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domingo, 19 de julho de 2026

Canetas x bariátrica: 6 mitos e verdades sobre os tratamentos


O uso de canetas emagrecedoras cresceu mais de 200% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025.

 

As canetas emagrecedoras, que tiveram um crescimento de 239% nas vendas em 2026, estão mudando o tratamento da obesidade, mas não substituem a cirurgia bariátrica. O médico José Afonso Sallet explica mitos e verdades sobre esses medicamentos, destacando que eles devem ser prescritos com critério e acompanhamento médico para garantir eficácia e segurança.

 

Especialista esclarece se as canetas vão substituir a bariátrica e aponta a melhor opção para cada caso

 

O avanço das canetas emagrecedoras mudou a forma como muitos brasileiros encaram o tratamento contra a obesidade. Segundo a empresa de inteligência de dados Scanntech, o uso desses medicamentos injetáveis cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, o mercado informal já representa aproximadamente 50% das vendas, o que aumenta os riscos do uso sem orientação médica.

 

Diante da popularização dos medicamentos à base dos chamados agonistas do GLP-1, cresce também a necessidade de esclarecer informações. Especialista no tratamento contra a obesidade e em cirurgia bariátrica, o médico José Afonso Sallet, do Instituto de Medicina Sallet, esclarece seis mitos e verdades sobre o tema.

 

1 - Qualquer pessoa pode usar caneta emagrecedora

Mito. As canetas devem ser prescritas para quem apresenta diabetes tipo 2 e para o manejo de peso em adultos com IMC igual ou superior a 30 kg/m² (obesidade), ou IMC igual ou superior a 27 kg/m² (sobrepeso) na presença de pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso, como pressão alta.

Mais recentemente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o uso da caneta Monjauro (tirzepatida) para crianças e adolescentes a partir de 10 anos para tratamento contra diabetes tipo 2. Já contra a obesidade, as canetas Saxenda (liraglutida) e Wegovy (semaglutida) estão liberadas a partir dos 12 anos, com critérios específicos de IMC e acompanhamento médico. Isso porque, o uso sem prescrição médica pode trazer riscos à saúde.

 

2 - Tirzepatida e similares têm efeitos colaterais

Verdade. Náuseas, vômitos, diarreia e prisão de ventre estão entre os efeitos adversos mais frequentes. A Anvisa também alerta para eventos graves, como pancreatite aguda. Isso reforça, portanto, a necessidade de acompanhamento médico durante todo o tratamento.

 

3 - Canetas são eficazes contra doenças causadas pela obesidade

Verdade. Além da perda de peso, estudos demonstram benefícios no controle do diabetes tipo 2 e melhora de condições associadas, como hipertensão arterial, apneia do sono e problemas articulares. A melhora dessas condições contribui, desse modo, para uma melhor qualidade de vida.

 

4 - Quem fez bariátrica e engordou não pode usar semagluita ou similares

Mito. Canetas emagrecedoras podem ser uma aliada importante no tratamento contra reganho de peso após a cirurgia bariátrica. No entanto, a introdução desse tratamento nunca deve ser feita de forma isolada ou como uma "solução mágica".

Isso porque, embora atuem no centro da saciedade e no esvaziamento gástrico, as canetas devem fazer parte de uma associação de tratamentos, de acordo com o especialista. Ou seja, os injetáveis precisam representar um suporte temporário ou de longo prazo até que o paciente alcance equilíbrio metabólico e incorpore à rotina hábitos saudáveis, como exercícios físicos.

 

5 - Os medicamentos injetáveis vão substituir a cirurgia bariátrica

Mito. Para pacientes com obesidade em níveis mais elevados e doenças metabólicas, a cirurgia bariátrica continua sendo o tratamento mais indicado. Enquanto os medicamentos injetáveis auxiliam no controle da doença, a cirurgia promove alterações metabólicas e hormonais mais duradouras.

 

6 - Com bariátrica, perde-se mais peso do que com canetas

Verdade. Os análogos do hormônio GLP-1 costumam proporcionar perda de 10% a 15% do peso corporal, podendo chegar perto de 20% , conforme apontam estudos mais recentes. Já a cirurgia bariátrica normalmente resulta em redução de 30% a 40% do peso corporal total, além de apresentar maiores índices de remissão de doenças associadas, como o diabetes tipo 2.

 

Outros tratamentos

O especialista lembra que existem outras opções terapêuticas para o tratamento contra a obesidade, como a endosutura gástrica e o balão intragástrico. Na endosutura gástrica, o médico faz suturas ("pregas) no estômago a fim de reduzir o tamanho do órgão e, com isso, aumentar a saciedade do paciente.

 

"A obesidade não possui uma solução única", frisa Sallet. "A escolha do tratamento deve ser baseada em critérios médicos, considerando o IMC, o perfil metabólico e o histórico de saúde de cada paciente".

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/canetas-x-bariatrica-6-mitos-e-verdades-sobre-os-tratamentos,dc29160098d8c32beef5def1cf3ff4cdeyeh9z70.html?utm_source=clipboard - Por: Fernanda Villas Bôas / Licenciado de Revista Malu

sábado, 9 de maio de 2026

7 estratégias para manter o peso após uso das "canetas emagrecedoras"


Especialistas explicam como reduzir o risco de efeito rebote e consolidar resultados a longo prazo

 

Manter o peso após o uso dos medicamentos análogos de GLP-1, popularmente conhecidos como "canetas emagrecedoras", pode representar um desafio para muitas pessoas. Isso porque, após a interrupção do tratamento, o organismo tende a voltar gradualmente aos padrões anteriores de fome, saciedade e metabolismo, favorecendo o reganho de peso.

 

No caso do sobrepeso e da obesidade, isso acontece porque são condições crônicas, influenciadas por fatores metabólicos e genéticos, que favorecem a recuperação do peso perdido. "Em muitos casos, no entanto, conseguimos reduzir a dose [do medicamento] para fazer manutenção", explica a Dra. Deborah Beranger, endocrinologista, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.

 

Além disso, quando não há manutenção dos hábitos saudáveis após o uso dos medicamentos, o corpo tende a recuperar o peso perdido. "Para evitar isso, é fundamental trabalhar a reeducação alimentar, manter atividade física regular e, em alguns casos, adotar estratégias de manutenção com acompanhamento médico e nutricional", acrescenta a Dra. Marcella Garcez, nutróloga, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

 

De acordo com a Dra. Patricia Magier, ginecologista com especialização em Medicina Integrativa e Funcional, as mudanças no estilo de vida podem atuar para impedir o reganho de peso. "A obesidade, como uma doença crônica, requer controle contínuo; por isso, modificações dietéticas, prática regular de atividade física e melhora do sono são mudanças inegociáveis para manutenção do peso perdido", ressalta.

 

A seguir, confira 7 estratégias para manter o peso após uso das "canetas emagrecedoras"!

 

1. Ajuste nutricional

O cuidado com a alimentação é essencial durante e após o uso dos medicamentos para emagrecer. "A dieta deve ser adaptada para manter a saciedade e evitar oscilações glicêmicas. É recomendável o aumento da ingestão proteica, que pode compensar a queda na saciedade induzida pelo GLP-1. Além disso, uma dieta rica em fibras mantém o efeito positivo do GLP-1 na microbiota intestinal", diz a Dra. Patricia Magier.

 

2. Desmame gradual

Caso haja realmente a necessidade de retirar o medicamento, o ideal é fazer isso gradativamente. "A retirada abrupta pode causar hiperfagia compensatória. Reduzir progressivamente a dose ao longo de algumas semanas pode minimizar esse efeito. Alternar para medicamentos com meia-vida mais longa (como tirzepatida) pode ser uma opção para uma transição mais suave", explica a ginecologista.

 

3. Suplementação estratégica

Prebióticos e probióticos têm se destacado como suplementação após o uso das "canetas emagrecedoras". Segundo a Dra. Patricia Magier, o uso deles pode contribuir para preservar os efeitos positivos promovidos pelos medicamentos no organismo. Além disso, uma alimentação rica em fibras, que favoreça a fermentação intestinal e a produção de ácidos graxos de cadeia curta, pode ajudar na manutenção do metabolismo energético e no controle do peso.

 

4. Melhorar a relação com os alimentos

Não é estratégico ser tão cruel consigo mesmo após comer um bolo ou um doce. "Isso gera culpa. E nossa relação com os alimentos não deve ser de culpa nem de compensação. Quando alguém está buscando emagrecer, pode parecer que a restrição é a única maneira de permanecer firme em busca do objetivo. Mas, na verdade, se você quer perder peso, ser rigoroso demais com cada pedacinho que passa pelos lábios pode sabotar seus objetivos — sem mencionar sua autoestima. Uma das respostas mais comuns à culpa dos alimentos é sair do controle", alerta a Dra. Marcella Garcez.

Dessa maneira, não é necessário excluir completamente os alimentos que gosta da dieta. "Você pode incorporar tudo com moderação, que não é apenas uma maneira sustentável de viver, mas também uma maneira mais gentil de se tratar", completa a Dra. Deborah Beranger. 

 

5. Monitoramento frequente

Monitorar regularmente o peso pode ajudar a manter os ganhos obtidos com os medicamentos. "Alguns estudos descobriram que quanto mais as pessoas monitoram seus esforços para perder peso, mais peso elas tendem a perder de forma consistente. Vimos esse aumento das ferramentas digitais de saúde na última década, e elas fornecem uma ótima maneira para as pessoas acessarem intervenções para melhorar sua saúde", explica a Dra. Marcella Garcez.

A rotina de montar uma espécie de diário alimentar online com esses aplicativos ajuda a ter noção das calorias na dieta (claro, sem que isso prejudique a relação com a comida).

 

6. Estímulo da atividade física

Exercícios resistidos ajudam a manter a taxa metabólica basal elevada e evitam perda de massa muscular, um fator crítico para evitar o efeito rebote. "Exercícios aeróbicos também são indicados, pois melhoram a capacidade cardiovascular e ajudam a aumentar o gasto energético", diz a Dra. Deborah Beranger.

 

7. Suporte comportamental e psicológico

Segundo a Dra. Patricia Magier, terapias cognitivas-comportamentais ajudam na reeducação alimentar e controle do apetite, enquanto o monitoramento contínuo evita deslizes e ajusta estratégias.

Por fim, a ginecologista lembra que a obesidade é uma doença crônica e multifatorial. "O sucesso no controle do peso vai além de qualquer medicamento isolado, e a abordagem personalizada e multidisciplinar é essencial para evitar o efeito rebote", finaliza.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/7-estrategias-para-manter-o-peso-apos-uso-das-canetas-emagrecedoras,c97877c29f705be54ed5d7f2ca187e29qyuxr5r7.html?utm_source=clipboard - Por Maria Paula Amoroso - Foto: Alones | Shutterstock / Portal EdiCase