quarta-feira, 28 de abril de 2021

Prática de exercícios é grande aliada da boa saúde


Seja para prevenir doenças ou colaborar com a reabilitação de pacientes de diferentes diagnósticos, uma boa pedida é manter o corpo em movimento, praticando exercícios. E os profissionais de Educação Física estão entre os mais indicados para garantir resultados eficazes com total segurança. Quando o assunto é promoção da saúde, esses profissionais são parceiros indispensáveis dos médicos.

 

“A Educação Física afasta as pessoas do sedentarismo e traz uma série de benefícios de efeitos biológicos, psicológicos e sociais. Ela vai promover melhoras na aptidão cardiorrespiratória, na aptidão da musculatura esquelética, vai proporcionar mais bem-estar e colaborar com a socialização, no caso de práticas em grupo”, explica Diogo Andrade, educador físico e diretor-técnico da Triação Assessoria Esportiva.

 

O profissional destaca que o principal papel do educador físico é estimular e conscientizar a população acerca da importância de praticar exercícios de forma regular e segura. “Quebrar esses paradigmas do corpo perfeito; levar, de fato, a consciência de que o indivíduo tem que fazer exercício, mas também precisa descansar e se alimentar bem. Tudo isso tem que fazer parte das atividades diárias”, orienta.

 

Problemas de saúde como diabetes, hipertensão, obesidade e até mesmo o câncer são impactados com a prática regular de atividades físicas. “Além de você conseguir atenuar as chances de desenvolver essas doenças, para aquelas pessoas que já têm um quadro instalado, lado a lado com a parte farmacológica, o exercício contribui com o tratamento”, assegura Diogo.

 

Mais que isso. A atividade física é uma importante aliada da Medicina na recuperação cardiovascular e motora. “Quando o paciente é submetido a uma cirurgia cardíaca, ele tem uma perda muito grande da capacidade funcional e isso precisa ser revertido. Normalmente, é indicado que ele faça uma reabilitação cardíaca com o objetivo de melhorar os componentes da aptidão física relacionados à saúde”, pontua o professor universitário fisiologista Antonio Marcos Motta. “Além de melhorar a capacidade funcional, você acaba, também, ajudando no próprio tratamento da doença, porque o exercício físico causa adaptações importantes no sistema cardiovascular e, também, em vários outros órgãos e sistemas”, completa o professor. Entre os benefícios, ele destaca a melhora da função cardíaca, a diminuição de processos inflamatórios e da resistência à insulina e, ainda, o controle da pressão arterial e dos níveis de colesterol, entre outros.

 

Nos casos de reabilitação motora, o exercício é capaz de proporcionar o aumento da força e da resistência muscular, além de melhorar a condição física geral. “É importante ressaltar que existem fases específicas do programa de reabilitação em que o professor de Educação Física faz intervenção. Há fases em que outros profissionais  atuam. Dessa forma, o profissional pode compor uma equipe multidisciplinar”, conta o professor Carlos Amorim. De acordo com ele, várias atividades podem fazer parte do programa de reabilitação como ginástica, caminhada, exercícios resistidos, atividades aquáticas e esportes. “Dependendo do caso em questão, podemos dispor dessas atividades, sempre respeitando os objetivos do programa”, explica.

 

Em ambos os casos, é necessária a avaliação médica prévia. “A avaliação do médico é superimportante para nós sabermos o estado clínico do paciente, conhecermos o diagnóstico, o procedimento pelo qual passou, medicação usada e se ele foi submetido a um teste de esforço. Precisamos desses dados para fazer a prescrição. E o médico também vai indicar qual o risco daquele paciente quanto à prática de exercício”, enfatiza o professor Motta.

 

Amorim destaca, além da parceria com o médico, a participação de outros profissionais. “Todo trabalho de reabilitação  deve ser feito em equipe. Somente através do atendimento interdisciplinar é possível otimizar os resultados desejados”, ressalta.

 

Mas, atenção! A prática de atividades físicas, principalmente as de alta intensidade, deve ser sempre supervisionada por profissionais especializados. “Exercício é igual a remédio: ele pode ser bom, mas também pode ser um veneno. Os benefícios do exercício são muito amplos, mas para que você, de fato, tenha esses benefícios, é preciso ter cuidados”, alerta Diogo. Ele ressalta que é importante que uma pessoa que vai iniciar um programa de exercício e teve ou tem alguma doença passe por uma avaliação médica e procure um profissional de educação física. “Esse profissional tem que ser graduado e estar em dia com seu conselho de classe. É a referência que você vai ter”, conclui.

 

Fonte: https://www.revistaabm.com.br/blog/boa-saude-tambem-e-movimento

terça-feira, 27 de abril de 2021

Síndrome pós-Covid: os sintomas que precisam de atenção


Por ser uma doença inflamatória multissistêmica que afeta vários órgãos, principalmente o pulmão e os sistemas hematológico e cardiovascular, podendo comprometer também os rins e o sistema nervoso, as sequelas decorrentes da Covid-19 atingem grande parte dos pacientes, e podem persistir por meses após a infecção pelo vírus. Estudos indicam que até 80% dos recuperados sentem ao menos um sintoma por até quatro meses depois do fim da infecção.

 

Os males causados por quem já se recuperou da doença ainda estão sendo desvendados e requerem atenção especial dos serviços médicos, mas a orientação é que os cuidados não devem ser encerrados após o fim dos sintomas, conforme alerta a Dra. Giovanna Orrico, infectologista do Centro de Tratamento da Covid do Hospital Espanhol, em Salvador. “A continuidade do acompanhamento se faz necessária para garantir o retorno às atividades, principalmente quando há quadros graves”.

 

Sequelas e acompanhamento


De acordo com a infectologista, alguns acompanhamentos médicos são indicados, geralmente para quem teve a forma moderada e grave, e com internação em enfermaria ou UTI. Os casos leves habitualmente não necessitam de acompanhamento, apenas em situações específicas, como perda de olfato prolongado, alterações neurológicas ou depressão.

 

As sequelas mais frequentes e que necessitam de atenção:

Para quem teve a forma mais grave: fibrose pulmonar, diminuição da capacidade respiratória, insuficiência coronariana, tromboembolismo pulmonar, alterações neurológicas, como acidentes isquêmicos/hemorrágicos e depressão.

Para quem teve a forma mais leve: fadiga extrema, tonturas, palpitações e mialgia (dores musculares).

Em todos os casos são recomendados exames de laboratório, como hemograma, função renal, coagulograma e provas inflamatórias como VHS e PCR.

Exames de imagem podem ser necessários, principalmente para quem teve quadro de pneumonias graves com fibrose residual.

Exames de avaliação cardiológica e pulmonar são recomendados nos casos que necessitaram de internação hospitalar.

 

 Síndrome pós-Covid-19


A Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou como síndrome o conjunto de sintomas prolongados apresentados por pacientes no pós-covid-19. Alguns dos sintomas mais frequentes:

• Dor de cabeça persistente

• Perda de memória

• Déficit de atenção

• Ansiedade

• Depressão

• Alterações cardíacas, como taquicardia e dispneia após atividades

• Problemas digestivos

• Insônia

• Fadiga extrema

 

Dra. Giovanna explica que esta síndrome precisa de uma abordagem multidisciplinar com médicos, nutricionistas e fisioterapeutas para reabilitação pulmonar e motora, além de apoio psicológico e psiquiátrico, principalmente para pacientes que ficaram em UTI por muito tempo. “A Covid representa um grande desafio para as equipes de saúde, e o esforço coletivo tem contribuído muito para o retorno mais rápido dos pacientes às suas atividades e à vida normal”, avalia.

 

Estudo brasileiro e simpósio OMS

 

No último mês de fevereiro, a OMS convocou especialistas internacionais para um simpósio dedicado exclusivamente à Síndrome pós-Covid-19 para melhor definir a enfermidade, ampliar os conhecimentos, alinhar métodos de estudos e planejar estratégias globais de atendimento. O Brasil participou do evento apresentando a pesquisa Coalizão VII, do Coalizão Covid-19 Brasil, estudo que analisa os impactos a longo prazo e a qualidade de vida após a alta hospitalar de pacientes que tiveram a doença. O estudo é um dos nove desenvolvidos pela aliança formada por diversos hospitais e institutos de saúde no país.

 

Fonte: https://revistaabm.com.br/blog/sindrome-pos-covid-os-sintomas-que-precisam-de-atencao

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Estresse de longo prazo associado ao aumento do risco de ataque cardíaco


O estresse de longo prazo pode levar a ataques cardíacos? A maioria das pessoas provavelmente responderia afirmativamente, mas as evidências científicas disso são escassas. Um novo estudo realizado por pesquisadores da Linköping University, na Suécia, revela que os níveis do hormônio do estresse cortisol aumentaram nos meses anteriores a um ataque cardíaco. Os resultados, publicados na Scientific Reports , sugerem que o estresse de longo prazo é um fator de risco para ataques cardíacos.

 

"Os níveis do hormônio do estresse cortisol diferem entre as pessoas que tiveram um ataque cardíaco e as não afetadas. Isso sugere que o cortisol no cabelo pode ser um novo marcador de risco para ataques cardíacos. Devemos levar o estresse a sério", disse o professor Tomas Faresjö, o Departamento de Saúde, Medicina e Ciências Assistenciais da Linköping University, principal investigador do estudo.

 

O estresse é uma parte natural da vida hoje, mas ainda há muito que não sabemos sobre os efeitos do estresse de longo prazo em nossos corpos. É bem sabido que o estresse físico ou emocional repentino, como desastres naturais ou eventos sérios semelhantes, pode desencadear ataques cardíacos. Mas e quanto ao estresse de longo prazo? É difícil medir o estresse de longo prazo devido à falta de métodos confiáveis. O grupo de pesquisa aprimorou o uso de um novo biomarcador, no qual mede os níveis do hormônio do estresse cortisol no cabelo. Isso permite medições dos níveis de cortisol retroativamente, semelhantes aos anéis de crescimento em uma árvore. No momento, esse método de análise está disponível apenas em ambientes de pesquisa.

 

“Se você perguntar a alguém que sofreu um ataque cardíaco se estava estressado antes do ataque cardíaco, muitos responderão que sim. Mas essa resposta pode ser influenciada pelo evento cardíaco. Evitamos esse problema com nosso método, pois usamos um marcador biológico que pode medir retrospectivamente e mostrar objetivamente os níveis de estresse nos meses anteriores ao ataque cardíaco ", diz Tomas Faresjö.

 

No presente estudo, "Stressheart", os pesquisadores usaram amostras de cabelo com comprimento entre 1 e 3 centímetros, correspondendo a 1-3 meses de crescimento do cabelo. Eles mediram os níveis de cortisol em amostras de cabelo de 174 homens e mulheres na vida profissional que foram internados por infarto do miocárdio em clínicas de cardiologia no sudeste da Suécia. Como grupo de controle, os pesquisadores usaram amostras de cabelo de mais de 3.000 participantes com idades semelhantes no estudo sueco SCAPIS (Swedish CardioPulmonary bioImage Study).

 

Os pesquisadores mostraram que os pacientes que sofreram um ataque cardíaco apresentaram níveis mais elevados de cortisol estatisticamente significativos durante o mês anterior ao evento. Eles ajustaram outros fatores de risco cardiovasculares estabelecidos, como pressão alta, níveis elevados de lipídios no sangue, tabagismo, histórico de ataques cardíacos, hereditários para ataques cardíacos e diabetes, e descobriram que o nível elevado de cortisol continua sendo um forte fator de risco para o coração ataque.

 

"É surpreendente que este biomarcador de estresse de longo prazo pareça ser forte mesmo em comparação com os fatores de risco cardiovascular tradicionais", disse Tomas Faresjö.

 

Um ataque cardíaco é uma lesão do músculo cardíaco devido à falta de fornecimento de oxigênio a uma parte do coração. Na maioria das vezes, se forma um coágulo sanguíneo que impede o sangue de fluir pelas artérias coronárias que fornecem sangue rico em oxigênio ao coração. A causa subjacente da maioria dos ataques cardíacos é a aterosclerose (endurecimento das artérias). Isso pode começar a surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas. Uma questão importante é se, e em caso afirmativo como, o estresse de longo prazo e a aterosclerose estão associados.

 

"Vamos investigar mais os mecanismos que podem explicar como os níveis de estresse afetam o risco de ataque cardíaco. Estamos particularmente interessados em vários marcadores de inflamação e calcificações nos vasos sanguíneos. Queremos investigar se eles estão relacionados ao estresse de longo prazo", disse Susanna Strömberg, clínica geral e estudante de doutorado no Departamento de Saúde, Medicina e Ciências Assistenciais da Universidade de Linköping.

 

Os pesquisadores não podem explicar completamente o que causa os altos níveis de cortisol observados nos participantes do estudo. Isso se deve ao fato de que o estresse pode ser resultado de fatores internos, como outra doença, ou externos, como dificuldades econômicas ou eventos importantes da vida. Eles ressaltam que a vivência do estresse nem sempre coincide com o estresse biológico. Um indivíduo pode se sentir estressado, sem ter nenhuma medida objetiva de estresse. E o oposto também pode ser verdadeiro: os sistemas de estresse do corpo podem ser altamente ativos, mesmo que o indivíduo não se sinta estressado.

 

O estudo recebeu apoio financeiro da AFA Insurance.

 

Fonte https://www.sciencedaily.com/releases/2021/02/210210133320.htm - Fonte: Linköping University - Foto UOL

domingo, 25 de abril de 2021

Falta de vitamina D pode aumentar risco para Covid-19, sugere estudo


Pesquisa feita pela Universidade de Chicago associou a carência do hormônio às chances de apresentar a infecção provocada pelo coronavírus

 

Pessoas com níveis reduzidos de vitamina D na corrente sanguínea correm mais risco de desenvolver a Covid-19, sugere um novo estudo conduzido pela Universidade de Chicago. A pesquisa, feita com 4.368 voluntários, descobriu que a deficiência da substância pode aumentar em até 7% as chances de infecção pelo coronavírus. Para as pessoas negras com níveis baixos de vitamina D, o risco encontrado foi 2,6 vezes maior. A pesquisa foi publicada na revista científica The Journal of the American Medical Association (JAMA) .

 

A vitamina D é, na verdade, um hormônio que atua no funcionamento saudável do sistema imunológico. Ela é responsável por regular o metabolismo ósseo do corpo, pois facilita a absorção de cálcio, elemento químico essencial para a saúde dos ossos e dos dentes. Além disso, a substância ajuda a prevenir doenças, como diabetes e obesidade, combate o envelhecimento precoce, fortalece o sistema imunológico e melhora a saúde cardiovascular.

 

O estudo mostrou que pessoas brancas com níveis sanguíneos de vitamina D abaixo de 40 ng/mL tinham um risco 7,2% maior de testar positivo para a Covid-19. Negros com níveis entre 30 e 40 ng/mL apresentaram 2,6 vezes mais probabilidade de desenvolver a doença. Os participantes negros também apresentaram quase três vezes mais probabilidade de serem hospitalizados e duas vezes mais probabilidade de morrer por conta da infecção por Sars-CoV-2.

 

Os pesquisadores frisam, contudo, que o estudo não prova que a ingestão de vitamina D protege contra a Covid-19, mas sugere que quantidades suficientes da substância podem ajudar a reduzir o risco de desenvolver a doença.

 

Estudos futuros

Segundo David Meltzer, chefe de medicina hospitalar da Universidade de Chicago Medicina e principal autor do estudo, os resultados são um indício da necessidade de novos ensaios clínicos que testem se a vitamina D pode ou não ser uma intervenção viável para reduzir o risco da doença, especialmente em pessoas negras.

 

De acordo com a pesquisa, atualmente a ingestão de vitamina D recomendada para adultos é de 600 a 800 unidades internacionais (UI) por dia. “A National Academy of Medicine afirma que tomar até 4 mil UI por dia é seguro para a grande maioria das pessoas, e o risco de hipercalcemia (condição em que o cálcio se acumula na corrente sanguínea e causa náuseas, vômitos, fraqueza e micção frequente) aumenta em níveis acima de 10 mil UI por dia”.

 

A vitamina D estimula a produção de glóbulos brancos, que patrulham a corrente sanguínea e estão entre as primeiras linhas de defesa contra a infecção por bactérias e vírus, incluindo o vírus Sars-CoV-2, que causa a Covid-19. A substância também diminui a inflamação, que geralmente fica fora de controle em pacientes infectados pelo coronavírus.

 

Além da suplementação, outra forma de aumentar os níveis de vitamina D no sangue é via alimentação, com uma dieta rica em peixes oleosos como salmão, carne vermelha ou gema de ovo. Algumas folhas, como a couve, também ajudam na produção de substâncias.

 

Fonte: https://www.metropoles.com/saude/falta-de-vitamina-d-pode-aumentar-risco-para-covid-19-sugere-estudo - Glaucia Chaves - iStock

sábado, 24 de abril de 2021

O exercício aumenta o fluxo sanguíneo para o cérebro, segundo estudo


Os resultados aumentam as evidências de que programas de exercícios podem ajudar adultos mais velhos a retardar o início da perda de memória e demência

 

Não são apenas as pernas e o coração que treinam quando você caminha rapidamente; o exercício também afeta o cérebro. Um novo estudo mostra que, quando adultos mais velhos com leve perda de memória seguiram um programa de exercícios por um ano, o fluxo sanguíneo para o cérebro aumentou.

 

Não são apenas as pernas e o coração que treinam quando você caminha rapidamente; o exercício também afeta o cérebro. Um novo estudo realizado por pesquisadores da UT Southwestern mostra que quando adultos mais velhos com leve perda de memória seguiram um programa de exercícios por um ano, o fluxo sanguíneo para seus cérebros aumentou. Os resultados foram publicados online hoje no Journal of Alzheimer's Disease .

 

"Isso é parte de um crescente corpo de evidências que liga o exercício à saúde do cérebro", disse o líder do estudo Rong Zhang, Ph.D., professor de neurologia da UTSW. "Nós mostramos pela primeira vez em um estudo randomizado com esses adultos mais velhos que o exercício faz com que mais sangue flua para o cérebro."

 

Até um quinto das pessoas com 65 anos ou mais têm algum nível de comprometimento cognitivo leve (MCI) - pequenas mudanças no cérebro que afetam a memória, a tomada de decisões ou as habilidades de raciocínio. Em muitos casos, o MCI progride para demência, incluindo doença de Alzheimer.

 

Cientistas demonstraram anteriormente que níveis mais baixos do que o normal de fluxo sanguíneo para o cérebro e vasos sanguíneos mais rígidos que levam ao cérebro estão associados a MCI e demência. Estudos também sugeriram que exercícios aeróbicos regulares podem ajudar a melhorar a cognição e a memória em idosos saudáveis. No entanto, os cientistas não estabeleceram se há uma ligação direta entre exercícios, vasos sanguíneos mais rígidos e fluxo sanguíneo cerebral.

 

"Ainda há muito que não sabemos sobre os efeitos do exercício no declínio cognitivo mais tarde na vida", diz C. Munro Cullum, Ph.D., professor de psiquiatria da UTSW e co-autor sênior do estudo. "MCI e demência são provavelmente influenciados por uma interação complexa de muitos fatores, e pensamos que, pelo menos para algumas pessoas, o exercício é um desses fatores."

 

No estudo, Zhang, Cullum e seus colegas acompanharam 70 homens e mulheres com idades entre 55 e 80 anos que haviam sido diagnosticados com MCI. Os participantes foram submetidos a exames cognitivos, testes de condicionamento físico e exames de ressonância magnética (MRI) do cérebro. Em seguida, eles foram aleatoriamente designados para seguir um programa de exercícios aeróbicos moderados ou um programa de alongamento por um ano. O programa de exercícios envolveu três a cinco sessões de exercícios por semana, cada uma com 30-40 minutos de exercícios moderados, como uma caminhada rápida.

 

Em ambos os programas, fisiologistas do exercício supervisionaram os participantes durante as primeiras quatro a seis semanas, depois fizeram com que os pacientes registrassem seus exercícios e usassem um monitor de frequência cardíaca durante o exercício.

 

Quarenta e oito participantes do estudo - 29 no grupo de alongamento e 19 no grupo de exercícios aeróbicos - completaram o ano inteiro de treinamento e retornaram para testes de acompanhamento. Entre eles, aqueles que realizaram exercícios aeróbicos mostraram diminuição da rigidez dos vasos sanguíneos do pescoço e aumento do fluxo sanguíneo geral para o cérebro. Quanto mais o consumo de oxigênio (um marcador de aptidão aeróbica) aumenta, maiores são as alterações na rigidez dos vasos sanguíneos e no fluxo sanguíneo cerebral. Mudanças nessas medidas não foram encontradas entre as pessoas que seguiram o programa de alongamento.

 

Embora o estudo não tenha encontrado nenhuma mudança significativa na memória ou em outras funções cognitivas, os pesquisadores dizem que pode ser devido ao pequeno tamanho ou curta duração do teste. Mudanças no fluxo sanguíneo podem preceder mudanças na cognição, dizem eles. Eles já estão realizando um estudo maior de dois anos, Redução de Risco para Doença de Alzheimer (rrAD), que investiga a ligação entre exercícios e declínio cognitivo.

 

“Provavelmente, existem algumas pessoas que se beneficiam mais com os exercícios do que outras”, diz Cullum. "Mas com o tamanho da amostra neste estudo, foi difícil analisar subgrupos de pessoas para tirar essas conclusões."

 

Ainda assim, os dados são importantes para ajudar a explicar os efeitos dos exercícios no cérebro e por que podem ser benéficos, dizem Zhang e Cullum, membros do Peter O'Donnell Jr. Brain Institute.

 

"Ter descobertas fisiológicas como essas também pode ser útil para os médicos quando conversam com seus pacientes sobre os benefícios dos exercícios", diz Zhang. "Agora sabemos, com base em um ensaio randomizado e controlado, que o exercício pode aumentar o fluxo sanguíneo para o cérebro, o que é uma coisa boa."

 

Cullum detém o Distinguished Professorship Pam Blumenthal em Psicologia Clínica na UT Southwestern.

 

Esta pesquisa foi financiada com fundos do National Institutes of Health (R01AG033106 e R01HL102457).

 

Fonte: https://www.sciencedaily.com/releases/2021/03/210323131213.htm