sexta-feira, 26 de junho de 2026

Estudo associa oito aditivos alimentares comuns a maior risco de pressão alta e doenças cardíacas


Um estudo apresentado pela European Society of Cardiology (ESC) e divulgado pelo portal ScienceDaily analisou a relação entre aditivos alimentares e saúde cardiovascular.

 

Um estudo apresentado pela European Society of Cardiology (ESC) e divulgado pelo portal ScienceDaily analisou a relação entre aditivos alimentares e saúde cardiovascular. A pesquisa acompanhou mais de 112 mil adultos na França por até oito anos e encontrou associação entre o consumo frequente de determinados aditivos, presentes em alimentos ultraprocessados, e maior risco de hipertensão arterial e de doenças cardiovasculares. Os resultados não mostram uma ligação de causa e efeito. Ainda assim, levantam dúvidas importantes sobre o padrão alimentar atual e reforçam alertas já feitos por sociedades médicas.

 

Os participantes registraram, em um contexto de vida real, o que comiam ao longo do tempo. Com base nessas informações, os cientistas cruzaram a ingestão de aditivos específicos com o surgimento de novos casos de pressão alta, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outros problemas cardíacos. Dessa forma, o trabalho reforça o debate sobre o papel dos alimentos ultraprocessados na rotina. Além disso, mostra como rótulos aparentemente inofensivos podem esconder substâncias associadas a maior risco para o coração.

 

Como o estudo foi conduzido e quem participou da pesquisa?

O estudo analisado pela ESC utilizou dados de uma grande coorte francesa de base populacional, com voluntários adultos que aceitaram registrar de forma detalhada o que consumiam. No total, mais de 112 mil pessoas permaneceram em acompanhamento por até oito anos. Ao longo desse tempo, os participantes informavam, em vários momentos, sua alimentação diária, incluindo marcas, tipos de produtos e frequência de consumo.

 

Com essas informações, pesquisadores cruzaram cada item registrado com bancos de dados de composição de alimentos e identificaram quais produtos continham determinados aditivos. Em seguida, eles calcularam a quantidade média consumida de cada substância ao longo do acompanhamento. Paralelamente, os cientistas monitoravam a saúde dos participantes e verificavam o surgimento de hipertensão arterial e de eventos cardiovasculares, como infarto do miocárdio, AVC e necessidade de procedimentos de revascularização coronariana.

 

Os pesquisadores também consideraram fatores que poderiam interferir nos resultados, como idade, sexo, tabagismo, prática de atividade física, índice de massa corporal, histórico familiar de doença cardíaca e outros aspectos de estilo de vida. Desse modo, a análise estatística buscou isolar, dentro do possível, o papel de grupos específicos de aditivos. Mesmo assim, os autores ressaltam que o estudo utilizou um desenho observacional, no qual os cientistas apenas observam a vida real sem intervenção direta. Esse formato impede a confirmação de que os aditivos causem de forma direta os problemas detectados.

 

Quais são os oito aditivos associados a maior risco cardiovascular?

O foco principal do estudo recaiu sobre um conjunto de oito aditivos alimentares, amplamente usados pela indústria para conservar, realçar cor ou sabor e evitar a deterioração de produtos. São eles:

 

Sorbato de potássio

Metabissulfito de potássio

Nitrito de sódio

Ácido ascórbico

Ascorbato de sódio

Eritorbato de sódio

Ácido cítrico

Extrato de alecrim

 

Essas substâncias costumam aparecer de forma combinada em muitos alimentos ultraprocessados. Em geral, o nitrito de sódio entra na composição de carnes processadas, como salsichas, linguiças, presuntos e embutidos em geral, pois ajuda a conservar a cor rosada e impede o crescimento de bactérias. Já o sorbato de potássio surge com frequência em queijos industrializados, produtos de panificação, molhos prontos e bebidas adoçadas. Por sua vez, o metabissulfito de potássio aparece em muitos vinhos, frutos secos embalados, sucos industrializados e alguns produtos enlatados.

 

Os compostos relacionados à vitamina C, como ácido ascórbico, ascorbato de sódio e eritorbato de sódio, funcionam como antioxidantes, pois evitam o escurecimento de alimentos, melhoram a aparência e prolongam a validade. O ácido cítrico, por sua vez, atua como regulador de acidez e aparece em refrigerantes, doces, balas, sobremesas prontas, iogurtes saborizados e sucos em pó. Além disso, o extrato de alecrim também exerce função antioxidante e entra na composição de óleos, snacks salgados, carnes processadas e pratos prontos congelados. Em muitos rótulos, essas substâncias surgem com nomes técnicos ou códigos. Assim, a identificação por parte do consumidor torna-se mais difícil.

 

O que o estudo encontrou sobre pressão alta e doenças do coração?

Ao comparar grupos com maior e menor ingestão desses aditivos, os pesquisadores observaram que o consumo mais elevado se associou a um risco estatisticamente maior de desenvolver hipertensão e eventos cardiovasculares ao longo do período de acompanhamento. Em outros termos, pessoas que ingeriam com frequência alimentos ricos nesses aditivos tiveram mais episódios de problemas cardíacos do que aquelas que consumiam quantidades menores. Além disso, o risco parecia aumentar de forma gradual conforme o consumo de ultraprocessados crescia.

 

A análise indicou que a relação não se restringe a um alimento isolado, mas ao conjunto da dieta com alto teor de alimentos ultraprocessados. Esse padrão alimentar geralmente inclui itens com muito sódio, gorduras saturadas e açúcares adicionados e, ao mesmo tempo, menos fibras, frutas, legumes e preparações caseiras. Assim, o estudo sugere que o pacote completo da alimentação industrializada, incluindo os aditivos, pode contribuir para o aumento do risco de pressão alta e doenças do coração. Portanto, os resultados dialogam com outras pesquisas que já relacionam ultraprocessados a obesidade, diabetes tipo 2 e maior mortalidade.

 

Os autores reforçam, porém, que a pesquisa encontrou uma associação estatística. Isso significa que os dados mostram uma ligação observada, mas não provam que os aditivos atuem, por si só, como causa direta dos problemas. Outros elementos presentes na dieta ou no estilo de vida também podem participar dessa relação. Ainda assim, os resultados se mostraram consistentes o suficiente para motivar novas investigações e discussões regulatórias, especialmente sobre rotulagem e limites seguros de uso desses ingredientes.

 

Em que tipos de alimentos esses aditivos aparecem no cotidiano?

Os oito aditivos avaliados aparecem combinados em uma ampla gama de produtos disponíveis em supermercados e lojas de conveniência. Entre os exemplos mais comuns, destacam-se:

 

Carnes processadas: salsichas, presuntos, peito de peru, salames e linguiças, geralmente com nitrito de sódio, extrato de alecrim e antioxidantes como ascorbato e eritorbato de sódio.

Bebidas industrializadas: refrigerantes, sucos prontos, bebidas adoçadas e energéticos, frequentemente com ácido cítrico e, em alguns casos, metabissulfito de potássio.

Produtos de panificação e confeitaria: pães de forma industrializados, bolos prontos, sobremesas e recheios, que podem conter sorbato de potássio, ácido ascórbico e ácido cítrico.

Snacks e alimentos prontos: batatas fritas de pacote, salgadinhos, pratos congelados e molhos prontos, com uso de extrato de alecrim, sorbato de potássio e outros conservantes.

Frutas secas e enlatados: uvas-passas, damascos, alimentos em conserva e alguns vegetais enlatados, com metabissulfito de potássio e antioxidantes.

 

Nesse cenário, consumidores que baseiam grande parte da alimentação em produtos prontos ou semiprontos costumam ingerir diversos aditivos ao longo do dia, muitas vezes sem perceber. Por isso, a leitura atenta dos rótulos, incluindo a lista de ingredientes, ajuda a identificar a presença dessas substâncias e a frequência com que elas aparecem na rotina alimentar. Além disso, comparar marcas, escolher versões com listas menores de ingredientes e priorizar opções com menos aditivos são estratégias práticas para reduzir a exposição.

 

O que os cientistas concluíram e quais são os próximos passos?

Os pesquisadores envolvidos no estudo destacaram que os resultados reforçam a necessidade de atenção ao consumo regular de alimentos ultraprocessados, especialmente entre pessoas com risco maior de doença cardiovascular. A associação observada sugere que reduzir a ingestão de produtos ricos em conservantes, antioxidantes sintéticos e estabilizantes podem representar uma estratégia relevante de saúde pública. Essa medida deve atuar ao lado de outras ações já consolidadas, como evitar o tabagismo, manter atividade física regular e controlar a pressão arterial.

 

Ao mesmo tempo, o grupo responsável pelo trabalho afirma que a comunidade científica ainda precisa de mais estudos, incluindo pesquisas experimentais e ensaios clínicos, para esclarecer o papel específico de cada aditivo no organismo humano. Os pesquisadores também ressaltam a importância de avaliar o efeito combinado dessas substâncias, já que elas costumam aparecer juntas no mesmo produto e podem interagir entre si. Além disso, defendem investigações em diferentes países, a fim de verificar se os resultados se repetem em outros padrões alimentares.

 

Em termos práticos, a pesquisa reforça orientações que sociedades médicas e entidades de nutrição já discutem com frequência: priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, dar preferência a preparações caseiras quando possível e reservar itens ultraprocessados para consumo ocasional, e não diário. Ao trazer dados de um grupo numeroso, acompanhado por vários anos, o estudo apresentado pela European Society of Cardiology amplia o debate sobre a qualidade da alimentação atual e o impacto desse padrão sobre a pressão arterial e a saúde do coração ao longo da vida. Dessa maneira, ele oferece mais um argumento para que consumidores, profissionais de saúde e formuladores de políticas públicas revisem a relação com produtos industrializados.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/estudo-com-mais-de-112-mil-pessoas-associa-oito-aditivos-alimentares-comuns-a-maior-risco-de-pressao-alta-e-doencas-cardiacas,af614028fbb7035c6b6339d273c76760wt4gzgxb.html?utm_source=clipboard - Por: Jonasmoura* *com uso de inteligência artificial / Giro 10 - depositphotos.com / VitalikRadko

Exercício físico atua na regulação genética para proteger coração infartado


Resultados fornecem evidências inéditas do envolvimento dos circRNAs como chaves reguladoras na resposta do coração ao exercício aeróbico após o infarto

 

Uma pesquisa inédita da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP descobriu que o treinamento físico aeróbico age diretamente na regulação genética do coração para ajudar em sua recuperação após um infarto. O estudo identificou que a prática de exercícios modifica o comportamento dos RNAs circulares, demonstrando seus efeitos no nível molecular — ou seja, dentro das células do coração.

 

Os RNAs circulares (conhecidos como circRNAs) são um tipo especial de material genético: diferente dos RNAs comuns, que possuem um formato linear de fita, os circRNAs fecham-se em um anel. Esse formato circular traz alta estabilidade, fazendo com que durem mais tempo no organismo, além da capacidade de modificar a expressão de outros genes, funcionando como verdadeiros “interruptores” celulares.

 

A descoberta traz novas respostas para o combate às doenças cardiovasculares, que permanecem como as principais causas de morte no mundo. Entre elas, o infarto do miocárdio — popularmente conhecido como ataque cardíaco — destaca-se tanto pela gravidade imediata quanto pelas sequelas que se estendem muito além do atendimento de emergência. Apesar dos avanços médicos atuais, a ciência ainda enfrentava lacunas para compreender como o coração tenta se recuperar após a lesão e quais gatilhos biológicos poderiam ser estimulados para uma reparação mais eficiente.

 

Embora caminhadas e corridas sejam recomendadas há décadas no tratamento pós-infarto, os seus efeitos dentro das células cardíacas ainda não são completamente compreendidos. “Nós mostramos que o treinamento físico aeróbio muda a expressão de alguns RNAs circulares após o infarto e isso melhora a função do coração, reduz a hipertrofia cardíaca [o aumento prejudicial do tamanho do órgão] e a fibrose [a formação de cicatrizes rígidas que endurecem o músculo] e ainda ativa algumas vias cardioprotetoras. Ou seja, o exercício físico não atua somente no músculo esquelético, mas também diretamente na regulação dos genes do coração, e entender isso pode abrir portas para novas terapias baseadas no RNA”, explica a pesquisadora Noemy Pinto Pereira, que desenvolveu a investigação durante seu doutorado na USP sob orientação da professora Edilamar Menezes de Oliveira.

 

Efeitos do exercício no coração

A pesquisa utilizou um modelo experimental com ratos da linhagem Wistar submetidos à indução de infarto do miocárdio e, posteriormente, a um protocolo estruturado de treinamento aeróbico. Antes de iniciar as análises moleculares, o estudo verificou os efeitos clássicos do treinamento físico aeróbico, como a diminuição da frequência cardíaca de repouso e o aumento da capacidade oxidativa, que é a habilidade dos músculos de usar o oxigênio para gerar energia.

 

Com os animais já divididos entre grupos saudáveis e infartados, treinados e sedentários, o estudo passou a investigar as alterações estruturais e funcionais no coração. Técnicas como a ecocardiografia (o chamado ultrassom do coração) e análises histológicas (exames dos tecidos ao microscópio) permitiram observar mudanças no tamanho das câmaras cardíacas, na espessura das paredes e na presença de fibrose, características fundamentais para entender como o coração reage à lesão.

 

Em seguida, foi realizado um sequenciamento abrangente de RNAs para mapear a expressão de circRNAs, microRNAs e mRNAs nas regiões remota (área saudável do coração) e de borda do infarto (zona de transição colada à lesão). Essa abordagem permitiu identificar moléculas que sofrem alterações, tanto pela lesão quanto pela prática de exercício, fornecendo uma visão ampla das redes de regulação envolvidas no remodelamento cardíaco — o processo de transformação na forma e na função do órgão após um trauma.

 

Com esses resultados, a pesquisadora selecionou RNAs circulares com potencial de atuar como reguladores importantes — especialmente aqueles capazes de interagir com microRNAs relacionados à fibrose, à hipertrofia e à apoptose (processo de morte celular programada). Para ampliar a compreensão funcional dessas moléculas, foram conduzidos ensaios em células cardíacas e em modelos animais que receberam vetores virais do tipo AAV9. Esses vetores são vírus modificados em laboratório, totalmente inofensivos, usados como veículos para superexpressar circRNAs específicos. Essa etapa permitiu avaliar se a modulação direcionada dessas moléculas poderia reproduzir ou complementar os efeitos benéficos observados com o treinamento aeróbico.

 

Recuperação cardíaca

Os resultados revelaram que o infarto provoca alterações significativas no perfil de circRNAs no coração, mas que o treinamento aeróbico é capaz de reverter ou modular parte dessas mudanças. Alguns desses RNAs apresentaram um padrão de comportamento mais semelhante ao de corações saudáveis após o exercício, indicando um possível papel nos efeitos protetores da atividade física.

 

O treinamento aeróbico também demonstrou reduzir marcadores de fibrose e atenuar sinais de hipertrofia patológica, enquanto preservava a função ventricular (capacidade de bombeamento de sangue do coração). Essas melhorias estruturais e funcionais reforçam que as alterações moleculares observadas têm impacto direto sobre a saúde do tecido cardíaco. Os resultados mostram que os benefícios já conhecidos do exercício envolvem mecanismos muito mais específicos e sofisticados do que se imaginava.

 

Nos ensaios celulares, a superprodução dos circRNAs selecionados reduziu a morte celular e regulou genes associados ao remodelamento, sugerindo caminhos promissores para investigações futuras. Nos modelos animais, o uso dos vetores virais mostrou efeitos compatíveis com uma resposta protetora, ainda que variáveis dependendo da molécula estudada.

 

“Entender esses mecanismos é essencial para transformar o exercício em uma estratégia cada vez mais precisa, tanto na prevenção quanto no tratamento da doença” – Noemy Pinto Pereira

 

A pesquisa reconhece limitações, como a necessidade de avaliar essas moléculas em estágios mais avançados do remodelamento cardíaco, explorar interações com proteínas reguladoras e expandir os testes para modelos ainda mais próximos aos da fisiologia humana. Apesar disso, o trabalho oferece uma base sólida para estudos que buscam desenvolver terapias inovadoras inspiradas nos efeitos benéficos do exercício.

 

Com esses achados, o estudo contribui para ampliar a compreensão sobre como o treinamento aeróbico influencia o coração após um evento isquêmico, e destaca o potencial dos RNAs circulares como novos alvos para medicamentos. As descobertas fortalecem a ponte entre a ciência básica de laboratório e as aplicações clínicas futuras que possam melhorar a recuperação de pacientes que sofreram infarto. 

 

A tese de doutorado intitulada Papel do treinamento físico e RNAs circulares como efeito terapêutico no infarto do miocárdio estará disponível em breve na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP.

 

*Estagiário sob supervisão de Paula Bassi, da Seção de Relações Institucionais e Comunicação da EEFE. Adaptado para o Jornal da USP

 

**Estagiária sob orientação de Simone Gomes

 

Fonte: https://jornal.usp.br/ciencias/exercicio-fisico-atua-na-regulacao-genetica-para-proteger-coracao-infartado/ - Texto: Guilherme Ike* - Arte: Livia Bortoletto** - Foto: Ketut Subiyanto – Pexels

quinta-feira, 25 de junho de 2026

7 erros em hábitos saudáveis que podem prejudicar sua saúde


Nem tudo que parece saudável faz bem. Descubra 7 hábitos comuns que podem estar sabotando sua saúde sem você perceber.

 

Resumo

Muitos hábitos considerados saudáveis podem, na verdade, sabotar sua saúde. Exageros em alimentos industrializados, confiança excessiva em rótulos e alguns comportamentos durante treinos podem gerar resultados indesejados. Este guia explora sete erros comuns e como evitá-los, mostrando que equilíbrio e escolhas conscientes são essenciais para um estilo de vida saudável.

Manter um estilo de vida saudável exige atenção constante às escolhas do dia a dia. No entanto, nem tudo que parece correto realmente faz bem. Muitos hábitos comuns podem estar sabotando sua saúde.

Isso acontece porque algumas decisões criam uma falsa sensação de equilíbrio. Você acredita estar no caminho certo, mas comete excessos. Esses erros são mais comuns do que parecem.

Segundo estudos recentes, comportamentos considerados positivos podem gerar efeitos opostos. Por isso, entender esses padrões é essencial. Assim, você evita armadilhas e melhora seus resultados.

 

1. Confiar demais na sensação de "merecimento" por se considerar saudável

Muitas pessoas associam atitudes positivas a recompensas alimentares. Esse comportamento pode gerar excessos. Mesmo escolhas saudáveis podem abrir espaço para deslizes.

Segundo a "Associação Americana de Marketing", consumidores que usam sacolas reutilizáveis compram mais alimentos saudáveis. Porém, também tendem a consumir mais fast food.

Isso ocorre porque a pessoa se sente "virtuosa". Como resultado, acredita que merece uma recompensa. Esse ciclo prejudica a consistência.

Para evitar esse erro, é importante manter equilíbrio. Um hábito saudável não compensa outro negativo. Consistência é mais importante que compensação.

 

2. Exagerar em alimentos "fit"

Produtos rotulados como fitness podem enganar facilmente. Barras, shakes e snacks parecem saudáveis. No entanto, muitas vezes são calóricos.

De acordo com a "Revista de Pesquisa de Marketing", pessoas consomem mais quando o alimento é rotulado como fitness. Isso cria uma falsa sensação de segurança.

Além disso, esses produtos não substituem uma refeição equilibrada. Eles devem ser consumidos com moderação. Caso contrário, podem prejudicar resultados.

O ideal é priorizar alimentos naturais. Produtos industrializados, mesmo fitness, devem ser complementares. Assim, você mantém um padrão realmente saudável.

 

3. Acreditar cegamente na palavra "saudável" nos rótulos

Termos como "natural" e "orgânico" influenciam decisões. Muitas pessoas associam esses rótulos a produtos realmente saudáveis. Porém, nem sempre isso é verdade.

Segundo pesquisa da "Universidade de Houston", consumidores avaliam alimentos como mais saudáveis apenas pelo rótulo. Isso acontece mesmo sem analisar a composição.

Esse comportamento pode levar ao consumo excessivo de produtos inadequados. Açúcar, gordura e sódio ainda podem estar presentes. Por isso, é essencial ler os ingredientes.

Evite confiar apenas no marketing. Analise informações nutricionais com atenção. Isso garante escolhas mais conscientes.

 

4. Beber água em excesso durante o treino

A hidratação é fundamental para o corpo. No entanto, o excesso também pode causar problemas. Beber água sem necessidade pode desequilibrar o organismo.

Segundo a "Revista Clínica de Medicina do Esporte", o ideal é beber conforme a sede. Isso evita a diluição excessiva de sódio no sangue.

Esse problema é mais comum em treinos longos. Atletas de resistência devem ter atenção redobrada. O excesso pode afetar o desempenho.

Manter o equilíbrio é essencial. Nem pouca, nem muita água. O corpo costuma indicar a quantidade necessária.

 

5. Consumir bebidas esportivas sem necessidade

Bebidas esportivas são úteis em treinos intensos. No entanto, nem todo exercício exige esse tipo de reposição. O consumo inadequado pode trazer prejuízos.

Essas bebidas contêm açúcar e calorias extras. Para treinos leves, elas não são necessárias. Isso pode dificultar a perda de peso.

Segundo estudo publicado na revista "Obesidade", o consumo frequente está ligado ao ganho de peso. Isso acontece pelo excesso calórico.

Prefira água na maioria dos casos. Reserve bebidas esportivas para atividades intensas. Assim, você mantém um padrão mais saudável.

 

6. Usar adoçantes artificiais em excesso

Adoçantes parecem uma alternativa saudável ao açúcar. Porém, o consumo excessivo pode gerar efeitos negativos. Isso inclui alterações metabólicas.

Estudos da Purdue University indicam que adoçantes podem afetar a relação entre sabor e metabolismo. Isso pode contribuir para ganho de peso.

Além disso, esses produtos são extremamente doces. Isso altera a percepção do paladar ao longo do tempo. O corpo passa a desejar mais açúcar.

O ideal é reduzir o consumo geral de doces. Substituições devem ser moderadas. Equilíbrio é sempre a melhor escolha.

 

7. Comer fora com frequência, mesmo parecendo saudável

Comer fora parece prático, mas pode ser prejudicial. Mesmo restaurantes sofisticados oferecem refeições mais calóricas. Isso impacta diretamente a saúde.

Segundo pesquisadores da Universidade de Illinois, refeições fora de casa têm mais gordura e colesterol. Isso ocorre mesmo em opções consideradas saudáveis.

Além disso, o controle de ingredientes é menor. Isso dificulta manter uma alimentação equilibrada. Pequenos excessos se acumulam.

Sempre que possível, prepare suas próprias refeições. Isso garante maior controle nutricional. E ajuda a manter hábitos realmente saudáveis.

 

Checklist: como manter um estilo de vida saudável de verdade

Para evitar esses erros, algumas práticas simples ajudam no dia a dia.

 

Leia rótulos com atenção.

Evite excessos, mesmo em alimentos saudáveis.

Prefira alimentos naturais.

Ouça os sinais do seu corpo.

Mantenha equilíbrio nas escolhas.

 

Essas atitudes ajudam a construir um estilo de vida consistente. Pequenas mudanças geram grandes resultados. E evitam armadilhas comuns.

 

Ser saudável vai além de seguir tendências. Envolve consciência e equilíbrio. Assim, suas escolhas realmente fazem diferença.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/7-erros-em-habitos-saudaveis-que-podem-prejudicar-sua-saude,ebeef533bd11df6e2ee571cf3ac25fd1ym5kwo35.html?utm_source=clipboard - Foto: Aja Koska/Canva

Inclusão pela metade: avanço dos direitos das minorias e o esquecimento da população idosa na era digital


Enquanto o Brasil se prepara para mais um ciclo eleitoral, os discursos dos candidatos voltam a girar em torno de temas como saúde, educação, segurança pública, desenvolvimento econômico e inclusão social. No entanto, uma questão cada vez mais urgente continua ocupando pouco espaço no debate público: o envelhecimento da população brasileira e a exclusão silenciosa enfrentada por milhões de idosos.

 

Nas últimas décadas, a sociedade brasileira avançou significativamente na promoção dos direitos humanos e na inclusão de grupos historicamente marginalizados. Conquistas importantes ampliaram o reconhecimento da diversidade e fortaleceram a luta por igualdade de oportunidades. Esses avanços são legítimos, necessários e representam uma evolução democrática que merece ser celebrada.

 

Entretanto, em meio a tantas pautas de inclusão, uma pergunta se impõe: quem está olhando para os idosos? Nunca se falou tanto em acessibilidade, respeito às diferenças e cidadania. Paradoxalmente, milhares de brasileiros com mais de 60 anos enfrentam dificuldades crescentes para exercer direitos básicos. Em muitos casos, não por falta de leis, mas pela forma como os serviços públicos e privados passaram a funcionar.

 

A transformação digital trouxe inúmeros benefícios para a sociedade. Hoje é possível marcar consultas, solicitar documentos, pagar contas, abrir contas bancárias e resolver diversas questões sem sair de casa. Para grande parte da população, a tecnologia representa praticidade e rapidez.

 

Mas existe um outro lado dessa realidade.

 

Para milhões de idosos, a digitalização excessiva tem se transformado em uma nova forma de exclusão social. O atendimento presencial vem desaparecendo de bancos, repartições públicas, operadoras de saúde, empresas de telefonia e concessionárias de serviços essenciais. Em seu lugar, surgem aplicativos, plataformas digitais, centrais automatizadas e sistemas que exigem conhecimentos tecnológicos nem sempre acessíveis a todos.

 

O resultado é que muitos idosos encontram dificuldades para realizar tarefas simples do cotidiano. Alguns dependem de familiares para acessar serviços. Outros enfrentam obstáculos por limitações visuais, auditivas ou cognitivas naturais do envelhecimento. Há ainda aqueles que simplesmente não tiveram oportunidade de desenvolver familiaridade com as novas tecnologias.

 

Quando o atendimento humano desaparece, desaparece também uma parte da autonomia dessas pessoas. O problema torna-se ainda mais preocupante diante de uma realidade demográfica incontestável: o Brasil está envelhecendo. A expectativa de vida aumentou e a participação da população idosa cresce a cada ano. Ainda assim, a estrutura de muitos serviços parece caminhar na direção oposta, ignorando as necessidades de quem mais precisa de acolhimento e atenção.

 

A questão vai além da tecnologia. Trata-se de cidadania. Uma sociedade verdadeiramente inclusiva não pode considerar moderno um sistema que exclui justamente aqueles que ajudaram a construir o país. Quando uma pessoa idosa não consegue acessar um serviço essencial porque não domina um aplicativo ou porque não existe alternativa presencial, o problema não está apenas na tecnologia. Está na falta de planejamento, de sensibilidade e de compromisso com a inclusão real.

 

Especialistas já alertam para um fenômeno crescente: a invisibilidade digital da pessoa idosa. Trata-se de uma exclusão silenciosa, muitas vezes ignorada pelas estatísticas, mas presente diariamente na vida de milhões de brasileiros. Nesse contexto, o período eleitoral deveria representar uma oportunidade para que candidatos e gestores públicos assumam compromissos concretos com o envelhecimento da população.

 

Não basta defender inclusão de forma genérica. É necessário apresentar propostas específicas para garantir que os idosos continuem exercendo plenamente seus direitos. Entre as medidas urgentes estão a manutenção do atendimento presencial nos serviços essenciais, a criação de programas permanentes de alfabetização digital, a ampliação de centros de convivência, o fortalecimento das políticas de saúde voltadas ao envelhecimento e a implantação de mecanismos que identifiquem e acolham adequadamente esse público.

 

Também é fundamental que empresas e instituições compreendam que modernização não pode significar exclusão. A tecnologia deve ampliar direitos, e não criar barreiras para quem mais necessita deles.

 

A preocupação com a população idosa não é apenas uma questão de sensibilidade social. É uma obrigação legal.

 

A Constituição Federal estabelece, em seu artigo 230, que a família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e garantindo seu bem-estar. O Estatuto da Pessoa Idosa reforça esses princípios ao reconhecer direitos específicos destinados à proteção e à inclusão desse segmento da população.

 

Mais do que uma pauta social, trata-se de uma questão de justiça e respeito. As eleições passarão. Os discursos serão substituídos pela rotina da administração pública. Mas a pergunta continuará presente: os idosos permanecerão invisíveis ou finalmente ocuparão o espaço que merecem nas políticas públicas?

 

O futuro de uma nação não pode ser construído ignorando aqueles que construíram seu passado. O envelhecimento da população brasileira não é um problema do amanhã. É uma realidade do presente que exige planejamento, responsabilidade e ação imediata.

 

Uma sociedade verdadeiramente inclusiva não é aquela que apenas reconhece direitos. É aquela que garante que todos possam exercê-los. Quando um idoso encontra barreiras para acessar serviços básicos, não é apenas um cidadão que está sendo excluído. É a própria ideia de cidadania que está sendo colocada à prova. O idoso não pode ser deixado para trás.

 

Fonte: https://jlpolitica.com.br/colunas/aparte/posts/em-carmopolis-evento-de-fabio-mitidieri-faz-uma-verdadeira-salada-de-frutas-com-politicos-da-situacao-e-da-oposicao/notas/opiniao-inclusao-pela-metade-avanco-dos-direitos-das-minorias-e-o-esquecimento-da-populacao-idosa-na-era-digital – por Gilson Doria

quarta-feira, 24 de junho de 2026

A dor de cabeça virou rotina? Veja o que pode estar por trás do problema


Dor de cabeça constante pode ter causas que passam despercebidas no dia a dia. Veja quando o sintoma merece mais atenção.

 

Você acorda com dor de cabeça, trabalha com dor de cabeça e vai dormir com a sensação de que ela nunca desaparece completamente?

 

Quando a dor de cabeça constante passa a fazer parte da rotina, é natural surgir a preocupação. Afinal, o que está causando esse sintoma?

 

Muitas vezes, a explicação está em situações que passam despercebidas no dia a dia. Noites mal dormidas, excesso de estresse, longos períodos sem se alimentar ou até o uso frequente de medicamentos podem contribuir para o problema.

 

Mas nem sempre é tão simples. Em alguns casos, a dor persistente pode indicar a necessidade de uma avaliação médica.

 

Entender os possíveis gatilhos é o primeiro passo para encontrar alívio e saber quando procurar ajuda.

 

Estresse e ansiedade estão entre as causas mais comuns

O estresse e a ansiedade figuram entre os fatores mais frequentemente associados às dores de cabeça recorrentes.

Quando estamos sob pressão, é comum ocorrer aumento da tensão muscular, especialmente na região do pescoço, ombros e couro cabeludo.

Esse quadro pode favorecer a chamada cefaleia tensional, caracterizada por uma sensação de aperto ou pressão ao redor da cabeça.

Além disso, a ansiedade pode prejudicar a qualidade do sono, aumentar o estado de alerta do organismo e influenciar a forma como o cérebro processa a dor.

 

O uso frequente de analgésicos pode piorar o problema

Pode parecer contraditório, mas remédios usados para aliviar a dor também podem contribuir para sua manutenção quando consumidos com muita frequência.

Esse quadro é conhecido como cefaleia por uso excessivo de medicação. Nesses casos, a pessoa passa a ter dores recorrentes e sente necessidade crescente de utilizar analgésicos para obter alívio.

Segundo diretrizes internacionais, o risco aumenta quando determinados medicamentos são utilizados repetidamente por vários meses.

Dependendo do remédio, o alerta pode ocorrer quando o uso acontece em 10 a 15 dias ou mais por mês.

Se você precisa tomar medicamentos para dor de cabeça com frequência, vale a pena conversar com um médico para investigar a causa do problema.

 

Outros hábitos e fatores que podem favorecer a dor de cabeça

Nem sempre a origem do desconforto está em uma doença. Muitas vezes, hábitos aparentemente simples ajudam a explicar por que a dor se torna frequente.

Ficar muitas horas sem comer, dormir mal, consumir álcool em excesso, exagerar na cafeína ou não beber água suficiente são fatores frequentemente associados ao surgimento de dores de cabeça.

 

A má postura também merece atenção.

Passar horas em frente ao computador ou olhando para o celular pode sobrecarregar a musculatura do pescoço e dos ombros, favorecendo dores tensionais.

Além disso, algumas pessoas são mais sensíveis a fatores ambientais, como cheiros fortes, mudanças bruscas de temperatura, ambientes muito iluminados ou longos períodos diante de telas.

Observar quando a dor aparece e o que aconteceu nas horas anteriores pode ajudar a identificar possíveis gatilhos.

 

Dor de cabeça constante pode ser enxaqueca?

Nem toda dor de cabeça frequente é enxaqueca.

A diferença é importante porque o tratamento costuma ser diferente.

Enquanto algumas cefaleias provocam apenas uma sensação de pressão ou aperto, a enxaqueca geralmente vem acompanhada de sintomas que interferem significativamente na rotina.

 

Os sinais mais comuns incluem:

 

sensação de latejamento ou batidas dentro da cabeça;

dor que costuma atingir mais um lado da cabeça do que o outro;

intensidade moderada a forte;

piora durante atividades físicas simples, como caminhar rapidamente ou subir escadas;

náuseas ou vômitos;

incômodo maior com luzes, sons e cheiros;

episódios que podem durar horas ou até alguns dias.

Algumas pessoas também apresentam alterações visuais temporárias, conhecidas como aura.

 

Se você suspeita de enxaqueca, manter um diário das crises pode ajudar a identificar padrões e facilitar a avaliação médica.

 

Quando a dor de cabeça pode ser sinal de alerta?

Na maioria dos casos, a dor de cabeça frequente está relacionada a condições benignas. Ainda assim, alguns sinais exigem avaliação médica imediata.

 

Procure atendimento médico o quanto antes se a dor:

 

surgir de forma repentina e muito intensa;

for muito diferente das dores de cabeça que você costuma ter;

estiver ficando mais frequente ou mais forte com o passar do tempo;

vier acompanhada de febre e rigidez no pescoço;

causar confusão mental;

provocar dificuldade para falar ou enxergar;

vier acompanhada de fraqueza, formigamento ou perda de sensibilidade em alguma parte do corpo;

aparecer após uma pancada na cabeça;

começar do nada depois dos 50 anos, especialmente em quem nunca teve histórico de dores de cabeça frequentes.

Embora essas situações sejam menos comuns, elas podem indicar problemas que exigem investigação urgente.

 

O que pode ajudar a aliviar a dor de cabeça?

Quando não há uma condição grave associada, algumas medidas podem ajudar a reduzir a frequência e a intensidade das crises:

 

manter horários regulares para dormir e acordar;

evitar longos períodos em jejum;

beber água ao longo do dia;

praticar atividades físicas regularmente;

realizar alongamentos para pescoço e ombros;

reduzir o excesso de cafeína e álcool;

utilizar técnicas de relaxamento, como meditação e exercícios respiratórios;

observar e evitar gatilhos individuais quando identificados.

Compressas frias ou mornas também podem proporcionar alívio em algumas pessoas, embora os resultados variem conforme o tipo de cefaleia.

 

Fontes consultadas: Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe) | Academia Brasileira de Neurologia (ABN) | International Headache Society (IHS) | NICE Guideline - Headaches in over 12s | American Migraine Foundation

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/a-dor-de-cabeca-virou-rotina-veja-o-que-pode-estar-por-tras-do-problema,855def7098f5049710296ea71b46506dh7buqn91.html?utm_source=clipboard - Por: Enf. Raquel Souza de Faria / SaúdeLAB - Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB