para câncer de colo de útero, de vulva e de pênis. “A vacinação dos
pré-adolescentes ou adolescentes dos dois sexos antes do início da vida sexual
ajuda bastante na redução de risco desses tumores”, diz.
Já o imunizante contra hepatite B contribui para a
prevenção de cirrose, que, por sua vez, é um fator de risco para o câncer de
fígado.
Manter os exames em dia
Fazer check-up regularmente, conforme indicação para
sua idade, não serve apenas para ter um diagnóstico precoce da doença. Alguns
exames ajudam a diagnosticar e tratar lesões antes que elas evoluam para um
câncer, como é o caso dos exames que detectam o HPV.
Além disso, a colonoscopia permite identificar pólipos
—lesões pré-malignas que crescem na parede do intestino. Com isso, os pólipos
podem ser removidos antes de se tornarem um tumor. A colonoscopia costuma ser
indicada a partir dos 45 anos.
Respirar ar puro
De acordo com o estudo da OMS, a poluição do ar é
responsável por 15,8% dos casos evitáveis de câncer de pulmão, atrás apenas do
tabaco —que acumula 69,4% dos casos.
Há também evidências de que a poluição do ar está
relacionada ao câncer de bexiga. “Partículas nocivas entram pelo pulmão, mas
atingem a corrente sanguínea. E o tecido que está mais suscetível para toxinas
da poluição é a bexiga”, esclarece Roger Akira.
Em 2013, a Agência Internacional para Pesquisa sobre
Câncer (Iarc), da OMS, classificou a poluição atmosférica como cancerígena. A
agência também concluiu que a poluição do ar é a principal causa ambiental para
mortes por câncer.
O oncologista da UFPR reconhece que é difícil evitar
tal fator de forma individual, já que muitas pessoas vivem expostas à poluição.
Mas recomenda atividades ao ar livre em locais arborizados, como parques e
praça.
Fonte:
https://jovembarrafm.com.br/9-coisas-que-comprovadamente-ajudam-a-reduzir-o-risco-de-cancer/

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