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sábado, 25 de abril de 2026

Tempo de vida: genes explicam metade da variação na longevidade humana: estudo


Durante muito tempo, a ciência estimou que a influência do DNA na nossa expectativa de vida era pequena, algo entre 10% e 20%. Acreditava-se que o estilo de vida e o ambiente eram os verdadeiros protagonistas do envelhecimento. No entanto, uma pesquisa liderada por Ben Shenhar, doutorando em física no Instituto Weizmann de Ciência, sob supervisão do professor Uri Alon, propõe uma mudança radical nessa visão. Publicado no periódico Science o estudo indica que fatores genéticos explicam cerca de metade da variação na longevidade humana.

 

Para chegar a esse número, a equipe analisou bases de dados de gêmeos na Suécia e Dinamarca, incluindo irmãos que cresceram separados. O diferencial desse estudo foi o uso de modelos matemáticos para isolar a mortalidade extrínseca — mortes por acidentes ou infecções — da mortalidade intrínseca, que é o envelhecimento biológico real. Os pesquisadores perceberam que estudos anteriores falhavam ao misturar fatalidades externas com o desgaste natural do corpo. Ao “limpar” esses dados, a herança biológica saltou de coadjuvante para protagonista.

 

É como se a vida fosse uma maratona onde alguns correm com tênis de alta performance herdados, enquanto outros enfrentam obstáculos imprevisíveis descalços. Se focarmos apenas em quem tropeça em um buraco, nunca entenderemos a eficiência do calçado. Ao remover o ruído dos acidentes, a genética mostrou-se tão influente quanto é para outras características complexas, como a altura. Esse novo cenário dá fôlego extra para a busca de variantes genéticas que possam ser usadas em terapias futuras contra o envelhecimento.

 

O peso do DNA e a influência do acaso biológico

A pesquisa utilizou um framework inovador com “gêmeos virtuais” para simular como o ambiente impacta irmãos com o mesmo código genético. Percebeu-se que, ao longo do século XX, conforme a saúde pública reduziu as mortes por causas externas, a biologia interna tornou-se mais evidente. A biogerontologista Austin Argentieri, do Massachusetts General Hospital, reforça que, embora o tabagismo e a condição socioeconômica pesem muito, eles não anulam a base genética intrínseca de cada indivíduo.Ciência

 

Outro ponto curioso é que a longevidade não depende de um único “gene da imortalidade”, mas de um conjunto de pequenas variações em genes como o APOE e o CDKN2B. Estudos em populações de centenários revelam que essas pessoas costumam carregar um mosaico de variantes que protegem o organismo por mais tempo. No Brasil, por exemplo, o estudo de supercentenários com mais de 110 anos sugere que a miscigenação pode criar combinações genéticas únicas e protetoras.

 

Mesmo com 50% da variação vindo dos genes, a outra metade da moeda ainda pertence ao estilo de vida e ao que os cientistas chamam de estocasticidade biológica — o puro acaso. Isso significa que, embora o roteiro inicial esteja no DNA, a forma como a história se desenrola depende da interação constante com o ambiente. Entender que o envelhecimento biológico tem um ritmo próprio ajuda a desviar de determinismos simples: os genes não são um destino absoluto, mas um mapa de possibilidades.

 

Limites celulares e a evolução da velhice

A biologia celular oferece explicações para esse limite genético através de conceitos como o limite de Hayflick. Ele determina quantas vezes uma célula pode se dividir antes de parar, um processo conhecido como senescência. Esse esgotamento celular acumulado é o que acaba afetando a funcionalidade dos tecidos. Além disso, a teoria da pleiotropia antagonista sugere que alguns genes que nos ajudam a sobreviver e reproduzir quando jovens podem se tornar prejudiciais na velhice, contribuindo para o declínio natural do organismo.História

 

A descoberta de Shenhar e Alon incentiva a catalogação de variantes que estendem a vida, o que pode transformar a farmacogenômica. Se sabemos que metade da longevidade é herdável, a medicina personalizada pode focar em mecanismos moleculares específicos para cada perfil genético. No entanto, é fundamental lembrar que esses 50% referem-se a variações dentro de uma população, não a uma garantia individual. Alguem pode herdar ótimos genes, mas ainda assim sofrer os impactos de um ambiente insalubre ou de escolhas ruins.

 

Ao observar esses dados, fica claro que a busca por uma vida longa é uma parceria entre o que recebemos e o que construímos. A ciência está finalmente separando o que é “sorte” ambiental do que é engenharia biológica. Isso me traz um conforto lógico: não somos apenas vítimas das circunstâncias, nem apenas escravos do DNA. A longevidade saudável surge justamente no equilíbrio de mitigar riscos externos enquanto aprendemos a trabalhar com as ferramentas que nossas células já possuem.

 

Fonte: https://hypescience.com/tempo-de-vida-genes-explicam-metade-da-variacao-na-longevidade-humana-estudo/ - Por Marcelo Ribeiro

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

5 formas que seus genes estão dificultando a sua vida sem você saber


Todo mundo só é o que é por conta dos seus genes. Desde as características físicas à propensão a ter várias doenças são determinadas por eles. Mas e algumas características que todo mundo tem certeza que são controláveis ou que não têm nada a ver com os genes? Veja 5 delas que não estão sob o seu controle:

5. Dirigir bem
O Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF na sigla em inglês) é secretado pela área do cérebro responsável pela tarefa que você está realizando neste momento. Pode ser a fala, a leitura, o movimento de alguns músculos. Mas cerca de 30% dos norte-americanos têm uma variável genética que limita a secreção do BDNF.
Pesquisadores resolveram testar a habilidade de direção dessas pessoas. O estudo de 2009 foi publicado na revista Cerebral Cortex, e teve como o pesquisador principal Steven Cramer.
“Essas pessoas cometem mais erros no dia a dia e esquecem mais o que eles aprenderam depois de um tempo”, explica Cramer.
O estudo envolveu 29 participantes, que precisaram dar 15 voltas em um circuito com curvas difíceis. Entre eles, 22 não tinham a variável genética, e 7 tinham. O teste foi repetido quatro dias depois. As pessoas com a variável tiveram piores resultados nas duas vezes.
“Fico curioso sobre a genética das pessoas que se envolvem em acidentes de carro. Queria saber se a taxa de acidentes é maior para motoristas com a variável”, disse ele.

4. Dificuldade em dormir cedo
Algumas pessoas gostam de dormir com as galinhas e acordar cedo, enquanto outras só conseguem dormir de madrugada e acordam perto da hora do almoço. Esta preferência pode ser resultado dos genes.
Muitas pessoas que sofrem ao dormir muito tarde e acordar cedo têm uma mutação em seu gene CRY1, que afeta o ritmo circadiano. É este ritmo que regula os padrões de sono, e as pessoas com esta mutação têm dificuldade em dormir e acabam ficando acordados até duas horas mais tarde do que as pessoas sem a mutação.
Esta mutação está associada com a síndrome do atraso das fases do sono, que acomete 10% da população. Quem tem esta síndrome também costuma sofrer com ansiedade, depressão, doenças vasculares e diabetes. A boa notícia é que é possível melhorar o sono com algumas estratégias como não receber estímulo de luzes artificiais no final do dia.

3. Odiar coentro
Algumas pessoas odeiam coentro, e dizem que ele tem gosto de sabonete. Outras dizem que ele é refrescante e saboroso. Afinal de contas, por que as pessoas parecem amá-lo ou odiá-lo?
Alguns estudos relacionaram o gosto por coentro com genes relacionados à detecção de odores e do sabor amargo. Uma pequena variação do DNA no gene da recepção olfativa está ligado a pessoas que acham que o coentro tem gosto de sabão.
Lembre-se que esta é uma correlação grosseira, e não uma explicação para 100% dos casos. É possível que muita gente não goste do sabor do tempero simplesmente porque tem uma memória negativa associada ao coentro ou por outro motivo subjetivo.

2. Ouvido absoluto
Pessoas com ouvido absoluto são aquelas que conseguem identificar as notas musicais fora de contexto. Se você tocar ou cantar qualquer nota musical sem o acompanhamento do resto da música, elas conseguem dizer se aquilo é um dó, um mi ou um sol.
Até recentemente sabia-se que poucas pessoas têm este dom, mas ninguém sabia o motivo. Um levantamento dos anos 1990 mostrou que apenas 10% dos músicos da prestigiosa escola Juilliard (EUA) têm ouvido absoluto.
Vários pesquisadores têm sugerido que existe aqui um componente genético importante.
Uma pesquisa de 2012 da Universidade da Califórnia mostrou que os genes são parte importante do ouvido absoluto, muito mais que o treinamento musical desde a infância. Um estudo que envolveu 27 adultos que tiveram aulas de música desde a primeira infância testou esta habilidade, e apenas 7 tinham ouvido absoluto.

1. Chamariz de pernilongos
Você já notou que os pernilongos parecem perseguir ou evitar pessoas específicas? Se eles parecem sempre estar atrás de você, é possível que você faça parte dos 20% das pessoas do mundo que são especialmente apetitosas para eles.
Claro que há muitos fatores que atraem ou afastam esses incômodos insetos, como cor da roupa, dieta e até tipo sanguíneo. Mas o fator mais importante parece ser o odor liberado pela pele.
Em um estudo que envolvia gêmeos dispostos a serem picados em nome da ciência, cada irmão expôs as mãos aos pernilongos. A conclusão foi que os gêmeos idênticos receberam números semelhantes de picadas. Os gêmeos fraternos, porém, receberam número diferente de picadas.


segunda-feira, 11 de junho de 2018

Descoberta conexão entre álcool, genética e falha cardíaca


Cardiomiopatia

Cientistas acreditam ter descoberto uma nova ligação entre a ingestão de álcool, a saúde do coração e os nossos genes.

Eles estavam investigando versões variantes de um gene chamado titina, mutações estas encontradas em uma em cada 100 pessoas - ou seja, mais de 2 milhões de brasileiros devem ter essa variação genética.

A titina é crucial para manter a elasticidade do músculo cardíaco, e versões variantes estão associadas a um tipo de insuficiência cardíaca chamado cardiomiopatia dilatada, ou congestiva, na qual os ventrículos aumentam de tamanho e perdem a capacidade de bombear sangue em quantidade suficiente para as necessidades do corpo.

Gene, coração e álcool

O que a equipe descobriu é que o gene variante pode interagir com o álcool para acelerar a insuficiência cardíaca, mesmo que essas pessoas tenham bebido apenas quantidades moderadas de álcool.

Em uma pequena amostra de 141 pacientes com um tipo de insuficiência cardíaca chamada cardiomiopatia alcoólica, o gene da titina defeituoso foi encontrado em 13,5% - muito maior do que a proporção de pessoas que o carrega na população em geral (1%).

Estes resultados sugerem que esta condição não é simplesmente o resultado de envenenamento por álcool, mas pode ser reforçada por uma predisposição genética. Se isto for confirmado por estudos de maior porte, isto pode indicar uma propensão à cardiomiopatia, o que permitirá que outros membros da família possam se cuidar para evitar o mesmo problema.

Cuidados com o exame genético

"Nossa pesquisa sugere fortemente que o álcool e a genética estão interagindo - e a predisposição genética e o consumo de álcool podem agir juntos para levar à insuficiência cardíaca. No momento, essa condição é considerada como devida simplesmente ao excesso de álcool.

"Mas esta pesquisa sugere que esses pacientes também sejam verificados para uma causa genética - perguntando sobre uma história familiar e considerando o teste de um gene titina 'defeituoso', bem como outros genes ligados à insuficiência cardíaca," defendeu o Dr. James Ware, do Imperial College de Londres, coordenador do estudo, que foi publicado no Journal of the American College of Cardiology.

Contudo, recentemente pesquisadores australianos lançaram uma recomendação contrária, mostrando que exames genéticos para condições cardíacas têm forte impacto psicológico e não necessariamente trazem qualquer ganho para o paciente.

Fonte: http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=conexao-entre-alcool-genetica-falha-cardiaca&id=12821&nl=nlds - Redação do Diário da Saúde - Imagem: NIHR/NHS Foundation Trust

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Genes são responsáveis por 40% da inteligência ao longo da vida


Os genes são responsáveis por 40% da inteligência ao longo da vida do ser humano, enquanto os outros 60% são determinados pelo contexto, indica um estudo genético publicado na edição digital da revista científica "Nature".

Peter Visscher, especialista em genética da Universidade de Queensland, considerou que a inteligência incide nas chances de sobrevivência, em declarações à emissora australiana ABC.

Com o objetivo de saber por que algumas pessoas envelhecem mais inteligentes, o cientista australiano e pesquisadores britânicos examinaram testes de inteligência de mais de duas mil pessoas, que o fizeram aos 11 anos de idade e depois aos 65.

A maioria das pessoas que tinham uma inteligência média quando crianças a aumentou durante a etapa adulta, e as que tinham uma inteligência abaixo da média no início de sua vida mantiveram esta média na velhice.

O contexto no qual a vida se desenvolve, considerando-se fatores como nutrição, educação dos pais e escolaridade, contribui para o desenvolvimento da inteligência, comprovaram os pesquisadores.

Durante o estudo, os especialistas também analisaram amostras genéticas e quantificaram o papel dos genes nas mudanças da inteligência à medida que o ser humano envelhece.

"Calculamos que entre um quarto e um terço destas mudanças são genéticas", indicou Visscher.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1036451-genes-sao-responsaveis-por-40-da-inteligencia-ao-longo-da-vida.shtml - DA EFE