Crises de asma podem surgir por gatilhos comuns do dia a dia. Veja sinais de atenção e cuidados simples para se proteger melhor.
Se você convive com a asma, provavelmente já percebeu
que algo aparentemente inofensivo, como um perfume marcante, um ambiente
empoeirado ou até uma risada longa, pode se tornar um gatilho para crises
respiratórias.
A falta de ar, a tosse insistente, o chiado no peito
ou a sensação de aperto podem aparecer quando menos se espera, transformando
situações simples do cotidiano em verdadeiros desafios.
Muita gente associa a asma apenas à genética ou a
alergias mais óbvias, como pelos de animais.
Mas as crises também podem ser provocadas por fatores
comuns do dia a dia: poeira, fumaça, mudança brusca de temperatura, infecções
respiratórias, esforço físico, cheiros fortes, refluxo e até emoções intensas.
Identificar esses gatilhos é um passo importante para
controlar melhor a doença e reduzir o risco de novas crises.
Veja 8 fatores comuns que podem desencadear crises de
asma e o que fazer para se proteger.
1. Poeira doméstica: o esconderijo dos ácaros
Travesseiros, colchões, sofás, tapetes e cortinas
podem acumular poeira e ácaros. Para quem tem asma alérgica, essa exposição
pode irritar os brônquios e favorecer tosse, chiado no peito e falta de ar.
Como se proteger: lave roupas de cama com frequência,
use capas antiácaros quando possível e evite tapetes, cortinas pesadas e
objetos que acumulam poeira no quarto. Na limpeza, prefira pano úmido em vez de
vassoura seca, para não espalhar partículas pelo ar.
2. Mudanças bruscas de temperatura
Sair de um ambiente quente e entrar em um local com
ar-condicionado muito frio, ou o contrário, pode incomodar as vias aéreas.
O ar frio e seco tende a deixá-las mais sensíveis,
favorecendo tosse, chiado e aperto no peito.
Como se proteger: em dias frios, usar um lenço ou
cachecol leve sobre o nariz e a boca pode ajudar a aquecer o ar antes que ele
chegue às vias respiratórias. Evite mudanças bruscas de temperatura e, se usar
umidificador, mantenha o aparelho limpo e sem excesso de umidade, para não
favorecer mofo e ácaros.
3. Fumaça: um inimigo nem sempre visível
A fumaça do cigarro é um gatilho conhecido, mas não é
a única preocupação. Narguilé, churrasqueiras, lareiras, incensos, velas
perfumadas e queimadas também liberam partículas irritantes que podem piorar a
asma.
Como se proteger: evite ambientes fechados com fumaça.
Em casa, reduza o uso de incensos, velas aromáticas e produtos com cheiro
forte. Se houver fumaça no ambiente, procure se afastar e permanecer em locais
bem ventilados.
4. Infecções respiratórias
Gripe, resfriados, sinusite e COVID-19 podem deixar as
vias aéreas mais inflamadas e sensíveis.
Por isso, mesmo um quadro respiratório aparentemente
simples pode aumentar o risco de tosse persistente, chiado, falta de ar e
crises de asma.
Como se proteger: lave as mãos com frequência, evite
contato próximo com pessoas doentes e mantenha a vacinação em dia, incluindo
gripe, COVID-19 e, quando indicada pelo médico, a vacina pneumocócica. Se você
já tem um plano de ação para asma, siga as orientações durante quadros
respiratórios.
5. Emoções intensas
Estresse, ansiedade, crise de choro, susto ou até
risadas prolongadas podem desencadear sintomas em algumas pessoas.
Isso não significa que a asma seja
"emocional", mas que alterações no ritmo da respiração podem
favorecer falta de ar ou broncoespasmo em quem é mais sensível.
Como se proteger: técnicas de respiração podem ajudar
em momentos de ansiedade ou estresse. Mas, se houver chiado, falta de ar ou
tosse persistente, siga o plano orientado pelo médico e use a medicação
prescrita quando indicada.
6. Exercícios físicos
A atividade física não deve ser vista como inimiga de
quem tem asma.
O problema é que, em algumas pessoas, o esforço
intenso pode desencadear sintomas, principalmente quando a doença não está bem
controlada ou quando o exercício é feito em ambiente frio, seco ou poluído.
Como se proteger: faça aquecimento gradual antes do
exercício e respeite os limites do corpo. Em alguns casos, o médico pode
orientar o uso de broncodilatador antes da atividade. Se os sintomas aparecem
com frequência durante ou após o treino, vale reavaliar o controle da asma.
7. Alérgenos e cheiros fortes
Mofo, pólen e pelos de animais podem agir como
alérgenos.
Já perfumes, produtos de limpeza com cheiro forte e
sprays aerossóis funcionam mais como irritantes das vias aéreas.
Em ambos os casos, podem surgir tosse, chiado,
irritação na garganta e falta de ar.
Como se proteger: mantenha a casa arejada, observe
sinais de umidade e mofo e prefira produtos de limpeza com pouco ou nenhum
perfume. Se notar piora sempre em determinados ambientes, anote os padrões para
conversar com o médico.
8. Refluxo gastroesofágico
O refluxo gastroesofágico pode piorar sintomas
respiratórios em algumas pessoas com asma, especialmente à noite.
Quando o conteúdo ácido do estômago retorna para o
esôfago, pode irritar estruturas próximas às vias aéreas e favorecer tosse,
pigarro ou desconforto ao deitar.
Como se proteger: evite refeições pesadas antes de
dormir e procure não se deitar logo após comer. Reduzir alimentos gordurosos,
muito condimentados, café e bebidas alcoólicas pode ajudar quando esses itens
pioram o refluxo. Se houver azia frequente, tosse noturna ou piora respiratória
ao deitar, procure avaliação médica.
Quando procurar ajuda médica?
Procure orientação se as crises de asma estiverem mais
frequentes, mais intensas ou se os sintomas não melhorarem com os cuidados
habituais.
Também é importante buscar atendimento diante de falta
de ar importante, dificuldade para falar, lábios arroxeados, piora rápida dos
sintomas ou necessidade frequente de medicação de alívio.
A asma é uma condição crônica, mas pode ser
controlada.
Entender os próprios gatilhos ajuda a ajustar a
rotina, conversar melhor com o médico e reduzir o risco de novas crises. Com
acompanhamento adequado, a asma não precisa comandar o dia a dia.
Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/8-fatores-do-dia-a-dia-que-podem-desencadear-crises-de-asma-e-como-se-proteger,bd80253d760cc4215d46aca3c33fc8fepey2f4a2.html?utm_source=clipboard
- Por: Enf. Raquel Souza de Faria / SaúdeLAB - Foto: SaúdeLAB
