sexta-feira, 13 de março de 2026

Alimentos que protegem: nutrientes essenciais para um sistema imunológico forte


A relação entre alimentação e sistema imunológico tem sido tema constante em estudos na área de saúde, especialmente diante do aumento de doenças infecciosas e crônicas. Afinal, a forma como uma pessoa se alimenta influencia diretamente a capacidade do organismo de reagir a vírus, bactérias e outros agentes agressores. Por isso, um cardápio equilibrado, com nutrientes variados, tende a favorecer a manutenção das defesas naturais do corpo e a reduzir o risco de infecções recorrentes.

 

Especialistas apontam que não existe um alimento isolado capaz de "blindar" a imunidade, mas sim um conjunto de hábitos alimentares. Somados, eles contribuem para o bom funcionamento do sistema imunológico. Vitaminas, minerais, proteínas, gorduras de boa qualidade e compostos antioxidantes atuam em etapas diferentes da resposta imune, desde a formação de células de defesa até o controle de processos inflamatórios.

 

Qual é o papel da alimentação na imunidade?

A alimentação tem função central na produção e na renovação das células de defesa, como linfócitos e anticorpos. Para que esse sistema funcione de forma adequada, o organismo depende de um suprimento constante de vitaminas (especialmente A, C, D e do complexo B), minerais (como zinco, selênio, ferro e magnésio), além de proteínas de boa qualidade. Assim, a ausência prolongada de nutrientes pode enfraquecer barreiras físicas, como pele e mucosas, e comprometer respostas imunes rápidas frente a agentes infecciosos.

 

Os antioxidantes também desempenham papel importante ao reduzir o estresse oxidativo, processo que pode prejudicar o funcionamento das células de defesa. Nutrientes como vitamina C, vitamina E, carotenoides e compostos fenólicos, presentes em frutas, verduras, legumes e oleaginosas, ajudam a proteger as células imunes contra danos causados por radicais livres.

 

Melhores alimentos para fortalecer o sistema imunológico

Entre os alimentos associados a um sistema imunológico mais equilibrado, destacam-se as frutas ricas em vitamina C, como laranja, acerola, kiwi, goiaba e limão. Afinal, esse nutriente participa da produção de células de defesa e contribui para a integridade das mucosas respiratórias. Ademais, vegetais coloridos, como cenoura, abóbora, espinafre, brócolis e couve, fornecem vitaminas A, C, K e ácido fólico, além de fibras e compostos bioativos que colaboram com a resposta imune.

 

As oleaginosas — castanha-do-pará, amêndoas, nozes e castanha de caju — são fontes relevantes de vitamina E, selênio e gorduras insaturadas, nutrientes relacionados à proteção das células do sistema imunológico. Já os peixes ricos em ômega-3, como salmão, sardinha, atum e cavalinha, contribuem para o equilíbrio dos processos inflamatórios, o que favorece uma resposta imune mais organizada e menos agressiva aos próprios tecidos.

 

Frutas cítricas e frutas vermelhas: fornecem vitamina C e antioxidantes.

Verduras escuras e legumes variados: concentram vitaminas, minerais e fibras.

Oleaginosas: oferecem selênio, zinco, vitamina E e gorduras boas.

Peixes gordurosos: são fontes de ômega-3, importante para modulação da inflamação.

Alho e gengibre: apresentam compostos com ação antimicrobiana e anti-inflamatória.

 

Por que intestino, alimentos fermentados e hidratação importam tanto?

A saúde intestinal é considerada peça-chave na imunidade, já que grande parte das células de defesa está localizada no trato gastrointestinal. Um intestino em equilíbrio depende de uma microbiota diversa, formada por bactérias benéficas que auxiliam na digestão, na produção de vitaminas e na proteção contra micro-organismos nocivos. Alimentos fermentados, como iogurte natural, kefir, chucrute e kombucha, podem contribuir para esse equilíbrio ao fornecer microrganismos vivos ou substâncias que favorecem o crescimento das bactérias benéficas.

 

A ingestão adequada de fibras, presentes em frutas, verduras, legumes, cereais integrais e leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), também é essencial para a microbiota intestinal. Essas fibras servem de substrato para as bactérias boas, ajudando na produção de ácidos graxos de cadeia curta, que fortalecem a barreira intestinal e, por consequência, impactam positivamente o sistema imunológico.

 

A hidratação adequada é outro ponto relevante. A água participa do transporte de nutrientes, da circulação das células de defesa e da eliminação de toxinas. Manter uma boa ingestão de líquidos ao longo do dia contribui para o funcionamento adequado das mucosas respiratórias e intestinais, que atuam como primeira linha de defesa contra agentes infecciosos.

 

Redução de ultraprocessados e organização da rotina alimentar

Estudos recentes associam o consumo frequente de alimentos ultraprocessados — como refrigerantes, salgadinhos de pacote, embutidos, biscoitos recheados e produtos prontos congelados — a maior inflamação sistêmica e a desequilíbrios na microbiota intestinal. Esses produtos costumam ser ricos em açúcares adicionados, gorduras saturadas ou gorduras trans, sódio e aditivos químicos, e pobres em fibras e micronutrientes, o que pode prejudicar a eficiência do sistema imunológico ao longo do tempo.

 

Para manter a imunidade em bom funcionamento, profissionais de saúde costumam sugerir uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, com variedade de cores no prato e atenção à qualidade das proteínas, dos carboidratos e das gorduras. Entre as estratégias apontadas estão:

 

Priorizar frutas, verduras, legumes e leguminosas em todas as refeições.

Incluir fontes de proteína magra, como peixes, ovos, aves e laticínios com pouco açúcar.

Consumir oleaginosas e sementes em pequenas porções diárias.

Adicionar alimentos fermentados regularmente ao cardápio.

Manter hidratação constante, com água e outras bebidas sem excesso de açúcar.

Reduzir ao máximo o consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas.

 

Dessa forma, a alimentação passa a ser vista não apenas como fonte de energia, mas como ferramenta diária para a manutenção da imunidade, auxiliando na prevenção de doenças e no suporte às defesas naturais do organismo ao longo da vida.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/alimentos-que-protegem-nutrientes-essenciais-para-um-sistema-imunologico-forte,9312ac928bf54342d20faa3ca03535a06s35rn80.html?utm_source=clipboard - Por: Valdomiro Neto* *com uso de Inteligência Artificial / Giro 10 - depositphotos.com / sumners

quinta-feira, 12 de março de 2026

Pequenos aumentos na atividade física diária podem salvar vidas


Fazer apenas alguns minutos a mais de atividade física por dia pode trazer benefícios importantes para a saúde e ajudar a reduzir o risco de morte precoce. Um grande estudo internacional publicado na revista The Lancet analisou dados de mais de 130 mil adultos acompanhados ao longo de vários anos na Europa e nos Estados Unidos.

 

Os pesquisadores descobriram que pessoas menos ativas poderiam reduzir significativamente o risco de morte ao adicionar apenas 5 minutos diários de atividade moderada ou intensa, como caminhar mais rápido, subir escadas ou pedalar. Esse pequeno aumento foi associado à prevenção de cerca de 6% das mortes. Se adotado em larga escala, o impacto na saúde pública poderia chegar a até 10% menos mortes.

 

Além disso, diminuir o tempo sentado também mostrou benefícios. Reduzir cerca de 30 minutos por dia de comportamento sedentário esteve relacionado à prevenção de até 7% das mortes em alguns grupos.

 

A principal mensagem é simples: não é necessário começar com exercícios intensos ou longos. Pequenas mudanças consistentes na rotina podem trazer ganhos importantes para a saúde cardiovascular e geral.

 

Fonte: The Lancet. DOI: 10.1016/S0140-6736(25)02219-6.

 

Fonte: https://www.boasaude.com.br/noticias/22128/pequenos-aumentos-na-atividade-fisica-diaria-podem-salvar-vidas.html?utm_source=terra_capa_vida-e-estilo&utm_medium=referral#google_vignette

quarta-feira, 11 de março de 2026

7 sinais que os médicos observam para detectar doenças cedo


Alterações aparentemente simples no corpo podem indicar problemas de saúde

 

O corpo costuma enviar sinais importantes quando algo não vai bem. Muitas doenças começam com sintomas discretos, que podem passar despercebidos no dia a dia.

 

Durante consultas e exames de rotina, médicos observam algumas alterações específicas que ajudam a identificar problemas ainda em fases iniciais. Detectar esses sinais cedo pode facilitar o diagnóstico e aumentar as chances de tratamento eficaz.

 

Veja sete sinais que costumam chamar a atenção dos especialistas.

 

1. Cansaço excessivo

Sentir fadiga constante, mesmo após descanso adequado, pode indicar alterações no organismo.

Esse sintoma pode estar relacionado a anemia, distúrbios hormonais ou problemas metabólicos.

 

2. Perda de peso sem explicação

Perder peso sem mudanças na alimentação ou na rotina de exercícios merece atenção.

Esse sinal pode estar associado a distúrbios hormonais, problemas digestivos ou doenças mais complexas.

 

3. Mudanças na pele

Alterações na cor da pele, surgimento de manchas ou coceira persistente podem indicar problemas de saúde.

A pele muitas vezes reflete condições internas do organismo.

 

4. Inchaço frequente

Inchaços persistentes, principalmente em pernas, mãos ou rosto, podem indicar retenção de líquidos.

Esse sintoma pode estar relacionado a problemas cardíacos, renais ou circulatórios.

 

5. Alterações no apetite

Mudanças repentinas no apetite também são observadas pelos médicos.

A falta de fome ou aumento exagerado do apetite pode indicar alterações hormonais ou metabólicas.

 

6. Dores persistentes

Dores que permanecem por semanas ou surgem com frequência devem ser avaliadas.

Elas podem indicar inflamações, lesões ou outras condições que exigem acompanhamento médico.

 

7. Mudanças no sono

Dormir mal com frequência, acordar várias vezes durante a noite ou sentir sonolência excessiva durante o dia também podem indicar problemas de saúde.

Distúrbios do sono podem estar ligados ao estresse, ansiedade ou alterações hormonais.

 

A importância de observar o corpo

Prestar atenção aos sinais do corpo é fundamental para manter a saúde em dia.

 

Quando mudanças persistem por vários dias ou semanas, procurar avaliação médica pode ajudar a identificar problemas precocemente e evitar complicações.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/7-sinais-que-os-medicos-observam-para-detectar-doencas-cedo,af8d77550acce6406d0bbad725a10645arcp67se.html?utm_source=clipboard - Foto: SHutterstock / Saúde em Dia

terça-feira, 10 de março de 2026

Distúrbios do sono: veja os tipos mais comuns e quando procurar um médico


Uma noite mal dormida pode afetar o sistema imunológico, prejudicar a concentração e até aumentar o risco de doenças cardiovasculares

 

Os impactos de dormir mal vão muito além do cansaço no dia seguinte. A falta de sono de qualidade pode afetar o sistema imunológico, prejudicar a concentração e até aumentar o risco de doenças cardiovasculares. No entanto, segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), cerca de 70% dos brasileiros sofrem com algum tipo de distúrbio do sono.

 

Para a pneumologista e médica do sono Raíssa Dantas, do Hospital e Maternidade São Luiz Osasco, esses problemas costumam se refletir rapidamente no dia a dia. "Uma noite mal dormida pode provocar sonolência excessiva, irritabilidade, fadiga e dificuldade de concentração. São sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida", explica. Além disso, a privação de sono também pode comprometer a imunidade, deixando o organismo mais vulnerável a infecções.

 

Distúrbios do sono mais comuns

Os distúrbios do sono são condições que prejudicam a duração ou a qualidade do descanso, impedindo que o corpo alcance o chamado sono reparador. Entre os mais comuns, estão: insônia, privação crônica do sono e apneia do sono (sendo três tipos: obstrutiva, central ou mista).

 

A apneia obstrutiva do sono é caracterizada por obstrução parcial ou total da via respiratória durante o sono. A apneia central do sono caracteriza-se por pausas respiratórias durante o sono, decorrentes da ausência ou redução do estímulo respiratório gerado pelo sistema nervoso central. Ela pode ocorrer em situações que alteram o controle ventilatório, como insuficiência cardíaca ou uso de medicamentos que reduzem o estímulo respiratório. A apneia mista combina ambos os tipos anteriores.

 

Segundo Raíssa Dantas, a apneia do sono é o distúrbio respiratório do sono mais frequente. Estudos do Instituto do Sono apontam que, na cidade de São Paulo, o problema atinge cerca de 30% da população. Entre os fatores que podem favorecer o problema, estão obesidade, enfraquecimento dos músculos da garganta e alterações craniofaciais.

 

"Essas interrupções intermitentes e frequentes na respiração durante o sono estão associadas ao maior risco de problemas cardiovasculares, como hipertensão e acidente vascular cerebral (AVC)", destaca a médica. 

 

Sinais de alerta para procurar um médico

Alguns sintomas podem indicar que a qualidade do sono não está adequada. Os principais são:

 

Sonolência excessiva durante o dia;

Sensação de cansaço ao acordar;

Ronco frequente;

Dificuldade para iniciar ou manter o sono.

 

Nesses casos, a recomendação é procurar avaliação médica. O diagnóstico pode envolver exames como a polissonografia, que monitora diferentes parâmetros do organismo durante o sono. 

 

"No caso da apneia do sono, a polissonografia tipo 3 é um dos exames mais utilizados e pode ser realizada em casa, durante o sono. O paciente recebe orientações para utilizar um dispositivo simples, que inclui uma cinta torácica para registrar os movimentos respiratórios, um oxímetro no dedo para monitorar a oxigenação do sangue, um sensor de posição corporal e uma cânula nasal que mede o fluxo de ar durante a respiração", explica Raíssa Dantas.

 

Segundo a especialista, os equipamentos registram essas informações ao longo da noite, permitindo identificar pausas respiratórias e assim diagnosticar a apneia do sono.

 

Melhorando a qualidade do sono

Pequenas mudanças na rotina podem fazer diferença na qualidade do descanso. A especialista recomenda: 

 

Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana;

Dormir entre 7 e 9 horas por noite, tempo recomendado para a maioria dos adultos;

Evitar telas, especialmente o celular, próximo ao horário de dormir;

Deitar apenas quando estiver com sono;

Evitar refeições pesadas antes de dormir;

Manter o quarto silencioso, escuro e com temperatura confortável.

 

Outro ponto de atenção é o uso de melatonina sem orientação médica. "A melatonina é um hormônio produzido pelo organismo. Ela é produzida no cérebro e ajuda a sincronizar nosso relógio biológico, sinalizando para o corpo que está chegando a hora de dormir. Ela não é uma substância indutora do sono, como muitos pensam", alerta Raíssa Dantas. 

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/disturbios-do-sono-veja-os-tipos-mais-comuns-e-quando-procurar-um-medico,299584e6e480f93395fd620f63cfb91cxwm2rzak.html?utm_source=clipboard - Por Samara Meni - Foto: Lysenko Andrii | Shutterstock / Portal EdiCase

segunda-feira, 9 de março de 2026

O que você deve comer em cada fase da vida


Manter uma alimentação saudável é importante em qualquer idade, mas as necessidades de nutrientes variam ao longo da vida. Por isso, é preciso adaptar os nossos pratos à medida que envelhecemos.

 

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o governo do Reino Unido criou uma política de racionamento, que oferecia provisões semanais às famílias britânicas.

 

A ideia era permitir que as pessoas satisfizessem suas necessidades nutricionais, garantindo que os alimentos fossem distribuídos igualmente em todo o país.

 

Um dos alimentos racionados foi o açúcar. Cada indivíduo podia receber cerca de 227 g do produto por semana. Mas, para sua tristeza, crianças abaixo de dois anos de idade não tinham esse direito.

 

Com o fim do racionamento de açúcar, em 1953, a ingestão média do produto dobrou entre os adultos britânicos.

 

Na época, as pessoas mal sabiam, mas este fato histórico ofereceu aos cientistas do futuro uma ótima oportunidade de determinar os efeitos do consumo de açúcar para a saúde na fase inicial da vida.

 

Em um estudo de 2025, uma equipe global de pesquisadores vasculhou os registros médicos de 63 mil pessoas nascidas no Reino Unido entre 1951 e 1956, quando o racionamento de açúcar estava em vigor.

 

Eles descobriram que as crianças expostas a menos açúcar no útero e nos primeiros 1 mil dias de vida apresentaram 20% menos propensão a desenvolver doenças cardiovasculares com mais idade; 25% menos de desenvolver paradas cardíacas; e 31% menos de ter AVC do que crianças que se alimentaram com doces após o fim do racionamento.

 

Provavelmente não surpreende que esta forte relação entre a ingestão de açúcar e a saúde persista depois que nascemos. Resumidamente, comer muitos doces faz mal para nós, independentemente da idade.

 

Mas, como ocorre com outros alimentos, os benefícios nutricionais dependem do estágio da vida. Bebês e crianças precisam muito da gordura presente no leite integral e seus derivados, por exemplo, mas essa alimentação não seria considerada tão saudável para alguém na casa dos 20 ou 30 anos de idade.

 

Para a cientista nutricional Federica Amati, do Imperial College de Londres, as grandes necessidades de energia das crianças fazem com que elas precisem de alimentos ricos em nutrientes.

 

"Na infância, os alimentos estão literalmente construindo o corpo e o cérebro", explica ela.

"Além das calorias saudáveis, as crianças também precisam de ferro, iodo e uma ampla variedade de vitaminas para aumentar a imunidade, o desenvolvimento cerebral e o crescimento dos músculos."

Isso significa muitas frutas e legumes, grãos integrais, feijões e lentilhas, gorduras de boa qualidade como nozes e sementes e o mínimo de alimentos ultraprocessados.

"Da concepção até os primeiros 1 mil dias de vida e na idade escolar, as crianças crescem rapidamente e formam a maior parte da sua massa óssea futura", prossegue Amati.

"É por isso que o cálcio e a vitamina D são nutrientes prioritários nesta fase. Eles são essenciais para o desenvolvimento normal dos ossos e para atingir um pico saudável da massa óssea, o que reduz o risco de osteoporose e fraturas em idade avançada."

Na prática, segundo Almati, isso significa fontes regulares de cálcio, como leite, iogurte, queijo, tofu enriquecido com cálcio ou bebidas vegetais fortificadas, além de vitamina D da exposição ao sol e de alimentos como peixes e ovos.

Existem boas evidências de que comer os alimentos certos na infância pode beneficiar a saúde na idade adulta.

Em um estudo de 2023, pesquisadores analisaram a alimentação de crianças e a compararam com sua saúde, tanto na infância quanto ao se tornarem adultos.

Eles concluíram que as crianças que atenderam a três ou mais recomendações alimentares do Guia Coma Bem do NHS (o serviço público de saúde britânico) aos sete anos de idade apresentaram menos marcadores de risco de doenças cardíacas aos 24 anos, em comparação com as que não seguiram nenhuma das orientações.

 

Adolescentes e jovens adultos

A infância é uma fase importante, mas os alimentos que ingerimos na adolescência e na casa dos 20 anos de idade também formam a base para a saúde no futuro.

Segundo Amati, é nesta etapa da vida que terminamos de construir os ossos e os músculos e começamos a passar horas estudando, trabalhando e nos socializando. Todas estas atividades aumentam a necessidade de nutrientes.

"A adolescência e o início da idade adulta formam outra grande janela de oportunidades para a nutrição", afirma ela.

"Na casa dos 20 anos, o crescimento perde a velocidade, mas esta ainda é uma década fundamental para estabelecer hábitos que irão proteger a saúde do coração e do cérebro com mais idade. Observamos que grande parte das bases para doenças cardiovasculares já se forma nesta faixa etária, embora os sintomas só apareçam muito depois."

Na adolescência, o corpo precisa de vários nutrientes em maior quantidade, em comparação com a idade adulta.

Eles incluem cálcio, vitamina D e ferro, que é especialmente importante para a menstruação. Proteínas e vitaminas do complexo B também são importantes, destaca Amati.

 

Mas que forma tem essa alimentação?

Amati explica que os adolescentes e jovens adultos devem seguir uma dieta, em grande parte, à base de plantas e evitar alimentos ultraprocessados. Ou seja, com muitas frutas, verduras, cereais integrais, feijões, nozes, lentilhas e sementes.

Também é importante incluir uma quantidade apropriada de proteína em cada refeição, que pode ser de origem vegetal, segundo ela.

Estudos demonstram que essa alimentação não beneficia apenas o corpo. Ela também pode influenciar a saúde mental.

"Existem cada vez mais evidências de que os padrões alimentares da adolescência podem influenciar o risco de problemas de saúde mental", explica Amati.

"Dietas com alto teor de alimentos ultraprocessados e poucos alimentos vegetais integrais são associadas a maiores índices de depressão e ansiedade, enquanto os padrões no estilo mediterrâneo parecem oferecer proteção."

A dieta mediterrânea é rica em verduras, legumes, nozes e azeite de oliva, com pequenas quantidades de aves, peixes e laticínios.

A dieta mediterrânea também pode beneficiar homens e mulheres que desejem formar família, o que costuma acontecer na casa dos 20, 30 e 40 anos.

Estudos demonstram que a dieta mediterrânea pode influenciar positivamente a fertilidade. Já a dieta ocidental (que tende a ser rica em gorduras saturadas, carne e carboidratos brancos) é correlacionada à infertilidade masculina e feminina.

Para as mulheres, estudos também demonstram que uma dieta rica em folato pode ajudar no tratamento da fertilidade. Alimentos com alto teor de folato incluem folhas verdes e escuras, brotos, brócolis e grão-de-bico.

 

Meia-idade

Na meia-idade, devemos começar a pensar em otimizar nossa alimentação para termos saúde na idade avançada, segundo a professora de nutrição humana Elizabeth Williams, da Universidade de Sheffield, no Reino Unido.

Isso vale principalmente para as mulheres perto da menopausa, "quando há perda acelerada de densidade óssea, sarcopenia [perda muscular relativa à idade] e osteoporose", explica ela.

Além da osteoporose, a menopausa é associada ao aumento do risco de obesidade, doenças cardíacas e diabetes tipo 2.

Nas mulheres em idade reprodutiva, o estrogênio age sobre o sistema nervoso central para reduzir o apetite. Ele também aumenta a sensibilidade à insulina e a absorção de glicose nos músculos.

Mas, na menopausa, o fluxo de estrogênio no corpo é menor. Por isso, o peso e a gordura visceral tendem a aumentar.

Mas este risco pode ser significativamente reduzido seguindo-se uma boa alimentação.

Em um estudo populacional recente, pesquisadores examinaram a alimentação e a saúde de mais de 100 mil homens e mulheres americanos com pelo menos 39 anos de idade.

Eles concluíram que uma dieta saudável, consistindo de frutas, verduras, cereais integrais, gorduras insaturadas, nozes, legumes e laticínios com baixo teor de gordura, é fortemente associada ao envelhecimento saudável, definido como viver até pelo menos 70 anos sem doenças crônicas, boas funções físicas e cognitivas e com boa saúde mental.

"À medida que as mulheres chegam à casa dos 40 e 50 anos de idade, surgem duas grandes prioridades nutricionais: a saúde cardíaca e a saúde dos ossos e músculos", segundo Amati.

"A transição da menopausa é associada a um forte aumento do risco cardiovascular, em parte porque a perda de estrogênio afeta os lipídios do sangue, os vasos sanguíneos e a distribuição da gordura do corpo."

As gorduras ômega-3 são úteis, especialmente os tipos encontrados em peixes gordurosos, como salmão e cavalinha. Elas reduzem os fatores de risco de doenças cardíacas, segundo Almati, e apresentam efeitos anti-inflamatórios.

Paralelamente, Amati recomenda leve aumento da ingestão de proteínas, para combater os efeitos da perda de massa muscular, e seguir dieta em estilo mediterrâneo, para melhorar a saúde cardiometabólica — e, possivelmente, também a saúde intestinal e mental.

Por fim, ela orienta que é importante buscar uma alimentação em estilo mediterrâneo variada e rica em vegetais, com quantidades suficientes de proteína, cálcio, vitamina D e ômega-3 para manter a saúde do coração, ossos e cérebro, limitando a ingestão de alimentos ultraprocessados.

 

Idade avançada

À medida que envelhecemos, a composição do nosso corpo se altera e as necessidades de energia diminuem. Por isso, necessitamos de menos calorias.

Mas ainda precisamos garantir a ingestão de nutrientes em quantidade suficiente para manter nossa resistência óssea e muscular.

Segundo Williams, os dois principais nutrientes na terceira idade são o cálcio e a vitamina D. Idosos que não conseguem esses dois nutrientes em quantidade suficiente apresentam risco maior de osteoporose e fraturas por fragilidade.

O cálcio é encontrado no leite e em bebidas fortificadas alternativas, queijo curado, iogurte, sardinhas, tofu e espinafre. Alimentos ricos em vitamina D incluem peixes gordurosos, gema de ovo e alimentos fortificados.

A ingestão de proteínas com qualidade suficiente também é muito importante à medida que envelhecemos, segundo a nutricionista Jane Murphy, uma das líderes do Centro de Pesquisa em Envelhecimento e Demência da Universidade de Bournemouth, no Reino Unido.

"À medida que envelhecemos, a nossa forma e as funções se deterioram, perdemos força e massa muscular e precisamos de proteína para evitar a sarcopenia", explica ela.

Mas, para garantir que o nosso corpo use a proteína adequadamente, ela deve fazer parte de uma dieta equilibrada, que inclua carboidratos, gorduras de boa qualidade (como gorduras insaturadas, incluindo azeite de oliva, abacate, nozes e peixes gordurosos), vitaminas e sais minerais, destaca Murphy.

Conforme envelhecemos, nossa microbiota também muda. Ela é marcada pela perda de bactérias benéficas, como Firmicutes e Bifidobacterium, e pelo aumento de espécies potencialmente prejudiciais, como Clostridium.

Este desequilíbrio é associado a diversas condições de saúde, como Alzheimer, AVCs e doenças cardíacas.

Os pesquisadores ainda não sabem ao certo a relação entre a microbiota intestinal e cada processo de doença específico. Mas podemos aprender muito com os centenários, segundo a professora de medicina geriátrica Mary Ni Lochlainn, do King's College de Londres.

"As pessoas que vivem até os 100 anos parecem desafiar muitos outros aspectos do envelhecimento que são comuns às demais pessoas", explica ela. "Elas têm microbiota diversa, que parece diferente dos outros idosos."

De forma geral, não existe uma definição de bactérias intestinais saudáveis ou não saudáveis. É mais questão de ter um equilíbrio de micróbios que trabalham juntos para promover a saúde.

Mas foram identificadas algumas espécies bacterianas específicas que parecem proteger a saúde, como Faecalibacterium prausnitzii.

As pessoas que envelhecem bem são muito mais propensas a ter F. prausnitzii, segundo Ni Lochlainn. Os pesquisadores determinaram que esta espécie tem qualidades protetoras positivas, mas eles não entendem ao certo como ela funciona.

Se você quiser incentivar F. prausnitzii a viver no seu intestino, a melhor forma é consumir uma alimentação rica em fibras e polifenóis, que são abundantes em frutas e verduras.

O intestino saudável também pode ajudar a gerenciar algumas das deficiências de nutrientes que podem ser associadas à idade avançada, pois os idosos têm menos capacidade de absorver as vitaminas dos alimentos que as pessoas mais jovens.

Estudos demonstram que bactérias intestinais saudáveis podem ser capazes de produzir vitamina B12 em quantidade suficiente para as necessidades da pessoa, enquanto certas bactérias podem produzir ácido fólico.

Uma microbiota intestinal saudável também pode ajudar a evitar o risco de perda muscular e sarcopenia entre os idosos.

 

Por fim, certos suplementos podem ser benéficos na terceira idade.

As pesquisas de Ni Lochlainn indicam que suplementos pré-bióticos — compostos naturais que incentivam o crescimento de micro-organismos benéficos — podem melhorar a cognição em idosos após um período de 12 semanas.

Os pré-bióticos de Ni Lochlainn contêm inulina (um tipo de fibra alimentar) e fruto-oligossacarídeos, que são açúcares encontrados nas plantas.

Outras pesquisas indicam que as pessoas idosas podem se beneficiar de suplementos de vitamina D, especialmente os que moram em casas de repouso.

 

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Health.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/o-que-voce-deve-comer-em-cada-fase-da-vida,e0a88d2e746230b94e442ee127e8b3fbshh4os7r.html?utm_source=clipboard - Por: Jessica Bradley - BBC Future - Foto: Getty Images / BBC News Brasil